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Envelhecida e desequilibrada, China põe fim à política de filho único

 

O planeta tem gente a mais e já faltam recursos e a China é um dos grandes responsáveis mas em vez de manter o controlo do crescimento da população resolveu abrir as portas ao descontrolo. Têm falta de jovens? Pois, também nós e muitos outros. Essa é a maneira de baixar o número descontrolado de pessoas que está a deixar o planeta à beira duma catástrofe: deixar que o número de mortes [idosos] seja bastante maior que o número de nascimentos. Isso piora a competitividade económica? Talvez, mas o ser humano desaparecer por excesso de gente e de malfeitorias feitas ao planeta para sustentar tanta gente é muito pior, não?

Estão desequilibrados e têm muitos rapazes e poucas raparigas? Isso não se deve à política de filho único mas a perpétuarem um sistema machista onde as mulheres só têm obstáculos e os homens portas abertas. É por isso que os pais abortam as raparigas e só querem rapazes. Há muitos anos que se vê esse problema a crescer. Corrigir políticas erradas com outras ainda piores para não mexer nas injustiças dos sistemas... Isto é de loucos. O planeta, como diz um amigo, ainda vai piorar muito, antes de melhorar.

 

 

publicado às 10:05


Poemas da dinastia Tang

por beatriz j a, em 27.03.15

 

 

 

 

 

Meng Haoran

RETURNING AT NIGHT TO LUMEN MOUNTAIN


A bell in the mountain-temple sounds the coming of night.
I hear people at the fishing-town stumble aboard the ferry,
While others follow the sand-bank to their homes along the river.
…I also take a boat and am bound for Lumen Mountain —
And soon the Lumen moonlight is piercing misty trees.
I have come, before I know it, upon an ancient hermitage,
The thatch door, the piney path, the solitude, the quiet,
Where a hermit lives and moves, never needing a companion.

 

 

publicado às 20:17


Acordar no planeta

por beatriz j a, em 26.10.14

 

 

 

panjin river beach in China - imagem da net

 

 

 

publicado às 10:26


O princípio do fim do dólar?

por beatriz j a, em 31.08.14

 

 

 

Séisme : Russie et Chine abandonnent officiellement le pétrodollar

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Après que Vladimir Poutine a annoncé le 14 août dernier que la Russie voulait désormais vendre son gaz en devises nationales et plus en dollar américain, il n’aura pas fallu attendre longtemps pour que Moscou mette au point un accord global avec la Chine allant en ce sens.

 

chine russie

 

 

Selon RIA Novosti qui cite la revue Kommersant, le gouvernement russe a d’ores et déjà expédié deux navires vers l’Europe avec à leur bord 80 000 tonnes de pétrole en provenance de Novoportovskoye, un champ d’extraction situé dans l’Arctique. Ces deux livraisons seront réglées en roubles et pas en dollars, du jamais vu.

 

La Russie livrera aussi du pétrole via l’oléoduc Est-Sibérien/Océan Pacifique (ESOP) à destination de la Chine qui sera réglé en yuans chinois.

Selon Kommersant, il s’agit là d’une mesure de « protection » de la Russie consécutive aux sanctions prises par les États-Unis à son encontre.

 

Lire la suite sur Breizatao.com

 

 

 

publicado às 01:27


Aniversários - O massacre de Tiananmen

por beatriz j a, em 04.06.14

 

 

 

Acima de tudo não deixar esquecer e não desvalorizar os actos e a coragem dos que se sacrificam pelos outros. Ainda hoje não sabemos quantos estudantes e civis morreram...

 

 

 

 

 

Photo of the protest in Tiananmen Square.

Photograph by Peter Turnley, Corbis
.
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No dia 15 de Maio de 1989, mais de 300 mil estudantes chineses manifestaram-se pedindo mais liberdade e democracia. O fotógrafo Turnley, em vez de fotografar o encontro entre Mikhail Gorbachev e Deng Xiaoping decidiu antes fotografar os estudantes. NG
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De início os estudantes pensaram que o exército estaria do seu lado. Muitos eram ex-companheiros de estudo.
Photo of a protester in Tiananmen Square.
Photograph by Peter Turnley, Corbis

 .

 .

