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Isto é verdade e não é

por beatriz j a, em 21.11.17

 

Não há professores. Cada professor é um professor

 
 
É que o mesmo se pode dizer dos médicos ou dos militares ou dos juízes ou dos políticos, dos professores universitários, os gestores públicos ou de outra qualquer profissão onde há alguma autonomia de desempenho. 
Frequento hospitais, há lá de tudo. Há o médico extraordinário, há os assim-assim, que serão a maioria (vão fazendo as coisas desde que não apreça nada complicado) e há os negligentes e incompetentes.
Não frequento quartéis mas leio bastante e sei que há e houve militares extraordinários, em formação, bravura e respeito pelos Direitos Humanos, há os assim-assim, que serão a maioria, vão fazendo o que lhes mandam e são permeáveis ao sistema e há os violentos e idiotas.
Felizmente não frequento tribunais mas lemos nos jornais e sabemos que existem os juízes extraordinários, de conhecimentos e consciência ética, existem os assim-assim, que serão a maioria e, existem os péssimos que se usam do poder que têm para impôr as suas ideologias pessoais.
Conheço as universidades. Há lá professores extraordinários, muito poucos, há uma maioria assim-assim e há os medíocre e maus, que precisavam de umas noções de profissionalismo e pedagogia
Quanto aos políticos... todos sabemos que a grande maioria está abaixo do assim-assim. Os gestores públicos são o maior escândalo de ganhos indevidos que existe no país.
Ora, quando negoceiam questões de carreira, fazem-no todos como uma classe e não como pessoas individuais e as alterações de salário ou de carreira atingem todos ou beneficiam todos do mesmo modo.
Quanto a sabermos todos, nas escolas, quem é trabalha com profissionalismo e quem faz nada e tem bela vida por ser amigo ou sabujo do chefe, é verdade; mas isso é verdade em todas as outras profissões: no quartel, no hospital, na política ou no tribunal, na universidade, todos sabem quem é que trabalha e quem é que vive de esquemas para fazer nada. E, em todos os casos, há pessoas muito incompetentes que acabam chefes (e seus comparsas) justamente porque esses indivíduos chamam-se uns aos outros. Na política é fácil de saber quem são porque está à vista de todos: Sócrates, a Rodrigues, o PPC, Gaspar, etc., que são às centenas e não dá para escrevê-los todos aqui. 
Não me lembro de alguma vez ter visto, aquando das negociações de carreira ou de salário dos políticos, defender que os parlamentares devem ser aumentados, um a um, depois de avaliadas as sua competências. E o mesmo digo para os polícias, para os médicos, os juízes, não me lembro de ouvir vozes a clamar que não podem aumentar-se todos os políticos porque há muitos incompetentes que vão beneficiar do acordo, ou que não podem aumentar-se todos os médicos porque há muitos incompetentes que vão beneficiar do acordo, etc.... não, só quando se fala dos professores é que se fala em avaliar um a um como premissa de se falar em salários ou em carreira. No entanto, somos avaliados. 
Cá por mim tudo bem: tirem das escolas todos os incompetentes que fazem nada ou pior, perseguem colegas que os criticam por serem incompetentes... pois só que para isso era preciso mexer no sistema feudal que a Rodrigues deixou nas escolas, que é um cancro e, na promiscuidade entre as direções e as inspeções... mas disso nenhum ministro abdica porque lhes dá jeito, em termos políticos, o que diz muito da incompetência dos ministros.
No entanto, se o fizerem, mexam nas outras carreiras também e afastem os políticos incompetentes e corruptos, os médicos negligentes, os generais de aviário, os juízes que se acham deuses e, já agora, também os jornalistas que vivem a soldo dos governos e fazem um grande mal a todos com a sua incompetência e corrupção.
Não digam é só mal dos professores como se nas outras profissões a maioria recebesse salário consoante a sua competência. 
 
 

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publicado às 07:25

 

 

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Trabalho para o fim de semana.  Só não deixo de trabalhar aos fins de semana porque sei que é importante os alunos receberem os testes a tempo, pois de outro modo o próprio conceito de testar para poder medir-se e auto-corrigir perde o sentido e, como falava hoje com um colega e amigo, para me marimbar para isso era preciso mudar a minha maneira de conceber o que é ser professor e guiar-me, não pelos meus princípios mas pelos actos de injustiça, estupidez e ignorância dos outros. Como dizia o Sócrates, nas palavras de Platão, é preferível ser vítima de uma injustiça que praticá-la porque uma pessoa arranja maneira de distanciar-se, física ou mentalmente, dos que nos repugnam pela prática da injustiça mas, como nos distanciaríamos de nós mesmos?

