Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]





Pinócrates

por beatriz j a, em 04.02.09

 

 

 

  

 

O ministro S.S. ( que nome tão sugestivo...) anda muito irritado, coitado, por causa do cartaz da JSD e pediu à presidente do PSD que se explique, como se a dita senhora fosse uma criança, chamada ao reitor por ter-se portado mal. Isto é um tique destes governantes, curiosamente, quase todos doutorados em Sociologia. Venham de que área vierem, parece que acabam lá todos.

Esta autêntica pandemia de sociólogos de fim de semana tem feito muito mal ao país e, calculo, à própria Sociologia, assim desacreditada...mas enfim, não é disso que agora falo.

Está o ministro S.S. irritado e trata a oposição com aquele paternalismo próprio de professores primários habituados a não tolerar contrariedades por parte das crianças.

O ministro quer explicações sobre o ataque da oposição ao primeiro ministro, «fundado em mentiras», que o cartaz destaca, de modo muito criativo, a meu ver.

Na verdade, o cartaz usa-se da personagem Pinóquio, que, como todos sabem, mentia e, de cada vez que o fazia, crescia-lhe o nariz, de pau. O comprimento do nariz revelava o quão mentiroso era. No caso do cartaz em questão, aquele que aparece com um enorme nariz, o primeiro ministro, é, implicitamente, um grande mentiroso.

Não percebo de que se queixa o S.S.: não é verdade que o primeiro ministro mentiu, bem há pouco tempo, relativamente a um relatório, não da OCDE, que ele apresentou, explícita e intencionalmente, como sendo da OCDE? Não é verdade que o primeiro ministro mentiu quando disse que já não fumava, sendo depois apanhado a fumar em local proibido e acionando o seu poder político para se excusar ao pagamento de multa? Não é verdade que o primeiro ministro mentiu na sua declaração de impostos, já que é dono de um apartamento de milionário para o qual não tem rendimentos suficientes declarados? Não é verdade que o primeiro ministro mentiu quando apresentou, numa escola, actores figurantes como alunos, sabendo que não o eram? Não é verdade que o primeiro ministro mentiu quando disse que os 'Magalhães' eram portugueses? Não é verdade que o primeiro ministro mentiu quando apresentou como seus projectos de casas ou cabanas, ou lá o que são aquelas construções 'apalheiradas'?  Não é verdade que o primeiro ministro mentiu acerca da sua licenciatura de fim de semana? Só assim, de repente, uma pessoa lembra-se de uma quantidade de mentiras comprovadas por factos verificáveis (excepto a licenciatura de fim de semana que não foi verificada, pelas razões que se sabe) e públicos.

Então, perguntamos ao ministro S.S. o seguinte: se o primeiro ministro efectivamente mentiu, como chamaremos áquele que pretende que a verdade sobre a mentira seja declarada mentira? Bem, teremos de chamar-lhe um mentiroso ao quadrado. Mente quando diz que é mentira o primeiro ministro ter mentido e mente quando diz que é mentira a verdade de se expôr publicamente a mentira. Um mentiroso ao quadrado...?

Em meu entender a dimensão do nariz não está nada exagerada, muito antes pelo contrário.

Aliás, pensando bem, aquilo que já conhecemos do primeiro ministro, faz-me crer que o que o incomoda verdadeiramente, não será tanto a dignidade ofendida, mas a vaidade. É que fica mesmo feio e ridículo com aquele nariz ... e isso é que deve estar a doer o nosso primeiro, porque o ataca na sua maior competência que é, como sabemos, aparecer bem vestido, com as sobrancelhas arranjadas e sorriso agradável. É certo que o cartaz estraga a pose...

Mas também o ridículo não é mentira! Então não foi rídiculo quando se pôs a distribuir 'Magalhães' como quem distribui chupas a miúdos? E não foi supremamente ridículo quando improvisou um discurso, em inglês, na ocasião da assinatura do Tratado de Lisboa, causando o riso desenfreado em todos os parceiros eurupeus? A alemã até se dobra agarrada à barriga de tanto rir... uma ocasião de solenidade que o indivíduo que nos representa transformou em pantomina? Quer-se mais ridículo que isto?

Porque é que o ministro S.S. não aprende a pescar? Há por aí muitas barragens para se entreter.

Que diabo, vá pescar, homem, e deixe o cartaz em paz!

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:14



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D



Pesquisar

  Pesquisar no Blog