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Sonhos

por beatriz j a, em 12.09.17

 

 

não vale a pena pensar muito.
para quê (?)
se tudo é fortuito...

os sonhos são alimento
requentado
em fogo lento
uns hão-de comer-se aos poucos
outros engole-os o tempo.
bja
 

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publicado às 22:07


Quadrinhas ao entardecer III

por beatriz j a, em 20.08.17

 

 

Se pudéssemos ver
nesse tempo de crianças
os demónios que hão-de nascer
o desmoronar das esperanças...

Quem nos fez, mal nos pensou
deu-nos da felicidade a promessa
com sonhos nos amarrou
enquanto forjava demência
- traição que se faz à infância...

Se existisse esse Deus alimento
que dizem pregado na cruz
tinha-nos poupado o sofrimento
horror que nos rouba a luz.

O ser humano na balança
onde pesa a ignorância e a luz
não sabe onde pôr a esperança
no meio de tanta demência
fome, castigo, sofrimento e pus.

 

bja

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publicado às 21:32


Quadrinhas ao entardecer II

por beatriz j a, em 20.08.17

 

 

miroslava zaharieva

 

Somos náufragos

da nossa infância

 

nesse lugar profundo

reservado para a ancora

dispersos salvados

prendem-nos

 

memórias persistentes

objectos da nossa ânsia.

 

não há prazer em ser profeta

nem as lágrimas se encolhem

por terem sido previstas

com a devida antecedência.

 

navegamos

com as sombras do passado 

[e do presente]

não confies nas aparências

quem mais cala é quem mais sente.

 

bja

 

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publicado às 20:59


Doem-me os olhos

por beatriz j a, em 14.07.17

 

 

Doem-me os olhos

de ver.

Ver longe

ver dentro

ver para lá do pensamento.

 

Se tudo é determinado

e não há liberdade de ser

quem nos planeou o sofrer?

 

bja

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publicado às 02:42


Meu anjo da guarda

por beatriz j a, em 14.07.17

 

 

toby wright

 

Meu anjo da guarda foi forjado

em dia de tempestade

veio ao mundo grande e largo

mas sem majestade

 

asas negras o deus lhe deu

do tempo antes da Idade

quando o chamo cruza o céu

para mitigar-me a saudade

 

meu anjo da guarda é 'eu'

é outro e é mesmidade

meu anjo da guarda é meu

se eu sou viva ele é verdade.

 

Meu anjo da guarda é nocturno

cuida de mim com desvelo

vigia-me o demónio interno

meu anjo da guarda é belo.

 

bja

 

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publicado às 02:36


Toda a noite o vento

por beatriz j a, em 02.01.17

 

 

Toda a noite o vento

fustigou o meu sono

com pancadas nas vidraças.

Noite de insónia agitada

a ouvir morder as janelas

com as pálpebras pesadas.

Horas de sono branco

sonhos desperdiçados,

manhã carregada

paz adiada.

 

bja

 

 

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publicado às 04:46


(A)mar

por beatriz j a, em 14.12.16

 

 

 

 

Que há em todo o mundo

maior que o imenso mar?

perguntam rajadas de vento

em assobios de gelar

- nem os picos da montanha

nem o grande glaciar,

uma tal natureza tamanha

só a tem o verbo (A)mar

que em seu nome abocanha,

menor, a força do mar.

 

bja

 

 

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publicado às 23:13


A frozen red

por beatriz j a, em 14.12.16

 

 



A frozen red
in winter's heart
a lover's rose
spare part.
How sad
        it is 
to fall apart...

bja

 

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publicado às 22:18


A Mozart e os que o bem cantam

por beatriz j a, em 14.12.16

  

Giant 'Mozart 225' Box Set is 2016's Biggest-Selling CD Release

A pessoa que mais CDs vendeu em 2016 não canta, não dança, não toca guitarra, aliás, nem sequer está viva...

 

 

 

Na hora mais dura da noite

quando a esperança de nós se esconde

e as notícias são de pranto

ouçamos as vozes que cantam

"Que seja suave o vento"

de Mozart... 

... que de belcanto(!)

Lembremos que era humano...

 

Os homens não são só de guerra

de vida negada aos filhos

há também os que a elevam

à Beleza, Amor e brilho

com a música que inventam 

nos encantam, 

e os sentimos.

 

o mundo é mais que o que vemos

e estes são os seres que amamos.

 

bja

 

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publicado às 21:39


No meu país não cai a neve

por beatriz j a, em 01.12.16

 

 

 nuno dantas  

 

 

No meu país não cai a neve

do Inverno, a limpar os pecados

do Verão. Não cai, não.

Não se cobrem de branco os caminhos

trilhados em perdição

nem se tornam gélidos os lagos

depois de um grande nevão.

Não há manhãs de certezas

duras, de redenção.

 

bja

 

 

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publicado às 21:27


Amanhã me refaço

por beatriz j a, em 12.11.16

 

 

 

Deste mundo não sou
não lhe pertenço.
algumas pessoas conheço
me reconheço
nelas 
também sou eu
sendo.