 

Fala-se muito na carreira dos professores e da administração pública terem progressões diferentes mas esquecem-se de dizer que os cargos na administração pública dão origem a diferenciação e a dos professores, não.

Quer dizer: na administração pública a pessoa é contratada para um serviço que não inclui cargos; se for escolhida, nomeada para um cargo, vamos supor de assessor ou de chefe de serviço ou de coordenador de um projecto, etc. o seu estatuto muda e, enquanto tiver esse cargo, tem outro salário, outros benefícios. Ganha pontos na progressão. 

Acontece que na carreira de professor para o que somos contratados, os cargos são de aceitação obrigatória e não são reconhecidos, como se tudo fizesse parte de ser professor. Exceptuando o director que ganha um grande acréscimo no salário (e pode beneficiar com tempo lectivo, de modo limitado, algumas pessoas escolhidas por ele [e prejudicar outras, também escolhidas a dedo..]. este é o regime feudal que a Rodrigues deixou nas escolas...) todos os outros cargos, o mais que têm é uma redução de hora e meia por semana, por exemplo, no tempo lectivo, coisa manifestamente insuficiente, mas o exercício dos cargos não é reconhecido para a carreira.

Nas escolas passa-se muita coisa para além das aulas: passam-se palestras, exposições, aulas de apoio e explicações, espectáculos de música, concursos de texto, de poesia, aulas de meditação, campeonatos de desporto, etc. para os alunos e ainda se passam actividades para professores: reuniões, formações... estas coisas não acontecem sozinhas... dão trabalho a organizar e preparar.

 

Exemplos: uma professora é coordenadora dum projecto que dinamiza o auditório. Todas as semanas leva pessoas da mais diversa natureza à escola. Podem ser escritores, poetas, matemáticos, jornalistas... esta semana que vem vai lá o neto do Aristides de Sousa Mendes. São horas e horas, a estabelecer contactos com os palestrantes, combinar dias e horas, falar com os professores para saber a que turmas mais interessa a palestra, saber quais as horas em que causa menos dano os alunos faltarem a uma aula para irem participar, etc. Tudo feito no tempo não lectivo da professora e não reconhecido em termos de carreira.

Uma professora organiza uma visita de estudo de três dias no âmbito das disciplinas de Espanhol e História, a Madrid. A visita é no 2º período mas já está a organizá-la porque tem que conseguir os melhores preços na estadia, na viagem, planear todos os momentos dos alunos que têm que estar sempre ocupados com actividades pedagógicas, as entradas nos museus, a alimentação, fazer reuniões com os pais, tratar dos seguros de viagem e acidentes, do dinheiro... Tudo feito no tempo não lectivo da professora e não reconhecido em termos de carreira.

Uma pessoa é directora de turma. Tem uma hora e meia por semana de tempo lectivo para o trabalho mais uma hora e meia de tempo não lectivo (mas pode não ter. no ano passado tinha 3 direcções de turma e o director entendeu que eu resolvia os problemas sem precisar do tempo legal...)

O cargo de direcção de turma, que é de aceitação obrigatória é um cargo de gestão de conflitos. O director de turma coordena as actividades da turma, faz uma espécie de tutoria e gere conflitos, entre alunos, entre alunos e professores, pais e professores, pais e alunos, professores e professores, etc. É um trabalho que implica antecipar os conflitos e resolvê-los antes de chegarem a ser, tudo para não perturbar o estudo. Os pais ligam e mandam emails a toda a hora do dia e da noite com pressões e queixas, os professores fazem queixas dos alunos, os alunos faltam, zangam-se uns com os outros porque são adolescentes... grande parte do sucesso de uma turma depende do trabalho do DT, da capacidade de antecipar e resolver os conflitos, de manter uma dinâmica de sossego propícia ao estudo, conseguir a colaboração dos pais, uma clima de confiança e de respeito pelos professores... a quantidade de reuniões com pais, colegas e representantes de turma, com o conselho de turma... e isto é quando tudo corre bem e não há casos de bullying, por exemplo, que aí é mais complicado. Tudo isto implica horas e horas do tempo dos professores que não é contabilizado ou reconhecido em termos de carreira.

