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Entrevista a Gonçalo Ribeiro Telles no semanário «O Diabo», de 17 de Agosto de 2005. Completamente actual. Infelizmente pois isso significa que nada foi alterado desde então.


«Vamos muito brevemente ser um Estado sem território»
O alarme é dado por Gonçalo Ribeiro Telles, que considera trágico não existir uma política agrícola nacional baseada em matas, sebes e compartimentação do espaço. 


«É urgente fazer o reordenamento do território "a sério," não para a floresta mas para as árvores em todas as suas funções», afirma. Tudo porque o nosso País «não é um País florestal».
«É um abuso inqualificável dizer que está a arder uma floresta em Portugal. Cientificamente, esta afirmação não tem qualquer validade»


Para o fundador do Movimento Partido da Terra, o que está a funcionar como um barril de pólvora são povoamentos mono específicos (de uma só espécie) desprovidos de qualquer variedade biológica. Não se trata de mata ou de floresta, mas sim de mato, que exige a permanente limpeza para a produção de madeira destinada à indústria.
Considerado o primeiro ecologista português, Ribeiro Telles acusa os Governos, os autarcas e as universidades de «ignorância atroz», por terem uma noção completamente errada do território e por defenderem «a floresta inexistente». «É uma anedota absurda», lamenta.
O que deve ser feito, então, urgentemente? O ordenamento do território implica o investimento na mata, que deve funcionar por «zonagem», ao preencher as zonas frágeis em termos de erosão, ou seja, nos grandes declives e nas barreiras. Ao mesmo tempo, é importante construir as sebes para a agricultura, com o objectivo de defender as culturas. «A sebe é o estádio final da mata para permitir a agricultura do homem», explica, e «nada disto está a ser feito».
A terceira aposta, deve ser a recuperação dos montados de sobro ou de azinho (cortiça) ou dos soutos (castanheiros). O montado é uma interface entre a agricultura e a pecuária, uma pastagem «que raramente arde e que regenera facilmente».


Outro aspecto fundamental no ordenamento do território é a ocupação do espaço e a recuperação da aldeia. Para o arquitecto paisagista é necessário valorizar o sistema aldeão, porque corremos o risco de ter o País despovoado e à mercê dos grandes empreendimentos, idêntico à exploração dos madeireiros da floresta Amazónica. 
«Numa escala diferente, estamos também a expulsar os índios, como acontece quando vimos as populações a correr quando há os fogos».
Encara como «embuste», a forma recorrente de se responsabilizar os proprietários por «deixarem os terrenos ao abandono». Diz que os donos das terras vieram para a cidade e perderam a orientação dos marcos, que foram sendo retirados ao longo dos tempos. Hoje é impossível reproduzir o cadastro, porque não sabem quais são os limites da propriedade.

«DESASTRE» COM ORIGEM NOS ANOS 30
Gonçalo Ribeiro Telles enuncia três etapas que contribuíram para «a destruição do País». Os erros começaram no século XIX com plantação de pinhal bravo, que existia apenas nas areias do litoral. O País, que era um carvalhal compartimentado por culturas, passou a ter uma percentagem excessiva de pinheiro bravo. Mais tarde, por volta de 1930, assistiu-se à arborização de 400 mil hectares de baldios, no Gerês, com pseudo-tesugas, pinheiros, cedros, faias e carvalhos-americanos, que acabou por «expulsar» as comunidades de agropecuária do Norte. 


Recorda que a política da época está retratada no livro «Quando os Lobos Uivam» de Aquilino Ribeiro.
A seguir, apareceram os eucaliptos, e novamente os pinheiros, para satisfazerem as indústrias de celulose e de madeiras para a construção civil. «Assim desapareceu a agricultura no fundo dos vales, a cabra que dava leite e cabrito, o leite que dava queijo, ou os matos que davam o mel e a aguardente de medronho. Um cenário muito diferente daquele que existe, onde se vê crescer o pau com destino para a celulose».
«Estas produções podiam não ter grande peso para o Produto Interno Bruto (PIB) mas contribuíam para a fixação de população no local», sublinha. 


