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A chatice dos factos

por beatriz j a, em 20.02.19

 

Portugal continua a receber periodicamente a visita da Comissão Europeia (CE), do Banco Central Europeu (BCE) e do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE). Foi assim ainda no passado mês de Novembro, para a nona missão pós-programa da troika. Ora, o “9th Post-Programme Surveillance”, divulgado este mês de Fevereiro, (...) na página 18 deste relatório que se encontra um parágrafo, no mínimo intrigante, (...)

 

The spending review is planned to be continued in 2019. According to the 2019 DBP, it is expected to yield savings of EUR 236 million across several parts of the public sector in 2019. Around half of these savings are expected to come from health and education, while measures in the justice system, internal administration as well as the more efficient use of public assets and the growing use of centralised procurement are expected to contribute the other half.”  Numa palavra: o Governo socialista, apoiada pelo BE e pelo PCP, compromete-se com cortes na ordem de 236 milhões de euros no sector público, sendo que metade desse valor afectará o sector da Saúde (já hoje à míngua) e o sector da Educação.

 

Aqui chegados, e depois de conhecidos os dados da UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental), que deixa claro que o investimento público, em 2018, ficou 1180 milhões de euros abaixo do previsto, pode-se afirmar, factualmente, que o Governo socialista é o campeão da não execução de investimento público e tem ganha a taça dos maiores cortes no sector público. O ponto é que este é um Governo enganador: no início de cada orçamento que lança, anuncia valores altos de investimento público; durante uma semana, ministros e apoiantes do Governo desdobram-se em loas ao investimento público. No final do dia, tudo é um logro.

 

Hugo Soares, Um Governo; um logro

 

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publicado às 07:32

 

Mas belíssimo!

 

 

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publicado às 07:12

 

Como animais: ratos, cobras venenosas, abutres, hienas e afins a precisar de ser domados. a brincar, a brincar se dizem as verdades...

 

 

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publicado às 06:59

 

ADSE: Governo deve requisitar serviços de hospitais privados, desafia PCP

Decreto-lei de governo provisório dirigido por Vasco Gonçalves estabelece "caráter excecional" para "utilização temporária de quaisquer bens, os serviços públicos e as empresas públicas de economia mista ou privadas".

Querem voltar ao tempo do PREC. Tirar-nos todos os direitos para dá-los a uma clique de famílias que capturaram o Estado.

 

Para João Oliveira, num momento de "chantagem que os grupos privados estão a fazer sobre o Estado, a ADSE e os seus beneficiários",

Nem este indivíduo, nem o Costa nem a ministra da saúde falam em nome dos beneficiários. Ninguém os elegeu para isso e o que eles querem não é o que nós, beneficiários que descontamos uma data de dinheiro para termos estes serviço, queremos. Na União Soviética é que o Estado calava e amordaçava os cidadãos para se usar deles. 

 

 

Que fique claro,

os funcionários públicos descontam 11% para a CGA

mais 3,5% para a ADSE.

 

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publicado às 16:55

 

Porque não se resgatam os milhões da corrupção?

Cabe à Justiça portuguesa recuperar todos os ativos que nos foram extorquidos pela corrupção. Só recuperando estes activos se recupera também a própria Democracia.

 

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publicado às 16:52


É já a seguir...

por beatriz j a, em 19.02.19

 

LOL, estamos mesmo a ver o Costa a lutar contra a corrupção com, deixa ver... o Pedro Silva Pereira, o SS, o César das ajudas de custo, o Centeno das tramóias na gaveta, a Martins e o Jerónimo contra os trabalhadores não serem serventes de sindicatos e todo o Parlamento com as suas não-presenças-assinadas como presenças e ajudas de custo a duplicar... 

OCDE quer que Governo pondere criar tribunais especializados em corrupção

A corrupção é um dos principais obstáculos à atividade económica em Portugal, alerta a OCDE, aconselhando a criação de tribunais especiais para este tipo de processos.

 

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publicado às 16:42

 

Pais, filhos, maridos e mulheres, primos e sobrinhos, uma pouca-vergonha de promiscuidade familiar a fazer de políticos enquanto destroem os direitos dos trabalhadores e o país. E isto é feito pelos partidos da 'esquerda' com os apoios da esquerda. É uma perseguição que fazem aos trabalhadores como nem o PPC fez!

