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no egipto

por beatriz j a, em 29.01.11

 

 

 

Milhares desafiam nas ruas o recolher obrigatório

Chefe dos serviços secretos nomeado vice-Presidente do Egipto

Acho que esta nomeação é um passo em falso do Mubarak que vai precipitar o desfecho da revolta. Parece-me que ele não soube ler os sinais. O povo, comandado por jovens da era do facebook, ou seja, que estão a par do que se passa no mundo e de como se vive politicamente noutros países, quer liberdade, quer participar, quer emprego, quer votar, quer escolher o seu futuro. O Mubarak, em vez de os ouvir e responder com abertura e democracia, respondeu com repressão e com o chefe dos serviços secretos. As pessoas vão ver nisso um sinal de que a vida ainda irá piorar, de modo que agora vão extremar-se as posições, e nestas coisas, uma vez a revolução em marcha, é como um carro deixado numa descida. Ninguém o pára. Já a polícia começa a desobedecer às ordens de repressão das violações do recolher obrigatório...

Ele deve ter tido medo das consequências de se abrir ao diálogo: acabar por ter de sair. A questão é que sairia de qualquer modo e mais valia ter saído nos seus termos do que nos termos dos revolucionários. Na Túnisia já lançaram um mandato de captura para o Presidente cessante...

Agora resta ver quem é que no vazio que se seguirá vai aproveitar as circunstâncias para ocupar a cadeira do poder: se um movimento de forças democráticas e laicizantes, se a Liga Islâmica. Se esta conseguir meter-se no poder nunca mais o Ocidente deixará uma revolução destas acontecer noutro país com o mesmo enquadramento político-religioso.

 


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publicado às 22:05


4 comentários

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De macha_parva@sapo.pt a 30.01.2011 às 11:43

Fassa o que fizer, o sr. Mubarak tem os dias contados, está a estrebuchar. Foram enganado o povo com os BPNs, SLNS, BPPs, FACEs OCULTAs, SUBMARINOS, PPPs, FUNDAÇÕES, CASAs DA COELHA, FREEPORTs, etc, enquanto puderam, pensaram que podiam continuar e cada vez pior pois a ganância ía aumentando, bem como o número de corruptos insasiáveis e eis que surgíu a revolução do Jasmin que é um autêntico rastilho. Os srs. que controlam o mundo, os banqueiros, reguladores, corruptos, especuladores (gananciosos, insasiáveis, aves de rapina) vão ter que pensar em moderar os apetites, pois este rastilho qualquer dia pega aqui também. É muito giro brincar com o fogo, o pior é quando te queimas. Estão a criar condições propícias a algo de idêntico em Portugal. Esquecem-se que as coisas vão-se tolerando até um certo limite a partir do qual tudo fica descontrolado. Não pode, como é evidente, ser. As pessoas cada vez vivem com mais dificuldades - aquelas que aindaa trabalham, aqueles que caíram no desemprego já perderam as esperanças e depois quando somos confrontados com determinadas notícias então aí é a explosão. Se estes srs que estão no poder já mostraram à saciedade que são incapazes, irresponsáveis, tenham a ombridade de o reconhecer pois não fica mal, e então que cedam o lugar a outros. A história mostra que a corda vai esticando mas chega a um limite e parte. Cumprimentos para todos.
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De beatriz j a a 30.01.2011 às 14:45

Completamente de acordo! É a ganância, o deslumbramento com o poder e a falta de inteligência para se verem a si próprios que leva esta gente a estes abusos. É preciso que a sociedade civil se organize à margem dos partidos políticos e forme movimentos com força suficiente para influenciar o rumo dos acontecimentos.
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De Dylan a 10.02.2011 às 22:51

É altura dos puritanos decidirem se a UE e os EUA devem intervir no Egipto - sendo acusados de ingerência nos assuntos internos de outros países e sorvedouro dos recursos naturais dos mesmos - ou esperarem sentados que ocorra uma espécie de 25 Abril feito na internet e terminando num banho de sangue. Acho que o Ocidente não deveria agir de forma tão denunciada no Cairo pois certamente haverá alguém que represente a ambição legítima e democrática do povo egípcio, homens como Wael Ghonim e Khaled Said que não têm nada a haver com o fanatismo religioso de uma irmandade qualquer nem tampouco com a política.




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De beatriz j a a 10.02.2011 às 23:52

Parece-me que o Ocidente está a evitar intervir porque percebe a importância de um movimento democrático espontâneo nos países de religião muçulmana. O efeito de dominó que tem, e estar a ter, nos países circundantes. A mim parece-me que a internet faz das pessoas todas cosmopolitas, o que depois torna difícil aceitar um certo tipo de vida fechada e submissa e acreditar em certos discursos de ditadores do passado.

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