«Hoje somos um País sem população no interior - entregue às grandes extensões de povoamentos para a indústria - com taxas de emprego altíssimas no litoral. Portugal está transformado num deserto».
O ex-ministro de Estado e da Qualidade de Vida culpa ainda as autarquias por «não entregarem» as aldeias aos emigrantes que regressam à terra de origem e responsabiliza-as por disponibilizarem loteamentos, ao longo das estradas, sem um sistema de planeamento, equipamento e de concentração. 
«Depois vê-se as pobres populações aflitas, metidas em casas no meio da chamada "floresta", quando os culpados são as autarquias que deviam ter incrementado o desenvolvimentos das aldeias»
«A política florestal tem sido desastrosa», e nenhum Governo, desde a década 30, conseguiu ter consciência das necessidades do País. 


«É preciso iniciar imediatamente um verdadeiro ordenamento do território, o que demoraria menos de uma geração».
«A árvore está a ser perdida todos os dias. Se a árvore deixa de estar na mata, na sebe, nos pomares, no montado, na cidade, o que temos é uma cultura artificial que pode dar muito dinheiro durante um curto intervalo de tempo a alguns mas que pode acabar com o País», conclui, ao lamentar ainda a inexistência do Programa Nacional de Ordenamento do Território.

 

do blog Outra Margem

 

 

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publicado às 14:38


O problema de Portugal é este

por beatriz j a, em 19.06.17

 

 

Corrupção, tráfico de influências e roubos. Metade dos que passam pelos cargos de poder e seus amigos deviam estar presos. Mas não. Andam por aí na boa em outros cargos. E quem paga, com a vida, estas negociatas de milhões e milhões são sempre os outros. Entretanto ouvimos o Presidente e o ex-directores dos serviço e a ministra da Administração Interna e outros dizer que tudo fez o melhor e que ninguém prevê estas coisas. É a mão da Natureza e tal... para que temos um Serviço de Proteção Civil? Não é para prever e preparar-se para agir em situações de catástrofe? Ou é para prever os dias amenos em que não se passa nada? É que se é para isso acabem com ele que nos custa muitas centenas de milhões. 

E porque é que os responsáveis ainda não se demitiram? Porque em Portugal, como é sabido, ser competente e ter ética de trabalho não é um requisito para ocupar cargos, de modo que nem apreendem o conceito de responsabilidade pelas falhas graves, nem as percebem como tal.

Lemos este aartigo, infelizmente sem surpresa, porque isto é o pão nosso de cada dia.

 

SIRESP. As polémicas do sistema de comunicações que falhou (outra vez)

Um negócio de milhões na mira do Ministério Público

O sistema já estava em funcionamento há vários anos quando, em 2005, o Ministério Público (MP) decidiu abrir um inquérito ao contrato de adjudicação do SIRESP, por suspeitas de tráfico de influências e participação económica em negócio. A investigação acabou arquivada, mas ficaram no ar suspeitas sobre a forma como o consórcio liderado pela ex-SLN, do grupo Banco Português de Negócios liderado por José Oliveira e Costa, conseguiu o contrato de quase 500 milhões de euros.

 

Três anos depois, de volta ao Estado como ministro da Administração Interna de Santana Lopes, Sanches entrega o contrato à mesma SLN de que tinha acabado de sair. Valor da adjudicação: 538,2 milhões de euros, verba cinco vezes superior àquela que precisaria de ter gasto caso tivesse optado por um modelo diferente de comunicações. Essa posição foi defendida por Almiro de Oliveira, presidente do grupo de trabalho que presidiu ao grupo que estudou este sistema de comunicações.

 

Apesar de o inquérito do MP — entregue ao procurador José Azevedo Maia — ter sido arquivado uma primeira vez, em março de 2008, Oliveira e Costa e a filha (administradora de uma empresa do grupo SLN) chegaram a ser constituídos arguidos. Daniel Sanches nunca foi ouvido pela Justiça e, segundo escreveu na altura o Correio da Manhã, negou à comissão de inquérito parlamentar ao caso BPN ter tido qualquer intervenção no projecto apresentado pelo consórcio liderado pela SLN.

No ano seguinte ao arquivamento, o processo é enviado ao DCIAP, para que fosse analisada uma eventual reabertura. Pouco antes, tinham sido apreendidos vários documentos ao homem forte do BPN, Oliveira e Costa, que poderiam constituir “factos novos” na investigação ao contrato milionário. Mas não houve nada de novo. O arquivamento de 2008 continuou a valer.