 

"(...) a Procuradoria Geral da República, – leiam para ver com os próprios olhos – acaba de fazer um parecer onde diz que a greve ou afecta mais os trabalhadores do que o patrão (é isto mesmo que lá está) ou deve ser considerada ilegal. 

(...) Se o parecer que a PGR fez sobre a greve dos enfermeiros for assumido pelos tribunais (se…) todas as greves eficazes daqui para a frente serão ilegais – na prática o parecer sugere a proibição de fundos de greves e diz – vejam! – que os trabalhadores deixam de receber por todos os dias que se solidarizam com a greve, mesmo quando estavam a trabalhar. É evidente que este parecer é um atentado ao direito à greve – e vai ser usado não só contra os enfermeiros, mas contra o sector industrial privado.

(...) O Governo da Geringonça depois de patrocinar furas greves em Setúbal veio com a requisição civil e , agora, – em plena greve da função pública – lança este parecer. Há uns anos lembro-me de Marcelo, ainda comentador na TVI, nas conversas de Domingo em família, explicar que os Governos PS são muito melhores para mexer na lei laboral porque, cito-o, o PSD não tem força para isso…

Se algum sindicato pensa que são só os enfermeiros que estão em risco reflicta rapidamente, por favor. Hoje todos os sindicatos portugueses estão sob ameaça, e a democracia em risco.

(...)O que põe em risco o SNS são os salários baixos. É isso que desnata o SNS, levando os melhores para o privado. Mas essa já nem é a discussão – o debate agora é que em nome da segurança o Estado quer impor a restrição das liberdades – sim, é sempre assim que começa a mão dura do “afecto com autoridade”, que Marcelo evocou contra os enfermeiros."

Raquel Varela

 

Greve dos Enfermeiros
 

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publicado às 14:40


Citação deste dia

por beatriz j a, em 19.02.19

 

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“I got to light out for the territory ahead of the rest, because Aunt Sally she’s going to adopt me and sivilize me, and I can’t stand it. I been there before.”

 

“Adventures of Huckleberry Finn,”
by Mark Twain (1884)

 

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publicado às 06:45


Coisas que irritam um bocadinho

por beatriz j a, em 18.02.19

 

 

  

 

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publicado às 20:25


Rankings - as coisas não são incompatíveis

por beatriz j a, em 18.02.19

 

Podemos ter rankings ao mesmo tempo que ter autonomia e prestígio da profissão. Estou de acordo que deviam avaliar-se aqueles factores que o segundo artigo enumera, sobretudo o aporte da escola no aluno, isto é, o valor que acrescenta desde que o aluno entra até que sai da escola. Também me parece que os colégios privados, se querem entrar nos rankings, deviam ser obrigados a mostrar todos os dados em vez de escondê-los.

 

Claro que os rankings simplificam e fazem reducionismo mas também é verdade que há neles muita informação com que se pode trabalhar para melhorar. Por exemplo, compararmos a mesma escola em anos seguidos, as mesmas zonas de economias idênticas, etc.

 

No que me diz respeito, nos anos em que tenho alunos a fazer exame, que não é obrigatório mas muitos fazem em vez do exame de F.Q, faço questão de ir ver as pautas, ver que nota tiraram no exame, se subiram ou desceram relativamente à nota que lhes dei e tiro ilações do que vejo. No ano passado tive quatro alunos apenas a fazer exame e, mesmo tendo faltado todo o terceiro período e tendo eles tido apenas quatro aulas nesse tempo todo, que uma colega fez o favor de dar, foram ao exame tirar positiva. Fiquei contente. Quando tenho muitos alunos a fazer exame e uma série deles baixa as notas, fico chateada e vou rever procedimentos. Portanto, não me defino pelos rankings mas não desprezo a informação que deles se pode tirar para melhorar o trabalho.

 

Não me parece que a ausência de informação seja uma melhor alternativa, até porque os rankings têm vindo a melhorar em muitos aspectos: já integram a informação soció-económica, a região e outros factores importantes na diferenciação.

