Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau

Vivem nas altas montanhas
no topo das árvores florescem
não sabem jogos nem manhas
de vida livre se vestem
(...)


Tudo quanto Sonhei se Foi Perdido
O que sonhei e antes de vivido
Era perfeito e lúcido e divino,
Tudo quanto sonhei se foi perdido
Nas ondas caprichosas do destino.
Que os fados em mim mesmo depuseram
Razões de ser e de não ser, contrárias,
Nas emoções que, dentro em mim, cresceram
Tumultuosas, carinhosas, várias.
Naqueles seres que fui dentro de um ser,
Que viveram de mais para eu viver
A minha vida luminosa e calma,
Se desdobraram gestos de menino
E rudes arremedos de assassino.
Foram almas de mais numa só alma.
Francisco Bugalho, in "Dispersos e Inéditos
ger eikendal
Quem tem filhos tem cadilhos, diz o ditado popular. É verdade. Uma pessoa nunca deixa de se preocupar com os filhos. Quando são mais novos preocupamo-nos com o crescimento e com a escola e depois, mesmo se já são adultos e se achamos que são pessoas de valor e têm em si instrumentos para ultrapassar os obstáculos que a vida traz, preocupamo-no na mesma. Acho que a vida é isso: estarmos presentes, cuidarmos e preocuparmo-nos com as pessoas de quem gostamos e de resto, fazer algo de útil para a sociedade em que estamos. Acrescentar qualquer coisa positiva. Mas leva tempo a perceber que estas são as coisas importantes e que tudo o resto é superficial assim como leva tempo a saber como construir esse algo positivo.
Uma pessoa vê os filhos nessa procura e descoberta e às vezes gostava de lhes encurtar o caminho. Mas é claro que não é possível, porque a vida é isso mesmo: percorrer o caminho. O seu caminho.
É difícil descobrir a vida, quer dizer, entrar na idade adulta e descobrir como são as coisas, as dificuldades, as obrigações, os obstáculos, os tempos de angústia, os tempos de solidão e por aí fora. Últimamente, de há uns anos para cá preocupo-me em preparar, ou pelo menos avisar, os alunos, da necessidade de anteciparem os problemas que os esperam para não irem para eles de olhos fechados. Sobretudo no 11º e 12º anos. Para alguns é mais díficil que para outros. Aqueles que sendo bons em várias áreas não se reconhecem em nenhuma delas em particular. Essas pessoas que têm dificuldade em encontrar o seu lugar, embora sofram essa angústia de não se verem definidas rapidamente como as outras, vêm a ser, muitas vezes, muito mais interessantes que as outras que desde sempre souberam o seu lugar no mundo. Pessoas inadaptadas.
Ministra da Cultura na abertura da Feira do Livro de Lisboa
A ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, afirmou esta quinta-feira acreditar que, apesar do contexto de crise, "não é pelo preço de um livro que os consumidores se irão retrair".
??? Florescente? Como assim? Vendem-se muitos livros? Quem os compra? Uma minoria de pessoas. Um livro custa em média 15 euros. Se uma pessoa comprar três livros por mês -o que é pouco para quem é leitor e tem o hábito da leitura- são 90 euros, o que dá um custo anual de mais de 1000 euros. Para a maioria das famílias isso seria um luxo incomportável. A cultura, neste país, é um luxo. Depois diz-se que os portugueses são incultos. É verdade, mas que outra coisa poderiam ser num país reduzido à sobrevivência?
Naqueles tempos a inquietação das mulas tinha atingido o auge. Aproximavam-se os tempos dos últimos dias com a chave do palheiro nas mãos. Eram tempos de mudança e há muito que nenhuma mula sabia trabalhar. Juntaram-se para planear uma estratégia mas logo começaram a escoicear e zurrar em grande alarido. Já não conseguiam disfarçar o pânico. De todas, a que zurrava com mais angústia era a mula-clone. Estava desesperada. Já não sabia como viver fora do palheiro.
Eis senão quando entra o encantador de mulas no palheiro e todas as mulas correm para ele a lambê-lo. 'Mas o que se passa aqui', pergunta o encantador de mulas. 'Estamos desesperadas, porque vamos perder o palheiro e nenhuma de nós sabe já como trabalhar', disse a mula-sonsa. 'Mas vocês não têm palha guardada? Tanto tempo que vos deixei dentro do palheiro...', disse o encantador. 'Não temos, comemos tudo' disseram as mulas. 'Mas vocês não são mulas, são é burros', disse o encantador de mulas. 'Mas não podemos abifar-nos a este resto?', perguntou a mula-lenta. 'Nem penses! -disse o encantador- não sabes que o palheiro agora está com as portas escancaradas e todos vêem o que está cá dentro?'.
