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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Which weapons has Russia moved to Kaliningrad?
Bastion land-based coastal-defense missile launchers: In October, Russia beefed up its anti-shipping defenses in Kaliningrad with these launchers. Since then, it has used them as an offensive weapons against rebel positions in Syria. According to IHS Jane's 360, the supersonic missiles fired from the Bastion have a range approaching 200 miles. In a conflict, they could be used against NATO ships trying to reach the Baltic states.
S-400 land-based air-defense missiles: Russia has already installed these state-of-the-art missile systems to protect its air base in Syria. The S-400 can simultaneously track and strike a number of aerial targets at once at ranges of up to 250 miles. In Kaliningrad, S-400s would be capable of targeting NATO aircraft and missiles over most of the Baltic region.
Kalibr nuclear-capable ship-based cruise missiles: In October, Russia sent two missile frigates to Kaliningrad equipped with launchers that can fire these missiles more than 900 miles. A Russian missile frigate based off Syria has launched Kalibr missiles at rebel forces.
Iskander-M mobile nuclear-capable land-based ballistic missile system: The Iskander-M is a mobile short-range ballistic missile system with an official range of just more than 300 miles. That complies with the limits set by the landmark 1987 Intermediate-range Nuclear Forces Treaty signed by the United States and the Soviet Union. Iskander is extremely mobile and hard to detect and has superior accuracy.
That sounds bad. What could be worse?
Longer-range, nuclear-capable land-based ballistic missiles: The United States accuses Russia of developing land-based ballistic missiles with a range much greater than allowed by the INF treaty — some military estimates suggest that Russia has tested a missile that could reach major European capitals. The whole point of the INF treaty was to eliminate the threat of rapid nuclear escalation posed by hidden launchers carrying devastating weapons a short flight time. But Moscow denies the allegation and says that it is the United States that is breaking the treaty with illegal intermediate missiles of its own.
(pensar que Kalininegrado era a cidade de Kant, quando se chamava Königsberg e que nem a campa dele sobreviveu às guerras e às revoluções dos alucinados do século XX)

A minha pergunta é a seguinte: se querem a paz porque constroem armas de guerra desta natureza?
O homem tem imensos fãs. No site da estação, os comentadores chamam-lhe o salvador, o 'peacemaker', génio, superhomem.... acho que os calendários em que aparece montado em ursos e coisas dessas resultam.
Trump é um socas em versão global ao tamanho do país que quer liderar mas, não é o Putin. Putin é muito mais perigoso mas, não ao nível dos grandes ditadores totalitários psicopatas do século XX. No entanto, o Erdogan é-o. É um decalque desses ditadores nos primeiros anos de poder, aí pelo início dos anos 30. O modo como encarna o papel sem a mínima distância analítica, completamente colado, na sua consciência da duplicidade, é assustador. Os três são megalómanos e têm enorme sede de poder, mas não têm o mesmo nível de perigo: o Trump é ignorante e facilmente manipulável mas os outros dois não. No entanto o Putin não é destravado, tem é uma formação de KGB e enorme falta de auto-crítica devido à tradição não-democrática do país dele. É um Cunhal mas em escala grande, claro: inteligente, dogmático, calculista, sem escrúpulos, capaz de quase tudo para atingir os fins e com um enorme ego como todos os self-made man. O Erdogan é de outra categoria de perigo. Ele está a evoluir e certas características do carácter dele só agora se estão a des-mascarar e a aparecer muito claras. E o que se vê assusta. Se lhe derem espaço ele há-de causar muito dano.

É sabido que Putin considera "a queda da União Soviética como a maior catástrofe geopolítica do século XX". O que isto quer dizer é que ele considera uma grande catástrofe geopolítica a expansão americana e, pensa que lhe cabe a ele o renascer da fénix russa como travão à expansão capitalista americana.
Em parte a culpa dele ter acordado da hibernação em que estava é da UE e dos EUA que falharam completamente na análise do carácter e intenções do homem. Inicialmente ele só queria ser considerado um europeu, parceiro da UE e co-desenhador das políticas do mundo. Pensava que a UE, ao alargar-se, tornar-se-ia uma potência e, munida dos seus ideiais não bélicos, traria equilíbrio ao mundo enquanto travão da expansão e ideal de hegemonia americanas.
O desprezo a que o votaram desencadeou a sua revolta e ressentimento: primeiro a UE foi-se alargando sem assumir o seu papel de travão dos EUA; pelo contrário, juntaram-se na NATO e entraram pelo bloco de Leste adentro... é evidente que isto o alarmou. Os EUA já enfiavam a Monsanto na Ucrânia, esse celeiro da Rússia e ameaçavam atirar a Rússia para o século XVIII em termos de poder e influência geopolíticas.
