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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Agora mesmo alguém pôs no FB um bocado de um programa de Televisão que não conheço -vejo pouca TV e quase tudo notícias e algumas discussões- com quatro homens a falar sobre o caso dos livros da Porto Editora onde gozavam com o facto de ter havido polémica por coisa nenhuma. [Isso nem vou comentar porque há tanta documentação científica sobre o assunto...] A certa altura um deles queixa-se que os homens estão a ser excluídos do debate. Se não tivesse ouvido não acreditava. Ali estão eles, quatro seres masculinos, em destaque, a falar na TV, as suas opiniões particulares sem nenhuma especialidade. Quando olho para os programas de notícias e discussão na TV só vejo homens. Nos jornais, a esmagadora maioria dos articulistas são homens. O governo, a AR, o Conselho de Estado e outros orgãos institucionais são quase todos constituídos por homens, com uma ou outra mulher. Os administradores públicos e privados das companhias que influenciam a nossa economia, são homens. E ali estão aqueles seres tão fechados no seu solipsismo machista (tenho a certeza que se acham o oposto) que se queixam de ter pouca relevância no debate público... isto é a total inconsciência da realidade dos factos que agora se gosta de citar.
Em geral, até me parece que, tendo em conta esta predominância masculina em tudo o que é opinião, comunicação e debate públicos neste país, esta questão mostrou, para minha surpresa, que o macho luso à solta na coutada, para usar a expressão de um juíz que há tempos assim justificou um violador, é em muito menor número do que parecia. São a meia dúzia do costume, só que fazem muito barulho porque lhes dão muito protagonismo. Isto parece-me positivo porque temos uma classe política e jornalística envelhecida. No entanto, pelos vistos, não está toda esclerosada.
Em Agosto, o Estado fez mais um reembolso ao Fundo Monetário Internacional, tendo já pago antecipadamente 63% do empréstimo feito por esta entidade.
É como dizia uma amigo, mesmo que tudo tenha sido feito dentro da lei, sabendo nós que é o governo/partido/MPLA quem contrata, paga e controla os empregos, o exército, as empresas, os meios de comunicação e a vida das pessoas em geral de modo semi-ditatorial há quase 40 anos, como é possível as eleições poderem ser livres com este nível de manipulação?
O ortopedista disse-me que devia caminhar com meias de compressão porque faz bem à circulação e evita certos problemas. Como daqui a nada está na altura de largar as sandálias e calçar as botas fui comprar as ditas meias. O que eu me ri com o rapaz da loja, um indivíduo novinho com um ar tailandês e sotaque pronunciado. Ia à procura de umas meias discretas, azuis escuras ou cinzentas... Isso não há: ou são rosa shoking, ou verde fluorescente ou laranja de desmaiar. E não são apenas as das mulheres, não, são todas. Enquanto o rapaz ia tirando meias das caixas, começámos os dois a descrever as meias consoante o que aquilo nos fazia lembrar e só ríamos, ríamos...
Essas aí que comprei eram as mais discretas e, segundo ele me disse, são da melhor marca. Não percebo... será que os designers das meias pedem aos filhos de cinco anos para escolher as cores? É para os pés irem alegres? Mas quem é que se lembra de fazer umas meias com aspecto de terem sido sobrevoadas por uma bando de gaivotas a seguir ao almoço? Não percebo.

É ao que estou reduzida... e oito meses de sacrifícios deitados para o lixo...

Os jantares de um grupo de amigos de José Sócrates custaram, em dois anos, a Carlos Santos Silva, suspeito de ter recebido subornos de vários milhões de euros destinados a Sócrates, mais de 20 mil euros.
Nesse grupo de convivas, participavam, segundo a edição de ontem do ‘Sol’, Pedro Silva Pereira, eurodeputado do PS e ex-braço-direito de Sócrates no governo, Vieira da Silva, atual ministro da Segurança Social, João Galamba, porta-voz do PS, e João Constâncio, filho de Vítor Constâncio.
Os jantares aconteciam quase todas as sextas-feiras no Tertúlia do Paço, restaurante na zona do Lumiar (Lisboa) que é conhecido pelo marisco e peixe fresco. Mesmo não participando nesses jantares, segundo o ‘Sol’, as novas escutas integradas na operação Marquês revelam que a despesa das refeições era paga por Santos Silva.
