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Wikileaks

por beatriz j a, em 11.12.10

 

 

 

Este assunto da Wikileaks e da Perseguição ao Assenge faz-me lembrar o caso do professor de música que se suicidou por causa do assédio de que era vítima: só houve investigação séria depois de ser público e o Director lá da escola e da Direcção Regional só se interessavam em saber quem é que tinha dado com a língua nos dentes.

Pessoalmente acho que este assunto da Wikileaks representa uma porta de esperança para o mundo, porque mostra claramente que a 'sociedade digital' pode vir a cumprir o papel que de início muitos lhe atribuiam, que é do de permitir aos cidadãos controlarem efectivamente as instituições e governos e denunciarem os seus abusos. Doravante será muito mais difícil manter certo tipo de segredos e, sobretudo, escapar impune, pois a informação corre por canais digitais e é fácil aceder-lhe. Ainda bem que assim é. É assim que sabemos agora quem são os governos metidos em narcotráfico, quem são os governos que compactuam com torturadores, quem são os países que têm presidentes ladrões de bancos, quem são os países que subornam instituições internacionais, etc.

Por exemplo, seria impensável, noutra eras, a iraniana condenada a lapidação estar ainda viva. Seria ainda mais impensável haver oposição dentro do próprio país, neste caso o Irão. A internet não só permite aos que estão de fora ver o que se passa dentro dos outros países, como também permite a quem lá está dentro, ver com os olhos de quem está de fora, e isso é o primeiro passo para a libertação da mente. Veja-se como a China se começou a abrir na era digital e  como cada vez mais os chineses são pressionados para acabar com a censura do google, etc. Por isto, o que me parece é que os EUA estão a lidar com o assunto de modo desajustado, com medidas de outras conjunturas. Um pouco como os nossos sindicatos que ao quererem opôr-se às medidas económicas 'assassinas' do governo falam em ofensiva do capital e fazem greves. Estão desajustados na linguagem e nas estratégias.

 

publicado às 09:14


2 comentários

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De Dylan a 13.12.2010 às 15:42

Não sei muito bem onde é a fronteira da liberdade da informação mas de certeza que não será no terreno onde a Wikileaks tem actuado. A sua política de terra queimada substitui o jornalismo pelo voyeurismo da opinião pública, ao melhor estilo de se saber qual é a cor do papel higiénico que os diplomatas usam. Como se não houvesse segredo de estado nem a diplomacia não fosse um manual de boas maneiras. Reconheço o papel relevante de Julian Assange na denúncia das violações de direitos humanos mas a sua organização acaba por fazer o mesmo que tanto a sua missão divina e protagonismo reclamam: espiar.
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De beatriz j a a 13.12.2010 às 20:11

É evidente que também não tenho resposta para isso de saber onde está a fronteira exacta da liberdade de informação. Se eu teria divulgado informação que põe em perigo vidas? Não. Agora não acho que ele tenha feito o que criticava porque ele não espiou nem isto é voyerismo. A denúncia de crimes não é voyerismo. Não se trata de espiar actos privados mas de denunciar actos praticados no exercício de funções governativas . E ele nunca fez nada às escondidas, o site que tem é uma plataforma que ele disponibiliza para quem pensa que o seu governo ou empresa comete crimes ou fraudes e decide divulgá-los. Ele não paga para que as pessoas divulguem nem incita a que o façam de modo que a decisão de falar é de quem envia as coisas. Ele pode entender que não tem que censurar o que lá chega ou editar, porque não se trata de literatura. Trata-se de desmascarar as mentiras e os crimes de quem nos governa e explora com discursos hipócritas. Se a certa altura passou a fronteira? Talvez. Eu, por exemplo, acho que o Sol devia ter publicado as escutas do Freeport e Face Oculta tal qual, sem editar, para que ficasse claro o carácter das pessoas que nos governam com apelos à ética mas com práticas criminosas. A questão não é fácil, mas se tiver que escolher entre a liberdade e a segurança, eu escolho a liberdade.

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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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