 

Há, no entanto, outro nome de relevo em toda esta novela: Manuel Dias Loureiro. O homem que Cavaco Silva tinha escolhido para o Ministério da Administração Interna já era, no momento em que o contrato entre o Estado e a SLN acertaram o negócio, administrador não executivo do grupo ligado ao BPN. Além de ter estado na administração de várias empresas, era, ao mesmo tempo, administrador em Portugal da tecnológica Ericsson, a empresa que fazia parte do consórcio para o SIRESP, precisamente como parceira tecnológica da SLN.

 

O negócio do sistema de comunicações haveria de cruzar-se, ainda, com o caso Portucale, um processo em que se investigava a declaração de “imprescindível utilidade pública”, também nos últimos dias do Governo de Santana Lopes, a um terreno turístico em Benavente. Mas nunca chegou a levar qualquer dos seus protagonistas a sentar-se no banco dos réus.

 

 

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publicado às 05:50

 

 

... a dizer que é muito difícil antecipar fogos... acho que isto diz tudo da eficácia e interesse com que os responsáveis atacam o problema, antes dele acontecer... porque só ele não é capaz de antecipar que chegando ao Verão o país começa a arder.

 Ah... e não aconselha as pessoas a fugir mesmo que não haja ninguém para as ajudar ou informar do que se passa. Devem ficar sentadas em casa à espera? Mas a culpa das pessoas morrerem é terem tentado salvar-se fugindo ou é das autoridades -que têm meios, informação e capacidade de movimentar operacionais- que não informam que caminhos são seguros, não cortam estradas, etc. e deixam as pessoas sozinhas?

 

Dantes havia guarda florestais... depois o dinheiro foi para a banca e não há dinheiro para mais nada...

 

 

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publicado às 13:57

 

 

Comentários "machistas" mancham encontro de dirigentes associativos do superior

Comentários foram publicados na página electrónica do encontro e visavam as representantes da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciência Sociais e Humanas.

Publicações com dizeres como “Comissão das Violadas”, acompanhadas por fotos das representantes da AEFCSH, ou “Alguém que mande as gajas da AEFCSH ir fazer o jantar” são exemplos do que a Federação Académica de Lisboa também já classificou de acções “inqualificáveis”, numa nota de repúdio tornada pública nesta terça-feira.

 

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publicado às 22:03


Acerca do racismo em Portugal

por beatriz j a, em 07.06.17

 

 

Os três “P” ou a trilogia do racismo

O sentimento de muitos cidadãos de origem africana de que “não nos querem cá” tem bases sólidas

 

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publicado às 20:45

 

 

Os 60.000 euros que envergonham a Justiça portuguesa

Lamentável, em primeiro lugar, pelo conteúdo das decisões judiciais, no que revelaram de incompreensão do papel da liberdade de expressão numa sociedade democrática e de provinciano corporativismo que chegou ao ponto de o Tribunal da Relação de Lisboa, ao fixar em 60.000 euros o valor da indemnização a pagar pelas ofensas feitas ao presidente do STJ, o ter justificado tendo em conta que esse era o valor médio que o valor vida assumia na jurisprudência do STJ! Igualmente chocante e lamentável, e inédita no nosso país, foi a condenação da mulher de um jornalista pelo artigo escrito pelo marido, já que teria beneficiado do seu salário!

 

Mas para além da forma lamentável como os tribunais nacionais, nas suas decisões, não foram capazes de se afastar da omnipresença do juiz Noronha do Nascimento, importa referir que o próprio presidente do STJ não se coibiu de estar presente em sessões da audiência do julgamento na 1.ª instância, condicionando, inevitavelmente, as sessões, ao mesmo tempo que se ia pronunciando publicamente sobre a necessidade de a comunicação social ser condenada a pagar pesadas indemnizações!

 

Condenado em Portugal, o jornalista recorreu a Estrasburgo, que lhe deu razão, esclarecendo que tinha o direito de escrever o que tinha escrito e censurando as decisões judiciais portuguesas por confundirem opiniões com afirmações de facto, não terem em conta a totalidade do artigo e o seu interesse público, terem fixado um altíssimo valor de indemnização e terem condenado também a mulher do director do PÚBLICO. Uma vergonha.

 

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publicado às 18:36

 

 

Isto está com piada.