 

O desprestígio da profissão e a sua falta de autonomia não têm nada que ver com isto. Foram estratégias deliberadas da Rodrigues com intuito de desvalorização económica, o que foi plenamente conseguido (uma e outra coisa) e tem sido aproveitado pelos governos que se lhe seguiram numa falta de visão (como diz o Savater, um político que veja para além de cinco dias já é categorizado como profeta...) e de inteligência própria dos que resolvem problemas de hemorragias com pensos rápidos.

 

Este secretário de Estado, na sendo do primeiro ministro e do ministro das finanças, mostram ser defensores (pelo modo como agem) da opacidade, de se esconder as coisas, de as mascarar, de recorrer a truques para fingir que se estão a conseguir os resultados. 

Temos que defender a melhoria, e não o fim, da informação sobe o trabalho das escolas.

Do que queríamos o fim era deste governo de coveiros e amigos do Socas, isso sim. 

 

Mais exames e rankings ou o retorno à autonomia e prestígio profissional dos professores?

 

A propósito das futriquices à volta do ‘ranking’ dos exames…

Considero-o um instrumento perverso e desigual para as escolas, alunos e professores, pela forma como desvirtua a realidade, uma vez que ao recorrer a uma fonte única, reflete somente a média do resultado dos exames por instituição, rejeitando uma multiplicidade de critérios essenciais, iludindo quem não percecionar a limitação intrínseca desta falsa tabela classificativa.

Pontuo a necessidade de adotar outros critérios alternativos, alguns já existentes, nomeadamente, a dimensão dos valores e atitudes dos alunos (empenho, dedicação, interesse, cumprimento com os seus deveres, assiduidade, motivação, etc.), o aporte da escola no aluno (valor que acrescenta desde que o discente entra até que sai da escola), o número de alunos da escola e o percurso escolar que cada um realizou, a estabilidade do corpo docente, o nível socioeconómico dos pais e encarregados de educação, bem como o da região onde a escola se encontra localizada, as expectativas dos alunos e das suas famílias, o efeito das explicações e os apoios extra sala de aula, entre outros.
Neste sentido, os percursos diretos de sucesso apresentam-se como um indicador fidedigno, mais factual e justo na avaliação do trabalho efetuado pelas escolas na capacitação e desenvolvimento dos potenciais de cada aluno, descrevendo a evolução deste durante o seu percurso escolar, ou seja, a melhoria efetiva que cada discente evidencia no que respeita aos seus resultados globais.

 

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publicado às 15:26


da escola

por beatriz j a, em 18.02.19

 

Hoje é dia de reunião intercalar. Vim à hora de almoço a casa, vi uma mensagem com sorriso que me pôs bem disposta, devia ir acabar um relatório mas não me apetece e daqui a bocado volto à escola para a reunião. Quarta-feira vai ser igual.

Estas reuniões intercalares do 2º período, salvo raras excepções, que podiam ser feitas por iniciativa do Conselho de Turma em caso de necessidade, servem apenas para roubar tempo e obrigar a mais papéis.

As reuniões de avaliação foram há um mês e meio, as de pais há duas semanas... o que é que vamos dizer de novo? Pois... nada. Há turmas problemáticas onde estas reuniões têm préstimo mas a maioria não serve para nada a não ser para nos cansar.

Há muita coisa que se faz na escola só para os papéis e para o ME preencher gráficos; outras importantes que deviam fazer-se, não se fazem.

 

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publicado às 14:58


Dos alunos

por beatriz j a, em 18.02.19

 

Os meus alunos dizem que depois de passarem por mim, apresentarem trabalhos na faculdade vai ser canja... lol ... isto é porque exijo que os trabalhos venham bem fundamentados e faço perguntas nesse sentido.

 

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publicado às 14:56

 

O ataque à ADSE – mistério ou conspiração?

José Ribeiro e Castro

Por razões ideológicas, a ADSE continua a besta negra, a mal-amada, apesar de funcionar bem e dar boas respostas. Gigantesca será a responsabilidade de quem der cabo dela.

 

 

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publicado às 07:43


Os países à beira da ingovernabilidade

por beatriz j a, em 18.02.19

 

No jornal da BBC pergunta-se se a França é um país ingovernável. Ontem, os «gillets jaunes» atacaram Alain Finkielkraut com uma violência verbal anti-semita ('vai-te embora, porco judeu' e coisas piores) quando ele ia a passar na rua. No canal France 24, agora mesmo, comenta-se as eleições antecipadas em Espanha e em baixo aparece uma pergunta escrita, 'será a Espanha ingovernável?' No meio disto, a BBC parece esquecer qua a própria Inglaterra e, muitos outros países da Europa, para não falar nos EUA, nos aparecem, cada vez mais, como ingovernáveis.

