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Dão-se alvíssaras a quem avisar o governo

por beatriz j a, em 14.05.08

 

 

Li hoje no jornal Sol que o nosso querido Fernando Pessoa ( que gostava duma página bem escrita e usava, convictamente, as consoantes mudas ) foi eleito uma das personalidades mais influentes da cultura europeia. O inquérito, de âmbito universitário, europeu, durou nove meses e elegeu-o ao lado de nomes como Leonardo da Vinci, Shakespeare, Mozart, Einstein, Sócrates (o filósofo! entenda-se), Goethe, Galileu Galilei, Erasmo de Roterdão e Dostoievski.
O presidente do Bureau Internacional de Capitais Culturais disse que ‘a Cultura é a essência que une os europeus e que uma Europa forte e sólida dependem do seu legado cultural.’

POR  FAVOR,  ALGUÉM  PODE  DAR  ESTA  INFORMAÇÃO  AOS  NOSSOS  GOVERNANTES?

Em particular àqueles que ocupam lugares em postos de educação e cultura?
É que eles não sabem disto e pensam que um Fernando Pessoa se faz como quem faz um engenheiro.
Pensam que desincentivar e até fechar os cursos das Humanidades não afecta a cultura do povo.
Que ter os museus fechados e as colecções guardadas não tem influência na riqueza (mesmo a material) de um povo.
Que afastar o povo do contacto com os vultos da cultura, como se faz agora nas escolas, com os novos programas do Grande Paradigma das TELEBS não faz grande diferença ( do que precisamos mesmo é de electricistas e operadores de máquinas, e esses podem ser ignorantes, que até dá jeito – domesticam-se melhor, não é verdade? )
Não percebem que a identidade e a solidez dos povos não se constroem com grelhas do Excel – são filhas da cultura que eles criam.
E que a cultura não se cria no vácuo, antes precisa de alimento, precisa de contexto.
Que morre em ambientes mesquinhos, fechados, onde não há liberdade, onde não há autonomia e discussão, onde as pessoas estão domadas e quebradas e amedrontadas. Onde se despreza o saber e se enaltece o imediatismo e a opinião ignorante.
No futuro, quando se fizer a história desta época no nosso país, o nome destas pessoas vai ser comparado, estou convencida, àqueles que em tempos passados fizeram perder o país para os hermanos. Disto não tenho dúvida. Que quando este tipo de pessoas forem varridas do poder e voltarmos a ter uma classe política com algum nível intelectual e cultural, olhar-se-á para este período como um hiato da razão crítica, prática e estética.

 

 

(publicado originalmente no Libertismo)

publicado às 20:07


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