Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]
1. Quando falamos em avaliar profissionais, falamos em avaliar a competência das pessoas no trabalho. A competência avalia-se no local de trabalho sabendo o trabalho que a pessoa faz e os resultados que alcança.
2. Os professores não são alunos como algumas pessoas, sobretudo professores universitários gostam de insinuar. Alunos são crianças ou adolescentes em formação. Professores são adultos com formação superior. Não me parece bem que a avaliação seja feita por professores universitários que estão completamente por fora do que é o ensino nas escolas e têm grande desprezo pelos professores não-universitários. Nem faz sentido. Seria como os professores que dão secundário irem avaliar os que dão aulas ao 5º, 6º ou 8º ano, ou os que dão aulas a estes anos irem avaliar os que dão aulas à primária e estes, por sua vez, avaliarem os da pré-primária.
3. A pessoa que tem que saber do trabalho que os professores fazem é o responsável pela escola, que neste caso é o director e, eventualmente, outras pessoas da sua equipa. A equipa que dirige a escola tem a obrigação e dever de saber o trabalho que os professores fazem, tem o dever de regular esse trabalho, de criar condições para o trabalho, de motivar os professores, de fomentar o rigor, de obrigar ao cumprimento de todas as tarefas e de desenvolver mecanismos para avaliar os resultados do trabalho dos professores. O Director e a sua equipa é que sabem o que devem pedir aos professores no decorrer do trabalho. A inspecção é um instrumento auxiliar de avaliação em casos de problemas ou queixas, seja da Direcção relativamente a um professores, seja o inverso.
É claro que para isto resultar têm de verificar-se certos requisitos:
a) Nem o ME nem o Director podem interferir na autonomia pedagógica dos professores - se um professor é obrigado a seguir palavra por palavra um livro, uma metodologia, um desenvolvimento curricular impostos por outrém, então o resultado negativo do trabalho é da responsabilidade de quem impôs aquelas coisas. Se o professor é um mero executor das ideias de outrém então o falhanço das ideias é do 'outrém'. Para além disso esta ausência de autonomia é anti-pedagógica pois tem por base a ideia que todos os alunos e professores e disciplinas são iguais, trabalham do mesmo modo, organizam-se do mesmo modo, etc., o que é falso e tem sido uma das causas do insucesso escolar;
b) o Director e a sua equipa não podem estar presos ao ME a cumprir ordens parvas e a preencher grelhas. Eles trabalham para a escola e é nela que têm que estar concentrados;
c) o Director e a sua equipa são eleitos pelos professores, funcionários, alunos e representantes de pais. Se a equipa de Direcção é nomeada pelo ME trabalha para agradar a quem a nomeia e volta as costas àqueles com quem tem de trabalhar e cooperar, que são os professores e os alunos. Se o Director for nomeado, então os Coordenadores de Departamento têm que voltar a ser eleitos pelos grupos disciplinares e o Conselho Pedagógico tem que recuperar o seu poder de deliberação. É preciso ter presente que a escola é um lugar pedagógico. Não é uma empresa, não vende produtos. Ensina e educa pessoas.
Como as coisas estão não é possível trabalhar em cooperação: os Directores vivem de costas voltadas para os professores e para o trabalho que estes fazem com os alunos: vivem para agradar à tutela para não perderem o tacho e os Coordenadores estão-se nas tintas para os colegas e para o trabalho que os grupos desenvolvem com os alunos: vivem para agradar ao Director para não perderem os privilégios. Haverá excepções, mas são isso mesmo: excepções. Nenhuma cooperação é possível nestas condições. O trabalho dum professor necessita de ser cooperativo: em cada turma é preciso que os professores cooperem para ajudar os alunos. Se obrigam os professores a serem competidores entre si ou até a serem inimigos, nenhuma cooperação é possível e quem se lixa são os alunos. A essência do trabalho do professor é procurar e partilhar conhecimentos. Não faz sentido formarem-se professores para que tenham gosto pelo conhecimento e pela partilha do conhecimento e depois se impeça esses mesmos professores de procurarem o conhecimento tirando-llhes autonomia e impedindo-os de trabalhar pondo-os a competir uns contra os outros.
3. Uma escola sem autonomia e sem condições físicas de trabalho terá sempre fracos resultados, sobretudo se se juntar a isso o estar situada em zona pobre.
4. A avaliação dos conhecimentos dos professores deve fazer-se na faculdade onde cursaram e no estágio. É no estágio que se formam e avaliam os professores e os seus conhecimentos, é aí que se deve fazer uma triagem. É claro que, se a profissão continuar a ser degradada cada vez mais vêm parar à escola pessoas de fracos conhecimentos.
5. Os professores que entram na carreira deviam ter um colega mais velho que os acompanhasse mais de perto para orientar e ajudar, durante um ano ou dois.
5. É preciso mudar o estatuto dos alunos, que está na mesma. Agora não se fazem planos de recuperação, fazem-se PITs. As escolas continuam com turmas com dezenas de faltas de assiduidade e disciplinares mais ou menos encapotadas não vá a tutela saber oficialmente que as escolas têm problemas...e os directores perderem os tachos...enquanto a margem de manobra dos professores para disciplinar os alunos for limitada como é, pouco se poderá fazer.
6. Ou queremos uma escola de qualidade com pessoas de qualidade ou queremos uma escola de mediocres subversientes que não se importam de fazer um mau trabalho desde que isso lhes garanta o tacho.
É claro que, se um agrupamento tem 3000 ou mais alunos e 300 professores toda a avaliação é meramente burocrática e formal. Uma avaliação externa também o seria: grelhas de observação, grelhas de planificação, grelhas, grelhas, grelhas...
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.