Esta é a hora sem possibilidade
frio gélido
não o mereço
o meço 
em palavras e frases
recomeços
infinita 'dunamis' 
sem 'energeia'
em pó me desfaço.

amanhã me refaço
   me re-construo ser 
   sobre o cansaço.

 

bja

 

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publicado às 17:30


Para onde vão as palavras

por beatriz j a, em 11.06.15

 

 

 

Para onde vão as palavras
 
 
O Universo esmaga-me
matéria intransponível
negação
vazio
as palavras como rendas do tempo lavrado
não são da terra
nenhum Demiurgo as trabalha na Eternidade
não ficam gravadas nas pedras sob os musgos de Dezembro
nas estações perdidas, memórias
dos já-não-existentes
etéreas
regressadas
ao instante primeiro
da madrugada do ser.
 

bja

 

 

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publicado às 19:43


Incompletos

por beatriz j a, em 18.05.15

 

 

  by janet little

 

 

Que sei eu dos nós que rompem

a cadência regular

dos círculos do tempo...

que sei eu que os vejo de dentro?

 

Vi as colunas sem Tebas

na  cidade que me pertenceu

vivi com os argonautas

Jasão e Teseu eram eu.

(...) 

bja

 

 

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publicado às 23:26


Incompletos

por beatriz j a, em 11.05.15

 

 

 

Saí do canteiro onde nunca estive

A realidade é este descompasso

Não sei fingir o não-cansaço

Não sei alinhar o passo

Com os que são de Março.

 

(...)

bja

 

 

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publicado às 23:47


Uma chama

por beatriz j a, em 11.05.15

 

 

 

Uma chama acende-se
na noite escura
um sopro, um repente
que brilha
e já tudo se conjuga
vapores,  humores
talentos, temperamentos
um cosmos sistematizado
em sonhos de vida futura.
 
Quanto tempo dura?
 
Gira a roda da fortuna
engrenagem implacável
que a uns faz, outros desfaz
antes que a vida se cumpra.
 
Ontem ainda era o estar
hoje já é hora do nunca
e eis que tudo se dissolve
e regressa à noite escura.

 

bja

 

 

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publicado às 22:47


Às vezes

por beatriz j a, em 12.04.15

 

 

 

Às vezes tudo parece tão sem sentido
toda a vida um enorme absurdo acidente
uma sequência de eventos mal cosidos
sem fio condutor sem nada que se apresente
como finalidade ou visão coerente.

 

bja

 

 

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publicado às 23:00


O mundo e o os homens

por beatriz j a, em 12.04.15

 


O mundo e o os homens percebo
...mas não compreendo.

Parece ser tão evidente,
para mim e para toda a gente
que as grandes telas do tempo
onde se pintam os horizontes
começam por pequenos esboços:
os gestos que desenhamos
por mais pequenos que sejam
deixam marca, formam um traço
no papel ocupam espaço
e condicionam o arranjo das partes.

A mais pequena gota de tinta
lançada em pano ou papel
vai de encontro à cor de fundo
mistura-se e muda o conjunto.

Parece de tal modo evidente
que é difícil compreender
não ser visto por toda a gente
que todo o gesto é significante
- o concreto, o omisso, o abortante
qualquer um pode ser bastante
para mudar o horizonte.

Quem pensa que os seus gestos
no tempo serão esquecidos
( da história apagados )
não vê ser esta uma peça
onde o gesto que se ensaia
muda a coreografia da dança
mesmo que dele não fique lembrança.

 

 bja

 

 

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publicado às 22:51


Às vezes lembro

por beatriz j a, em 30.03.15

 

 

 

Às vezes esqueço que também sei
escrever o cheiro da maresia
traduzir-me
na manhã fria
com as palavras do vento
enquanto as gaivotas gritam
no céu de pardo cinzento.

 

bja

 

 

 

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publicado às 23:08


Como explicar as maçãs?

por beatriz j a, em 02.10.14

 
 

 imagem da net

 .

.

Para quê maçãs de tantas cores

tantos feitios, tantos sabores?

Se o alimento alimenta

para quê o roxo

o verde e o magenta?

Como explicar a exuberância

 das flores, das cores, dos sabores

das madrugadas,

das fantasias imaginadas

das intuições

das músicas e emoções

das existências sofridas

nas consciências iluminadas?

.

A vida não tem um ponto de vista

nem a existência é sintética

e a distância mais curta entre dois pontos

nem sempre é a recta.

.

Faz sentido procurar um sentido?

Uma escatologia do arbitrário?

Uma justificação do efémero?

As coisas são? Apenas?

Não há morte nem redenção

tudo se dilui em trans-formação?

.

Como explicar tudo o que ultrapassa a função?

A consciência

a beleza

a amizade

o amor

a ideia de eternidade

a procura de felicidade

e a inquieta razão?

Como explicar o termo não?

 .

Como explicar a exuberância das maçãs

e o acordar todas as manhãs?

bja

 

 

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publicado às 18:39


A moment of silence

por beatriz j a, em 22.09.14

 

 

 

 (Foto di Dzung Viet Le)

 

 

A moment of silence

a stillness

in time

ethereal mist

a glimpse of love last.

 

bja

 

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publicado às 22:41

g.a


3-8-12



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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