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A Justiça, segundo o papi

por beatriz j a, em 07.06.09

 

 

 

VISÃO online

A crise da Justiça

A Justiça, em demasiados casos, não funciona, nomeadamente quando envolve políticos ou desportistas mediáticos

 
10:23 Quinta-feira, 28 de Mai de 2009
 

Custa-me abordar este assunto, pelo seu especial melindre. Mas, em consciência, não posso deixar de o fazer. A crise da Justiça está aí, é uma evidência incontornável. Não pode deixar de preocupar os cidadãos responsáveis.

 

A Justiça, em demasiados casos, não funciona, nomeadamente quando envolve políticos mediáticos ou desportistas igualmente mediáticos. Os juízes não se entendem com os procuradores e estes não se entendem com os responsáveis da Polícia Judiciária. Há a sensação de que disputam, entre si, para aparecerem nas televisões, como vedetas. Não resistem a responder a perguntas disparatadas ou mal intencionadas e nem sempre o fazem com o bom senso que seria de esperar.

 

Assim sendo, perdem a distância - tão necessária à profissão que exercem - e desacreditam as magistraturas. Parece não perceberem que o silêncio é de ouro e a palavra, em certas circunstâncias, lhes é bastante inconveniente. O que contribui, com alguma frequência, para o descrédito da Justiça, nos espíritos dos telespectadores, que nas suas casas, num contexto diferente, os vêem, escutam, avaliam. E não gostam...

 


 

Há quem reclame novas reformas legais. Não penso que seja a solução. A questão não é de lei, mas antes dos comportamentos dos juízes, dos procuradores e dos dirigentes da Polícia Judiciária. E nestas profissões, como em todas, pagam os bons pelos transgressores...

 

De facto, como se explicam as fugas de informação, divulgadas directamente à imprensa e extraídas, intencionalmente, para poderem depois ser orquestradas, contra presumíveis inocentes, em processos ainda em segredo de Justiça? O que tem sido dito, durante os últimos meses, a propósito do caso Freeport, é um bom exemplo. Visa-se o primeiro-ministro, sem que se apresentem provas ou indícios delas, o que é inaceitável, para quem tenha um mínimo de formação jurídica. Aliás, a presunção de inocência é um direito constitucional que assiste a todos os cidadãos.

 

 

 

 Em muitos países europeus há sinais de actos de violência extrema e de bandos organizados que ameaçam os pacatos cidadãos. Podem ocorrer em Portugal. Os riscos que corremos são, assim, demasiado graves para que possamos permitir que a Justiça continue indiferente aos perigos que ameaçam as nossas sociedades. (Mário Soares)

 

O Mário Soares, grande Pai do socialismo esquemático, indivíduo que tem de si mesmo uma visão megalómana e se acha o De Gaulle português, continua igual a si mesmo... Ei-lo em crónica de jornal a distorcer a realidade para ganhar dividendos:

Primeiro, se a justiça não funciona muitas vezes quando envolve políticos ou desportistas, não será porque estes políticos e desportistas, que se entendem promiscuamente uns com os outros, se comportam como o próprio quando movem mundos e FUNDOS para manipular o curso dos acontecimentos?

Segundo, os juízes perdem a distância necessária... isto da boca de quem é incapaz de se manter à distância, mesmo em casos de extrema indignidade, como é o caso de vir aqui defender o Sócrates, que todos os dias empobrece e envergonha o país e é suspeito em mais casos de corrupção, de tráfico de influências, de abuso de poder, de estupidez compulsiva, que outro político qualquer.. é só rir, mesmo.

Terceiro, em sua douta opinião, o problema são os juízes, os procuradores, a polícia...quanto à lei, porque as fazem os políticos, que são os seus filhos esquemáticos, essa está do melhor, claro!

Os cidadãos não são todos burros e ignorantes como ele pensa e vêem bem que as leis são feitas para que uns e outros possam passar por entre as malhas. Também vemos muito bem que o que queria era manietar juízes, polícias e procuradores, pô-los subservientes e a pagamento, não é verdade? Pois é uma chatice as fugas de informação, as queixas anónimas, etc. - se não fossem esses 'atentados à democracia' estavam os teus amiguinhos todos na boa, não é verdade? Quem saberia dos Freeports, das Covas da Beira, das vergonhas dos nojentos da Casa Pia, dos roubos nas câmaras, das pensões milionárias, das casas de borla, das reformas, das contas off-shore, das amizades com ladrões, dos abusos de poder, dos tráficos de influência...? Pois está mesmo a ver-se que o mal nessas coisas não é o crime nema infâmia em si mesmos mas o facto de se saber deles...

Quarto, «em muitos países há bandos de crime organizado que ameaçam os pacatos cidadãos»? Pois há. Cá também: alguns são banqueiros e empresários e gestores, políticos e dirigentes do desporto, que se organizaram e assaltaram o país, roubaram-no e deixaram-no exangue.

Há pessoas que deixam uma marca negativa na História de seus países que se prolonga subterraneamente através dos hábitos, mentalidades, e forças de compadrio e destruição que deixaram crescer e, o Mário Soares é, quanto a mim, um exemplo português dessa negatividade na nossa história recente.

Justo era que não tivessemos que continuar a ouvi-lo.

 

 

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publicado às 14:18



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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