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os feriados dos portugueses

por beatriz j a, em 26.12.09

 

 

Associação Empresarial fez contas e Portugal tem mais dois feriados do que a média da União Europeia. Para combater a crise, também era preciso trabalhar mais horas. 

Os empresários já fizeram as contas e afirmam que Portugal tem mais dois feriados do que a média da União Europeia. (IOL TVi 24)

 

Ah...os empresários fizeram as contas...? Uau...! Pelo menos essas contas sabem fazer. Já as contas do que tiram do país e põem lá fora em off-shores parece que são mais difíceis de fazer.

O que interessa é que os trabalhadores trabalhem mais horas, pois. Os que não estão no desemprego, que já trabalham desalmadamente, devem ainda não ter feriados. E porquê? Porque na Europa eles têm menos feriados? Eles têm menos feriados porque não têm mais de 800 anos de história como nações independentes. Alguns, como a Espanha e a Finlândia têm pouco mais de cem anos. Mas nós temos. Por isso temos muitas datas para comemorar. Porque temos uma história rica de acontecimentos e de heróis. Mas até isso, que temos a mais que os outros nos querem tirar. A memória do povo que somos. E para quê? É que os muito ricos, que neste governo do Sócrates estão cada vez mais ricos, não gostam de viver num país pobre. Agora que têm o dinheiro a salvo em ilhas perdidas e na Suiça, querem que 'alguém', que não eles, se sacrifique para que o país não desapareça.

 

 

publicado às 12:14


Agora - Hipátia de Alexandria

por beatriz j a, em 25.12.09

 

 

 

 

 

Fui ver o filme Agora sobre a Hipátia de Alexandria.

Algumas coisas estão muito boas: o carácter filosófico dela, visível no modo como pega num problema e o persegue até encontrar resposta e como cada resposta leva a novas questões e como fica absorta e obsessiva na procura dessa verdade, de tal modo que mesmo no meio de conturbação social e de perigo de vida, a sua prioridade é a procura do conhecimento e da compreensão.

No filme o temperamento filosófico dela recai sobre o movimento dos astros em órbita e nos cálculos matemáticos dessas revoluções celestes.

A relação que ela tem com o escravo que até ao fim a ajuda nos cálculos e nas experiências também revela muito bem o carácter filosófico dela, pois é típico dos filósofos admirarem e respeitarem o mérito, o valor, a racionalidade e a inteligência em detrimento das convenções sociais, das hierarquias, estatutos, profissões, cargos e títulos.

O filme também é bom no modo como consegue apanhar a transição da idade romana clássica  que valorizava o rigor da razão para a época cristã medieval crédula, ignorante e obscurantista. O jovem escravo dela que oscila dubiamente entre um mundo e outro mostra isso muito bem. Depois, a crueldade dos tempos incivilizados e a destruição de séculos de conhecimento numa nesga de tempo que é simbolizada pelo ataque violento à biblioteca de Alexandria e ao que ela representa.

O fim do filme falseia o que se sabe da morte dela: foi torturada por uma turba de cristãos que não aceitavam que uma mulher fosse mais inteligente que eles, arrancaram-lhe a pele ainda viva, desmembraram-na sem piedade. Mas até esse fim falseado é uma metáfora acerca do fim duma época de liberdade de pensamento e de tolerância pela dissidência do pensar, representada na piedade com que o jovem escravo a mata para a poupar à crueldade ignorante dos homens.

Os seus carrascos foram promovidos a doutores da igreja. Ela, que preservou os antigos do esquecimento e inventou as prequelas matemáticas do renascimento, foi atirada para a oubliette do tempo pelos homens que tanto ódio têm ao conhecimento livre em geral e às mulheres em particular.

Faz pensar porque certas partes do planeta estão nesse obscurantismo e outras, como a Europa, para lá caminham a passos largos.

