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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau

Compreende-se o ponto de vista de Obama. Não é altura de abandonar os Líbios resistentes à ferocidade do Kadhafi. Uma traição. Tal como parece uma traição a vista grossa que a Europa em geral tem feito à 'primavera árabe'. Os Europeus enchem a boca com palavras como liberdade e justiça, gabam-se do seu património de tolerância e democraticidade mas depois, quando os povos põem os olhos na Europa e se revoltam em nome da liberdade e igualdade, a o Ocidente e a Europa em particular fazem uns tímidos acenos e nada mais. Até parece que preferem lidar com ditadores que ponham o povo na ordem, recebam os subornos calados e não levantem questões éticas ou ambientais aos negógios das Corporações Multinacionais.
Como é que se explica a recusa sistemática em aprovar a entrada da Turquia na União? A Turquia, que é uma espécie de tampão entre a Europa e o Médio Oriente, em vez de se abrir à tolerância, como aconteceria se entrasse na UE, fecha-se cada vez mais no radicalismo. E com rancor à Europa a quem acusa de intolerãncia e racismo... com razão. Porque se quisessem mesmo a Turquia já tinham resolvido os problemas com ela. Impunham-se condições como se impõem a outros países. E não era um exemplo para o resto do mundo os povos da Europa entenderem-se para além da religião?
Mas esta Europa dos cegos está, por isso mesmo, a perder importância e, qualquer dia, relevância também.Que oportunidade perdida...
Se calhar o Obama vê estas coisas dum ponto de vista não egoísta mas global: pois tantos anos a temer as ditaduras árabes e agora que elas tentam ocidentalizar-se politicamente, voltamos-lhes as costas? A Europa só pensa em 'eu,eu,eu,eu'? Isso é uma traição a esses povos e, pior, a nós próprios.
Afinal parece que há imagens e tudo está filmado...

O André emprestou-me este livro ontem. Já o li. Lê-se duma penada. O livro é uma espécie de autobiografia política misturada com reflexões sobre os problemas dos EUA, da natureza das pessoas, das suas vidas, problemas e aspirações. O livro é inspirador sobretudo porque vemos que há outra maneira de fazer política para além dos jogos de poder do costume. Foi apelidado de naif e no início da sua vida pública andou de porta em porta, de barbearias a talhos, de igrejas a transeuntes na rua, interpelava as pessoas para discutir com elas o que podia ser o futuro do País.
É claro que este não é um indivíduo qualquer. É uma pessoa extremamente inteligente, culto e consciente. Tem uma visão global dos problemas. Compreende e percebe os mecanismos da macro-economia na sua relação com a política, a natureza humana, e a História. Acredita nos fundamentos e nas virtudes da democracia e está constantemente a aferir o grau do desvio dos EUA actuais relativamente à visão dos Fundadores da América que considera correcta. Pensa em soluções que resistam ao tempo um pouco como o próprio Jefferson e os outros que tinham essa angústia de construir uma América com fundamentos democráticos tão fortes que resistisse às tentativas de tirania (e aos idiotas) de que seria, inevitavelmente, alvo, sendo o poder absoluto a grande tentação dos tiranos.
O livro está dividido por temas - Constituição, Política, Raça, Fé, Família, Mundo, etc.
Vê-se que é um indivíduo que gosta da luta política, do desafio de pôr em prática uma visão. É uma pessoa criativa. Acima de tudo não perdeu o contacto com a realidade, com as pessoas que labutam e consigo próprio. Não é o típico livro de auto-promoção de um político. É o livro de um homem que tem uma visão para o seu país e pensa que pode ser útil nesse campo. Está consciente da pequenez das políticas mundiais actuais face ao gigantismo dos problemas. É intelectualmente honesto. Fala constantemente da Educação como instrumento de crescimento do País em todos os níveis: não só na competitividade mas também no nível cultural que alimenta a visão e os horizontes, mais , ou menos, tacanhos, das pessoas.
É uma pessoa civilizada no modo de fazer política. Enfim...a diferença em relação a quem nos governa é tão grande, tão grande...
The crises is still being experienced by ordinary Americans, with unemployment reaching a 26-year-high, yet the banking industry is falling back on the old practice of awarding its staff massive bonus payments. US President Barack Obama has been infuriated by the financial industry's return to business as usual barely a year after the global financial crisis forced the state to come to the rescue.
Now White House officials say the president is due to announce a special fee on Thursday on the country's biggest firms to recoup up $120 billion (€82 billion) in taxpayers' money. That is the likely figure that the administration officials expect to lose from the $700 billion Troubled Asset Relief Program (TARP) that bailed out banks, automakers and other financial firms. The president is expected to outline the exact details of the fee when he releases his 2011 budget next month.
É assim nos EUA - o presidente vai impôr uma taxa aos bancos para recuperar 120 biliões dos 700 biliões que emprestou aos bancos na hora pior da crise. É dinheiro dos contribuintes que ainda estão a sofrer da crise enquanto em Wall Street já voltaram aos esquemas de bónus aos banqueiros e tal.
E cá em Portugal? Vai o Sócrates exigir a devolução de parte dos biliões que enfiou nos bancos do dinheiro dos contribuintes? Ou vai ainda taxar mais os contribuintes? E em primeiro lugar os professores? Esses ricassos priviligiados que ele elegeu como inimigos públicos número um? Bandidos como são chamados pelos jornais e ministros e outra gente do poder, esses pobres coitados que ficam na miséria depois de passar pelo poder, pela banca e empresas públicas?