No dia 3 de Junho as coisas complicaram-se e nessa noite as tropas usaram tanques para forçar os estudantes a sair. Os estudantes recusaram sair. A cada 15 minutos os soldados abriam fogo com as metralhadoras e deitavam abaixo os estudantes da linha da frente. Estes recolhiam os corpos e uma nova linha avançava. Foi assim durante toda a madrugada do dia 4 até ao nascer do dia. Até hoje não se sabe quantos morreram porque é proibido falar no assunto, na China.

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Photo of a PLA tang burned by students with bicycles hanging off the side.

Photograph by Peter Turnley, Corbis

 

publicado às 05:48


Cá... nem tigres, nem moscas...

por beatriz j a, em 29.12.13

 

 

Caso de corrupção com mais de 500 deputados regionais na China

O caso, de acordo com a Xinhua, envolve 512 dos 527 deputados do hemiciclo da cidade de Hengyang que terão sido subornados com um montante de 110 milhões de yuan (cerca de 13,2 milhões de euros) para escolherem 56 dos seus elementos para a assembleia legislativa provincial, o órgão imediatamente superior na hierarquia comunista.

 

O Presidente chinês Xi Jinping assumiu que o combate à corrupção seria uma das bandeiras do seu Governo, tendo já sido condenados a penas de prisão perpétua nomes como Bo Xilai, antigo ministro do Comércio, e Liu Zhijun, líder do influente Ministério dos Transportes Ferroviários.

Xi Jinping fez saber que a luta contra a corrupção é dirigida a todos, "os tigres e as moscas", metáfora utilizada para salientar que todos os casos sejam investigados da mesma forma, sejam altos cargos ou simples funcionários.

publicado às 14:47


Isto é na China

por beatriz j a, em 03.04.13

 

 

 

 

 

Crianças a caminho da escola têm de subir escadas em precipícios.

 

 

 

publicado às 05:33


associação de ideias

por beatriz j a, em 24.02.13

 

 

 

 

 

Chun Arthur Wang

 

 

 

Lenga-Lengas da infância:


O Senhor é Parvo

 

 

O senhor é parvo
Parvo é o senhor
Senhor dos passos
Paços do Concelho
Conselho de Ministros
Ministro de Guerra
Guerra Junqueiro
Junqueira Alcântara
Alcântara-Mar
Mar da China
China Xangai
Xangai Cheque
Xeque Mate
Mata quem?
Mato o senhor
O senhor é parvo
Parvo é o senhor

 

publicado às 18:10


Uma metáfora da situação da Europa

por beatriz j a, em 01.01.13

 

 

 

 

Moleiro Editor

Photo
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Isto parece-me uma matáfora da situação da Europa: a Merkele e os amigos a quererem que sejamos como a China estão a transformar a Europa num monstro que se destrói a si próprio.
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Estamos reféns da visão medrosa e tacanha dos economistas da moda e de políticos sem conhecimentos, sem bagagem cultural e sem envergadura que defendem que para competirmos com a China temos que tornar-nos iguais à China, escquecendo que tornarmo-nos iguais à China significa termos povos sem direitos humanos, sem direitos civis nem laborais, mantidos pouco acima da escravatura, em empregos onde não ganham para uma vida digna e, calados.
.
A Europa vinha a construir -com muitos precalços pelo caminho, é certo- uma sociedade governada pela razão, pela autonomia dos cidadãos e dos povos, pelo respeito dos direitos humanos, pelo ideal duma sociedade mais justa, mais igualitária, mais humana. Os outros povos do mundo olhavam para aqui quando queriam um ideal a atingir.
.
De repente, o fim da Guerra Fria e a globalização fizeram o mundo ocidental regressar ao capitalismo selvagem que defende, mesmo se à custa do avanço civilizacional de mais de dois ou três séculos, o sucesso a todo o custo, o lucro a todo o custo, a competição desenfreada e o crescimento a todo o custo.
.
Com esses princípios que contrariam o espírito europeu das luzes e do desenvolvimento sustentado das democracias, a Europa partiu para uma política de não cooperação entre os seus membros, mas de manipulação e exploração de uns pelos outros, com objectivos dúbios de pôr uns países na pobreza a servirem de mão de obra barata para os outros poderem competir com a China. Estamos a assemelhar-nos à China...
.
Mas quem é que quer uma Europa construída à maneira da China? Se tivéssemos políticos de qualidade e saber, aproveitávamos esta oportunidade histórica única para construir uma união entre povos, abdicando dum ideal -irrealista- de crescimento contínuo indefinidamente e apostando num crescimento cujo indíce de medida seja a qualidade de vida, a boa vida.
.
Porque não medir o índice da sociedade europeia pela qualidade vida dos seus cidadãos? Entendendo-se por qualidade de vida, uma vida digna onde ter uma educação e uma habitação e um trabalho não sejam um luxo mas um instrumento generalizado para a construção duma vida digna. Uma vida que não se esgota no trabalho porque uma boa vida tem que incluir tempo de lazer, tempo de família e a possibilidade de dedicar-se a fins pessoais.

