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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Ao Excelentíssimo Senhor Conde-Duque
Já na capela estou, e condenado
a partir sem remédio desta vida;
sinto a causa mais forte que a partida,
pla fome expulso como sitiado.
Culpa sem dúvida é ser desgraçado;
mais, minha condição ser retraída.
Delas me acuso nesta despedida,
e partirei ao menos confessado.
Examine minha sorte o ferro agudo,
que, apesar de seus gumes, me prometo
alta piedade de vossa excelsa mão.
E já que meu acanhamento é mudo,
os números, senhor, deste soneto
língua e lágrimas sejam não em vão.
Luís de Góngora
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