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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Quase três meses passaram desde que morreu o meu amigo Gonçalo Monteiro. A maneira como o tempo apaga as coisas e nos devolve aos pequenos afazeres e labutas do dia a dia é cruel. Cada vez que penso nele enfiado numa caixa sete palmos debaixo da terra...tão novo, uma vida sempre marcada pela tragédia e por cumprir ainda. Um indivíduo que tinha tanto para dar..é difícil!
A Filosofia, como dizia Descartes, é a ocupação mais importante de todas; ou, como dizia Platão, uma vida não examinada é uma vida que não vale a pena ser vivida. Pois se o sentido das coisas é não terem sentido nenhum começamos a ver-nos como meros animais. E, se começamos a ver-nos como meros animais, começamos a medir-nos, não com os outros homens, mas com os animais - como aliás, é cada vez mais frequente com o pretexto do evolucionismo. Pretexto sim, porque o que isso mostra é uma decadência do espírito filosófico e da racionalidade na sociedade actual que favorece os processos mecânicos e as explicações mágicas.
Ser filosófico, ter um espírito filosófico, procurar um sentido para as coisas, tem sempre um fiel moral por detrás. O homem, deixado ao absoluto material individual reduz-se à sua animalidade e começa a comportar-se como tal. Ora, é perfeitamente possível educar as pessoas para tomarem consciência da sua dimensão espiritual, racional, de modo que tenham por modelos, não os cães ou os homens que se comportam com os outros como cães mas alguns homens em particular. Não os santos, mas os que trabalharam para afastar definitivamente o homem da mera vivência animal instintiva não pensada.
Muitos alunos iniciam esse percurso com as aulas de filosofia o que é muito gratificante para nós, e importante para eles.
Conforta-me saber que o meu amigo fez esse percurso e, na curta vida que teve, tomou posse do seu sentido como pessoa no mundo.
A vida é tão curta que é preciso pensá-la primeiro, e depois vivê-la. Sem medos.
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