 

Há muitos outros cargos na escola (coordenadores de departamento, coordenadores da mediateca, da sala de estudo, etc.) que não implicam, como na administração pública ou num hospital, uma mudança de estatuto, um reconhecimento em termos de progressão e uma melhoria salarial (agora também fazemos trabalho de secretaria que nada tem a ver com ser professor e que não podemos recusar...) imagine-se que tinham que pagar aos professores, como acontece na Administração Pública ou num hospital, os cargos que exercemos... todos os anos tinham de pagar a milhares de directores de turma, coordenadores de departamento, coordenadores de projectos, coordenadores da sala de estudo, etc... é por isso que a nossa carreira não contempla grande parte do trabalho que fazemos, que é o que se faz fora da sala de aula e, é por isso que a nossa carreira parece ser uma profissão onde se progride com o tempo. Mas não é. O que acontece é que o Estado não reconhece os cargos que exercemos nem lhes dá importância -são todos horizontais, excepto o director- pois de outro modo tinham que pagar-nos como fazem nas outras carreiras.

 

Pessoas como eu que damos aulas há 30 anos, já ocupámos tudo quanto é cargo (excepto o de direcção, no meu caso) e trabalhámos horas infindáveis, que se somam às horas de aulas e ao resto do trabalho (como corrigir testes e preparar aulas, por exemplo) nunca reconhecidas nem ponderáveis em termos de carreira e, invisíveis. Mas disto ninguém fala como se ser professor fosse um trabalho que começa quando entramos na sala de aula e acaba com o toque à saída. E ainda vem dizer que a carreira de professor é fazer nada e deixa o tempo passar e que por isso não merecemos ter uma carreira. 

É uma grande injustiça.

 

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publicado às 13:54

 

Costa: progressão das carreiras dos professores é uma possibilidade "em abstracto"

 

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publicado às 06:10


Sindiporcalismo

por beatriz j a, em 16.11.17

 

UGT admite acordo faseado com professores, “até por futuras legislaturas”

 

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publicado às 18:02

 

 

... queixámo-nos, sim e, não foi pouco. Acontece que nesse tempo os cortes foram para todos e por muito que estivéssemos contra a austeridade cega -e estávamos- não íamos defender que se fizessem cortes a todos menos a nós professores. Só que agora há dinheiro e estão a repôr os direitos que retiraram em todas áreas onde houve cortes. Então, faz algum sentido que todos tivessem direito à justiça menos nós? Continuávamos em austeridade como no tempo da troika enquanto os outros viam os seus direitos repostos só porque dá jeito ter-nos a ganhar mal? Isto cabe na cabeça de alguém?

 

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publicado às 12:14


De intenções está o inferno cheio...

por beatriz j a, em 15.11.17

 

 

As vossas intenções conhecemo-las nós... o ministro que ia lutar radicalmente por nós está tonto no hospital e manda a secretária de Estado dizer que tem intenções...

 

Secretária de Estado Adjunta e da Educação acaba de garantir na comissão parlamentar que o Governo vai recuar na intenção de não contar quase 10 anos de tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira. Solução ainda terá de ser negociada com os sindicatos

 

“Vai haver uma norma que vai recuperar de alguma forma o tempo de serviço que foi congelado”,

 

'De alguma forma'? Que quer isso dizer? Tem que ficar tudo escrito preto no branco, os 'quandos' e 'comos'.

 

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publicado às 11:55

 

 

Hoje estamos de acordo com a Joana Mortágua 

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publicado às 11:31

 

Ensino superior e ciência também descongelam carreiras, mas ministro não sabe quanto custará  – RTP Notícias

 

... porque é um direito, está certo. Não se percebe é porque nos outros graus de ensino os direitos são espezinhados.

 

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publicado às 08:37

 

 

 

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publicado às 08:35


É assim...

por beatriz j a, em 14.11.17

 

Ministro da Educação internado por tempo indeterminado

 

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publicado às 16:51

 

Professores. Greve geral amanhã e protestos diários até ao final do 1.º período

 "[É] inaceitável que nove anos e quatro meses desapareçam da vida dos professores ao contrário do que acontece com os outros funcionários públicos, quando, ao longo desse período, viram os seus rendimentos baixar em um terço."

