Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Há indivíduos que não podiam ser funcionários de escolas. Não podem estar perto de mulheres quanto mais de raparigas, adolescentes. É revoltante. E uma pessoa denuncia e faz queixa e fica tudo igual. Aliás, pior, porque a impunidade dá força. Há dias em que apetece mandar tudo às urtigas.
Um arranjo da música do Elvis inspirado em Beethoven e nos UB40. E resulta! (tem que se ouvir alto)
Padrão de discurso da ministra de educação:
Não temos dinheiro, temos que poupar.
Vamos alargar a escolaridade ao 12º ano.
Estou muito feliz, as meninas e os meninos vão ter Magalhães.
A educação continua a grande prioridade.
Há coisas que eu não percebo. Mas lá está. Devo ser eu que sou completamente tapada ou estranha, ou isso, ou qualquer coisa.
Whatever... i like still-life.
Makes me dream.
A arte é um antidestino, dizia o André Malraux.
![]()
Jean-Baptiste Robie
Hoje saí do prédio pela rua conhecida como a 'rua das tabernas' -embora já não tenha nem uma-, e pus-me a andar a caminho da escola. A meio da rua em frente à agência funerária estavam dois indivíduos a pôr um caixao no carro funerário. Enquanto um travava o caixão o outro pôs la dentro uma única coroa de flores.
O contraste do escuro do tempo e do caixão sozinho com uma coroa de flores comigo própria que passei por ele vestida de branco e laranja florido fez-me pensar 'aqui vou eu para os negócios da vida e ele/ela para os negócios da morte'. Mais à frente o caixão passou por mim e subiu a rua à minha frente. Quando passei à porta traseira do hospital lá estava ele outra vez, parado, já com algumas pessoas à espera. Por três vezes me 'tocou' hoje, esta morte.
A vida é uma coisa estranha mesmo. É uma excepção. O normal é o não-ser, não o ser. Nascemos, lutamos, sofremos, rimos, comemos, bebemos, estudamos, atarafamo-nos, escrevemos cenas em blogues, fazemos manifestações, amamos, zangamo-nos, alegramo-nos, caminhamos ao sol, fugimos da chuva, fazemos viagens, maravilhamo-nos com arquitecturas, lemos livros, apreciamos a beleza, gozamos o calor do sol, sentimos intensamente a música, o amor, a arte...e depois morremos e arrumam-nos numa caixa como fazemos aos sapatos e encaixam-nos numa prateleira qualquer com uma etiqueta para não nos confundirem com o do lado porque os ossos são todos mais ou menos iguais.
Se temos sorte vamos parar à terra e renascemos como papoilas ou malmequeres ou amores-perfeitos. ![]()
Pessoalmente não vejo nada de positivo na manifestação do dia 29. Não vejo que daí se siga algum benefício para os trabalhadores em geral e para os professores em particular.
É só mesmo para mostrar o desagrado pela situação em que estamos, mas isso já o governo sabe há muito. O problema é que não sabe o que fazer. O ministro Teixeira dos Santos antes de ontem até já dizia que achava que as finanças do país deviam ser geridas em conjunto com Bruxelas, no que me pareceu um pedido de socorro patético de quem está completamente à nora com a situação. O Sócrates só pensa na sua imagem e em desenrascar amigos, está-se nas tintas para o país, o que ficou bem patente no modo vergonhoso como escondeu os números da crise para ganhar as eleições pondo-nos com isso na situação de aperto em que agora estamos.
Quanto aos professores, quase todas as manifestações que fizémos só serviram os interesses de sindicatos. Ainda lembro do secretário da CGTP na véspera do infame memorando dizer aos microfones perante milhares de professores, 'meus queridos professores vocês deram uma lição de democracia ao país' e no dia a seguir o Nogueira assinar aquele acordo nojento que nos fez reféns, até hoje, do ministério da educação e do Sócrates. Quando tínhamos tudo na mão. Sim, o acordo desse traição ainda vigora. Nada mudou. Foram dois anos de manifestações e frustrações e sacríficios - todo o processo da não entrega de objectivos com professores a serem perseguidos por directores e outras coisas do género...um investimento da vontade, uma exposição constante...para nada; ou melhor, para ficar tudo mais desanimado do que já estava.
Depois, ainda têm o descaramento de chamar divisionistas a quem diz as coisas como são - essas tácticas são ainda do tempo dos sovietes: dividir e acusar os outros de o fazer.
É só para isso que têm servido as manifestações de professores. E vai ser assim outra vez. Da mesma maneira que nada vai mudar no governo porque quem lá está não é honesto, está rodeado de iguais e não sabe fazer diferente do que faz, também nos que nos representam nada vai mudar porque os que lá estão não são leais com os que representam e não sabem agir de maneira diferente: já o mostraram uma e outra vez.
Estou vestida de saudade
roubei o sentimento ao tempo
e emprestei-o depois à idade.
(...)
bja
Gravadores que deputado do PS tirou a jornalistas estão desaparecidos SOL
Quando olhamos para a História ficamos a pensar se a teoria do Nietzsche acerca do Eterno Retorno do Mesmo não será mesmo verdadeira...
"A maior parte dos crimes que perturbam a paz interna da sociedade é produzida por coerções impostas aos apetites da humanidade pelas necessárias mas desiguais leis da propriedade, que confinam a uns poucos a posse dos objetos cobiçados por muitos. De todas as nossas paixões e apetites, o amor ao poder é o de natureza mais imperiosa e insociável, pois a soberba de um homem exige a submissão da multidão. No tumulto da discórdia civil, as leis da sociedade perdem a força e o lugar delas raramente é preenchido pelas leis da humanidade. O ardor da disputa, a arrogância da vitória, o desespero do êxito, a lembrança de injúrias passadas e o temor de perigos vindouros, tudo contribui para inflamar o espírito e calar a voz da piedade. Por tais motivos, quase todas as páginas da História estão manchadas de sangue civil;(...)"
Edward Gibbon, Ascensão e Queda do Império Romano