 

 

publicado às 21:24


rossini dueto dos gatos

por beatriz j a, em 25.12.09

 

 

 

 

publicado às 20:44


imprensa nacional

por beatriz j a, em 25.12.09

 

 

Este ano ofereceram-me de novo a agenda da Imprensa Nacional. É sobre o centenário da República. Como sempre, excelentemente bem organizada e interessantíssima de ler.

Na página da última semana de Abril, por exemplo, ficamos a saber quem foi a primeira mulher a votar em Portugal: Carolina Beatriz Ângelo. Numa fotografia da revista Vanguarda de 1911 podemos vê-la ao lado de Ana de Castro Osório.

 

 

publicado às 17:54


presentes de natal

por beatriz j a, em 25.12.09

 

 

Os meus presentes de Natal para a ministra da educação e compinchas.

O segundo mais para o primeiro ministro, pois fala de como o espectáculo da política transformou as reformas em política de espectáculo e destruiu a escola pública.

Não acredito que aprendessem muito, é certo, pois para aprender é preciso ter um espírito aberto e uma mente activa, mas enfim...nunca se sabe, com o Natal e tal...milagres(?).

 

 

 

 

 

 

 

publicado às 09:52


flores aprisionadas

por beatriz j a, em 25.12.09

 

 

 

 

Tristes flores

de Verão

guardam as cores

em vão

desde que se entregaram

aos tons umbrosos

do Inverno

vestiram-se com as lágrimas

das chuvas geladas

tristes flores

viçosas

assim aprisionadas

cativas

no Inverno da alma.

 

bja

 

 

publicado às 08:26


metamorfoses...

por beatriz j a, em 23.12.09

 

 

De vez em quando damos por nós em metamorfose.

Talvez seja altura de despir esta vida e vestir outra.

Uma vida platónica, minimalista no despojamento das coisas.

Não se pode ter óculos que anulam os artíficios e vão directo ao esqueleto das coisas, vê-las como são, e depois não ser conforme.

Quando uma pessoa sabe o que quer, o que valoriza, o que é importante, isso é já dois terços do caminho andado, porque a maior parte das pessoas, o que não sabe é isso.

 

 

publicado às 09:54


John Coltrane - My Favorite Things - 1961

por beatriz j a, em 20.12.09

 

 

 

 

publicado às 15:27


ir para os colchões outra vez?

por beatriz j a, em 20.12.09

 

 

Mais de 70 mil professores sem garantia de vaga DN

por PEDRO SOUSA TAVARES Hoje<input ... >

Mais de 70 mil professores sem garantia de vaga

Governo quer introduzir barreiras no acesso aos escalões salariais que obrigam a maioria dos docentes a disputar as vagas disponíveis. "A proposta piora a actual situação", avisam os sindicatos.

 

Acho que não sou a única a pensar que os sindicatos deveriam denunciar estas falsas negociações e pedir aos partidos da oposição para fazerem aquilo que prometeram.

Deu-se, mais uma vez, o benefício da dúvida ao governo, à espera que estivessem de boa fé. Já se viu que não estão. Para fazerem passar a sua ideia até já começam a aparecer novamente nos jornais artigos daqueles em que se diz que a culpa de isto e daquilo é dos professores...onde é que eu já vi esta estratégia?

É melhor então pôr as coisas no Parlamento antes que tudo se degrade de tal modo que nos vejamos obrigados a 'ir novamente para os colchões'.

A mim o que me espanta continuamente é a indiferença e desprezo que esta gente tem pelos outros e os seus direitos.

 

 

 

publicado às 14:49


life

por beatriz j a, em 20.12.09

 

 

 

 

Até o cacto seco e agreste

inteiro coberto de espinhos

de vez em quando se veste

de rosas de tons delicados

suaves perfumadas flores.

 

Ficamos nós deslumbrados

com tão contrastante esplendor

de espinhos gerarem flor...

Mas não é isso o amor?

Um coração espinhado

mesmo em profunda dor

abrir-se e desabrochar

como se fora uma flor?

