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Um ex-aluno que se tornou um querido amigo está mesmo a acabar a licenciatura em matemática e acabou de dizer-me que já se decidiu por seguir matemáticas puras porque é o que gosta e não quer mentir e atraiçoar-se a si mesmo só por questões de pragmatismo, isto é, de ganhar mais e imediatamente dinheiro na matemática aplicada, o que seria muito fácil porque tem várias propostas de emprego já neste momento. É uma enorme felicidade vê-lo construir o caminho dele com integridade e valor. Faz cinco anos que o conheci, no 11º ano dele. Foi meu aluno um ano só mas foi o que bastou. Pessoas raras :)

Anima imenso ver os miúdos crescerem e construirem positivamente o seu caminho e é gratificante acompanhar uma época emocionante da vida deles. 

Hoje mesmo, tive uma turma do 10º ano a discutir trabalhos, não comigo mas uns com os outros, em equipas opostas, sobre temas actuais no âmbito dos valores e escolhas éticas. Temas que estão a ser discutidos na sociedade e na AR, como a eutanásia e os direitos de adopção dos casais homoparentais, etc. Andaram três semanas a preparar-se para esta discussão e a maioria preparou-se a muito a sério. Nada de parvoíces como são os debates apalermados e demagogos que se vêm na TV. Têm que saber enquadrar os argumentos nos fundamentos filosóficos que estivemos a dar nas aulas.

Era preciso vê-los, muito compenetrados a discutir os temas, com a linguagem apropriada, e dados e factos a apoiar os argumentos, uns com os outros, como se as leis dependessem da discussão que estava ali a fazer-se. Arrumaram a sala como se fosse um pequenino hemiciclo. Anima muito ver estas coisas. É claro que, infelizmente, muitos saem da escola e perdem-se das intenções e desta capacidade de verdade que tinham mas... não todos, não todos 🙂 

Tenho muita sorte de ter com frequência alunos que são pessoas genuínas, interessantes e de valor; mais sorte ainda de ter entre eles alguns grandes amigos.

 

publicado às 19:43


I must have died and gone to heaven

por beatriz j a, em 02.02.18

 

 

Music by Anssi Tikanmäki Lyrics by Anssi Tikanmäki and Maarit Tikanmäki Performed by Johanna Rusanen-Kartano and Anssi Tikanmäki Orchestra (via, The Girl King film)

 

publicado às 18:46

 

 

 

publicado às 07:10


'Art cure heart'

por beatriz j a, em 02.02.18

 

 

 

publicado às 07:00


Ouvir um bater das asas

por beatriz j a, em 02.02.18

 

 

via Alyssa Glogowski

 

publicado às 06:22


Enorme hipocrisia dos holandeses

por beatriz j a, em 01.02.18

 

Turistas vão ter de virar costas às prostitutas em Amesterdão

... para não ficarem a olhar para elas como se fossem mercadorias numa montra de loja. Só que... é isso mesmo que são. Uma mercadoria à venda numa montra de uma loja. Os holandeses são uns hipócritas de todo o tamanho.

Há pouco tempo uns dinamarqueses fizeram uma experiência com homens, que filmaram (aqui tem um pedacinho da experiência) onde estes têm que analisar e dizer se o que estão a ler é um guião pornográfico ou uma história pessoal tirada da  #MeToo story. Dão a todos um guião de uma cena pornográfica. Os homens quase todos dizem que é assédio e violência sexual. Pois, é que a pornografia, como a prostituição, é violência, geralmente sobre as mulheres. 88.2% das cenas pornográficas contêm alguma forma de agressão contra mulheres.

Os rapazes e, as raparigas também, crescem, hoje em dia, com o fácil acesso à pornografia, habituados a olharem a agressão e a violência contra as mulheres como se fosse normal, como se fosse prazer sexual. Porquê? Porque está normalizada.

A prostituição, ao contrário do que se diz, não tem a ver com a liberdade do corpo. As mulheres que andam na prostituição, praticamente todas, são pessoas com poucas ou nenhumas opções de vida. Os números são muitos, muito e muito claros. As que se lançam na prostituição aos 12 e 14 anos são vítimas de abusos sexuais e as mais velhas também vêm de ambientes degradados, são manipuladas, vêm de ambientes de droga e de violência, são vendidas, abusadas como mercadorias que se usam e se deitam fora.

São oriundas da pobreza, são filhas de marginais, vítimas de abandono, não são filhas de pessoas de classe alta ou de classe média. Não são banqueiras, advogadas, médicas, economistas, professoras, etc. Nos EUA o nojo é tal que há meia dúzia de anos incentivavam-se as raparigas a prostituir-se para pagarem os empréstimos dos cursos superiores. São pessoas sem opções de vida.

De modo que os holandeses, gabarem-se de terem o Estado a fazer de chulo e a gerir bordéis degradantes onde exploraram a violência contra as mulheres e depois obrigarem os turistas, pudicamente, a virarem as costas para não as ofenderem é de uma hipocrisia enojante.

Quando morei em Bruxelas apanhava na TV todos os programas de todos os países ali à volta. Havia um canal holandês, não pornográfico, que a partir das onze da noite passava pornografia e programas a incentivar a prostituição. Uma vez por semana ou assim passava pornografia de bestialidade, com mulheres em actos sexuais com cães, ratos, e outros animais. Às vezes tentava ver aquilo para ver se percebia a lógica daquilo mas não era capaz porque aquilo é de uma violência tão grande e tão degradante que ficava irritada, revoltada e com vontade de bater em alguém pela extrema degradação e violência a que sujeitam as raparigas.

