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When it comes to child discipline, I take Willy Wonka as my inspiration

www.timesonline.co.uk/tol/comment/columnists/guest_contributors/article6061554.ece

 

Já ontem o Times trazia um artigo de opinião sobre o papel dos adultos na educação das crianças e jovens na sociedade de hoje.

O de ontem falava sobre uma certa 'cobardia' dos adultos que assistem a cenas de grupos de adolescentes e jovens (por exemplo, dizia, o modo como vão nos autocarros, aos gritos, com a música altíssima, a dizer palavrões) que deixam toda a gente incomodada. Dizia o comentador de ontem que, apesar disso, nenhum adulto interfere com estas atitudes. O próprio confessava que nessas situações também fica calado, sobretudo porque pensa que se disser alguma coisa não terá o apoio dos outros presentes, por receio...

Mais, dizia que esse silêncio, na prática, significa cumplicidade, e que não é aceitável que uma sociedade de indivíduos adultos viva no seu País, cidade, ou o que for, incomodado e calado à espera que pais ou professores tratem do assunto. Fazia, então, o autor do artigo, uma espécie de promessa, ou pelo menos compromisso público, de não voltar a ficar calado nessas situações e de exercer o seu direito e dever de cidadania.

A comentadora de hoje, Helen Rumbelow diz mais ou menos o mesmo, mas em relação aos pais das crianças. Quer dizer, muitas vezes tem vontade de intervir quando vê crianças pequenas com um comportamento que incomoda os outros (chocarem com as pessoas em correria ou atacar as pernas das pessoas com brinquedos, ou estragar os brinquedos dos outros nas festinhas) mas acaba por se refrear por causa dos pais que, estando presentes e a assistir, nada dizem, ou, até, são capazes de se virar contra a pessoa que chamar a atenção dos filhos.

Também ela diz que, enquanto os adultos se demitirem da sua função de educadores, a começar pelos próprios filhos, não vale a pena esperar que sejam outros, professores ou amas, a fazer o que os pais, eles próprios, não fazem. O compromisso dela é fazer de Willy Wonka, sempre que os pais não estiverem presentes.

Dois artigos sobre o assunto em dois dias seguidos, no Times, mostra que este é um problema que ultrapassa o âmbito das escolas e dos professores, é um problema social e civilizacional.

Permitiu-se, e até se incentivou, a glorificação da juventude, o endeusamento da infância e da adolescência (veja-se bem a propósito a parvoíce - mas que terá consequências sérias - de defender que há crianças azuladas que são uma espécie de Ungidos a quem não se pode corrigir ou educar, apenas reverenciar!!! e amar!!!)

Desautorizou-se, consciente e deliberadamente, tantos os pais como os professores: enfim os que têm um papel educador mais acentuado e, por fim, individualizou-se as sociedades de tal modo que hoje em dia as pessoas defendem abertamente que «o que não me afecta pessoalmente não tem a ver comigo». Como se não vivessemos e habitássemos as mesmas cidades, os mesmos Países, os mesmos continentes e, em última análise, o mesmo planeta Terra.

No que respeita às escolas deste País a conivência com essa atitude foi ilustrada com a redução do número de funcionários nas escolas: os que ficaram estão agora muito mais expostos porque são muito poucos e alguns já de certa idade pouco propícia a actos isolados de intervenção. A par dessa redução de funcionários aumentou-se o número de turmas e alunos por professor e acabou-se com algumas reduções de idade, o que fez aumentar em flecha os casos de indisciplina dentro da sala de aula (como sabemos, apesar da ministra e besuntos tentarem esconder) e diminuir a resiliência e capacidade dos professores em lidar com ela.

Mas, em face de tanto erro, vemos sinais de inversão nas decisões calamitosas, vemos sinais de bom senso? Não. O que vemos é a mais pura das indiferenças com a situação - porque não lhes toca -, a desresponsabilização (a culpa é sempre de outros, embora esses outros não tenham poder de decisão e tenham feito tudo ao seu alcance para avisar e mudar o estado de coisas), e, pior que tudo, a persistência no erro: que outra coisa podemos chamar a essa 'coisa' que parece ter sido aconselhada por aquela mulher Maia que é astróloga e cuscuvilheira de profissão e que consiste em formar professores para amarem crianças azuladas? Parece que estamos dentro de um mau filme de série B!

Estamos em queda livre - como diz um amigo meu, a única certeza que temos é a da aceleração do movimento nesta queda. Ou seja, já não há volta atrás. Daqui para a frente é esperar pelo estouro quando rebentar no chão. Depois logo se vê, se resta alguma coisa, ou apenas nada de nada.

 

 

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publicado às 12:42



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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