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Noites brancas

por beatriz j a, em 08.02.09

 

 

 

 

Negras noites brancas

pesadas

insónias lentas

arrastadas

em abismos

vazios

de esperanças

ainda há pouco

nascidas

e já perdidas.

 

Não quero o fato

por outro desenhado

ainda que me faça falta

ainda que o deseje

ainda que me assente bem.

Só visto o que é meu

o que me pertence

mesmo que depois afunde

em noites brancas

negrumes

de esperança.

 

 

beatriz  j. a.

 

 

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publicado às 21:40


12 comentários

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De Luís Contumélias a 10.02.2009 às 16:24

Lindo!
Assim mesmo.
Continue, sem desvios nem devaneios.
A insónia persistirá.
E dormir será sempre de olhos bem abertos, ao lado de si mesma.
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De beatriz j a a 10.02.2009 às 20:33

LOL. Teve graça!
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De Luís Contumélias a 11.02.2009 às 19:59

Lamento a intromissão.
Fui atraido pelo pqp!
Não li as instruções desde o início.
Penso, mas participo noutro filme. Ainda a preto e branco.
Contudo vejo-o a cores.
O filme, esse é de baixo orçamento e quase mudo.
Duas palavras para resumir o «meu» filme.
Uma no feminino outra no masculino:
Escolhas e escolhos.
Penso que não voltarei a empatar.
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De beatriz j a a 11.02.2009 às 21:04

Não empatou.
Vi o lado cómico do que escrevi.
Não tenho jeito para calcular orçamentos de filmes.
Tenho vários filmes a correr ao mesmo tempo.
Nenhum é mudo.
Duas palavras, uma no feminino outra no masculino: uma
coisa e o seu contrário.
Volte sempre.
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De Luís Contumélias a 12.02.2009 às 17:24

Foi a minha vez de sorrir.
As palavras são ambíguas...
Fiquei deveras embaraçado com tão simples definição.
Calou fundo.
Mas a verdade é que o poema deixava transparecer sofrimento, conformismo e mesmo frustração. Então há que não o levar a sério e animar a autora.
Nada mais errado. Não me lembrei de um tal Pessoa que já dizia que o poeta é um fingidor... Melhor assim. LOL
Já estou de saída.
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De beatriz j a a 12.02.2009 às 19:41

Sim, as palavras são ambíguas.
Como as pessoas. Não é isso que as torna interessantes?
Não sei se o poeta é um fingidor ou se é um falso fingidor.
Aqui há tempos escrevi um versinho que saiu aí num livrito.

Sentes que mentes o que sentes?
Ou mentes o que deveras sentes?
Se o sentes não o mentes
pois mesmo quando é mentido
o sentir é sentido.

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De Luís Contumélias a 14.02.2009 às 09:51

Não resisto.
Tamanho não é sinónimo de qualidade.
Para livros grandes temos as Páginas Amarelas.
Em poucas palavras muito foi dito. E que bem!
Gosta de tratar de igual modo uma Pintura uma Escultura ou as Palavras.
Posso e gosto que de ver para além do óbvio.
Essa a tal interessante e maravilhosa diversidade que dá cor ao cinzento da vida.
Gosto de me perder e imaginar encontrar o caminho de volta.
Também finjo a dor que na verdade que me atormenta.
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De beatriz j a a 15.02.2009 às 14:11

Portanto, tem alma de poeta...
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De Luís Contumélias a 17.02.2009 às 18:01

É mais viver na foz desta maldita correnteza.
Abro canais nas margens e espero que a maré não encha nunca.
Foi um prazer!
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De beatriz j a a 17.02.2009 às 22:13

Abrir canais nas margens da correnteza é uma expressão muito bonita. É cirurgicamente verdadeira. Compreendo-o muito bem. Às vezes os canais vão ligar-se a outros rios, outras correntes. Onde os canais nos levam ou o que vem até nós na corrente, é coisa que não sabemos mas que faz muita coisa valer a pena.
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De Luís Contumélias a 18.02.2009 às 17:02

Anoitece.
Destroçado mas lúcido viro as costas á cidade.
Não deixo para trás o pesado fardo da desilusão que carrego há anos.
Refugio-me num qualquer deserto.
Na penumbra tropeço na esperança.
Reconheço-a de imediato. É visível que está muito velha e moribunda.
Levanto-a do chão e estreito-a nos braços contra o peito.
Sussurra-me ao ouvido que toda a vida tem esperado por mim.
Acreditava mesmo que eu já não viria ao seu encontro. Diz.
Num último estertor morre no meu abraço.
Choro convulsivamente.
Não tenho coragem de a deixar ali.
Aconchego-a junto ao já espinhoso peso que trazia.
Raia o dia. Volto à cidade.
Ao longe sob os raios de sol ainda frios já vejo rebanhos de carneirinhos.
Saltitam alegremente vestidos de cores garridas ao ritmo de um pastor qualquer.

Muito obrigado.
Pelo animo.
Pela solidariedade.
Pelo incentivo.
Vou continuar enquanto durar.

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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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