Cultural and Creative Cities Monitor
Num indíce que monotoriza a dinâmica cultural das cidades da Europa, Lisboa aparece à frente de Londres e, em vários aspectos culturais à frente de quase todas as cidades, incluindo Roma... a sério?? não sei que algoritmo usaram para medir estes indíces mas moi não acredita nisto. lol
Devo ter cara de alguma coisa que não identifico porque os turistas franceses vêm todos ter comigo perguntar direcções. Montes de gente na rua, até estou com outras pessoas e aí vêm eles direitos a mim... como o meu sentido de orientação está ao nível da honestidade do Ricardo Salgado, não tenho mesmo GPS interno e sou péssima a indicar direcções, mesmo que seja para o quarteirão a seguir, só lhes dou conselhos idiotas. Hoje foram uns quatro ou cinco. A um casal que queria ir para o Parque Eduardo VII, quase os mandei dar a volta à cidade. E eles ainda me agradecem imenso cheios de sorrisos porque explico-lhes tudo em francês. Explico-lhes é tudo mal... Uma pessoa não quer ser mal educada mas se calhar era melhor que fosse. A esta hora devem estar uns cinco ou seis a rogar-me pragas...
Dizer que gosto disto é eufemismo grosseiro porque não sei gostar das coisas (e pessoas) aos quadradinhos pequeninos... e logo música! Adoro isto! Até me arrepio. Das coisas que mais tenho saudades do tempo de viver em Bruxelas era estar a 40 minutos da Alemanha, meia hora da Holanda, duas horas de Paris e menos uma hora de Londres e poder ter acesso a temporadas de ópera como deve ser. A excitação do pano subir e aquela magia toda acontecer... enfim, foi bom enquanto durou.
Para amantes de Wagner deixo este link para um site com toda a discografia e videografia e outras coisas.
A DECO presta um grande serviço aos cidadãos e tem o mérito de ter começado por baixo e ter-se implantado socialmente à custa de credibilidade e não de chunhas. O que aconteceria se não tivéssemos a DECO, num país onde o que impera já não é a lei mas os advogados?
Dantes tínhamos um país de leis. Se havia um problema era fácil de resolver. Cada um sabia, mais ou menos, as leis da sua actividade e todos sabíamos, mais ou menos, as leis estruturais do país. Se tínhamos um diferendo, íamos ao Diário da República e líamos o artigos ou artigos correspondentes. Agora isso é impossível. Há tanta legislação, decreto-lei, despacho sobre o mesmo assunto, tudo tão intrincado, que precisamos sempre de um advogado e que seja especialista!
Hoje em dia somos um país de labirintos legislativos com abismos para incautos e cada pequeno diferendo é como se fosse um grande caso de antigamente.
Quem é que tem dinheiro, neste país, para recorrer a advogados constantemente? Sim, porque é a MEO, a EDP, a Autarquia, os ministérios que tutelam, o chefe no trabalho, os problemas com a casa, os bancos, os hipermercados... a lista não tem fim. Se não fosse a DECO, ainda éramos mais explorados e enganados do que somos.
Pintora auto-didacta, escultora, escritora e poeta surrealista com um estilo muito próprio, americana, nascida em 1910.
Auto-retrato - sombrio - aquelas portas e ela como uma náufraga...

Dorothea Tanning - auto-retrato
Hoje foi dia de caminhada e, como também era dia de regresso ao serviço, fui directamente da caminhada à escola assinar o papel de retorno ao serviço e ver o serviço que há antes de vir para casa tomar banho. Ia um bocadinho desgrenhada, com areia, de calções e sandálias de hiking... na escola não estão habituados a ver-me nestes propósitos... Entrei na secretaria e disse-me a dona F., 'a professora está mesmo com ar de férias. Parece que veio da praia'. E vim mesmo eheh
caminhada de hoje em tons de azul, verde e ouro






Everyone has a photographic memory. Some don't have film.
He who laughs last, thinks slowest.
A day without sunshine is like, well, night.
I just got lost in thought. It was unfamiliar territory.
Seen it all, done it all, can't remember most of it.
Those who live by the sword get shot by those who don't.
I feel like I'm diagonally parked in a parallel universe.
He's not dead, he's electroencephalographically challenged.
You have the right to remain silent. Anything you say will be misquoted, then used against you.
I wonder how much deeper the ocean would be without sponges.
Pardon my driving, I am reloading.
Despite the cost of living, have you noticed how it remains so popular?
Nothing is foolproof to a sufficiently talented fool.
It is hard to understand how a cemetery raised its burial costs and blamed it on the high cost of living.
As long as there are tests, there will be prayer in public schools.
A fine is a tax for doing wrong. A tax is a fine for doing well.
Everybody lies, but it doesn't matter since nobody listens.
I started out with nothing, and I still have most of it.
Uma pessoa, hoje em dia, tem duas vidas: a vida online e a vida cara-a-cara. É certo que elas tocam-se mas, são níveis diferentes de realidade. Cada um tem o seu círculo de pessoas, os seus compromissos e lealdades e, o nosso comportamento online não é totalmente coincidente com o comportamento cara-a-cara porque ao primeiro falta-lhe a dimensão emocional.
