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Precedentes

por beatriz j a, em 01.05.09

 

 

Jornal Expresso

 

Caso Freeport

Charles Smith recebeu 80 mil euros por marcar reunião com Sócrates

Documentos mostram como e por que razão foi pago o dinheiro que o consultor disse ter ido parar ao PM.

A primeira tranche, que ao câmbio da altura correspondia a 80 mil euros, foi transferida do

Freeport  para as contas da Smith&Pedro - a consultora de Manuel Pedro e de Smith - no dia 24 de Janeiro de 2002 como prémio de "boa fé" (good faith payment) pelo facto, na prática, de os dois terem assegurado dias antes uma reunião entre o grupo inglês e o então ministro do Ambiente e actual primeiro-ministro, apurou o Expresso.

 

E não se demite! Este indivíduo que nos governa - ele e os seus apoiantes que têm assento nos lugares de poder públicos duma ponta à outra do país e que estão envoltos em fumos negros e pestilentos de corrupção, práticas sexuais infames, abuso de poder, etc., abriram um grave precedente ao não se demitirem em face da gravidade das acusações que sobre eles pesa.

Não falo de acusações daquelas que surgem ao serviço de oposições com agendas eleitorais como motor - falo de acusações com indícos fortíssimos: videos, gravações, acordãos repetidos de tribunais sobre condutas infames, contas cheias de dinheiro que não sabem explicar, casas compradas com dinheiros inexplicáveis, vidas de luxo com ordenados públicos, etc.

O sistema do país permitir que, face a tais acusações com tão fortes indícios a apoiá-las, os visados continuem a exercer o poder, abre um precedente para as próximas legislaturas: temo que a partir de agora, nenhum primeiro ministro ou ministro ou autarca seja demitido ou se demita, seja porque razão for. Talvez se for apanhado em flagrante a matar alguém: e mesmo assim poderá alegar que é uma montagem, um holograma ou qualquer absurdo que lhe apeteça.

Uma das coisas que mais me impressionou quando li o Arquipélago de Gulag de Soljenitsine - li-o há muitos anos, era ainda adolescente - foi o relato que ele faz do transporte dos presos políticos para os campos e das celas de algumas prisões. Eram misturados com criminosos comuns -assassinos de toda a espécie, inclusivé canibais- e a viagem era feita sob o comando daqueles criminosos. Faziam-no de propósito: era para que percebessem, desde a primeira hora, que não podiam esperar justiça ou sequer decência, da parte de quem os tinha condenado.

Ultimamente lembro-me muito destas passagens deste livro, talvez pela trágica ausência de esperança que releva um sistema onde cada vez menos podemos esperar justiça e onde sabemos que já não há decência naqueles que dela deviam dar exemplo.

 

 

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publicado às 10:00



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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