'Ah querido líder, o que fazemos agora?', choravam as mulas em desespero. 'Ainda nos põem a puxar carroças, ai, ai'.
'Amigas... sabem que não deixo cair ninguém. Esta é a hora de nos ajudarmos umas às outras. A situação é desesperada -disse o encantador- mas eu tenho uma ideia. Esperem aí que eu vou lá fora e já venho falar convosco'. Dito isto o encantador de mulas saiu, fechou a porta do palheiro à chave e pegou fogo ao palheiro, enquanto pensava, 'isto agora é cada mula por si'. De seguida desatou aos gritos: 'acudam, acuda, que o palheiro arde todo'. À medida que chegavam os outros animais da quinta ele ia dizendo, 'Se não fosse eu a quinta toda tinha ardido'.
Não é que não goste da Finlândia, mas já não posso ouvir o nome dessa terra. Toda a gente sempre a comparar-nos com a Finlândia. Que diabo! Não somos finlandeses, como não somos alemães. Nunca seremos. Nem queremos ser!
A ver se pomos as coisas na devida perspectiva: a Finlândia é um país independente desde 1917. Ainda não comemorou cem anos de existência. Até ao fim da Segunda Grande Guerra andou em várias guerras. Teve uma crise muito grave nos anos noventa e só recentemente atingiu um grau de desenvolvimento e qualidade de vida notáveis. Aliás, ao fim de uma dezena de anos a viver em riqueza trataram logo de eleger nacionalistas conservadores... certos tiques nunca se perdem...
A Finlândia não é comparável com Portugal. É um país do Norte. Como todos os países do Norte tem dias pequenos, a luz desaparece muito cedo, tem pouco sol e tem um estilo de vida muito diferente do nosso e dos países aqui do Sul que estendem o trabalho por mais horas e saem mais à noite porque têm bom tempo grande parte do ano.
É um país enorme -o oitavo maior da Europa-, naturalmente rico e com apenas 5 milhões de habitantes...o que equivale à área da grande de Lisboa.
Se existem características universais nos sistemas de ensino que podem ser adaptadas ou até copiadas para Portugal ou outro qualquer país, outras existem que não podem ser adoptadas porque não têm nada a ver connosco.
Os finlandeses não são infalíveis nem santos, não têm uma democracia secular...só estão no início da sua vida como povo independente e, por isso, ainda cheios de pujança.
Eu até gosto de renas e isso, mas isto de não se poder abrir um jornal sem dar de caras com a Finlândia e não se poder ir a muitos blogues de professores sem estar sempre a dar de caras com a Finlândia já enjoa. Mostra bem que neste país não há gente com ideias, conhecimentos e cabeça nos sítios de poder de modo que andam sempre à procura de alguém para imitar.
Lisboa, maio de 1891
A crise financeira é alarmante. Em Março passado o Governo alienou o exclusivo da fabricação do tabaco e exigiu que os concessionários adiantassem o empréstimo de 36.000 contos para consolidar a divida flutuante e outras despesas do Estado.
As remessas dos emigrantes portugueses no Brasil, que ajudavam a equilibrar a balança comercial, baixaram drasticamente. Outro factor negativo foi a falência da casa Baring Brothers, o banco inglês que habitualmente financiava o Governo Português. O ministro da Fazenda negociou um empréstimo em Paris, mas as outras praças estrangeiras fecharam o crédito. A crise é tão grave que o Governo se viu obrigado a emitir papel-moeda e a estabelecer o bimetalismo ( a cobertura legal não é assegurada só pelo ouro, cada vez mais raro, mas também pela prata).
A circulação metálica é tão fraca que chegou a ser necessário autorizar o curso legal do franco francês.
O Banco Lusitano e o Banco do Povo faliram. A Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses e a Mala Real Portuguesa estão também à beira da falência.
O sinal mais critico é dado pelo próprio Banco de Portugal: as reservas de ouro estão a esgotar-se.
(Diário da História de Portugal, Jose Hermano Saraiva e Luísa Guerra)
Medidas do FMI
O FMI está tomar medidas em vários âmbitos de modo a promover a poupança. Assim, a nível ortográfico e aproveitando a boleia do acordo vai propor:
No âmbito da Igreja Católica também já houve diversas reuniões com o FMI e, este vai propor:
Cecília Graça
1-5-2011
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.