 

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publicado às 06:57

 

Candidatos a professores têm das médias mais baixas

 

O argumento do não-há-dinheiro a mim impressiona-me pouco porque é uma grande mentira, já que há milhares de milhões para a banca, para os próprios políticos gastarem à farta em consultadorias jurídicas e outras apesar de terem funcionários públicos capazes, para fazer progredir as carreiras dos 300 generais que temos, há dinheiro para dar subsídios a empresas de amigos, há dinheiros para BPNs, BES, enfim, há dinheiro para tudo e todos... Só não há dinheiro para os professores... aliás, sabemos que a lealdade de Costa é para os seus ministros e amigos. Ele próprio o disse no Parlamento aquando dos incêndios de Agosto. Para esses é que o dinheiro não pode faltar. Agora os professores, esses inúteis odiosos...

 

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publicado às 11:44


Um desabafo de uma colega professora

por beatriz j a, em 09.11.17

 

 

Desabafo
Hoje cheguei à escola, meu local de trabalho, às 8h da manhã e saí às 18.30h, dei aulas, tive dois conselhos de turma, apoio na biblioteca, apoio a alunos, preenchi sumários eletrónicos, corrigi trabalhos, 10 h e tenho o prazer de estar numa escola que é muito humana e evita o máximo a burocracia. Uma boa escola, a escola secundária Sebastião da Gama.
Mas foram 10h
Foi apenas um dia igual aos outros, turmas de 30 alunos e o meu desespero de saber que me é impossível comunicar com cada um como se fosse o único e vejo-me do outro lado da porta a pensar: " Meu Deus como conseguirei chegar a todos estes miúdos, o futuro que sei eu do futuro, mas sinto-me responsável pelos seus futuros", como é possível chegar a 30 adolescentes que são apenas o Futuro". São muitos os pensamentos que me ocorrem durante 90 minutos de aula e eles são o tema.

Depois desde 2011 a 2017 fiz anualmente relatórios de auto-avaliação, fui avaliada pela minha assistente pedagógica, foi-me atribuída uma avaliação.

Outros casos houve de professores que tiveram aulas assistidas e avaliados por um professor da escola ou externo à escola, no seu desempenho dentro da sala de aula. Foram avaliados e foi-lhes atribuído avaliação.

Todos os anos temos que fazer "Ações de formação", fora do horário e pagos por nós, porque é um dos parâmetros da avaliação. Somos avaliados na relação que temos com a comunidade escolar. Somos avaliados pelo desempenho pedagógico, somos avaliados pela mais valia que damos à escola, somos avaliados pelas atividades desenvolvidas e a nossa progressão é por anos? Não sei o que isso significa, se fui avaliada em tantos parâmetros. O que andei a fazer desde 2011 se esses anos não contam para a progressão da minha carreira? Para quê tanto tempo, meios e esforço numa avaliação que contempla o qualitativo e o quantitativo?

Desculpem se me alonguei, estou exausta, no fim de semana corrigi 90 testes, depois aulas e conselhos de turma, tenho 55 anos, 30 deles dedicados à minha profissão e estou cansada.
Tenho 5 turmas.

Dia 15 de novembro faço Greve tal como fiz no dia 27 de outubro.

Boa noite e obrigada por me ouvirem 💖🌷

Maria Macieira

 

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publicado às 06:16

 

 

Não costumo fazer greves, raramente as faço, porque nunca vi, nos professores, uma greve ser levada até ao fim e resultar em algo positivo para nós mas, acho que a partir de agora vou passar a fazê-las todas.

Esta faço-a, em primeiro lugar porque é preciso que os professores mostrem que não aceitam, mesmo que haja sindicatos a aceitar, sermos tratados com discriminação e grande injustiça relativamente aos outros trabalhadores da função pública; em segundo lugar porque me irrita isto dos sindicatos, que por serem da família do governo, de repente não têm nada a dizer sobre este apagão de mais de dez anos de serviço e, alguns até serem contra as greves.

Se este apagão tivesse sido proposto pelo governo do PPC com o Crato, estavam na rua aos gritos todos os dias a apelar a greves mas como é proposto por um governo e um ministro da sua família já não é grave nem motivo para greves. As 'esquerdas', como gostam de chamar-se. São mais um zero à esquerda, digo eu...