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Ninguém tem o direito moral de desenhar para os outros uma vida de trabalho ou de miséria desde a infância até à cova.

.
É claro que para isso é preciso mudar muita coisa: em primeiro lugar a organização do trabalho. É preciso que as pessoas trabalhem menos horas e lhes seja pago um dia de trabalho, para que todos possam ter acesso ao trabalho. É preciso desistir do lucro desenfreado, apostar numa sociedade onde o dinheiro esteja mais bem distribuído e onde não se eduquem as pessoas para uma ideia de sucesso ligada a ter muitos bens de luxo.
.
É preciso mudar a educação que não pode ser vista apenas como meio de formar trabalhadores. Uma pessoa pode tirar um curso superior de música e ser agricultor, como pode tirar um curso de filosofia e ser trabalhador de um fábrica. Se a sociedade formar os seus cidadãos para serem pessoas úteis mas autónomas e críticas, aquilo que somos enquanto pessoas não estará, necessariamente, ligado ao trabalho que fazemos e, podemos ter um trabalho qualquer e prosseguir outros interesses pessoais no tempo disponível, sem que isso seja visto como insucesso, o que aumenta a nossa qualidade de vida. É claro que podemos não querer tirar um curso superior e estudar o suficiente para arranjar um trabalho. Mas, isso tem que ser uma opção da pessoa e não uma imposição de governos.
.
É preciso os economistas deixarem de vir, do alto da sua cátedra, dizerem aos políticos que a solução dos problemas é desqualificar a vida de quase toda a gente para não desagradar aos grandes barões das finanças que engolem povos.
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Era preciso que reorganizássemos a sociedade de modo a não nos desviarmos daqueles ideais do iluminismo, embora interpretados à luz actual, que continuam a ser ideais justos. Pois que interesse tem a vida colectiva da humanidade se não juntarmos esforços para nos melhorarmos enquanto humanidade?
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Isto parece difícil? Pois é... mas mais difícil foi o Galileu fazer valer a sua ideia de educação e ciência. Mais difícil foi vencer o nazismo. Mais difícil é pensar que estes séculos de luta onde tanta gente se sacrificou para que tivéssemos sociedades democráticas, governadas pela razão e não pelas religiões, onde as pessoas são vistas como pessoas e não como meros instrumentos do lucro alheio, serão todos perdidos e que daqui a cem anos estaremos como os chineses ou os árabes estão agora.
.
Não seria preferível aproveitar esta oortunidade única e construir uma sociedade de povos cooperantes, interessados mais na qualidade vida dos seus cidadãos que no lucro desmedido? Não seria excepcional chegar à sociedade das nações onde todos os dias se discutem guerras e massacres e dizer, 'olhem o que fizémos. E, se nós o fizémos outros também o poderiam fazer...?'
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Porque é que há-de ser impossível? Os povos querem-no. Ainda temos uma geração de pessoas que estudaram sem se endividarem para o resto da vida e estão conscientes do que está em causa, como se vê pelas saídas à rua de tantos milhares de pessoas em tantos países a protestar o rumo que a Europa está a seguir.
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Já os outros povos deixaram de olhar para a Europa como o ideal duma civilização justa... porque já não o é. É uma civilização que parece ter agora como objectivo degradar-se até ao nível da China. Como se vê pelas palavras deste Olli Rehn, temos na Europa uma falta aflitiva de políticos de qualidade.
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Olli Rehn diz que Portugal precisa de mais consolidação orçamental em 2014

“excesso de regulação da actividade empresarial e a rigidez do mercado laboral”, assim como o “acesso fácil a dinheiro barato” e a existência de “sectores protegidos”.

