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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau
Tenho visto os debates - frente a frente - da campanha. A educação é um tema completamente ausente desta campanha.
É verdade que de vez em quando alguns partidos da oposição atiram com a arma dos professores para o Sócrates mas não passa disso. Não vejo ninguém discutir a educação. Mais, quando o tema é aflorado vê-se perfeitamente que as pessoas não estão dentro dos assuntos e não percebem nada de educação nem têm um ideal, um projecto...nada.
Não vejo os sindicatos preocupados com isso - devem estar nos seus cozinhados de negociação de tachos e tachinhos...
Preocupante é, quanto a mim, o partido maior da oposição, em quem os professores em geral depositam esperanças de mudança, não terem ainda aberto a boca sobre aquelas questões que trouxeram o caos e a instabilidade às escolas: a questão da gestão (não)democrática e a dos professores divididos em falsas e pouco honestas categorias. Isso, para mim, é um indicador de que a Manuela Ferreira Leite não pretende mexer no que foi feito.
Pessoalmente estou muito apreensiva com o futuro da educação ir outra vez parar às mãos de engenheiros químicos, sociólogos estatísticos, engenheiros de domingo e outros técnicos que não têm ideia nenhuma do que é e para que é a educação no Portugal que queremos e que se remetem a discursos empobrecedores do género: 'vamos optimizar recursos' e 'vamos racionalizar gastos', quando quase nada se gasta e os recursos já estão estourados há muito tempo.
A Manuela Ferreira Leite dizia na TV que não é admissível que uma pessoa morra no hospital por não ser atendido a tempo. Tem toda a razão, claro. Mas se aplicarmos o argumento à educação é o mesmo - só não parece porque os efeitos da educação são a médio e longo prazo e não a curto prazo.
O dinheiro dos nossos impostos não são um presente para enriquecer políticos e amigos de políticos. São para melhorar as nossas vidas e esperamos o retorno em serviços (como a educação) sem os quais estamos destinados ao eterno retorno da mesma pobreza durante gerações e gerações, numa fila de espera de morte certa sem esperança.
No dia 19 vou à manifestação porque penso que esta é uma hora em que não podemos recusar-nos a falar, mas confesso que é sempre um grande sacrifício ir a estas coisas.
A ideia de que vivemos num estado de direito mas que temos que gritar e pedinchar por aquilo que é nosso por direito - uma educação que dê oportunidade a todos, uma sociedade que não seja apenas para alguns enriquecerem com manigâncias, é desencorajante.
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