Por exemplo, a maior parte das pessoas do meu trabalho, sejam os colegas, sejam os alunos, não faz a menor ideia que tenho um blog. Se soubessem ficariam surpreendidos (os colegas, não os alunos que me conhecem mais como sou) porque me conhecem como uma pessoa reservada e pouco faladora. É que uso os intervalos das aulas para descansar e desligo completamente de tudo o que se passa à volta até esvaziar a cabeça e repôr energias. Não faço publicidade do blog nem digo a ninguém que o tenho porque um dos motivos de o ter é justamente destressar da minha situação no trabalho de há uns anos para cá. Outros motivos são a absoluta necessidade de escrever e também de querer e, achar que podendo, devemos, participar na vida pública.
O FB é diferente porque não tenho lá ninguém que não me conheça cara-a-cara de modo que é uma vida menos virtual. A vida do blog é a vida das ideias e das discussão de ideias, mesmo quando ponho aqui coisas aparentemente mais pessoais como textos poéticos porque mesmos esses, uma pessoa para os escrever tem de distanciar-se até de si mesma.
A pessoa emocional que somos praticamente não aparece nesta vida virtual. Essa reservamo-la para aquelas duas ou três pessoas especiais cuja ausência levaria ao desespero.
Imagino este indivíduo enquanto pai e na educação que vai dar aos filhos: os bons, os maus, ou matas ou és morto, matar é um trabalho como outro qualquer, matar faz-nos sentir primevos, cheios de poder...
A experiência dos soldados não morre com eles, tem danos colaterais, como as balas que fazem ricochete e atingem outros.
Militares portugueses chegaram ao local dos incêndios e depararam-se com militares espanhóis a andar por ali à vontade com veículos e armas próprias como se estivessem no seu país, o capitão português e o espanhol sem saber quem primeiro bate pala a quem e isto sem ninguém ter sido avisado? Portanto, podemos ser invadidos que nem damos por isso?
Desde a antiguidade clássica que as estátuas, erigidas em locais públicos, são lugares de memória que servem uma relação de identidade das pessoas à sua cidade ou à sua pátria, física, cultural, religiosa, etc. As estátuas veiculam valores: há estátuas de deuses, de chefes políticos, de guerreiros vencedores, de poetas, de artistas, de acontecimentos, etc.
O que as estátuas têm em comum é serem honoríficas, quer dizer, são pessoas cuja vida ou certas acções que fizeram, nos honram e, por isso mesmo, também as honramos e queremos que não sejam esquecidas e que os seus valores se mantenham através das gerações e fortaleçam a identidade do povo.
Em princípio, levantam-se estátuas aos melhores entre nós. Aos que são modelos positivos para os outros. É claro que nem sempre é assim. Há por aí estátuas de políticos que não valeram nada mas que conseguiram enfiar-se num pedestal... mas isso não interessa.
Sabemos que muitos dos que estão em estátuas em lugares de destaque foram pessoas com muitos defeitos: o Afonso de Albuquerque era impiedoso com os inimigos, o Marquês de Pombal foi crudelíssimo com os Távoras e muitos outros exemplos existem. No entanto, tanto um como o outro, citados, não tinham por fim ser cruéis ou impiedosos e, o bem que nos fizeram foi superior a esses defeitos de carácter.
Não é o caso de certas figuras históricas cujo objectivo das suas acções, embora tivesse agradado a muitos e tenha que ver-se no contexto do tempo, não pode ser tido como honroso, depósito de valores que queremos perpetuar e que fortaleçam a identidade de um povo. Nesse caso, o lugar dessas estátuas, não é o de destaque na praça pública mas no museu ou algo assim, onde podem ser vistas e compreendidas num contexto pedagógico.
É o caso, por exemplo, das estátuas de Robert E Lee que tanto têm dado que falar nos EUA. Robert E Lee lutou pelos Estados Confederados cujas declarações de secessão, sem excepção, afirmam explicitamente que estão a lutar com o objectivo de manter o sistema de escravatura. Não me parece um objectivo honroso cujo valor se queira perpetuar e que ajude ao fortelacimento da identidade dos americanos. Pelo contrário. Deve ser extremamente ofensivo para qualquer americano negro passar por uma estátua de Robert E Lee e, por exemplo, ter que explicar aos filhos que a pátria deles ainda honra e dá valor público a um guerreiro que lutou para os manter em situação de escravidão.
Um dos grandes erros da educação, parece-me, é ensinarem-se como modelos positivos ou heróis, indivíduos que foram grandes facínoras ou cujo objectivo de vida era a aniquilação, o assassínio, o totalitarismo, a subjugação, etc.
O mundo mudou, felizmente e, o que ontem se entendia normal, em muitas áreas, como os direitos dos animais, por exemplo, hoje já não aceitamos sequer que exista, quanto mais normalizado. E isto não é ser politicamente correcto. É evoluirmos para seres humanos mais decentes uns com os outros.
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