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1. Os professores não são iguais e não têm que esperar que eu seja uma continuidade do passado, tenha esse passado sido uma experiência positiva ou negativa. Tenho muitos anos de experiência e de afinar instrumentos pedagógicos e orientar alunos no trabalho. Dêem-me o benefício da dúvida. 

 

2. É mesmo importante ler os papéis que enviamos no início do ano acerca das regras da escola e da disciplina para evitar dissabores e conflitos. É chato? Pois, mas é necessário. Tem dúvidas acerca das regras? Mande um email, ligue, apareça, pergunte.

 

3. Encoraje @ seu filh@ a falar comigo quando tem algum problema em vez de de ir  a correr à escola falar por el@. Encoraje a autonomia. Encoraje a responsabilidade: chegar a horas, trazer o material. Não trabalho só com o seu filh@. A turma tem lá mais 29, por exemplo. Se cada um não cumpre as suas responsabilidades o trabalho com a turma não é possível e todos os alunos perdem. Encoraje-@ a fazer a sua parte.

 

4. Vá às reuniões de pais ou/ à hora de atendimento. O comportamento e o sucesso dos filhos está muito ligado ao interesse que vêm os pais ter pela sua vida e progresso escolar. 

 

5. Encoraje @ seu filh@ a ter um plano de estudo e a segui-lo. Poupa imenso tempo e traz enormes benefícios de organização, sistematização, evolução mental, auto-estima, capacidade de projecção no futuro, capacidade de assumir projectos, direcção no estudo e na vida, etc.

 

6. Não faça os trabalho de casa ou os projectos d@ seu filh@. Ajudar não é fazer, é dar orientações. Os alunos perdem oportunidades de aprendizagem por causa do perfeccionismo, orgulho ou ansiedade dos pais. 

 

7. Não dou más notas. Não dou notas. Os alunos é que as tiram. E tiram-nas más por não trabalharem, por não cumprirem. É frustrante ter que dar uma nota má a um aluno mas por vezes tem que ser, quando estão a ficar para trás por não trabalharem.

 

8. Em vez de pedir notas altas peça oportunidades de trabalho para subir as notas.

 

9. Um aluno que trabalhe e está em cima dos assuntos é um aluno exigente. Eu vou até onde os alunos me exigem. Terem professores à disposição que se interessam por eles e poderem sugar tudo o que o professor sabe e é capaz de dar em termos de conhecimentos e experiência é uma oportunidade que têm na escola, mais ou menos de borla, e não voltam a ter nunca mais na vida a não ser pagando caro, e é se conseguirem arranjar alguém que se interesse por eles. Aproveitem-na ao máximo.

 

10. Por vezes parece que estou a exigir demasiado deles mas é mesmo assim. Tenho experiência de dosear a ajuda porque às vezes os miúdos precisam de lutar pelas coisas e as crises são oportunidades de crescimento psicológico e mental. Se os ajudamos demasiado tornam-se retraídos, sem autonomia, inseguros e desamparados. É que não ensino apenas os conhecimentos ou matérias do programa, também me preocupo com o desenvolvimento dos seus recursos internos (psicológicos e intelectuais) para que sejam capazes de vencer os obstáculos da vida.

 

11. Lá porque não estou na escola não quer dizer que não esteja a trabalhar. Posso estar a estudar, a preparar aulas, a elaborar fichas ou testes ou guiões de trabalho; posso estar a classificar testes, a fazer formações, a preparar um projecto, a fazer relatórios, actas; posso estar a resolver um conflito entre alunos, entre professores e alunos; posso estar a fazer tarefas da DT, etc. E estas tarefas faço-as aos fins de semana, à noite, nas interrupções lectivas e não apenas durante o horário de trabalho semanal. Mesmo nas férias de Verão, quando dou de caras com ideias ou materiais que me inspiram para melhorar as aulas aproveito-os, não ignoro só por estar de férias. Num certo sentido, estou sempre a preocupar-me com os alunos.

 

12. Às vezes parece que há injustiça nas aulas. É preciso lembrarem-se que os adolescentes em grupo têm comportamentos que não têm individualmente, de modo que o seu comportamento nas aulas não é uma extensão do comportamento em casa. É uma situação diferente, formal, de trabalho em grupo social. Ao trabalhar com o grupo-turma tenho que levar em conta o efeito que o comportamento de cada um tem no trabalho do grupo e no seu próprio desenvolvimento. Tento ser justa, tenho muita experiência e muito raramente tenho problemas de comportamento com alunos mas no início de conhecer uma turma há sempre um medir de forças e é necessário que os pais me deixem trabalhar.