Agora quer erguer o império destruído, senão em território, pelo menos em área geopolítica de influência. Ele quer ser o porta voz dos que não confiam nos EUA e acham o imperialismo americano um prejuízo no mundo. Para conseguir essa proeza precisa duma Europa enfraquecida (já que não pode contar com ela como travão) coisa que a Europa está a conseguir sozinha e sem ajuda de ninguém.
Neste momento, o Putin quer o apoio da China, da Índia e do Brasil, três monstros que fariam desequilibrar a balança para o seu lado. A Europa está entretida a implodir-se. Os EUA, neste momento, só querem travar a Rússia e, se for preciso, entram no cenário de guerra do Médio Oriente ao lado da Arábia Saudita e da Turquia só para que estes não se passem para o lado do Putin, o que neste momento é fácil visto este ter desencadeado inimizades com Erdogan. No entanto, estes dois países também têm interesses de domínio na zona.
Enquanto todos estão de arma na mão à espera, Putin deu mais um passo no caminho da alienação. O seu formidável e forte conselheiro, Sergei Lavrov, considerado um desenhador de políticas, próximo da Europa, foi quase completamente afastado, já não participa das discussões e diz-se mesmo que já só é o porta-voz de Putin que, neste momento, já quase não governa a partir de Moscovo mas do seu palácio de Odintsovo com os seus amigos e camaradas de longa data e sem os especialistas que nestes últimos anos têm governado a Rússia. É evidente que este isolamento é alarmante e geralmente costuma ser o princípio da alienação dos grandes líderes que perdem a perspectiva de si mesmos e dos acontecimentos.
Toda a situação de Putin contra os EUA e a UE faz lembrar a situação do Keiser contra a Inglaterra na 1ª guerra... o desprezo a que é votado, as ambições, a visão de si mesmo como messiânico, a necessidade de se afirmar para superar o problema físico (em Putin o problema das origens), o ressentimento e o ódio aos que não lhe reconhecem a (em sua opinião) grandeza... é difícil as coisas complicarem-se mais... a não ser que a eleição do Presidente americano seja mais uma acha para a fogueira dos mal entendidos...
A UE se estivesse sólida e unida, de facto, em vez de ser um conjunto de países a ver quem lixa mais quem, poderia ter um papel muito importante junto da Turquia que está à beira de um ataque de nervos e de outros países da zona que estão sedentos por um papel de relevo no mundo e dispostos a arriscar a guerra por ele.
Agora a Crimeia vai ficar ligada à Rússia por estrada...
Giving his annual speech today to the Ministry of Defence, President Putin has said that Russian forces in Syria must “act very firmly, destroying any targets that threaten the Russian position in Syria.” (via Kasparov)

Putin. Abate de avião foi uma “facada nas costas” que terá consequências
“A perda de hoje foi uma facada nas costas que nos foi dada por cúmplices de terroristas”, disse Putin numa conferência de imprensa conjunta com o rei da Jordânia, Abdallah II.
Putin precisa muito desta aliança global para que o mundo lhe esqueça a Ucrânia. Obama sabe disso. Isso vê-se na cara e no olhar de um e de outro. Nós precisamos que os dois se entendam urgentemente na questão da Síria e do EI.

nas NU em final de Setembro
É a Síria que vai permirtir-lhe desatar o nó górdio em que estava metido com a Ucrânia.
Convocou Al-Assad à Rússia para lhe explicar como é que ele deve comportar-se politicamente no seu próprio País no fim do conflito, que tipo de regime vai instaurar e como. Al-Assad a tudo disse sim, claro, que a alternativa é ser linchado como os outros dois ou, pior, ter que gramar com uma democracia nos queixos.
Putin chega a Pikalevo, uma pequena cidade onde as pessoas dependem duma fábrica que fechou as portas e deixou de pagar aos trabalhadores durante a crise. A fábrica pertence ao bilionário Oleg Deripaska. Putin, em frente das câmaras da TV humilha Oleg Deripaska. Diz-lhe que a sua administração é um bando de gente gananciosa e sem profissionalismo; que deixaram milhares de pessoas em dificuldades; diz-lhes que não precisa deles para nada e que, se não puserem rapidamente a fábrica a trabalhar, os tira do lugar e põe outros no lugar deles. Depois, manda o bilionário assinar um acordo de entendimento que ele mesmo fez. Atira-lhe a caneta com desprezo e trata-o como um professor primário trata um puto.
