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Acho que esta nomeação é um passo em falso do Mubarak que vai precipitar o desfecho da revolta. Parece-me que ele não soube ler os sinais. O povo, comandado por jovens da era do facebook, ou seja, que estão a par do que se passa no mundo e de como se vive politicamente noutros países, quer liberdade, quer participar, quer emprego, quer votar, quer escolher o seu futuro. O Mubarak, em vez de os ouvir e responder com abertura e democracia, respondeu com repressão e com o chefe dos serviços secretos. As pessoas vão ver nisso um sinal de que a vida ainda irá piorar, de modo que agora vão extremar-se as posições, e nestas coisas, uma vez a revolução em marcha, é como um carro deixado numa descida. Ninguém o pára. Já a polícia começa a desobedecer às ordens de repressão das violações do recolher obrigatório...
Ele deve ter tido medo das consequências de se abrir ao diálogo: acabar por ter de sair. A questão é que sairia de qualquer modo e mais valia ter saído nos seus termos do que nos termos dos revolucionários. Na Túnisia já lançaram um mandato de captura para o Presidente cessante...
Agora resta ver quem é que no vazio que se seguirá vai aproveitar as circunstâncias para ocupar a cadeira do poder: se um movimento de forças democráticas e laicizantes, se a Liga Islâmica. Se esta conseguir meter-se no poder nunca mais o Ocidente deixará uma revolução destas acontecer noutro país com o mesmo enquadramento político-religioso.
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