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poesia de Jorge Reis-Sá

por beatriz j a, em 29.10.13

 

 

UM CORPO CANSADO PELA MORTE

 

Sabe que a tristeza inundou um corpo cansado pela morte.

Que o sorriso desapareceu numa madrugada fria de Dezembro

e não houve Natal possível. Que a geada que cobria os campos

nesse dia, como neve caindo de um céu muito azul, gelou

o coração para sempre. Sabe que a morte cumpre a sua tarefa,

 

que não existem roupas negras que cheguem para a noite

que se adivinha. O corpo do homem foi fechado pela madeira

de um só tronco. Não existem mares que atravessem o odor

da infância na memória de um filho. As praias serão mantidas ao

longe, agora que o sol cai no horizonte do mar, como o tronco

que lhe guardará o corpo já caiu há meses por terra, o aguarda.         

 

Sabe que os bichos foram mortos e a madeira está limpa.

Só no encontro com a terra poderão ressuscitar do pó, esboroar

o tronco, tragar-te o corpo. Envolvido por vermes, desaparecerás

lentamente como desapareceu o calor do coração da mãe.

 

 Jorge Reis-Sá

 

publicado às 04:09


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