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Ainda estamos no 1º dia de 2013 e este indivíduo já vem dizer, sem nenhum pudor, que temos que continuar a despedir pessoas por 2014 adentro porque há muito dinheiro fácil(!) no país. Decerto o escandaliza que ainda haja um empregado com direitos laborais no país, pois o que se deseja mesmo é que nos tornemos como os trabalhadores da Apple na China onde os patrões das fábricas constroem muros à volta das fábricas suficientemente altos para eles deixarem de se suicidar.

.

A crise da Europa é uma crise de mediocridade das ideias, mediocridade dos políticos que nos governam e mediocridade dos economistas que os aconselham. Falta de ideias, falta de visão histórica, falta de coragem política, ganância própria dum modelo de capitalismo selvagem, próprio de sociedades não civilizadas. Fazem tudo ao contrário do que deveriam fazer!

 

 

publicado às 15:02


Das coisas belas

por beatriz j a, em 27.12.12

 

 

 

 

 leopardo das neves, China

 

 

 

Poema Das Coisas Belas

 

As coisas belas,
as que deixam cicatrizes na memória dos homens,
por que motivo serão belas?
E belas, para quê?

Põe-se o sol porque o seu movimento é relativo.
Derrama cores porque os meus olhos vêem.
Mas por que será belo o pôr do Sol?
E belo, para quê?

Se acaso as coisas não são coisas em si mesmas,
mas só são coisas quando coisas percebidas,
por que direi das coisas que são belas?
E belas, para quê?

Se acaso as coisas forem coisas em si mesmas
sem precisarem de ser coisas percebidas,
para quem serão belas essas coisas?
E belas, para quê?

António Gedeão, Poemas póstumos (1987)

publicado às 21:04


Estive a ler

por beatriz j a, em 25.12.12

 

 

 

 

... a página oficial da embaixada da China em Portugal. Tem logo na Homepage um texto intitulado, 'A Cotragem de Enfrentar a Verdade' acerca do diferendo com o Japão sobre as ilhas Diaoyu onde tece criticas ao espírito invasor do Japão e à sua falta de verdade... tudo o que lá está escrito podia ser escrito contra a China a propósito do Tibete...

 

publicado às 22:06


Pedir

por beatriz j a, em 05.02.12

 

 

 

 

As três condições colocadas pela China à chanceler Merkel

O diretor-adjunto do poderoso Center for International and Economics Exchanges da China explica porque Pequim ainda não se envolveu no Fundo Europeu de Estabilização Financeira nem na iniciativa do Fundo Monetário Internacional para resolver a crise da dívida na zona euro.

 

Isto é um bocadinho como um filho vir pedir-nos para sermos seus fiadores e nós, tendo recusado por não acreditarmos que vá pagar, irmos pedir a alguém que mora na outra ponta da cidade que se preste a ser seu fiador...

   

publicado às 07:30


a rendição ao capitalismo selvagem

por beatriz j a, em 03.10.11

 

 

 

MIKE DAISEY está chocado. Descobriu que os IPhones da Apple são fabricados na China. Esteve nas fábricas e ficou chocado ao ver as condições desumanas em que os trabalhadores operam, mais de 10  horas por dia, alguns com 12 anos de idade. Agora deixou de comprar produtos da Apple mas, como ele diz, isso não basta pois terá de comprar de outra marca que terá, muito provavelmente, os mesmos procedimentos: fazer produtos que se tornem rapidamente obsoletos de modo a obrigar-nos a comprá-los, sob pena de não conseguirmos funcionar e, ter trabalhadores a operar em condições miseráveis para lucrar o máximo possível.

Os mercadso, os mercados, a concorrência, as mais valias e o camandro....tudo palavras de embuste para despir os trabalhadores de direitos que custaram vidas e mais de um século a conseguir: o direito a um horário de trabalho justo, o direito ao descanso, à dignidade, às férias, o direito à infância.

