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É semelhante aos que faziam os antigos navegadores, porque este é um navio sem os meios modernos de navegação. Desde logo não têm motor, andam à vela, de modo que precisam de muitos braços para lidar com aquele cordame todo que mantém as velas içadas. Têm geradores só para terem frigoríficos e outras pequenas comodidades que os antigos não tinham. Mas os perigos do mar são enfrentados a braços, com mestria, inteligência e destreza. São duzentos dentro daquele barco que trabalham ao som de setenta e sete apitos.
Estive a ver um documentário que acompanha uma viagem de dez meses na Sagres. Uma coisa que vemos é a maneira como mantêm os indivíduos em boas relações uns com os outros naquele espeaço exíguo durante tanto tempo. O principal recurso é a rotina do trabalho físico. Levam trezentos litros de Solarine e todos os dias, parte do dia é destinado a manter brilhante o latão, a lavar os pisos, reparar as cordas, pintar madeiras, enfim, cansá-los com tarefas de manutenção que os mantem ocupados e cansados na dose certa (faz-me lembrar as técnicas que uso com as turmas de Desporto - mantê-los ocupados com tarefas grande parte da aula). Depois têm outras coisas organizadas, claro, como jogos, etc.
Fascinante uma viagem assim. Um pouco como recuar nos tempos.
Por onde passa a marinha portuguesa deixa uma impressão positiva e vê-los neste navio lindo e imponente dá-no um certo orgulho do nosso passado.
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