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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Como as acções dos governantes comprometem os países, por vezes para séculos, de dependência e pobreza.

Os patriotas iranianos ficaram, naturalmente, indignados. Tal como os mercadores e homens de negócios que viram as suas oportunidades serem-lhes roubadas, de repente. Os clérigos temeram pelo seu estatuto num país tão dominado por interesses estrangeiros. A Rússia, o vizinho mais poderoso do Irão, alarmou-se ao ver um britânico com tanto poder ali mesmo ao pé da sua fronteira. Até o governo britâncio, não tido nem achado neste negócio de Reuter, duvidou da sua sabedoria. Finalmente, Nasir al-Din Shah percebeu que tinha ultrapassado os limites do possivel e revogou a concessão menos de um ano depois de a conceder...
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Nos anos que se seguiram vendeu três concessões a consórcios britâncios. Um comprou os direitos de prospecção de minério que tinham pertencido brevemente a Reuter, outro o direito exclusivo de estabelecer bancos e o terceiro o direito exclusivo de fazer comércio ao longo do rio Karun, o único navegável no Irão. A Rússia protestou mas calou-se quando o Xá lhes vendeu os direitos exclusivos da pesca de esturjão e comércio de caviar. Através destas e outras concessões todos os recursos do país foram passados para as mãos de estrangeiros. O dinheiro que chegava aos cofres do Irão serviam para sustentar a luxuosa corte do Xá. Quando gastou todo o dinheiro pediu um empréstimo a bancos britânicos e russos...
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Isolado na sua corte vivia à margem do crescente descontentamento. Em 1891 vendeu a indústria tabaqueira aos ingleses. Segundo os termos da concessão, todo o agricultor que cultivasse tabaco tinha que o vender à British Imperial Tobacco Company e, cada fumador tinha que comprar o seu tabaco numa loja da rede de lojas do Comércio Imperial Britânico.
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Cada vez mais distante do povo e da própria realidade, Nasir al-Din Shah acabou por ser assassinado. Sucedeu-lhe seu filho que embarcou numa vigem pela Europa com dinheiro que pediu emprestado a um banco russo... (em delancey.com)
É difícil não fazer comparações com a nossa situação de há dois séculos para cá, com alguns intervalos de excepção. Também nós, nestes últimos vinte anos, aceitámos destruir a indústria e a agricultura e estamos obrigados a comprar alimentos e outros produtos a países estrangeiros. A Grécia já nem os portos nacionais tem e já lhes foi sugerido, como a nós, que vendessem território nacional. E continuamos nesta senda dos governantes hipotecarem os países e depois cortarem em serviços fundamentais e empobrecerem as pessoas para pagarem os seus erros políticos e as suas vidas de deslumbramento.
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