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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Não é uma pena termos um compatriota à frente da União Europeia numa altura em que a União precisava de liderança forte para dar coerência e unidade ao projecto e vermos que a pessoa não está à altura da situação?
Parece-me que a tragédia deste tempo é a falta de liderança esclarecida na Europa, nomeadamente nos países mais poderosos que poderiam imprimir-lhe uma dinâmica positiva. Precisavamos de alguém com estatura de estadista.
A situação seria muito diferente se o presidente da comissão fosse um estadista de envergadura: alguém capaz de influenciar os processos entre os países no sentido de se estreitar a coesão, de se limarem diferenças e diferendos, de galvanizar os líderes dos países para as virtudes do projecto duma Europa que põe as pessoas em primeiro lugar, uma Europa como espaço de potencialidades desenvolvidas, de gente esclarecida, cooperante.
Porque me parece que os povos da Europa estão no ponto de poderem ligar-se em comunidades transnacionais. Começa a haver iniciativas de grupos transnacionais que querem uma mudança no modo de encarar e fazer política e que não se sentem, nos vários países, representados por estes políticos, mas que não têm nenhum tipo de apoio ou incentivo da parte do poder. Tudo tem que ser feito à margem do poder -Parlamento Europeu, comissão- que não trabalha para uma verdadeira união dos povos. Quem é que sabe o que raio se passa e decide no Parlamento Europeu? Não somos tidos nem achados em coisa alguma.
Se o Durão Barroso fosse alguém com visão e qualidade de estadista a Europa estaria já num patamar acima, em vez de estar a descer a níveis de desconfiança e divisão antigos.
É uma grande oportunidade que se está a perder e o que custa é termos lá um português de fraca qualidade que não vai deixar memória nenhuma porque não liderou coisa alguma e não inspirou ninguém.
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