 

 bja

 

 

publicado às 06:30


títulos capciosos e opiniões machistas

por beatriz j a, em 19.12.09

 

 

Educação   JORNAL i

Professores são os responsáveis pela indisciplina dos alunos

Estes títulos e estas notícias irritam, porque são falsos e enganadores.

1º Os professores não são responsáveis pela indisciplina, mas pela disciplina, o que é muito diferente. Se um aluno é mal educado ou agressivo, a responsabilidade não é do professor. Era o que faltava, qualquer dia a responsabilidade de um aluno ser ladrão também é do professor ! Não, o professor não é responsável pela indisciplina. O professor é responsável, sim, pela disciplina. Quer dizer, cabe-lhe a ele assegurar que a sala de aula seja um lugar ordeiro e disciplinado.

Disciplinar uma ou mais turmas não depende só do professor. Se a direcção da escola se recusa a castigar os alunos que são alvo de queixa disciplinar, por exemplo, retira autoridade ao professor e transfere-a para os alunos em questão; se o estatuto do aluno lhe permite ter atitudes e comportamentos irresponsáveis sem que nada se possa fazer, a autoridade do professor desce a do aluno cresce; se um professor tem trinta alunos dentro da sala, a atenção e controle tornam-se mais difícies; se o ministério da educação, o primeiro ministro, os jornais e a tv, os pais e toda a sociedade diariamente dizem de cem maneiras diferentes que os professores são gente que não presta e que não faz nada isso retira instrumentos de actuação ao professor e faz crescer a autoridade do aluno. Etc., etc., etc., porque esta questão não é simples como o título deixa indicar.

2º, que o facto de ser mulher dificulta a mediação entre alunos é uma afirmação machista, que dá a entender que se a profissão fosse exercida por homens não havia indisciplina e, que, portanto, a culpa é de ter tantas mulheres, e é completamente falsa também. Eu, que sou mulher e dou aulas há vinte e tal anos, raramente tenho problemas de indisciplina que durem mais que o primeiro mês de aulas. Dos colegas com quem tenho lidado em todos estes anos, vejo que os que melhor disciplinam as turmas são os que têm mais anos de experiência, independentemente de serem homens ou mulheres. Já vi, muitas vezes, colegas homens não terem mão nas turmas e serem massacrados. Nunca me passou pela cabeça que isso acontecesse por serem homens. Liderança, carisma ou lá o que seja que as pessoas desenvolvem com a experiência não vejo que os homens o tenham a mais que as mulheres.

No ano passado, um colega, HOMEM, que esteve dois anos lá na escola, dizia aos alunos que tinha sido das forças especiais para ver se os alunos lhe tinham respeito!!! Nunca vi uma mulher dizer esse tipo de idiotices...

A experiência é uma grande mestra. Uma pessoa que dê aulas há muitos anos e que tenha aprendido com a experiência, apercebe-se dos potenciais problemas antes deles surgirem: antecipa-os, seja na atitude e comportamento de alunos, seja no tipo de situações padrão que geralmente estão associadas a focos de indisciplina. Aprende a evitar o conflito desnecessário e a enfrentar as situações de teste à autoridade.

 

É de grande desonestidade vir simplificar os problemas e dizer que a culpa é dos professores, sobretudo das mulheres. É por essas e por outras que os alunos, antes de entrar numa sala de aula, já têm uma percepção de si próprios como uns coitados que não têm nem culpa, nem responsabilidade dos seus próprios coimportamentos. É sempre dos outros.

 

 

publicado às 13:47


diário de bordo

por beatriz j a, em 18.12.09

 

 

Quase de férias

Rever classificações

Arrumar e deitar fora papelada 

 

Embrulhar presentes

 

Beber chá quente com cookies

 

Dormir imenso

 

Sonhar com alguém

 

  

 

publicado às 17:17


desabafos

por beatriz j a, em 17.12.09

 

 

Governo admite topo da carreira para professores com Bom

Ministério da Educação compromete-se a reduzir os constrangimentos na progressão da carreira.