Ontem ao fim da tarde desliguei o pc e resolvi ler um livro que comprei há pouco tempo, não sei já onde. Chama-se Noite Bengali. Comprei-o por curiosidade, depois de ter visto quem era o autor: Mircea Eliade. Este é um indivíduo que eu conheço de estudá-lo na faculdade. Conheço-o da Filosofia das Religiões e dos estudos sobre Mitologia e fiquei surpreendida de ver o nome dele num romance.
Fui ler a biografia dele. Algumas coisas já sabia: que ele era romeno, poliglota (falava uma data de línguas), que tinha vivido em Portugal durante a Segunda Guerra (não sabia que ele tinha escrito um livro sobre o Salazar -censurado..), que tinha ido viver para os Estados Unidos. Não sabia que ele tinha estado na Índia (a estudar a filosofia asiática e aprender parsi e sanscrito) e que tinha tido problemas com o professor indiano orientador da sua tese por ter-se apaixonado pela sua filha. Este romance é sobre esse acontecimento da vida dele. Fiquei a saber que até existe um filme sobre este livro.
Embora romanceado - no livro ele é um engenheiro solitário e neurasténico que vai para a Índia trabalhar e procurar uma vida exótica- o livro é sobre a paixão dele por essa indiana Maitreyi (ele usa o verdadeiro nome dela) e as desventuras daí geradas: a traição ao pai dela, seu benfeitor, e a perda dela.
O livro aborda a questão do preconceito racial dos ingleses em particular e dos europeus em geral na Índia..., mas o mais impressionante é o ambiente e a atmosfera da Índia de então, a par da mentalidade e da vida diária.
O livro é perturbador porque o romance entre eles foi muito profundo e acabou muito mal, com mal-entendidos e, acima de tudo, com grande sofrimento para ambos ( o que aconteceu mesmo na vida real).
É triste, mas muito humano. O Mircea Eliade era um conhecedor do espírito humano e possuidor duma cultura universalista. Isso nota-se no que escreve.
Edward Burns, aquele actor/realizador que tem uma das vozes mais sexy do cinema, acaba de estrear um filme no Tribeca Festival acerca do dilema entre escolher uma profissão/vida que se gosta sacrificando o sucesso económico ou escolher uma profissão/vida que garanta bastante dinheiro sacrificando os sonhos.
Tenho de ver este filme, porque esta é uma questão que recorrentemente os alunos me põem e talvez o filme seja bom para problematizar o assunto. Ainda na sexta-feira passada discuti isso com duas turmas. Numa delas porque estamos a dar a estética e a vida de alguns artistas levou-os a essa questão e na outra porque estamos a dar o existencialismo e a questão do sentido da vida.
Alguns alunos têm ideias já ideias muito definidas sobre as suas prioridades. Como em mutos casos são muito radicais -o que é muito comum em adolescentes de 16, 17 anos- às vezes têm grandes discussões sobre alternativas e estilos de vida. Outros não.
Os filósofos, ou as filosofias, melhor dizendo, ajudam bastante a enquadrar essas questões em termos de valores e princípios que subjazem às diversas escolhas o que por sua vez ajuda a definir critérios na definição de prioridades pessoais.
schuh
Um poema para domingo...
“Não estejas longe de mim um só dia,
Porque, não sei dizê-lo, é comprido o dia,
e te estarei esperando como nas estações
quando em alguma parte dormitaram os trens.
Não te vás por uma hora porque então
nessa hora se juntam as gotas do desvelo
e talvez toda a fumaça que anda buscando a casa
venha matar ainda meu coração perdido.
Ai que não se quebrante tua silhueta na areia
Ai que não voem tuas pálpebras na ausência
Não te vás por um minuto, bem-amado,
Porque nesse momento terás ido tão longe
que eu cruzarei toda a terra perguntando
se voltarás ou se me deixarás morrendo.”
(Pablo Neruda)
Uns estudaram e passaram exames. Os resultados estão à vista.

outros jogaram nas novas oportunidades'. Os resultados estão à vista...

Todas as músicas dos Beatles são boas. Quando as ouvimos por ordem cronológica apercebemo-nos perfeitamente da evolução deles na música - na complexidade das músicas, no enriquecimento da composição, na introdução de novos instrumentos...etc., mas desde o início que eles têm grandes riffs, e isso mostra a criatividade e qualidade deles como músicos. É por isso que cada música que se ouve parece sempre ser 'uma das que se gosta mais' - é porque cada uma tem uma 'frase' imediatamente forte e cativante.
Esta é uma das que gosto muito.
Hoje, escolho o Elton. Uma música que devo ter ouvido mais de 1 milhão de vezes quando estava de cama com uma hepatite, mesmo em Abril de 1974. Acho que este single tinha o Daniel do lado B.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.