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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Mais de vinte anos a trabalhar como professora.
Aprende-se muito, sobre as pessoas, sobre a sociedade, sobre a vida em geral. A escola é uma miniatura muito precisa da sociedade e das suas (r)evoluções. Tudo o que se passa nesta última imediatamente se repercute na atmosfera, no ambiente, na dinâmica e, por isso, na vida da escola e dos que a frequentam.
Só para dar um exemplo: sempre que o desemprego aumenta, as famílias aumentam o seu nível de tensão e stress. Os pais, sem dinheiro para fazerem face às despesas, são menos tolerantes aos pedidos dos filhos e às suas crises da adolescência, são mais beligerantes porque menos capazes de lidarem com as frustrações do quotidiano; tudo isso afecta, por sua vez, a atitude dos filhos na sala de aula (e fora dela) para com os colegas e com os professores.
Nestas circunstâncias, de precariedade de vida aliada à ausência de estruturas de suporte social, qualquer situação de conflito entre alunos/pais e professores facilmente resvala e se torna explosiva, sobretudo se o poder que tutela, em vez de assumir uma voz exemplar de equilíbrio regulador, é o primeiro a acirrar os cães para cima das pessoas.
Discute-se muito hoje a crise da educação mas quem está lá dentro há um certo tempo e tem os olhos abertos viu de longe a encruzilhada em que nos encontramos. Havia tantos sinais à vista que era fácil adivinhar onde se chegaria e como.
Basta puxar um pouco pela memória para se começar a ver as pontas dos fios com que se emaranhou este novelo da escola pública.
De memória, só de memória, tal como foram vistos, por dentro, pelas tropas das trincheiras, desenterrar os acontecimentos, as (más) decisões que serviram de pedra de toque à edificação desta anarquia.
A outros o trabalho futuro de reconstituir essa anarquia edificada pelos documentos - leis, despachos, decretos, etc. que a legitimaram.
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