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Estou um bocado naquele estado que os psicólogos chamam, tendo roubado o termo à filosofia, 'estado de aporia', isto é, um estado de uma certa estupefacção e ansiedade provocado por informações contrárias em que ambas parecem verdadeiras.
Parece ser verdade que este Ministro da Educação sempre defendeu uma coisa e parece ser verdade que não vai cumprir o que defendeu e prometeu... isto deixa uma pessoa num estado de imobilismo por estupefacção e ansiedade.
Acho, aliás, que a educação está cheia de 'estados de aporia' que imobilizam os professores. Todos os dias somos bombardeados por programas que defendem a importância do empreendorismo, da criatividade e da iniciativa na evolução das ideias e processos e, no entanto, somos tratados como incapazes e crianças irresponsáveis a quem se proibe qualquer inovação, gesto de autonomia, empreendorismo e criatividade - Aporia.
Todos os dias somos bombardeados por conversas sobre a importância dos modelos na educação das crianças e jovens, na importância da disciplina e da interiorização de regras, mas depois incentiva-se activamente a desvalorização do não cumprimento de regras e atá da recusa de disciplina - Aporia.
Todos os dias somos bombardeados com os benefícios da motivação dos trabalhadores para os resultados do trabalho e depois faz-se um rebaixamento permanente aos professores - Aporia.
Isto que fez hoje o ministro Crato foi um desprimor e desvalorização do trabalho dos professores. Não esclareceu, não teve uma palavra de motivação para uma classe de trabalhadores que anda a ser chicoteada há anos.
Reduziram-nos o salário, retiraram o pagamento dos exames, aumentaram a carga lectiva, mas pelos vistos isso não chega. Destrói-se a profissão de professor e espera-se que nessas condições os seus profissionais trabalham todos para a excelência...? Aporia...
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