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efémero

por beatriz j a, em 14.06.10

 

 

Alexei Antonov

 

 

'Descobri' ontem esta pintura. De vez em quando uma obra qualquer bate-nos com tanta força que deixa marca. Talvez porque andei a dar o 'Existencialismo' e tenho muito presente no espírito aqueles temas todos vejo aqui a angústia e o efémero da vida.

Olho para este jarro vejo uma metáfora da vida, bastante sombria. As cinco rosas parecem representar as idades da vida: a mais viçosa é a, ainda pequena, rosa branca (côr de pureza) que está assim com um ar tímido; segue-se-lhe a côr de rosa, no máximo do florescimento, enorme e cheia de duma vitalidade exuberante; vêem depois as amarelas, uma já quase sem folhas, e depois a laranja, completamente curvada à força do tempo ameaçador. O que é interessante é que mesmo a rosa branca parece já ter sido afectada pela intempérie. O céu está sombrio, as núvens com aquele movimento próprio dos dias de vento e tempestade - parece que vai destruir as flores num instante, como se o pintor estivesse a mostrar a efemeridade da vida quase sempre em luta para se manter sob céus ameaçadores. E o modo como a jarra foi deixada sozinha, abandonada ao vento, como que a dizer que no sítio mais profundo de nós, estamos sós perante a vida...e a morte.

Até as folhas verdes têm, algumas delas, um ar agressivo, de quem tem que lutar contra a adversidade. E a espécie de trave de madeira onde está o jarro também mostra a decadência do efeito do tempo.

É um efeito estranho de beleza e angústia o desta pintura.

A mim, impressiona-me.

publicado às 13:01


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