 

13. Eu estou do lado dos alunos e não contra eles. Quero ter boas relações com os alunos e com os pais porque sei que isso é importante para conseguir fazer bem o meu trabalho. No entanto, às vezes pode não parecer, se não tiverem uma perspectiva ajustada dos voss@s filh@s. Compreendam que todos os adolescentes mentem. Por favor, não venham à escola dizer, '@ meu filh@ nunca mente'. Os adolescentes, sobretudo quando se sentem 'apertados' com as notas ou com faltas que não deviam ter dado, inventam uma mentira para escapar à censura ou ao castigo. Às vezes até nos dizem. Lembrem-se de quando eram adolescentes. Não é dramático e é muito normal, mas é importante virem à escola para perceber o que se passa em vez de virem como advogados de defesa em situações onde o necessário era ajudarem os filhos a não inventarem desculpas para o que não querem fazer. Por vezes os miúdos nem mentem. Acontece que não têm a perspectiva da turma e são extremamente subjectivos, individualistas a julgar as situações. O que também é normal. Eu ajudo a corrigir essa visão subjectiva mas isso leva tempo. 

 

14. Não tenho só a turma do voss@ filh@. Eu sei que na TV e nos filmes que se passam em escolas um professor tem só uma turma com 25 alunos. Isso não é a realidade. Este ano tenho quatro turmas (já tive 7) que podem ter 30 alunos cada. Trabalho com esses 120 alunos, 4 vezes por semana. É muito e como cada aluno tem as suas necessidades e problemas e cada turma o seu ritmo e dinâmica, não posso largar tudo a correr para ir tratar de um assunto qualquer burocrático de um aluno. Não esqueço os alunos mas preciso de tempo.

 

15. Gostava que soubessem que o que se diz nos jornais e na TV acerca dos professores -que são todos faltistas, que é um trabalho sem exigência intelectual que só os burros fazem, que não querem saber dos alunos, que só pensam em si e na carreira, etc., são mentiras e que não devem ouvir os governantes nesta matéria. Não sabem do que falam, não têm conhecimentos nem experiência de lidar com alunos, nem percebem o que é a profissão e não se dão ao trabalho de falar connosco. Se querem saber o que é a profissão de professor, têm que falar com professores e não com profissionais do voto.

 

16. Gostava que soubessem que encaixo muitas vissicitudes e estados de alma dos alunos. Eles vêm para as aulas todos os dias e trazem às costas os problemas lá de casa, as experiência de ser estudante e as experiências próprias da idade/desenvolvimento. Sendo adolescentes, muitas vezes descarregam em cima de mim essas tensões internas. Alguns vêm pedir ajuda. Estão mal, têm depressões, sentem ansiedades, têm inseguranças, têm famílias em situações dramáticas, não têm dinheiro para comprar os óculos, pensam no suicídio, são vítimas de bullying, etc. Também os pais aparecem na escola a pedir ajuda e por vezes a desabafar os seus problemas individuais. Às vezes choram porque as suas vidas são muito difíceis e estão sozinhos a suportar tudo. Uma pessoa lida com isso numa base diária e isso afecta-nos. Tenham respeito.

 

17. Tudo na educação leva tempo. Tudo precisa de maturação. Não podem querer que os filhos comecem o ano a tirar 20s e a ser excelentes. É preciso deixar-me trabalhar com tempo. O tempo é meu/nosso aliado.

 

18. Gostava que compreendessem que não ando atrás dos alunos na escola. Não sei, nem me cabe saber se têm namorad@, se são amigos dest@ ou daquel@, nem me cabe o papel de informador desses assuntos.

 

19. As minhas aulas são espaços de respeito e confiança. A confiança leva tempo a construir mas eu sei como construí-la. Faço isto há muito tempo. Não estraguem essa confiança com as vossas ansiedades. 

 

20. Finalmente, gostava que percebessem que percebo os alunos muito melhor do que eles e vocês pensam que percebo. No entanto, é suposto eles não se aperceberem a não ser até certo ponto. É uma aula de filosofia. Ensino, oriento, ajudo, às vezes sou amiga, já fui mentora de muitos alunos; mas não sou mãe deles nem quero que me vejam como um agente maternal. O meu objectivo é que os meus alunos ao acabarem o 11º ano de filosofia não precisem de mim, que tenham desenvolvido os recursos intelectuais e psicológicos para se orientarem sozinhos. Para isso é preciso que vejam em mim uma professora. Podem ver uma professora orientadora, uma professora mentora ou uma professora amiga mas, sempre uma professora. Tenho muitos anos de ver professores a prejudicarem alunos, sem intenção, por fazerem de agentes maternantes, fofinhos que tudo desculpam e nada exigem, que vêm os alunos como coitadinhos de quem se deve ter peninha... e com isso castram os alunos das suas possibilidades e desenvolvem neles a auto-indulgência, o desleixo, a falta de brio e a mediocridade. Por favor não esperem isso de mim. Levo a filosofia a sério, levo o meu trabalho a sério e levo os alunos a sério.

 

publicado às 13:00


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