É por isto que o Putin é tão popular. Quem é o Presidente que tem a lata de fazer isto aos grandes bilionários que destroem milhares de postos de trabalho por mera ganância e incompetência? No entanto, é por isto que a Rússia não se desprende do autoritarismo. Putin governa um País que obedece e cumpre deveres por medo e não por consciência das suas responsabilidades sociais. No dia em que ele for embora os russos vão almejar outro papá que os proteja. É fácil ser ditador e governar com abuso de poder e arbitrariedades, o difícil é governar democraticamente: com respeito pelas pessoas, sem auto-privilégios [Putin critica a ganância dos administradores esquecendo que ele mesmo é dono de uma fortuna de 70 biliões mais vinte e tal mansões luxuosas em zonas protegidas, fora as posses da sua entourage de incompetentes auto-priviligiados que vivem dos abusos de poder], com decisões discutidas com parceiros sociais, consensuais, em vez de unilaterais para agradar aos que o rodeiam e à sua própria vaidade.
Hoje o Putin desprezou o bilionário, amanhã despreza o povo porque governa sem ética nem princípios, apenas interesses e vaidade. No entanto, as pessoas gostam desta gente assim e só percebem como são medíocres quando são elas o alvo particular do desprezo deles. Daí a popularidade do homem, dentro e fora do País.
Não admira a quem está atento aos movimentos do homem. Ele pensa, como muita gente, com razão, que deixar a Síria sem cabeça, isto é, sem o Assad, vai ser uma repetição do caos do Iraque e da Líbia. Que essa cabeça seja uma ditadura não só não o incomoda como até tem vantagens na maneira dele pensar pois uma vez acabado o conflito, a Síria ficava na sua zona de influência e ele negociava com o Assad uma certa abertura política como condição de o deixar no poder.
O Ocidente está tão desorientado, em virtude das divisões internas americanas e do desvario da UE incapaz de definir-se que ele viu aqui uma oportunidade de capitalizar, forçando, por assim dizer, o Ocidente a aliar-se a ele no combate ao EI, com isso ganhar notoriedade positiva e força diplomática e ao mesmo tempo atirar para a sombra a crise da Ucrânia. E ainda vende armas e põe o exército em acção... o homem é um finório, não é de desperdiçar oportunidades.
... que o livro está caro...

Na segunda-feira passada Putin deu uma entrevista à RTS suíça (no vídeo abaixo). Como sempre, os jornais, que só vêem bola, só se interessaram por uma frase que ele disse sobre Blatter para chatear os EUA. O que é pena.
Em primeiro lugar ele sente-se numa posição de superioridade relativamente há um ano ou dois e, em grande parte, isso deve-se à crise que divide a Europa e que está a fazer mover, nas suas palavras, placas tectónicas nacionalistas.
A Europa, em vez de unir-se contra o avanço do EI e para resolver o problema da migração em massa dos que fogem à guerra (que ele faz questão de dizer, com razão, que é um problema que os EUA criaram e quem está pagar por ele são os europeus) está entretida numa luta de poder interno. Em vez de reduzir os nacionalismos acicata-os para tirar dividendos de poder. A Inglaterra já está com um pé de fora... e o Hollande a tentar estilhaçar o que já está fraco mas ainda não quebrado.
Putin sorri porque quanto mais a Europa enfraquece, interna e externamente, mais ele se fortalece, interna e externamente. A imprudência da Merkele ter dito que ele estava maluco é outra coisa que não se percebe. A arrogância com que tratam tudo e todos, mesmo os que são perigosos faz pensar em quem é que é louco...
Desde que os EUA abandonaram, unilateralmente, o acordo anti-mísseis balísticos para prosseguirem interesses próprios, abriram mão do equilibrio de forças que existia e, isso deu-lhe a ele legitimidade para também lutar pelos seus... é assim que ele vê a relação de forças e é evidente que se pensa numa posição moral superior nesse aspecto.
Hilary Clinton disse há pouco, a propósito do acordo dos EUA com o Irão que os EUA não confiam no Irão. A questão que ela não parece ver é que grande parte do mundo não confia nos EUA.
Os EUA são uma democracia para dentro mas não para fora. Têm tido um papel devastador, com poucos interregnos, no mundo: instabilizaram durante décadas a América Latina, depois os Estados do Médio Oriente com petróleo, fomentaram golpes de Estado, guerras... nos anos do Bush praticaram o rapto, o assassinato indiscriminado, a prisão indiscriminada e arbitrária, a tortura... e agora, Obama quer recuperar o papel de justiceiro moral do mundo passando uma esponja por cima de tudo o que foi feito. Os EUA passeiam-se pelo mundo a mandar prender pessoas como se o mundo fosse seu.