 

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publicado às 07:27


The right question

por beatriz j a, em 18.02.19

 

why is this happening to me?

what is this teaching me?

 

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publicado às 07:26


Delicate blue

por beatriz j a, em 17.02.19

 

Emile Vernon (British, 1872-1919)

 

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publicado às 20:19


Béla Bartók - Evening in the village

por beatriz j a, em 17.02.19

 

Uma sensação de paz no fim de um dia ou de um repouso calmante, são as sensações que vêm com esta música.

 

 

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publicado às 18:16

 

Savater acerca da educação

O senhor tem escrito livros de filosofia para os jovens. Entende que a filosofia tem sido negligenciada para as novas gerações? O que espera alcançar com essas obras?Fernando Savater: Eu não me considero um filósofo, com maiúscula, como Spinoza ou Kant, e sim um simples professor de filosofia. Acho que se os jovens aprenderem a prática da filosofia (e não apenas de dados, datas e nomes dos movimentos intelectuais, é claro), poderão dar mais profundidade humana para suas vidas e talvez pensar melhor sobre as questões que os cercam. Meus livros são destinados a ajudar os recém-chegados a conhecer essa tradição emancipadora, com base em dúvidas estimulantes e não em certezas rotineiras.

 

No Brasil, a escola funciona como um mecanismo de reprodução da desigualdade social. Crianças pobres vão para escolas públicas de qualidade deficiente, enquanto crianças de posses estudam em colégios privados em que a qualidade, muitas vezes, corresponde àquilo que a família pode pagar. Que mensagem um sistema assim passa à sociedade?
Fernando Savater: Envia a mensagem de um país mal governado, onde as pessoas não se importam o suficiente com a educação ao votar ou ao exigir dos eleitos que cumpram suas obrigações neste campo (e esse não é um problema exclusivo do Brasil, é claro, na Espanha acontece o mesmo). 

Os governos não se preocupam muito com a educação, porque os seus efeitos só são sentidos no longo prazo, e os políticos só planejam o futuro a algumas semanas de distância; de modo que são os cidadãos que devem insistir na importância desta questão. Uma boa educação pública é um elemento mais revolucionário de equiparação social do que qualquer sublevação violenta.

 

O Brasil também tem enfrentado outro problema: a carreira de professor não parece atraente para muitos jovens, e a procura por faculdades na área vem diminuindo. O ex-ministro da Educação do Brasil, Renato Janine Ribeiro, recentemente se referiu ao risco de um “apagão" de professores no sistema de educação. Que riscos uma situação dessas pode trazer para um país em desenvolvimento?
Fernando Savater: Riscos gravíssimos. Os professores são o fundamento da democracia, e eu diria que também da civilização. Sem eles, há apenas a barbárie da elite tecnológica e a arrogância brutal dos plutocratas latifundiários ou financeiros. É uma obrigação racional de todos tornar a carreira de professor atraente, dotá-la de uma boa preparação e de uma remuneração adequada. 

Acima de tudo, é importante que a cidadania escute os problemas e as advertências dos professores, converta-os em protagonistas sociais, limpe as suas fileiras de sindicalistas corruptos. Só então poderá exigir deles as responsabilidades de sua alta função, que não consiste em orientar meninos e adolescentes para que sejam revolucionários ou conservadores, e sim para que conheçam os requisitos da cidadania democrática e a exerçam como acharem melhor.

 

A promoção da leitura na escola tem sido muito discutida em termos duais: para alguns, as aulas de literatura devem apresentar ao aluno os clássicos que formam um cânone; para outros, deve ser encorajada a leitura com livros contemporâneos que os adolescentes e as crianças podem desfrutar com prazer. Qual sua opinião neste debate?
Fernando Savater: Em minha opinião, o importante é contagiar os jovens com o amor pela leitura, e não com a veneração aos clássicos. Esta última virá depois, se vier, e se não vier, o mundo não vai afundar por isso. Assim, os jovens devem ler o que eles gostam, não o que a maioria de seus professores de literatura aprecia. Que leiam Harry Potter e mais tarde, como tema acadêmico, conheçam Machado de Assis.