De modo que esta cena dos holandeses mandarem os turistas voltarem costas é de uma hipocrisia nojenta.

 

publicado às 22:39


Uma conversa notável e extremamente atual

por beatriz j a, em 01.02.18

 

 

Lembrei-me de rever esta conversa entre estes sete homens, brancos e negros, que teve lugar no dia 28 Agosto de 1963, o da grande marcha pelos direitos civis em Washington D.C, o dia do discurso de M. L. King. E lembrei-me desta conversa depois de ter lido uma notícia que dá conta de uma lei polaca desta semana segundo a qual, quem usar o termo, 'campos de morte polacos' com referência ao Holocausto, pode ir preso até três anos. É que esta conversa é notável pela razão de que estes homens falam de si próprios e do seu país com honestidade.

Acho que é a conversa mais honesta que já vi pessoas terem sobre o seu próprio país. Fazem-no com consciência dos erros e com vontade de fazer melhor mas reconhecendo os seus erros e integrando os erros na própria narrativa de busca de soluções. Quase sempre os países, até os pequenos como o nosso, têm excesso de vaidade e de necessidade de vestir uma máscara para controlarem a imagem que dão. Resulta quase sempre no oposto. Que benefício tiraram os soviéticos de apagarem Trotsky das imagens com Lenine? Mas enganou alguém porventura...?

Quando fui a Berlim, uma das coisas que me impressionou foi ver por todo o lado, muito pedagogicamente, exposições, fechadas e ao ar livre, monumentos, chamadas de atenção por todo o lado, do que foi o passado nazi. Achei admirável e lembro-me de pensar, 'se fossemos nós, portugueses, tínhamos tudo pintado com uma camada espessa de tinta opaca e mentíamos com os dentes todos, como aliás fazemos com os treze anos de guerra e os 500 de colonialismo em África, sendo que continuamos a dizer que somos diferentes dos outros, que somos um povo de bons costumes...'

Um deles diz, 'esta marcha não se poderia fazer em mais nenhum país senão aqui (estamos em 1963) mas também nenhum país precisa dela como nós.' Esta frase mostra a consciência da urgência de mudança sem renegar o país e os seus valores.

Esta conversa é inspiradora, nesse sentido em que vemos isso mesmo, que é possível pessoas de boa vontade juntarem-se e falarem a uma só voz, sem negarem os valores do seu país mas sem esconderem os erros. Ora, o que umas pessoas fazem, outras também podem fazer e, isso é que é inspirador.

Como diz um deles, a liberdade, não são os governos que a dão, é o povo que a dá.

[uma coisa que se nota é que as mulheres estão sempre ausentes, como coisas invisíveis, dos discursos dos direitos humanos feitos pelos homens... é uma tristeza... talvez 2017 tenha sido 1963 para os direitos das mulheres, para que se comece a reconhecer que somos seres humanos com direitos iguais aos dos outros tal como vem escrito na Carta dos Direitos Humanos Universais]

 

 

publicado às 20:43


Entrar numa pintura chinesa

por beatriz j a, em 01.02.18

 

 

Entrar no Monte Baiyue (agora Monte Qiyun) na província Anhui no leste da China através de um vídeo imersivo da pintura de Xiang Shengmo, de 1623. 

via British Museum

 

 

publicado às 18:54


Saldo dos saldos 🙂 📚🗻🇯🇵📘

por beatriz j a, em 01.02.18

 

 

IMG_1697.jpg

 

IMG_1696.jpg

 daqui:

IMG_1692.jpg

 

publicado às 18:23


Pequenos deuses

por beatriz j a, em 01.02.18

 

 

Houve um tempo em que tínhamos fronteira com Espanha. Agora quase nem nos lembramos como era aborrecido parar na fronteira, quando havia fila, sobretudo à volta, de noite e, ter que abrir o carro para a guarda fiscal, quando o pediam. Quase toda a gente trazia caramelos e mais qualquer coisa se vinha de Andorra, por exemplo. Nessa altura havia muito contrabando de tabaco, bebidas alcoólicas, etc. e, era mais fácil corromper o guarda fiscal da fronteira que ter esquemas para esconder o contrabando nos carros, o que é difícil. O modo de corromper o guarda da fronteira era o esquema do bacalhau. Um contrabandista passava a fronteira com três pacotes de cigarros em vez dos dois permitidos e oferecia meio bacalhau ao guarda, para a consoada, para ele fechar os olhos. Não era Natal nem nada era dito, claro. O bacalhau era oferecido antes do guarda inspecionar a mala do carro. Era uma 'cortesia', enquanto se fazia conversa com o guarda para criar uma relação amigável. O guarda aceitava. Afinal, era rídiculo multar o homem por um só pacote de cigarros a mais e aceitar meio bacalhau não comprometia ninguém, era uma 'cortesia'. De cada vez que o contrabandista passava dava sempre ao guarda qualquer coisa, um bocadinho mais valiosa que a anterior. O guarda habituava-se e já esperava pela 'cortesia' e cada vez o contrabandista enchia mais a mala do carro. A certa altura, mesmo que o guarda quisesse recusar 'cortesias' (o que não acontecia porque já se tinha habituado a sentir-se importante e porque as 'lembranças' já abarcavam a mulher e os filhos, etc.) já não era possível porque já tinha recebido muitas e já tinha fechado os olhos a muita coisa. E é assim que a coisa se faz para criar pequenos deuses.

 

publicado às 07:34

Pág. 7/7



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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