Portugal está de moda

 

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publicado às 18:37

 

 

 Credits: Thomas Pesquet ESA/NASA

 

 

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publicado às 18:14

 

Artista põe Metro de Lisboa em tribunal por retirar azulejos do Martim Moniz

 

Se uma obra estética está em forma de azulejos numa estação de metro pode ser vandalizada que ninguém vê mal nisso... se estivesse num museu em forma de tela exposta não passava pela cabeça de ninguém partir a obra ao meio para pôr anúncios na parede onde ela estava. Neste país a arte já é entendida como uma futilidade, um enfeite; as pessoas que a fazem, mais as que a apreciam, pertencem à categoria de pessoas de 'cultura geral', essa coisa que não serve para nada mas fica bem; e se a arte está fora das redomas onde costuma ser exposta, nem sequer é considerado arte.

 

 

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publicado às 12:33


Que dia espectacular!

por beatriz j a, em 08.03.17

 

 

Neste país o Inverno dura três semanas: uma em Dezembro, outra em Janeiro e outra ainda em Fevereiro. Depois é isto: o azul do céu a confundir-se com o do mar. 🙂

 

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publicado às 15:26


Portugal é bestial visto de drone

por beatriz j a, em 07.03.17

 

 

É o turismo que faz anos, são as cidades que são bestiais, é a costa vicentina e mais não sei quê... o problema é quando se olha de perto...

Relatora da ONU sobre habitação em Portugal: “Algumas das condições que vi são deploráveis”

 

[relatora da ONU] Foi às “ilhas” do Porto, ao bairro 6 de Maio (Amadora) ou ao bairro da Torre (Loures) “onde não há luz há dois meses” e onde “a comunidade cigana também não tem água”, conta. “Vivem no escuro.

 

Houve pessoas que me disseram que sentem que o Governo as trata como animais, que têm medo de perder os seus filhos para as autoridades por causa das condições inadequadas de habitação em que vivem

 

Visitei as “ilhas do Porto, casas miniatura, com 16 metros quadrados, onde vivem famílias de três ou quatro pessoas.

 

Demolir casas sem que as pessoas tenham sítio para ir é uma violação do direito à habitação condigna. Não se pode demolir uma casa sabendo que essa pessoa vai ficar sem abrigo: isso é uma violação clara do direito à habitação condigna. Conheci pessoas que disseram que a casa deles tinha sido demolida, que não tinham para onde ir e que não existiam casas de habitação social para eles. Eles não conseguem alugar casas no mercado privado, e o Estado não pode basear-se no mercado privado quando as pessoas não o podem pagar.

 

há discriminação racial e étnica?
O que posso dizer é que quando há uma população específica que vive em determinadas situações (nos bairros de construção informal são as pessoas de etnia cigana e os afrodescendentes) podemos pensar que eles estão a ser tratados da forma como estão tratados por causa da sua origem étnica ou racial. Posso concluir que há racismo? Não. Pode ser racismo construído: estão construídos determinados sistemas na sociedade em que algumas pessoas ganham e outras perdem, e quem perde são as pessoas de etnia cigana e os afrodescendentes. É uma discriminação e desigualdade construída.

 

Sobre a turistificação, acho que é necessário implementar regulamentação para controlar a especulação e o número de alugueres temporários, em Lisboa e no Porto. Não é bom para as comunidades, acabam apenas com turistas nos centros das cidades. Há vários modelos: pode-se forçar uma percentagem de rendas acessíveis; dar incentivos fiscais a quem tem alugueres de longo-prazo, por exemplo. Em Vancouver estão a introduzir o aumento de impostos para as casas devolutas.

 

 

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publicado às 06:44

 

 

 Adeptos da selecção, Euro 2004 MANUEL ROBERTO

 

 

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publicado às 07:42


A crónica do MEC está com piada :)

por beatriz j a, em 05.03.17

 

 

Quer queiramos, quer não – tão poucas palavras, tanto verbo querer –, Portugal não é o pior país do mundo. Mas – porque querer é poder – até pode ser. Ser português é ser capaz de pensar como é que Portugal pode ser o pior país do mundo e nós, os que cá vivemos, os mais desgraçados habitantes.

 

Portugal pode ser o pior porque, atendendo aos muitos benefícios que Deus lhe deu – o clima, a beleza das paisagens, o sabor das azeitonas e das uvas, mais tudo aquilo que existe sem ser pelo mérito dos portugueses –, Portugal poderia ser muito melhor do que é.

