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Crianças indigo?

por beatriz j a, em 08.04.09

 

 

 

 

 

A criança tem "excesso de energia"? "Não aceita a autoridade"? "Tem dificuldade em concentrar-se"?"Tem mudanças repentinas de humor"?
  Um psicólogo tradicional pensaria "possibilidade de ter uma perturbação de hiperactividade". Mas não é disso que se trata…São crianças índigo e têm até auras azuladas (índigo)…Vieram para nos salvar e promover a nossa evolução…Não precisam de ser educadas, apenas amadas. Mais uma crença perigosa.
   O termo "Criança Índigo" foi criado por Nancy Ann Tappe, uma psíquica (supostamente tem poderes paranormais) que classificou as pessoas segundo a sua aura, num livro de 1982.

 

As crianças índigo são reconhecidas pela sua aura e por outros traços. O "Índigo Clildren Website"(2) aponta:


 

1- Vêm ao mundo com um sentimento de realeza (e comportam-se como tal)
2- Têm um sentimento de "merecerem estar cá" e ficam surpreendidos quando os outros não partilham essa ideia
3- Têm dificuldade com a autoridade absoluta (autoridade sem explicação ou escolha)
4- Simplesmente não fazem certas coisas; por exemplo, esperar numa fila é difícil para elas
5- Parecem antisociais a menos que estejam com os seus iguais. Podem virar-se para dentro de si mesmas, sentindo que ninguém as compreende. A escola é muitas vezes difícil para elas do ponto de vista social
6- Não respondem à disciplina baseada na culpa ("espera até o teu pai chegar a casa e descobrir o que fizeste"
7- Não são tímidas em fazer saber o que precisam.

 

 

Quem lê aquelas características pensa em que tipo de crianças? Em todas dum modo geral!

Então a Ministra e este ministério querem introduzir nas escolas doutrina de crianças azuladas que vieram ao mundo para nos salvar? Será que nasceram em mangedouras?

 

Só falta a ministra obrigar os professores a tirarem cursos de detectar feiticeiros. De ler a sina, talvez? De deitar as cartas? Lançar búzios? Sangrar galinhas?

Quem sabe, qualquer dia vai sua excelência ao Parlamento de vestes roxas, vassoura na mão e, ao lado dela, o merceeiro vestido de Merlim, com o o outro a fazer de corvo...que avejão já ele é.

Ao que chegámos!  Isto já passou o ponto de rir, já perdeu a graça. É grave demais que as pessoas responsáveis em vez de acreditarem na razão acreditem em mezinhas sopeirais.

As crianças não precisam de ser educadas????

Não há paciência para tanta estupidez!

 

 

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publicado às 23:31



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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