Putin vê-se como um defensor do resto do mundo contra a desmesurada força e falta de ética americanas dos últimos 50 anos ou assim. Obama, a NATO e Merkele falharam redondamente na abordagem dos problemas a Leste e isso custou à Ucrânia, a Crimeia e uma guerra civil.
Putin tem feito demonstrações de força militar na Europa (russia-s-putin-takes-swipe-at-u-s-in-victory-day) , tem violado o espaço dos países fronteiriços, que é uma maneira muito clara de dizer que, se a Europa quer estar completamente dependente dos EUA, que esteja, mas eles não estão dispostos a ser uma alínea nos interesses americanos. [Putin lamenta falta de «independência» da Europa face a Washington]
A Europa está numa encruzilhada perigosa e em risco de se ver numa situação da qual pode não conseguir, nem desembaraçar-se nem defender-se, interna ou externamente. E parece que os franceses e os alemães estão cegos a tudo que não seja o poder do seu directório.
Faz hoje um ano que a Rússia anexou a Crimeia e iniciou este percurso de, 'Regresso ao passado, orgulhosamente quase só'. O Ocidente não sabe o que fazer, como responder ou, melhor, como travar o Putin. Tiveram a oportunidade e deixaram-na passar.
“Crimea: o regresso a Casa”, um documentário para celebrar esta data, foi transmitido no canal Rossiya 1 no dia 15 de Março. Nele Putin gaba-se de ter planeado tudo e muito antes do referendo.
Indeed, Putin stated that he had ordered a specific force mix, including Russian military intelligence (GRU) Spetsnaz, elite airborne units (VDV) and marine infantry, to lead the operation under the guise of “reinforcing” the Russian Black Sea Fleet HQ in Sevastopol. In this sense, he takes sole credit for the entire operation, planned and coordinated though the Kremlin;
But on the possibility of conflict escalation, Putin said he would have placed the nuclear forces on alert if things had gone badly. The operation, in fact, resulted in a relatively smooth seizing of territory and no outside power tried to intervene; Putin’s later reference to the nuclear card seems calculated to be a warning to the West to tread carefully with Russia in the future and respect its interests (Rossiya 1, March 15).
Putin reinforced this message time and again during the documentary, saying he ordered the placement of K-300P Bastian-P coastal defense batteries to be seen from space, in order to send a message: this could only have been meant for the United States and the North Atlantic Treaty Organization (NATO) as a signal to “keep out” (Rossiya 1, March 15).
Ao contrário da cortina de ferro que era estática, esta nova linha nostálgica [do passado poderoso] geoestratégica é móvel e está em andamento. Agora foi à Ucrânia seccionar um corredor, desde a Crimeia até lá acima [ainda não está acabada] onde pode pôr os seus brinquedos [tanques, mísseis etc.] mas pode ir à Lituânia ou a outro país Báltico que tal como a Ucrânia, fazem fronteira com a Rússia e estão cheio de russos do tempo da gloriosa URSS, sabe-se lá se desejosos de 'regressar à Casa', prolongar para Norte o corredor começado na Crimeia. Ou seja, ele declara-se, não como alguém que agiu apenas para defender algo, cuja 'missão' foi cumprida mas como alguém que 'tem interesses futuros'... e meios para os ir buscar...
Isto -esta Putinline- assusta-me dramaticamente. Pior que isto só me assustam as pessoas que estão à frente dos organismos internacionais e países que têm que lidar com estas coisas porque que só têm feito asneiras.
Harriman Institute (Columbia University), New York City, USA, 11.17.2010.
Boris Nemtsov fala sobre a Rússia de Putin -a corrupção- os fundamentos do sistema de Putin, sobre a Ucrânia, sobre os problemas em construir um caminho de liberdade. Sobre as alianças de Putin com oligarcas corruptos, os negócios da Gazprom, a 'privatização do Kremlin' e a dificuldade de destruir um sistema corrupto. Um documento importante para se compreender a Rússia de Putin.
O assassinato de Boris Nemtsov, que muitos já comparam ao assassinato de Kirov em 1934, é um sinal visível da transformação de Putin num Kadafi. De grande escala, sim, mas um Kadafi, apesar de tudo. Quem olha para o mapa das fronteiras ocidentais da Rússia e olha para as movimentações militares recentes: na Crimeia - Ucrânia, na Lituânia e na Estónia e liga essas jogadas com os assassinatos dos opositores russos de Putin tem que ficar muito preocupado com o rumo óbvio dos acontecimentos. E, apesar de dizerem que a rússia de Putin não é a União Soviética de Estaline por causa da Glastnost e da globalização da informação, etc., o que conta nestas coisas é o poder das armas e o estar disposto a usá-las.
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