Os sindicatos em Portugal são, regra geral, uma vergonha. Veja-se como na luta dos enfermeiros tentaram desmobilizá-los e quem levou a coisa para a frente foi a bastonária da Ordem. Infelizmente nós não temos uma Ordem... é mais uma desordem promovida por esta gente que nunca põe a nossa defesa à frente dos seus interesses políticos e pessoais.

Esta discriminação é demais e tem que haver uma maneira de lutarmos pelos nossos direitos apesar dos sindicados não o fazerem. O mínimo dos mínimos é dar um sinal de que não aceitamos isto e, para já, só o podemos fazer assim. Então vou fazer greve.

 

Professores aderem à greve mas com "objectivos próprios"

Tanto a Fenprof, que se escusou a fazer prognósticos sobre a adesão à greve, como a Federação Nacional de Educação (FNE), afecta à UGT, já pediram reuniões ao ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues. À estrutura liderada por Mário Nogueira o Ministério respondeu pela negativa. A FNE, que à semelhança dos outros sindicatos afectos à UGT não aderiu à greve desta sexta-feira, anunciou que irá divulgar um calendário de acções de luta no final do mês se entretanto o ministério não aceder em negociar o descongelamento das carreiras.

 

 

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publicado às 07:43


Não somos imunes aos problemas dos outros

por beatriz j a, em 10.10.17

 

 

Às vezes sai-se das reuniões de pais com uma angústia daquelas que se sentem no estômago. Se eu não soubesse que o apêndice é do lado direito pensava estar com uma apendicite aguda. É nestas alturas que mais valorizo o conselho do meu médico que me disse uma vez que a dieta começa no supermercado. Se tivesse chocolates em casa, hoje iam todos de enfiada.

Confesso que nestes 30 anos de profissão a impressão que tenho dos pais é positiva. Já tive problemas com alguns porque há sempre gente mal formada mas são uma minoria. A grande maioria está preocupada com os filhos e tenta fazer o melhor que pode e sabe. Acontece que alguns miúdos estão em situações dramáticas porque a adolescência é uma terra alienígena, cheia de perigos inesperados e, acontece os pais não terem, nem recursos nem conhecimentos para lidar com os seus problemas, acontece estarem desesperados, impotentes, sem saber o que fazer, os hospitais públicos não dão resposta porque têm tempos de espera obscenos -falo de esperar 6 meses para se ser visto por alguém- e as escolas não têm respostas adequadas. Temos excesso de desemprego entre os psicólogos mas as escolas não têm psicólogos educacionais para acompanhar estes alunos, alguns dos quais precisavam de intervenção urgente. Aqui na cidade não existe urgência pedo-psiquiátrica, por exemplo. Se às vezes conseguimos ajudá-los é porque já trabalhamos há muito tempo no mesmo sítio e construímos uma pequena rede de contactos para estes casos mas as coisas não podiam depender de arbitrariedades. É revoltante.

 

O ME, os governos e todos os que tomam decisões e legislam porcarias atrás de porcarias e enfiam todo o dinheiro público na banca e nos saqueadores de dinheiros públicos, estão-se todos nas tintas para os alunos que, no entanto, são o futuro do país. As únicas pessoas que se preocupam com eles são os pais e nós, professores, que lidamos com os adolescentes numa base diária e não somos imunes aos problemas deles e das famílias.

 

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publicado às 22:12


A não-carreira dos professores

por beatriz j a, em 07.10.17

 

Pay teachers the same salary as state lawmakers? Voters may decide in 2018

The proposed measure would require that credentialed teachers in the state are paid no less than lawmakers, most of whom earn $104,118 in yearly pay.

That would be a substantial pay bump for most of the state's teachers. According to the state education department, average teacher salaries range from around $40,000 to $96,000, depending on the school's size and the teacher's experience level.

Marc Litchman, the initiative's backer who runs an education nonprofit, said the pay boost is necessary to attract newcomers to the teaching profession, particularly in the fields of math, science and special education.

