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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Tem-se falado muito na polémica das palavras da Margarida Rebelo Pinto e na resposta de Bruno Nogueira. Partindo do pressuposto, para mim incontestável, que as pessoas em geral e as oposições têm, não só o direito, mas também o dever, de vigiar e criticar a actuação dos governos, pois só assim podemos ter um país plural e democrático, parece-me a mim, que o tom do debate é condicionado pelas pessoas que têm o poder.
As pessoas reagem ao modo como os que têm o poder o exercem no que respeita ao debate e à discussão. Se aqueles que têm o poder sistematicamente bloqueiam o debate ou desvalorizam e crítica e a oposição, é inevitável que estes, a certa altura, azedem o tom do debate.
Por exemplo, tome-se o caso do ME. O ministro Crato, imitando nisso a Rodrigues, impõe normas, regras, programas, avaliações e o mais que lhe apetece, sem ouvir os outros, sejam os críticos, a oposição ou os próprios professores que têm que trabalhar com as medidas que ele vai 'vomitanto', a seu bel-prazer. Quando pode, bloqueia o debate e, quando não pode, desvaloriza-o mas, no geral, comporta-se como se fosse um patrão que não admite controvérsia às suas ideias. É evidente que a certa altura, não só as pessoas já não lhe têm respeito, como começam a mostrar um tom irritado, pela falta de respeito democrático que ele sistematicamente exibe quanto aos outros.
Ora, isto é válido, infelizmente, para a maioria dos nossos governantes -e serve de exemplo a muitos milhares de pessoas que têm mais ou menos poder por esse país fora- destes últimos quinze, ou mais, anos e, é por isso, parece-me, que o tom do debate, tem decaído: é que não propriamente debate. O que há são uns a querer debater ideias que lhes dizem respeito a si e às suas vidas e, outros, a quererem impôr a sua vontade sem o obstáculo do debate que obriga a argumentar e mostrar a justeza das suas posições.
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