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verdade ou consequência

por beatriz j a, em 30.11.09

 

 

Já passaram mais de dois meses das eleições e tudo está na mesma na educação. Aliás, não se fala de educação. Fala-se de professores. Da carreira dos professores, da avaliação dos professores. Dos alunos, nada. Dos currículos, nada. Dos cursos, nada. É este o legado da Maria de Lurdes Rodrigues. É preciso tornar claro que esta mulher escolheu como estratégia para o seu mandato, destruir os professores, dando voz (e capitalizando votos) a uma multidão de políticos que, como ela e o Sócrates, não entendem nem valorizam o trabalho dos professores.

Foram quatro anos de uma destruição malsã que deixou as escolas com os piores a mandar, desprotegidas da violência e com os professores uns contra os outros, impelidos a isso pelo poder. É por isso que agora nada se pode iniciar sem, ao menos, remendar esse mal feito.

Mas esta ministra também já deu mostras de não compreender o cerne do problema. Quer transformar as negociações numa vitória  económica e não vê que cada vez mais empurra as coisas para o fundo do poço. E tudo por vinte milhões. Abrimos o jornal e vemos notícias do roubo do sucateiro de uns 500 milhões, da derrapagem de uma obra pública no valor de 500 milhões, da fuga ao fisco no valor de 100 milhões, ou dos lucros de biliões da banca. Ao lado, um título diz que se forem corrigidas as injustiças de carreira de milhares de professores isso vai custar vinte milhões. E é por isso que estamos neste impasse. E enquanto isto não se resolve está a discussão sobre a educação em águas estagnadas. Já cheira mal e não tarda muito apodrece.

É evidente que a ministra e o primeiro ministro não se apercebem que os custos de arrastarem esta questão serão muito superiores a vinte milhões. Mais, se acabar tudo mais ou menos na mesma, com os que foram promovidos pela outra a titulares a continuarem a avaliar e coordenar os outros colegas, nada na educação mudará para melhor. Quem neste momento ocupa cargos, coordena, manda e avalia nas escolas são (salvo as devidas e honrosas excepções) os mais gordurosos, os que tudo fizeram e fazem para agradar ao poder, a qualquer custo. Ninguém tem respeito por eles. É imperioso mudar isso.

Isso é o pior, de tudo o que a outra fez. Trouxe ao de cima o que de pior há nas pessoas, e todos vimos colegas com atitudes muito indignas - desde ameaçar colegas com a avaliação até armarem-se em salazares dos outros. Como é que agora podemos voltar a ser inocentes com esses colegas? Depois de terem revelado e mostrado o que são e como são?

Era preciso repor a igualdade nas escolas o mais depressa possível. Igualdade não retira o mérito nem atrapalha a avaliação, muito antes pelo contrário. A diferenciação pela capacidade de se ser sabujo e ditadorzinho é que foram, e são, o cancro disto tudo.

Esta é a verdade e quem não a vê sofrerá as consequências.

 

 

publicado às 07:03



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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