 

Quando agradecemos o bom tempo, a luz e as praias, está implícito que só continuamos a dispor destas coisas boas porque os políticos não conseguiram até hoje arranjar maneira de vendê-las ou estragá-las de uma vez por todas.

 

Assim, o Portugal que temos é o que resta milagrosamente das piratarias dos nossos dirigentes através dos séculos. Não conseguimos elogiar pessoas como Gonçalo Ribeiro Telles por ter criado parques naturais. Preferimos aplaudi-lo por ter impedido os políticos corruptos de ter vendido tudo em lotes aos construtores civis.

 

Um português não consegue olhar para a paisagem mais bonita sem ter consciência de que não deve faltar muito para ir para o galheiro. “Por enquanto, é assim... sabe-se lá por quanto tempo...”

Assim se traz tristeza e desespero à contemplação. Da mesma maneira se olha para as paisagens arruinadas, sem qualquer impulso de esperança ou de activismo: “Aqui fizeram o que queriam e o resultado está à vista...”

 

 

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publicado às 07:33


Rogue Portugal

por beatriz j a, em 10.01.17

 

 

directamente do FB - ahahah

 

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publicado às 20:31


De vez em quando aparecemos numa boa lista :)

por beatriz j a, em 28.12.16

 

 

The 2016 Global Peace Index, put together by the Institute for Economics and Peace, recently measured the safety and peacefulness of 163 countries according to "23 qualitative and quantitative indicators." After indicators such as terrorism impact, perception of criminality, and political instability were taken into account, Iceland was found to be the world's safest country for the sixth year in a row.

 

Check out the top 10 safest countries below, and then head over to Vision of Humanity to check out the results in fun, interactive map form.  

 

10. Slovenia - 1.408
9. Japan - 1.395
8. Canada - 1.388
7. Switzerland - 1.370
6. Czech Republic - 1.360
5. Portugal - 1.356    
4. New Zealand - 1.287
3. Austria - 1.278
2. Denmark - 1.246
1. Iceland - 1.192

 

 

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publicado às 05:36

 

 

Hoje é dia de ir até aos Restauradores e assistir à comemoração que lá houver. Geralmente inclui um pequeno concerto com banda militar e deposição de flores no monumento. 

(em boa altura o Rei de Espanha se foi ontem embora...)

 

"Fartos da situação em que se encontrava o país, um grupo de nobres lusos, liderado por D. João, 8ª Duque de Bragança, revoltou-se e atacou o Paço da Ribeira, destituindo a Duquesa de Mântua, que era a vice-rainha de Portugal, e matou o seu secretário Miguel de Vasconcelos. Filipe III abandonou o trono e D. João IV, o nobre que liderou a revolta, foi aclamado como rei de Portugal, dando início à quarta e última dinastia: a de Bragança."

 

Obelisco da Praça dos Restauradores, projectado pelo Professor de Belas-Artes António Tomás da Fonseca e cuja construção esteve a cargo de Sérgio Augusto de Barros.

As figuras de bronze do pedestal representam a Vitória, com uma palma e uma coroa, obra de Simões de Almeida e, virado a sul, igualmente em bronze, um jovem alado rebentando os grilhões que o manietavam, representa o génio da liberdade e da independência, trabalho este que foi executado pelo escultor Alberto Nunes.

Os nomes e datas nos lados do obelisco são os das batalhas da Guerra da Restauração.

 

"Numa das legendas pode ler-se «AOS RESTAURADORES DE 1640 – 1o de Dezembro de 1640» E NA OUTRA «EM 1886 POR SUBSCRIÇÃO NACIONAL ERIGIU A COMISSÃO CENTRAL DO PRIMEIRO DE DEZEMBRO DE 1640».

As inscrições constam de uma data significativa seguida de um resumo do acontecimento. Pela sua importância considera-se pertinente transcrever todas essas referências, por ordem cronológica:

 

12 DE AGOSTO DE 1641 – Os espanhóis atacam com forças numerosas a vila de SANTO ALEIXO. Perante a destruição total das muralhas defensivas, os habitantes em constante luta heróica refugiam-se na igreja, continuam a resistir valorosamente mas são obrigados a ceder perante a violência do ataque dum inimigo muito superior em número. A igreja, que ficou destruída, foi reedificada em 1683.

