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É só rir...

por beatriz j a, em 10.03.10

 

 

A FERLAP, leio no blog do Ramiro Marques quer resolver o problema do bullying nas escolas contratando animadores sociais para os recreios. LOOOL, imenso LOOOOL. 

É nestas coisas que se vê que esta gente que (des)manda está completamente a leste do que é uma escola. RECREIO!! Não há recreio! Só se for na escola primária... Os intervalos das aulas, que duram entre 10 a 15 minutos na maioria das escolas, não são um recreio...LOOL.

Animadores?? No meio daquele pessoal?? LOL  Opá...francamente... É que não fazem ideia do que é uma escola secundária.

Como dizia o Bordalo, "é preciso rir, rir barbaramente"...para não entrar em depressão com tanta estupidez.

 

 

publicado às 11:49


4 comentários

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De Isidoro Roque a 10.03.2010 às 19:42

É precisamente por sabermos o que é uma escola secundária que apresentamos soluções, a nosso ver boas. A seu ver que merecem gargalhadas... Qual é a sua proposta? Quando criticamos, devemos apresentar alternativas. Qual é a sua?
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De beatriz j a a 10.03.2010 às 20:34

Entreter alunos é uma manobra de diversão que não contribui, nem para a consciência das responsabilidades nem para a sua assumpção.
No imediato o mais importante é mudar o estatuto do aluno. Não chega, é claro. Está desde há anos instituída uma cultura de permissividade que reforça a desresponsabilização - outras medidas, serão necessárias. Na minha escola, em todos os casos e ocasiões em que o problema surgiu nunca deixei de tomar medidas ou de tomar posição, consoante as circunstâncias. O poder de um professor só, é pouco, sobretudo quando rema contra uma maré de pseudo-pedagogias que não ajudam os alunos, porque em vez de lhes fornecerem instrumentos de auto-regulação que os tornem mais adaptados fornecem-lhes desculpas que lhes fecham caminhos no futuro.
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De Isidoro Roque a 10.03.2010 às 23:33

Acho que não nos fizemos entender :-(

A ideia não é entreter os alunos, provavelmente se eu lhe enviar o comunicado, ficará mais dentro da ideia e poderá se assim o entender colocar no blog.

Mas como disse, alterar o estatuto do aluno, não chega (já agora quais as alterações que propõe) é preciso fazer mais, mais, estamos nós a propor.

Podemos parecer utópicos, mas achamos que é possível e que vale a pena construir uma escola melhor para os nossos filhos.
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De beatriz j a a 11.03.2010 às 06:59

Com certeza que acredita numa escola melhor. Eu também, caso contrário não fazia o que faço. Agora, eu não acredito nem trabalho para utopias. Acredito em ideais, não utopias. A utopia é, por definição, algo irrealizável, algo que só funcionaria num universo de seres perfeitos. Eu dou aulas numa escola real no mundo real, a alunos reais.

Penso que dois tipos de medidas são necessários, sendo que ambos têm de concorrer para o objectivo de manter um clima de respeito e ordem na escola. Medidas de prevenção e medidas de remediação.

As medidas de remediação, que se aplicam a alunos que praticam actos violentos (com colegas, professores, funcionários auxiliares) para terem eficácia, necessitam de uma mudança urgente do estatuto do aluno. Um aluno que que ataca um professor com cadeiras, seja porque razão for, ou que aterroriza colegas ou até que sistematicamente é mal educado e perturba as aulas não deixando ninguém trabalhar tem que ser imediatamente castigado de acordo com a gravidade da situação (atacar um professor com uma cadeira ou aterrorizar colegas é, quanto a mim comportamento de gravidade maior que justifica uma medida de suspensão imediata), tem de ficar imediatamente sob uma observação diferenciada e tem de sentir que está a ser diferenciado em virtude do princípio e consequências do seu comportamento. Os pais devem ser responsabilizados - não acredito em multas (sabe Deus que hoje em dia muitos mal têm dinheiro para comer decentemente) mas acredito em terem que cumprir algumas tarefas com os filhos enquanto eles estiverem nesse período probatório, por assim dizer, e em terem que ir à escola dar conta do que estão a fazer nesse período do sob pena dos filhos serem retirados da escola.

Medidas de prevenção têm de ser muitas a correr em simultâneo.

A escola já não é um sítio onde os alunos vão ter umas aulas durante a manhã ou durante a tarde. Agora estão lá todo o dia. Precisa de uma organização do espaço diferente. Precisa do envolvimento responsável dos pais. Precisa de funcionários. Meia dúzia de funcionários para mil alunos é igual a zero. Precisa que as turmas não tenham 28 ou 30 alunos, que é uma coisa extenuante e de muito difícil controlo. Precisa que os professores não tenham 7 turmas e andem constantemente no limite da resistência física e psicológica. Precisa de reforçar o papel do dos decisores (o Director, o D.T., o professor). Precisa de um serviço de tutoria como deve ser. Precisa de espaços físicos com dignidade. Precisa que os alunos tenham tempo para si próprios e não passem o dia inteiro enfiados dentro de salas sentados a ouvir professores. Precisam de reduzir o tempo de aula. Ao fim de uma hora a maior parte desconcentram-se, começam a ficar irrequietos e a fazer disparates. Precisam de espaços para desopilar e descarregar energias. E muitas outras medidas que não dá para expor aqui.

Sei que, quanto mais autoridade retiram ao professor maior será a indisciplina, pois os modelos sociais dos alunos na escola são exactamente os professores. Ora, se os alunos percepcionam o professor como alguém sobre quem podem exercer violência, intimidação, etc, quem serão os seus modelos? E os outros que observam, que segurança sentem numa escola onde aquele que devia instituir a ordem está sob as ordens do que deveria obedecer?

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