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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
A manifestação de ontem foi uma bofetada na ministra, e no primeiro ministro, se é que ainda têm cara...
Pelas contas mais baixas estavam lá 55.000 mil professores. Isso, é uma enormidade de gente na situação actual. Estamos mesmo no fim do ano lectivo na semana(s) do ano em que há mais trabalho para milhares de professores; é a 5ª manifestação em menos de dois anos; muitos professores ficaram pelo caminho, subornados e 're-subornados' com títulos, após cada manifestação, com cargos e benesses para que desistissem da contestação; muitos o fizeram e estão bem contentes nos cargos merdosos que foram criados apenas para a destruição dos professores. Pois mesmo assim ainda lá estavam mais de um terço da totalidade dos professores.
Um terço duma classe profissional enorme como a nossa, é muita gente. Se lhes juntarmos todos aqueles que quereriam ir e não puderam, por motivos de trabalho, doença, etc., vemos claramente que a classe dos professores está quebrada a meio. Há uma divisão profunda e insanável entre os professores por causa deste ECD e da avaliação estúpida praticada entre membros pares, onde uns foram escolhidos para destruir os outros.
Só um cego, completamente cego, não vê que o cancro que injectaram na classe profissional dos professores, aos destruí-los a eles, destrói, simultameamente, o próprio sistema educativo.
O primeiro ministro, a ministra da educação e os besuntos satélites queriam todos os professores iguais a eles. Conseguiram alguns, que hoje se refastelam nos cargos. Mas é sempre assim, nestes casos.
Na minha escola há os que gritaram contra a entrega dos objectivos e falaram muito em ética, e até aparecem aí no blogue de quem tem mais visibilidade entre todos os bloggistas, como grandes resistentes, e afinal foram dos primeiros a entregá-los. Mas andam por lá de boa cara como se nada fosse. Alguns, quando se soube que não eram necessários, foram pedi-los de volta, também às escondidas.
Mas estes são alguns e não, nem de perto nem de longe, todos; e essa fractura entre os professores é fatal.
Qualquer besta vê isto. Até mesmo aquela gente que andam por aí como vírus ambulantes, a infectar tudo à passagem.
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