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A Educação e a Arte

por beatriz j a, em 12.02.09

 

   O final desse livro aí o lado diz mais ou menos o seguinte: " A beleza natural de uma paisagem não é a mesma que a sua beleza estética. Posso passear numa paisagem esplêndida e sentir todos os seus charmes naturais. Posso fruir da duçura e amenidade do ar; do brilho, variedade e alegria das cores; do murmúrio agradável do riacho ou do aroma das flores. Tudo isto me dá um prazer intenso dum género específico e característico. Mas esta espécie de prazer não é ainda uma experiência estética. A experiência estética começa por uma mudança súbita no horizonte do meu pensamento. Começo a olhar a paisagem, já não com o olhar dum simples espectador mas com o olhar dum artista: formo no meu espírito uma 'imagem' da paisagem. Nessa imagem, nenhuma das qualidades antes enunciadas é esquecida ou apagada. Mesmo a imaginação mais artística e poderosa não pode criar um mundo novo a partir do nada. Mas, quando o artista aborda a natureza, todos estes elementos ganham uma nova configuração. A imaginação e a contemplação artísticas não nos dão o aspecto das coisas físicas mortas ou das qualidades sensíveis mudas. Dão-nos um mundo de formas dinâmicas e vivas - um equilíbrio de luzes e sombras, de ritmos e melodias, de linhas e contornos. Tudo isso não pode ser percebido ou recebido de forma passiva; temos de construir, erigir as suas formas, tomar consciência delas para as podermos ver e sentir.  Todos os nossos estados passivos se transformam em energias activas. As formas que eu apercebo não são apenas os meus estados mas os meus actos.

É esta característica da experiência estética que dá à arte o seu lugar específico na cultura humana e faz dela um elemento essencial e indispensável do sistema da educação liberal. A arte é um caminho para a liberdade. No processo de libertação do espírito humano, que é o objectivo real e último de toda a educação, deve realizar uma tarefa que lhe é própria, uma tarefa que não pode ser subsituída por nenhuma outra função."

O Fernando Pessoa também defendia que a elevação do espírito humano - a que chamava, aristocratização, no sentido de refinamento de espírito e educação - teria de se fazer pela arte.

A arte abre caminhos à liberdade, à autonomia do pensar, à convivência com aqueles que elevaram o espírito humano ao melhor de si mesmo.

Nenhuma educação que despreze a aprendizagem dos escritores, dos poetas, dos pintores, dos filósofos, dos músicos, etc., poderá, alguma vez, cumprir o seu fim último. Nenhum povo se poderá desenvolver  a partir duma educação reduzida à mera aprendizagem de técnicas. Nenhuma educação poderá  levar o seu povo a ultrapassar o mero nível do senso comum de horizontes limitados se os seus educadores estiverem obrigados e reduzidos ao ensino de técnicas, ao ensino do absoluto presente material.

 

 

 

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publicado às 13:32



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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