 

Três meses depois das eleições e quase nas férias do Natal e tudo está na mesma. Ontem o governo fez uma vaga promessa, depois de propostas ainda piores que as da outra para a educação. Os sindicatos, dizem os jornais, ficaram muito contentes (!?). Ontem na minha escola, duas colegas queixavam-se de virem a perder os privilégios de titulares. Aconselhavam uma terceira, não titular, a concorrer antes que se acabassem as quotas. Diziam, que pelo andar das coisas tudo deve ficar na mesma. Sei que houve uma reunião sindical na terça, mas não estive presente e ainda não sei o que lá se disse. Mas também não é preciso. Qualquer um vê que o governo vai arrastar isto até às calendas, que o PSD embrulhou-se e não parece ir cumprir as promessas que fez, que os sindicatos o que querem sempre é andar na TV ...

É difícil não se ficar cada vez mais desanimado e desmotivado. A única coisa nesta profissão que vale a pena são os alunos. O resto...é um atraso de vida. Da nossa, dos miúdos e do país também.

Ignorância e corrupção tomaram conta do país e infectaram tudo, desde as grandes empresas até às escolas, onde se imitam os grandes. Cada dia é mais difícil lidar com essa realidade ali mesmo à frente de nós, à nossa volta por todo o lado.

 

 

 

publicado às 05:56


I Put A Spell On You

por beatriz j a, em 15.12.09

 

 

 

 

 

 

publicado às 21:28


inverno

por beatriz j a, em 14.12.09

 

 

kustodiev

 

 

publicado às 08:47


monty python - filósofos e o futebol

por beatriz j a, em 13.12.09

 

 

 

 

publicado às 10:49

 

 

A última grande filósofa e matemática da Filosofia Antiga helenista, inventora do astrolábio e  defensora do pensamento livre, lutou contra a decadência do pensamento racional, da autonomia do Homem, contra o triunfo da crença cega, contra a queda da Humanidade nas trevas da ignorância que antevia com clarividência.

Foi assassinada por uma multidão de cristãos injectados com o ódio à filosofia em geral (porque se opõe à cegueira do dogmatismo) e à inteligência e destaque das mulheres em particular (o que continua até aos dias de hoje).

A sua morte em 415 depois de Cristo precipita a era de intolerância e fanatismo religiosos que haveriam de marcar a Idade Média. Um século depois, em 529 a.C., o imperador Justiniano manda fechar a Academia Platónica (que Hipátia frequentou e dirigiu - Platão era um defensor da igualdade de direitos nos estudos e trabalho) o que marca, simbolicamente, o início da Idade Média.

Simbólico é também o assassinato de Hipátia dentro de uma Igreja: mostra a relação de proximidade paradoxal que parece haver entre as religiões e a violência neste mundo.

Projectos próximos: ver o filme AGORA que estreia este fiom de semana e é sobre estes acontecimentos da vida e morte de Hipátia.

 

 

 

publicado às 09:51


Natacha Atlas ft. Avaton - Yeranos

por beatriz j a, em 12.12.09

 

 

 

 

publicado às 21:14


He Wishes for the Cloths of Heaven

por beatriz j a, em 11.12.09

 

 

 

 

 

Had I the heaven's embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,

I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.

 

William Butler Yeats

 

 

publicado às 06:45


A culpa é dos professores

por beatriz j a, em 10.12.09

 

 

 

Preço das novas estradas subiu 524 milhões em cinco concursos

 

por Ana Suspiro , Publicado em 10 de Dezembro de 2009  |  Actualizado há 7 horas

Quatro concessões exigiam inicialmente 1,7 mil milhões e passaram para 2,16 mil milhões. Já no Algarve as perdas foram de 140 milhões

 

 

Os vinte milhões para os professores é que estão a levar o país à ruína.

 

 

publicado às 06:40



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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