 

A educação do cidadão no século XXI - um quarto de hora que vale a pena ouvir

 

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publicado às 14:32


SOS Sado

por beatriz j a, em 17.02.19

 

"O objectivo é retirar cerca de 6.5 milhões de metros cúbicos de areias, parte delas contaminadas com pesticidas, metais pesados e materiais cancerígenos, do fundo do estuário do Sado, numa faixa ao longo de 13km, que vai desde a barra até ao cais de Setúbal. E depois depositá-las mesmo à entrada do estuário!!!"....por Luís Fazendeiro em https://climaximo.wordpress.com/

 

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publicado às 13:23


Acerca do sucesso escolar

por beatriz j a, em 17.02.19

 

Os factores que são decisivos para o sucesso escolar estão muito estudados. Sabemos quais são. Não é necessário, como fazem no colégio de Cascais, rezar, ter reforço de horas em todas as disciplinas de exame (reparei que nesse colégio deixam a Filosofia de fora desse reforço :)) religião e pensamento autónomo nunca se deram muito bem... ) e outras coisas do género.

 

Não é necessário nem desejável que os alunos abdiquem de ter vida própria e que passem todo o dia a estudar, do mesmo modo que não é necessário nem desejável que os professores abdiquem de ter vida própria e que passem todo o dia a ensinar.

 

Sei, como muitos outros professores (uma pessoa se lê, se se interessa, tem experiência e não é burra vê os padrões) o que é necessário para o sucesso escolar. Aliás, digo-o aos alunos e aos pais, nas turmas da minha direcção, logo na primeira reunião que tenho com eles. Mesmo só apanhando os alunos no 10º ano, o que é tarde (melhor seria se tivessem certos métodos e hábitos desde cedo), vão a tempo, na maioria dos casos, se houver vontade para inverter maus caminhos. É claro que há casos particulares que necessitam de mais investimento e outras estratégias mas também isso se consegue se houver vontade e a tutela nos deixar trabalhar.

 

O problema são os pais. Uma pessoa precisa da colaboração dos pais porque interessar-se pelo estudo não é natural na maioria dos alunos e requer envolvimento dos pais. Só que muitos não colaboram.

 

* Seja porque estão sempre numa posição, não de educadores dos filhos mas de avogados de defesa, como se os professores fossem inimigos dos alunos. Nisso são influenciados pela tutela que apregoa o direito ao sucesso sem esforço e a inutilidade da experiência dos professores no percurso dos alunos. Também a maneira como todos os governantes e gente que vai à TV fala como se fossem especialistas de educação leva os pais a acharem que estão na mesma posição que os professores para perceberem o que é necessário fazer relativamente ao sucesso escolar;

* seja porque não estão para ter esse trabalho: educar dá trabalho, os miúdos resistem à ordem, é preciso dedicar tempo, insistir, ser coerente e persistente, saber ter autoridade sem ser autoritário, etc.; os pais nem sequer percebem que os filhos, na escola, estão incluídos num grupo-turma e que o grupo todo é influenciado pela maneira como cada um se comporta e age e que o fazemos tem que levar isso em conta.

 

É claro que há outros factores: as contradições da tutela que por um lado obriga a programas mostrengos com professores com excesso de turmas cheias a abarrotar; horários com tempo lectivo como se fosse não lectivo, obrigações inúteis, burocracias para controlar professores que roubam tempo, reformas que reduzem os currículos ao mínimo ou reformas imbecis que tratam os alunos como coitadinhos, a gestão sufocante e abortante das escolas deixada pela Rodrigues e muitos outros factores que são obstáculos ao nosso trabalho se levamos a sério os nossos deveres para com os alunos. São obstáculos, também, ao desenvolvimento e progresso dos próprios alunos e das suas potencialidades.

 

No entanto, mesmo no meio destas dezenas de reformas contraditórias e erradas, se os pais seguissem certos conselhos que lhes podemos dar acerca de como se conseguir o sucesso e colaborassem connosco influenciando os filhos, eles conseguiam ir onde nunca pensaram poder ir. A verdade é que muitos vão.

 

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publicado às 10:00


no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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