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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
The Master aborda a questão das seitas e cultos que crescem à volta duma figura carismática, manipuladora, que, com uma linguagem pseudo-científica adopta uma estratégia de dar a cada um a narrativa que precisa. No caso do personagem principal do filme, interpretada por Joaquin Phoenix, um retornado da guerra, alcoólico, perturbado, desajustado e perdido, uma narrativa que lhe dá um contexto para explicar o passado, um propósito para pensar o futuro e um sentido de utilidade para aguentar o presente que ele aceita, embora nunca se deixe possuir, por assim dizer.
A interpretação do Joaquin Phoenix é assombrosa. A câmara, que filma com um realismo, às vezes assustador, é muito invasiva a ponto de deixar os actores muito expostos. Pois o Joaquin Phoenix deixa-se ver completamente na sua condição humana: muito magro, com explosões de violência que andam a par duma vulnerabilidade emocional instável, constrói um personagem dum muito intenso realismo.
Ninguém, no filme, está à altura dele, embora o Philip Seymour H. esteja muito melhor do que é costume, o que terá que ver com a qualidade do co-actor com quem tem, no filme, uma relação única de identidade. Não é que os outros actores não estejam bem, mas o Joaquin Phoenix está noutra categoria muito acima.
Duas actrizes destacam-se pela qualidade do trabalho embora tenham pequenos papéis: a Laura Dern e a Madisen Beaty, que faz de Doris.
Um filme muito bom.
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