 

publicado às 17:31

 

 

 

 

publicado às 14:32


Wikileaks

por beatriz j a, em 11.12.10

 

 

 

Este assunto da Wikileaks e da Perseguição ao Assenge faz-me lembrar o caso do professor de música que se suicidou por causa do assédio de que era vítima: só houve investigação séria depois de ser público e o Director lá da escola e da Direcção Regional só se interessavam em saber quem é que tinha dado com a língua nos dentes.

Pessoalmente acho que este assunto da Wikileaks representa uma porta de esperança para o mundo, porque mostra claramente que a 'sociedade digital' pode vir a cumprir o papel que de início muitos lhe atribuiam, que é do de permitir aos cidadãos controlarem efectivamente as instituições e governos e denunciarem os seus abusos. Doravante será muito mais difícil manter certo tipo de segredos e, sobretudo, escapar impune, pois a informação corre por canais digitais e é fácil aceder-lhe. Ainda bem que assim é. É assim que sabemos agora quem são os governos metidos em narcotráfico, quem são os governos que compactuam com torturadores, quem são os países que têm presidentes ladrões de bancos, quem são os países que subornam instituições internacionais, etc.

Por exemplo, seria impensável, noutra eras, a iraniana condenada a lapidação estar ainda viva. Seria ainda mais impensável haver oposição dentro do próprio país, neste caso o Irão. A internet não só permite aos que estão de fora ver o que se passa dentro dos outros países, como também permite a quem lá está dentro, ver com os olhos de quem está de fora, e isso é o primeiro passo para a libertação da mente. Veja-se como a China se começou a abrir na era digital e  como cada vez mais os chineses são pressionados para acabar com a censura do google, etc. Por isto, o que me parece é que os EUA estão a lidar com o assunto de modo desajustado, com medidas de outras conjunturas. Um pouco como os nossos sindicatos que ao quererem opôr-se às medidas económicas 'assassinas' do governo falam em ofensiva do capital e fazem greves. Estão desajustados na linguagem e nas estratégias.

 

publicado às 09:14


Uma embaixada à China

por beatriz j a, em 11.03.09

 

 

A crise tem alguns efeitos benéficos para leitores. O ebay inglês tem milhares de livros extraordinários à venda por preços ridículos (mesmo incluindo os portes do correio). Hoje chegou-me a última aquisição, An Embassy to China (Uma Embaixada à China) de Lord Macartney. O livro é o diário que Macartney escreveu na sua viagem de embaixada à corte do Imperador Ch'ien-lung, entre 1793 e 1794.

 

O livro é bonitíssimo (como todos os livros da Folio), cheio de gravuras e outros documentos. Apesar de ser vendido como segunda mão, está novinho. Custou 6 libras + 10 do envio, por ser bastante pesado, caso contrário custaria perto de 5 libras.

  

O livro é um documento extraordinário dos costumes e da vida cultural, política, comercial e militar da China e, em particular, da vida da corte. Refere os missionários portugueses na China, destacando o Bispo de Pequim, Bernardo D'Almeida, de quem os ingleses não gostam, suspeito que por inveja da influência deste. O autor guia-nos, não apenas aos sítios, mas também às pessoas nos seus modos de ser e pensar.

Certas descrições atingem-nos como uma bofetada porque nos fazem entrar numa realidade que, embora não muito distante no tempo (pouco mais de dois séculos), estão a anos luz da nossa mentalidade. Muito interessante. Ora veja-se:

 

«O Padre Raux diz que, só na cidade de Pequim, há mais de cinco mil chineses cristãos e calcula que em todo o Império, o número anda à volta dos cento e cinquenta mil. Confirmou-me aquilo que lemos na maior parte das histórias da China - que é prática comum entre os pobres expôr as crianças ao abandono. Todos os dias a polícia manda um carro, bem cedo, dar a volta à cidade, para recolhê-los e levá-los para uma fossa ou cemitério onde possam ser enterrados. Muitas vezes, os missionários comparecem e preservam algumas das crianças que pareçam ser saudáveis ou com hipóteses de recuperar. Os outros são atirados indiscriminadamente, mortos ou vivos, para a vala. Mas, o Padre Raux garantiu-me, com a maior seriedade, que antes de os atirarem, os irmãos baptizam todos os que aparentam ter ainda alguma vida neles, 'para lhes salvar a alma'. »(as comas e o itálico são do autor, não meus) pp.46-47

 

 

publicado às 22:12


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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