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A educação e o poder

por beatriz j a, em 27.11.08

 

 

A tentação de manipular a edução para a por ao serviço do poder vem de longe, como se sabe.

Não foi Sócrates (o filósofo, entenda-se) condenado à morte exactamente por querer que a educação formasse jovens capazes, autónomos, responsáveis e livres, coisa que não agradava ao poder elitista da época?

Não foi toda a Idade Média marcada pela instrumentalização da educação? Não foi Galileu proibido de ensinar depois de ameaçado pela Inquisição, porque defendia que se pusesse a razão no lugar da fé?

Não teve Descartes que sair de França para poder investigar em liberdade sem que lhe acontecesse o mesmo que a Galileu?

Que fez o regime nazi? Queimou os livros que não se submetiam à lógica do poder e decretou o ensino da ideologia nacional-socialista. E o que se lia e ensinava na União Soviética? Tudo o que confirmava o Futuro Radioso da Humanidade, naturalmente.

Não estavam os negros afastados da educação nos Estados Unidos, para que não pudessem aceder à cidadania e continuassem a alimentar o fausto da elite?

Que fazem hoje os muçulmanos nos países que lideram? Restringem o acesso das mulheres à educação para poderem continuar a escravizá-las e reduzem grande parte da educação à aprendizagem da teologia e do direito religioso nas madrasas.

O processo de instrumentalização da educação começa, evidentemente, com a subordinação dos educadores à lógica do poder uma vez que são estes os instrumentos da vontade do poder.

O que acontece quando os educadores não se revêem na lógica do poder e entendem a educação como um meio de promover a autonomia, a democratização, a liberdade e o crescimento de um povo? Aqueles pequenos pormenores que estão escritos na Constituição da República? Resistem.

É justamente nesse ponto que nos encontramos. De um lado, um poder medíocre, ignorante e míope que tenta alastrar a sua miopia a toda a sociedade; do outro, uma classe de professores que ainda sabe, ou lembra, do tempo em que a educação só existia para que o povo domesticado servisse bem os patrões.

Já os filósofos gregos tinham percebido que, embora quem governe pense que está a ser muito esperto ao arrecadar para si e para os seus, os bens de todos, na verdade está a mostrar grande pobreza de espírito: essas acções têm um efeito de boomerang, já que, ao empobrecerem a polis empobrecem-se também a si próprios e aos seus filhos, e aos filhos de seus filhos, que nela crescem e vivem.

Os senhores que tentam calar o povo devem o seu conforto às ideias e à luta de Galileu em defesa da Ciência e da liberdade de investigação, não aos gananciosos ignorantes da Inquisição que o tentaram calar.

É por isso que resistimos.

 

 

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publicado às 14:37



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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