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a avaliação só serve para dar boas notas?

por beatriz j a, em 02.06.10

 

 

 

Hoje tive uma discussão com uma turma a propósito de avaliação.

A coisa começou a propósito do tema da Estética que estamos a dar. Já tínhamos falado da arte do ponto de vista do observador e estávamos a pensá-la do ponto de vista do criador. Falávamos de talento: se toda a gente tem, se se pode desenvolver, se é inato, etc. Concluimos que podemos através da aprendizagem de conhecimentos e técnicas melhorar o nosso desempenho mas que isso não fará de nós artistas ou criadores de arte se não houver uma pulsão e talento por detrás. Foi aí que um aluno fez a seguinte observação:

- mas sendo assim não devíamos ser avaliados naquelas disciplinas que dependem de talentos. Um aluno não devia ter avaliação a Educação Visual se não tem talento.

- ou a Educação Física -disse logo outro- porque não temos a culpa de não ter coordenação motora e isso baixa-nos a média.

- isso quer dizer que vocês pensam que a avaliação serve para vos dar boas notas...? - disse eu.

- claro, disse o primeiro. Uma pessoa tem que ter a possibilidade de tirar a nota máxima senão não é justo, que logo à partida saiba que nunca atingirá o máximo mesmo que trabalhe muito, só porque outro tem talento e ele não.

- por essa ordem de ideias -disse eu-, nos Jogos Olímpicos, por exemplo, dava-se o primeiro prémio da maratona ao que mais se tivesse esforçado e não ao melhor, que se calhar treinou menos tempo e custou-lhe muito menos que ao outro chegar em primeiro lugar. O trabalho é sempre necessário mas nem sempre chega...

- é diferente- disseram eles- porque precisamos da média para entrar na faculdade. Porque é que hei-de ser prejudicado por não ter cordenação motora? - ou inglês, diz outro, que não tem talento para as línguas.

- vocês não são prejudicados, digo eu. Ninguém vos roubou valores. Se a avaliação lhe dá a si uma classificação inferior à de outro colega que tem imenso talento para o desporto, isso só mostra que está correcta.

- mas não é justo! Não tenho culpa, diz ele.

- mas isto não é uma questão de culpa nem de pecados, nem sequer de responsabilidade. Voltámos à discussão dos talentos. Se seguirmos o vosso raciocínio, então cada aluno, na hora da matrícula dirá quais as disciplinas em que não quer ser avaliado por não ter talento para elas. Um aluno que só tenha talento para a Educação Física não será sujeito a avaliação a outras disciplinas, só aquela. Um aluno com talento para o cálculo mas sem jeito para a geometria só será avaliado em algumas matérias na disciplina de Matemática, e por aí fora. Então mais vale pensar se não se deveria acabar com a avaliação, se ela só serve para dar boas notas.

 

A discussão ainda continuou porque enveredou pelo caminho de se discutir para que serve a avaliação, mas achei interessante que os alunos entendessem que a avaliação existe para lhes dar boas notas, e a que não pode garantir esse resultado não deveria existir.

 

publicado às 12:31


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