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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
PÚBLICO
15.06.2009, Joana Amaral Cardoso
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Ela é um dos pesos-pesados da moda. E decidiu enviar uma carta a dezenas de criadores e designers de moda europeus e americanos a queixar-se de uma questão de leveza: eles enviam-lhe roupas "minúsculas" para as produções da sua revista - a Vogue - e isso obriga-a a contratar modelos irrealmente magras. A carta de Alexandra Shulman, directora da Vogue britânica, já fez o seu papel: relançou o debate sobre o chamado "tamanho zero".
Alexandra Shulman pesou bem as suas palavras na carta enviada no final de Maio e que não se destinava ao conhecimento dos media, mas que foi revelada sábado pelo Times. "Chegámos ao ponto em que muitos dos tamanhos das peças de mostruário não servem às modelos-estrela, já estabelecidas [no mercado], de forma confortável", lê-se na carta enviada às casas - Prada, Versace, Yves Saint Laurent, Balenciaga - e aos criadores - Karl Lagerfeld, John Galliano, Stella McCartney, Alexander McQueen - mais conceituados do mundo.
Mais de dois anos depois de ter eclodido a discussão sobre o peso dos manequins e modelos nas passerelles, na sequência da morte de duas modelos sul-americanas por subnutrição e da proibição de modelos demasiado magras (o tal "tamanho zero" na tabela americana, que corresponderia a um tamanho 30 na tabela europeia) nas passerelles de Madrid, Nova Iorque e Milão, agora o dedo é apontado aos criadores de moda. Até aqui, o peso da questão estava sobre os manequins.
Paulo Gomes, produtor de moda, explicou ao P2 que a questão da diminuição dos tamanhos - "nos últimos anos, mesmo em Portugal, já há alguns criadores que usam o tamanho 34" para as suas peças de amostra.
Até que enfim que alguém com peso no mundo da moda diz qualquer coisa positiva sobre este assunto. Numa época em que a pressão da imagem é esmagadora e em que as modelos são contra-exemplos de crescimento e vida saudável, o exemplo que dão e que é seguido por milhões de pessoas, sobretudo adolescentes é vergonhoso.
Mas, como se diz no artigo, as modelos vestem a roupa dos 'designers', não são elas que impõem o 34 como medida standard.
Para quem lida com adolescentes diariamente é aflitivo ver a angústia e o sofrimento que acompanham o esforço destas miúdas para se esqueletizarem até tamanhos de roupa próprios para crianças.
Passar fome impede o crescimento, perturba a concentração, o estudo e o bem estar geral.
Algumas miúdas parecem saídas de um campo de concentração, mas têm uma percepção tão enviezada da realidade que não se vêem como são.

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