 

Em LA vão fazer aumentos brutais de salários aos professores para ver se cativam alguém para a profissão. Nos EUA os professores, de há uns anos para cá, desistem de ser professores nos primeiros cinco anos de trabalho, em percentagens já assustadoras. A profissão foi, e é, tão maltratada que ninguém mais quer ser professor... é o que já se passa também em Inglaterra e há-de passar-se cá.

Somos tão maltratados, tão maltratados: não temos carreira, aumentaram os escalões para nos atirar para o meio da tabela e tirar salários, roubam-nos anos e anos de trabalho e de descontos, os ministros da Educação odeiam os professores... quando a minha geração se reformar hão-de sair do sistema milhares de professores, em poucos anos e, nessa altura, não vão arranjar quem queira dar aulas porque as gerações mais novas fogem disto a sete pés. 

 

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publicado às 12:43


Os títulos das notícias sobre os professores

por beatriz j a, em 29.09.17

 

Professores colocados longe de casa recorrem a atestados médicos

 

Este título dá logo a entender que há aqui fraude, da parte dos professores e dos médicos. Se calhar não há. Os professores efectivos, hoje em dia, são pessoas com cinquenta e muitos ou sessenta e tal anos. Muitos são pessoas com problemas de saúde. Toda a gente sabe que entre os professores, sobretudo nos mais velhos, há uma grande incidência de problemas de burnout, depressão, doenças respiratórias e da garganta, etc. Pessoas nestas condições ficam mesmo doentes, incapazes de andarem a calcorrear centenas de quilómetrosAté para os mais novos é difícil. Todos os anos há colegas contratados que são de Braga ou de Viseu e andam de lá para cá, sempre estourados, de modo que não é de estranhar que estes professores fiquem doentes. No entanto, a maneira como dão as notícias é logo a insinuar que há fraudes.

 

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publicado às 18:51


Razões para não faltar às aulas...

por beatriz j a, em 26.09.17

 

 

Uma amiga está a tirar o curso de Direito em Coimbra. Um dos professores foi modelo de roupa interior. Parece que ninguém falta a essas aulas... kkkkkk

 

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publicado às 23:11


Simpatia, empatia e compaixão

por beatriz j a, em 23.09.17

 

 

O que é desejável num professor? A simpatia, a empatia e/ou a compaixão? A simpatia e a compaixão mas não a empatia, diria.

A simpatia, essa impressão de afinidade derivada de certas características que valoramos positivamente nos outros é muito importante porque a sua oposta, a antipatia, torna difícil o empenho no trabalho com os outros, neste caso os alunos. É uma espécie de repelente. Nessa medida, se um professor tem antipatia por um aluno ou turma tem que ter uma estratégia de negação da negação, isto é, que inverta o valor negativo do seu juízo sobre os outros que lhe são antipáticos pois todos sabemos como é difícil trabalhar com pessoas que nos são antipáticas.

A empatia, a não ser superficial, não só não me parece necessária como até me parece poder ser um empecilho na medida em que impede a ação. Será bom que um professor se aperceba do desconforto de um aluno ansioso quando tem que expôr-se de modo a ter cuidado no modo como lhe constrói a confiança mas, não será bom que sinta o seu sofrimento, tal, qual, pois isso inibe-o de o ajudar, pela sua própria incapacidade de suportar o sofrimento. Ora, é necessário que os alunos sintam algum desconforto senão nunca evoluem e é necessário que o professor lhes provoque, sempre que necessário, esse desconforto.

Já a compaixão, por ter uma componente cognitiva dominante em que compreendemos a posição dos outros, sem a sentir como nossa, impele à ação e à vontade de ajudar. Por exemplo, embora não sintamos o que é estar na pele de um refugiado de guerra, compreendemos as dificuldades dessa situação e, por isso, somos impelidos a ajudar, na medida em que nos reconhecemos, todos, como seres humanos.

A empatia é uma emoção volátil e gera pena e se dependemos dela para ajudar, a própria ajuda será volátil e inconsistente. A compaixão gera a compreensão que, não sendo volátil, mobiliza a vontade racional.

 

(acho que isto é válido para outras profissões do género, quer dizer, que impliquem relações humans em certas circunstâncias assimétricas)

 

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publicado às 05:57

 

 

... até lá, os professores que se lixem...

 

Divulgação – Concentração Ministério Educação 20 setembro – 4ª Feira 14H30

via http://www.arlindovsky.net

 

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publicado às 14:09

g.a


3-8-12



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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