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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
1. Escolher professores permeáveis, submissos e, de preferência, de baixa produtividade (conselhos executivos e respectivos satélites, grosso modo).
2. Promovê-los.
3. Exigir a contrapartida das promoções: que impeçam os colegas, sobretudo os mais produtivos e autónomos de subir na carreira, para não ter que desembolsar dinheiro a premiar o seu valor e, para acabar com as vozes dissidentes;
4. Acabar com os quadros das escolas para que os professores não tenham tempo, nem de criar laços de solidariedade com os colegas, nem apego às escolas.
5. Desincentivar a qualidade do ensino de modo a que todos possam progredir sem precalços.
6. Mostrar a todos (alunos, pais e professores), através do exemplo pessoal, que não é com o estudo que se sobe na vida.
7. Para dar cumprimento ao ponto 5, deve-se:
a. encher as turmas de alunos de modo que o professor não consiga sequer conhecê-los a todos;
b. encher o professor de turmas;
c. obrigar o professor a escrever vários relatórios e fichas por aluno, em cada período;
d. ocupar o professor com tarefas inúteis;
e. evitar, a todo o custo, que o professor tenha tempo para ler e pensar e, sobretudo, dinheiro, para comprar livros, para ir ao teatro, para ir ao cinema, para ir a um museu, etc.;
f. obrigar o professor a frequentar periodicamente acções de formação sobre temas pouco relevantes e, de preferência, com formadores ignorantes daqueles que enchem os centros de formação ( em geral, pessoas que passaram directamente de professores primários a professores universitários, sem passar pela casa da partida); essas acções devem funcionar à noite, depois das aulas quando estão mais mortos que vivos;
g. reservar os cargos aos professores promovidos ( referidos no ponto 1) de modo a que sejam eles a imprimir uma certa (medíocre) dinâmica ao trabalho da escola;
h. colocar os professores longe de suas casas para os empobrecer e manter cansados e submissos;
i. diminuir o número de funcionários auxiliares das escolas para que aumente a instabilidade e indisciplina nas escolas (o lema é: um professor estourado é um professor calado);
j. obrigar o professor a custear parte da educação dos seus alunos: é imprescindível que o professor pague do seu bolso as cópias de testes, fichas etc. (para o que se deve ter as fotocopiadoras da escola a cair de podres e as impressoras sem tinteiros); papel, canetas,etc.
k. desincentivar o uso de livros:o professor não poderá descontar nos impostos os custos com a sua formação pessoal e profissional;
l. o professor deve trabalhar em condições precárias para andar sempre irritado e em stress: não ter giz para escrever; os tacos do chão devem estar podres e soltos para que ele possa tropeçar com frequência; não devem haver cadeiras suficientes para todos os alunos se sentarem; nunca ter, ao mesmo tempo, a tv e o leitor de dvd ou, em caso de, excepcionalmente, estarem os dois a funcionar, garantir a inexistência da extensão ou da ficha tripla; não ser possível trabalhar com os pcs portáteis na sala de aula por não haver extensões, ou carregadores, ou acesso à internet; o ratio de computador por cabeça, na escola, deve ser de 1 para cada 50; não se deve arranjar as persianas para parecer que é sempre noite; não devem haver casas de banho com os canos desentupidos ou até, se possível, sem água; não deve haver sala de professores separada do bar dos alunos para que os professores estejam sempre expostos ao máximo ruído possível - é também uma medida eficaz para impedir que os professores possam discutir e trocar ideias; não poderá haver sala onde os directores de turma possam ter uma conversa privada com os pais ou os alunos;
Paralelamente a estas medidas é fundamental:
1. chamar nomes aos professores, frequentemente, nos jornais e na t.v.: incompetentes, inúteis, mandriões, etc. Também se pode dizer que são todos ricos;
2. dizer aos alunos que sabem mais que os professores;
3. dizer aos pais que eles é que sabem como se deve ser professor e qual é a melhor a melhor maneira de ensinar;
4. dizer aos alunos que estudar é uma chatice e que a escola é para lhes dar prazer;
5. que os professores que não dão prazer são incompetentes;
6. incentivar os programas de tv que apelam ao sexo, ao consumismo e à passividade;
7. dizer aos alunos que a opinião deles sobre tudo e mais alguma coisa é equivalente à dos especialistas e incentivá-los a gritá-la em qualquer situação;
8. promover a ideia de que o sucesso é dinheiro e que o saber é algo do passado;
9. finalmente, dizer a pais e alunos que o insucesso não tem a ver com o estudo mas apenas com a incompetência do professor.
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