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malmequeres e amores-perfeitos

por beatriz j a, em 25.05.10

 

 

Hoje saí do prédio pela rua conhecida como a 'rua das tabernas' -embora já não tenha nem uma-, e pus-me a andar a caminho  da escola. A meio da rua em frente à agência funerária estavam dois indivíduos a pôr um caixao no carro funerário. Enquanto um travava o caixão o outro pôs la dentro uma única coroa de flores.

O contraste do escuro do tempo e do caixão sozinho com uma coroa de flores comigo própria que passei por ele vestida de branco e laranja florido fez-me pensar 'aqui vou eu para os negócios da vida e ele/ela para os negócios da morte'. Mais à frente o caixão passou por mim e subiu a rua à minha frente. Quando passei à porta traseira do hospital lá estava ele outra vez, parado, já com algumas pessoas à espera. Por três vezes me 'tocou' hoje, esta morte.

A vida é uma coisa estranha mesmo. É uma excepção. O normal é o não-ser, não o ser. Nascemos, lutamos, sofremos, rimos, comemos, bebemos, estudamos, atarafamo-nos, escrevemos cenas em blogues, fazemos manifestações, amamos, zangamo-nos, alegramo-nos, caminhamos ao sol, fugimos da chuva, fazemos viagens, maravilhamo-nos com arquitecturas, lemos livros, apreciamos a beleza, gozamos o calor do sol, sentimos intensamente a música, o amor, a arte...e depois morremos e arrumam-nos numa caixa como fazemos aos sapatos e encaixam-nos numa prateleira qualquer com uma etiqueta para não nos confundirem com o do lado porque os ossos são todos mais ou menos iguais.

Se temos sorte vamos parar à terra e renascemos como papoilas ou malmequeres ou amores-perfeitos.

publicado às 14:48


2 comentários

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De Anónimo a 26.05.2010 às 09:24

um relato da vida perfeito! Nascemos, estudamos, trabalhamos...e morremos. Mas, não acredito que ali acaba tudo. Pois no caixão fica apenas o nosso corpo. Aquilo que lhe deu a vida, a alma, deve ser eterna, e, ela deve ir, já liberta do corpo, sua casa aqui na terra, para uma outra esfera compatível com o que estudou aqui na terra, precisamente, como os alunos dos nossos digníssimos professores e professoras, os quais acabado o curso e já formados se ingressam pelos outros ambientes da vida!! Acho que o mundo da corrupção em que vivemos surge precisamente porque não reflectimos na nossa vida espiritual, pois, vivemos como os animais: nascer, comer muito, beber muito, saciar os instintos como os animais com toda a libertinagem, ter bons carros, mulheres ou homens, uma vida de luxúria e luxo, salve-se quem puder, com crise ou sem ela......se Deus existe pensamos que ele está morto....., enquanto um animal não deve saber que existe um Deus, mas, talvez saiba que existe seu dono.
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De beatriz j a a 26.05.2010 às 12:19

Gosto dessa ideia platónica de passarmos para outro nível de realidade apropriado ao tipo de conhecimento que construímos mas não sei se consigo acreditar nisso. Sei que não quereria viver uma infinidade de anos porque à medida que o tempo passa mais percebo a verdade das palavras do filósofo quando dizia 'só sei que nada sei', e não quereria tornar-me numa cínica, que é coisa que abomino.
Seja como for, acho poética a ideia de ficar por aí algures impregnada nas flores do campo. De preferência nos amores-perfeitos

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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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