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Vamos lá ver se percebi bem. Do que tenho lido e ouvido nos últimos dias parece que:

1. Uma empresa queria construir um mega-shoping ( no país da Europa onde o poder de compra é mais fraco);

2. O terreno onde queriam construir fazia parte da 'rede natura', paisagem protegida;

3. Tentaram conseguir aprovação junto do ministério da tutela, o do Ambiente;

4. A tutela protelou o mais que pôde para fazer subir o preço do terreno (e do favor?);

5. A 3 dias de ter de abandonar o cargo, o ministro do Ambiente, cujo ministério à semelhança do resto do governo estava em gestão, pelo facto do primeiro ministro Guterres se ter demitido, tomou medidas legislativas de importância;

6. Na iniciativa legislativa, modificou parte da área classificada, para que, no futuro, se pudesse construir na zona antes proibida;

7. O tipo de modificação introduzida obriga a justificativos legais, que não foram feitos, pela pressa de se aprovar a legislação que permitiria à dita empresa referida em 1. construir o mega-shoping;

8. A zona em questão fazia parte do acordo que Portugal fez com a União Europeia aquando da construção da ponte Vasco da Gama: isto é, a Comunidade Europeia co-financiava a construção da ponte se, e apenas se, aquela zona fosse preservada como reserva especial a ser protegida;

9. A ausência dos justificativos legais necessários, que se deveu à pressa em alterar a lei  antes do governo de gestão se ir embora, pôs em risco o dinheiro do financiamento da ponte já recebido, donde se deduz que, esteve o país em risco de ter de devolver o dinheiro já gasto na construção da ponte, por incumprimento do acordo de protecção da área em questão ( o governo de Durão Barroso teve de fazer esses justificativos, também à pressa, assim que chegou ao poder, para evitar que tivéssemos de devolver o dinheiro);

10. O ministro da tutela era o agora primeiro ministro José Sócrates;

11. José Sócrates, então ministro do Ambiente, foi quem fez aprovar a alteração à lei a 3 dias de ter de sair do governo;

12. O tio de José Sócrates tem, ou tinha, uma pequena empresa de construção que movimentava cerca de 38.000 contos;

13. O tio de José Sócrates pôs o promotor do freeport - um tal Smith - em contacto com o seu sobrinho, José Sócrates, ministro do Ambiente;

14. A legislação necessária para a construção do mega-shoping em terreno protegido foi preparada pelo ministério do Ambiente e aprovada à pressa;

15. O tio do José Sócrates tornou-se muito rico e tem várias contas offshore;

16. Os ingleses têm uma gravação onde se diz que foram pagas luvas a um ministro para que a construção pudesse ser aprovada;

17. Portugal tem a cassete;

18. José Sócrates comprou um apartamento de 1 milhão de euros;

 

 ?????????????????????????????????????????????

 

Estarei a ver bem?

Existe uma suspeita fundada em factos que se podem comprovar que um ministro da República pôs em perigo o interesse nacional (o financiamento da ponte) mostrando não ter nenhum tipo de escrúpulos quanto ao que é capaz de fazer para enriquecer?

Existe uma suspeição sobre aquele que agora é o primeiro ministro?

Portugal tem como primeiro ministro uma pessoa que poderá até ser chamado a Inglaterra como arguido num processo crime?

 

?????????????????????????????????????????????????

 

Então ninguém faz nada? O Presidente não se importa? Ninguém no governo se demite? São todos cúmplices? A oposição também não? É que quem cala e quem não se demarca é porque consente!

Isto é a Camorra à portuguesa?

 

Algo está profundamente podre neste país.

 

Hoje estive na manifestação dos professores em frente ao palácio de Belém, onde mora o Presidente, que deve ser cego, e surdo, pois nada vê de tudo isto que se passa e acredita que estes governantes, sendo o que são - pessoas de currículo muito duvidoso, sem educação, sem princípios, sem moral e sem escrúpulos absolutamente nenhuns - quando chega à altura de legislar sobre educação, ficam de repente iluminados e só produzem leis sábias. Uma espécie de infalibilidade de Sócrates e Mº Lurdes Rodrigues em paridade com a autoridade papal?

Pois eu quero dizer aqui que sinto orgulho em fazer parte daqueles poucos milhares que estiveram hoje em frente ao palácio de Belém: num país podre, governado pelos piores dos piores, onde ninguém quer dar a cara, uns por medo, outros porque estão no rol dos calados a pagamento, os professores, estes professores, dão lições de democracia e de cidadania e de coragem e de coerência e de dignidade. Explicitamente, não compactuam com a putrefacção do regime.

Um dia outros perguntarão: onde estavas tu quando o teu país precisou de ti?

Se isto tudo acabar num regime à moda da Venezuela, não será com o meu silêncio, nem com a minha cumplicidade. No meu local de trabalho, e fora dele, também não me calo.

Não quero ser cúmplice de gente sem escrúpulos, sem dignidade e sem lei.

 

Concordo plenamente com as palavras da Hannah Arendt:

 

" ...é melhor sofrer a injustiça que cometê-la: se fizer uma injustiça, ficarei condenado a viver com o autor da injustiça numa intimidade insuportável; nunca poderei livrar-me dele. Portanto, o crime que permanecesse escondido aos olhos dos deuses e dos homens, um crime que não se revelasse por não haver ninguém a quem fosse revelado e que Platão menciona uma e outra vez, esse crime não pode realmente existir: tal como sou a minha própria companhia enquanto penso, do mesmo modo sou a minha própria testemunha quando ajo."

 

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publicado às 22:12


1 comentário

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De maria cecilia a 24.01.2009 às 23:58

Começo pelo fim, mas o fim e o princípio unem-se e cada vez mais se torna nítida essa compreensão, a compreensão de que tudo é um.
Ora.... o Sr Presidente da República não recebeu, pessoalmente, a delegação de professores dos movimentos independentes que hoje se manifestaram em Belém. Se não soubessemos nada de nada, o que escreveste agora no p.q.p., e se não pensássemos poderíamos, eventualmente, julgar que o Sr Presidente terá considerado que os representantes dos movimentos não seriam representativos da maioria dos professores. Mas, interrogamo-nos nós, o Sr Presidente só recebe maiorias e delegações representativas de maiorias??? Mas(novamente a adversativa) e os corruptos que constantemente recebe? e quem sendo corrupto faz parte do seu grupo de de conselheiros??? Recebê-los-ia, os representantes dos professores se fossem corruptos??E quem não tem voz ??? aqueles que sofrem já o desemprego fruto não só desta crise mas também da grande crise que este país vive há bastante tempo (porque de democracia só já tem umas véstias rotas e debotadas) e que são, em parte,consequências dos "free port" vários em que alguns corruptos roubam o que do povo é, o que é coisa pública pois que se vive ainda numa república.
De quem é presidente o Sr Presidente da República???



Maria Cecília













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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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