SOL
Estive a ler um pouco do discurso do Obama no Cairo onde fala no “mundo que buscamos” onde “extremistas não ameacem a população, e tropas Estadunidenses retornem a casa; um mundo onde Israelitas e Palestinianos estejam ambos seguros nos seus próprios territórios” e onde questões energéticas não gerem mais conflitos – um mundo onde os governos sirvam seus cidadãos e os direitos de todos sejam respeitados."
Uma pessoa lê isto e fica com alguma inveja de quem tem um presidente que tem esta visão do mundo e das pessoas. Que tem uma noção de serviço público, que incentiva ao estudo, à afirmação dos direitos e das liberdades, à responsabilização dos poderes públicos, etc. Eu sei bem que o que conta são as acções muito mais que as palavras. Mas por cá, nem as palavras estão à altura da situação. E os actos, é o que se vê: destruir o que é público e com isso deixar as pessoas sem o exercício dos seus direitos.
A destruição da escola pública foi o maior ataque à democracia desde o 25 de Abril. Reduziu-se quase a zero a mobilidade social, e daqui para a frente a qualidade de vida é para quem já a tem à partida.
A Maria de Lurdes Rodrigues foi a pior ministra da educação, de sempre, e pagaremos muito caro a sua falta de cultura intelectual, humanista e democrática.
jornal SOL
Qualquer pessoa pode enviar a partir de hoje perguntas a José Sócrates, dez das quais serão respondidas em directo no próximo dia 25 no site de apoio ao secretário-geral do PS, divulgou fonte do partido. Que atraso de vida o primeiro ministro deste país! Pensa que isto do Obama ter um site da presidência é uma espécie de moda que fica bem de modo que vai imitá-lo e fingir que se interessa pelas preocupações das pessoas para além do círculo restrito dos 40. Quando é que nos veremos livres deste tipo? Que venha outro. Pior que isto só aqueles que há 450 anos nos venderam aos espanhóis.
O editorial do NYT, sobre a educação, faz um apanhado dos pontos mais relevantes do discurso do presidente Obama sobre a educação. É desesperante! É tudo, mais do mesmo!
→ www.nytimes.com/2009/03/12/opinion/12thu1.html
1. Vai fazer uma super reforma;
2. Não apresenta uma única ideia sobre a educação propriamente dita: fala, sim, de excelência de resultados (sempre os mesmos chavões ocos), de dinheiro, de avaliar professores (já se sabe que de x em x anos os professores são avaliados por critérios diferentes, ao sabor das reformas dos 'especialistas da educação' e dos governantes reformisto-economistas) e de despedir professores.
3. A reforma não vai mudar nada; quer dizer, não se modifica a lógica da estrutura curricular, do funcionamento das escolas, do apoio às famílias, das aprovações/reprovações: a reforma é, sobretudo, questão de dinheiro para cativar alguns do sistema.
Os professores cujos alunos tenham melhores notas recebem mais dinheiro; os professores de matemática e de ciências terão estatuto (superior) à parte e receberão mais dinheiro. O artigo diz também que o presidente vai pôr a reforma à votação: serão os eleitores a decidir as reformas - como os 'especialistas da educação' não souberam fazer as reformas ele considera, talvez, que não há ninguém mais abalizado para se pronunciar sobre o assunto.
É claro, não é preciso ser muito esperto para perceber que a 'super reforma' está condenada ao fracasso, antes mesmo de começar.
Estas notícias são uma desilusão desencorajante (porque isto há-de servir para os nossos paradigmas da educação caseiros reforçarem a sua cegueira e incompetência, agora que têm um exemplo fresquinho vindo do admirável Mundo Novo).
A culpa do estado da educação é desta gente tornada estúpida pela ignorância, mas a culpa da desilusão é toda minha. Lembro-me das palavras de Sócrates, no Fédon de Platão, quando explica a Símias e Cebes que o problema da misantropia e da misologia reside nas próprias pessoas que delas sofrem: têm grandes expectativas e ilusões ácerca dos outros e depois, quando os vêem como aquilo que são e sempre foram, homens que erram, que mostram ignorância, etc., etc., desiludem-se com as pessoas e os argumentos.
A ideia de aplicar critérios de economia de gestão às escolas e à educação em geral é tão errada! Pôr a competição por dinheiro como fundamento e meta da educação e da sua prática desvirtua completamente o essencial da educação, bem como a profissão de professor! Desvirtua-os no verdadeiro sentido da palavra: despoja-os de toda(s) a(s) virtude(s). Ora, quando se despojam as coisas e os processos das suas virtudes, é inevitável que surjam e se instalem...os vícios.
Mas hoje não vou aí que depois de ler aquilo fiquei desanimada.
www.nytimes.com/2009/02/22/washington/22bagram.html
Li, nesse artigo do New York Times acima linkado, que Obama mantém um dos argumentos chave da administração Bush segundo o qual se nega aos prisioneiros do Afeganistão o direito de contestar a sua prisão. Por outras palavras, não terão direito a advogado, não terão direito a justiça. Ou ainda, estarão excluídos do grupo dos indivíduos a quem se reconhece direitos humanos e, por consequência, humanidade.
Mais uma decepção...
A ver a tomada de posse de Barak Obama e a ouvir as suas palavras no almoço do congresso é impossível não fazer cálculos da distância que separa a esperança que este presidente fez renascer no seu povo com a sua liderança inspirada e inspiradora, o seu sentido de serviço público, de responsabilidade e de História, e a desesperança que os nossos líderes incuntem no povo com a sua irresponsabilidade, ausência de sentido de História, ganância, fraudulência, ignorância e generalizada mediocridade.
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