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bullying

por beatriz j a, em 24.07.09

 

 

Jornal i

Bullying no trabalho. O assédio moral não mata, mas mói (e muito)

por Mariana de Araújo Barbosa, Publicado em 24 de Julho de 2009
 
Pouco falado em Portugal, o problema afecta quase 30% de trabalhadores.

Imagine que tem um blogue pessoal onde escreve e assina com um pseudónimo, e que o seu patrão e colegas de trabalho se reúnem numa tarde, sem o consultar, para falarem do assunto. No dia seguinte comunicam-lhe que tem de fechar o blogue e que, caso não o faça, irão até às últimas consequências. "Entendi o aviso como uma ameaça de despedimento", conta ao i Daniel Luís, ex-professor assistente da Universidade do Minho.

Em Dezembro de 2007, 14 colegas do departamento universitário onde dava aulas reuniram--se e decidiram que o professor devia fechar o blogue, aberto desde 2004. "Disseram-me que um professor universitário tem de se dar ao respeito e não deve dedicar-se a conversas patetas. Recebi ameaças de pessoas acima de mim, e de colegas", lamenta, acrescentando: "Fui cobarde, fechei o blogue." Daniel Luís considera que as pressões dos colegas alteraram o seu comportamento. "Deixei de ir à universidade. Sentia-me mal, nervoso e comecei a ser acompanhado por um psicólogo", relembra.


Nestes últimos anos, os desta legislatura, os professores foram vítimas de 'bullying' moral.

Agredidos, rebaixados e caluniados todos os dias - pelos responsáveis da tutela, pelos jornais, pelos políticos, pelos intelectuais em geral.

Eram ameaçados (continuam a ser) com despromoções, denúncias, processos disciplinares, despedimentos.

Quem está na escola sabe, porque viu e viveu a situação, como a revolta e a raiva por este tratamento de 'bullying' ( de que reconhecem os padrões, por tanto o verem nos alunos problemáticos/violentos) foram crescendo, foram envenenando as relações das pessoas no trabalho, foram desmotivando até os mais persistentes e, como destruiram muita gente, exactamente do modo como se fala na notícia - pessoas que cederam ao 'bullying', por medo, por cansaço, mas que depois se sentem mal consigo próprios e tornam-se pessoas angustiadas e, necessariamente, menos capazes no trabalho.

A mim, o que me choca é que pessoas responsáveis por pastas tão importantes, e que têm de estar por dentro destes assuntos e das suas consequências, possam, eventualmente, ter utilizado técnicas de 'bullying', deliberadamente, para destruir numa classe profissional aquilo que ela tinha de maior valor: brio no trabalho sem pensar em lucros, espírito de cooperação e autonomia.

Choca-me que tenham promovido e premiado os que praticam esse 'bullying' - directores, das escolas e das direcções regionais. Que ao mesmo tempo que multiplicam acções de formação sobre a gravidade do 'bullying' sejam os seus maiores promotores. E com que objectivo nobre?? Nenhum! Apenas para destruir, pois é para isso que se pratica o 'bullying'.

 

 

 

 

publicado às 09:23



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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