 

16 DE MARÇO DE 1642 – Os habitantes de ANGRA DO HEROÍSMO lutaram vitoriosamente contra os castelhanos, o que levou D. João IV a conceder àquela cidade o título de “Muito nobre e sempre leal cidade”.

 

26 DE MAIO DE 1644 – Sob o comando de Matias de Albuquerque, os portugueses entraram em Espanha e tomaram MONTIJO. Ao retirarem foram atacados por numerosas forças espanholas comandadas pelo Barão de Molinguen. O primeiro encontro não foi favorável às forças lusas, mas Matias de Albuquerque, em nova arrancada veio a ter grande êxito.

 

15 DE AGOSTO DE 1648 – Perante a decadência provocada pela dominação filipina, Portugal foi alvo de ataques exteriores; assim, os holandeses apoderaram-se de várias terras portuguesas do ultramar.

Em Agosto de 1648, Salvador Correia de Sá parte do Brasil com forças expedicionárias e consegue que ANGOLA volte ao domínio português.

 

27 DE JANEIRO DE 1654 – Os portugueses do Brasil pegam em armas para expulsar o usurpador holandês. Em 1644, Vidal Negreiros percorrendo interior do território incita a população à revolta. Em 1645 o madeirense João Fernandes Vieira levanta em PERNAMBUCO o grito da Revolta E SAI VITORIOSO EM TABOCAS.

Os holandeses acolhem-se então no Recife e sofrem durante nove anos os ataques dos patriotas locais. Estes, comandados por Francisco Barreto, saem vitoriosos nas duas batalhas de Guararapes. Em Janeiro de 1654 os Holandeses evacuam em definitivo do Brasil.

 

22 DE JUNHO DE1658 – Forças portuguesas cercam BADAJOZ, mas são obrigadas a retirar com a notícia da breve chegada de numerosos efectivos espanhóis comandados por D. Luís de Haro.

 

14 DE JANEIRO DE 1659 – A Praça de ELVAS sitiada pelos castelhanos, é defendida heroicamente por D. Sancho Manuel até que chegue o auxílio de mais forças sob o comando do Conde de Cantanhede, as quais atacam e põem o inimigo em debandada com pesadas perdas na célebre batalha das linhas de Elvas.

 

8 DE JUNHO DE 1663 – A praça de Évora tinha capitulado perante forças espanholas de D. João de Áustria que a tinham sitiado. O Conde de Vila- Flor organiza e prepara um exército que ataca o inimigo em AMEIXIAL infligindo-lhe grande derrota.

 

24 DE JUNHO DE 1663 – Após Ameixial, o exército português preparou-se para reconquistar ÉVORA. Após a chegada de um reforço constituído por forças organizadas em Aldegalega pelo Marquês de Marialva, foi realizado um cerco em forma que durou oito dias.

Após este período, o Conde de Sertirona, governador da praça, teve de capitular, ficando a guarnição prisioneira até Outubro do mesmo ano.

 

2 DE JULHO DE 1663 – ALMEIDA, depois de assistir nos arredores a várias escaramuças entre forças portuguesas e forças espanholas, resiste a uma acção ofensiva do inimigo.

 

3 DE JULHO DE 1664 – O Duque de Ossuna cerca CASTELO RODRIGO. Pedro Jacques de Magalhães vem em socorro da praça forte e sai vitorioso da contenda com os castelhanos, que deixam muitos prisioneiros e importantes despojos militares.

 

14 DE JUNHO DE 1665 – VILA VIÇOSA sofre um ataque dum exército espanhol comandado por D. Luiz de Benevides Carrilho e Toledo. A guarnição da praça apenas contava com 1300 homens e tinha por comandante o capitão Manuel Nogueira. Os atacantes com um efectivo de 15000 homens foram sustidos após luta constante e violenta.

 

17 DE JUNHO DE 1665 – FILIPE IV de Espanha organiza um grande exército e entrega-o ao comando do Marquês de Caracena. Portugal é invadido pelo Alentejo, e não muito longe de Estremoz dá-se o encontro com o exército português do Conde de Castelo Melhor. A luta travada em MONTES CLAROS foi de grande violência e terminou em triunfo para as forças portuguesas.

 

13 DE FEVEREIRO DE 1668 – Renovadas as negociações já anteriormente iniciadas, é finalmente assinado o TRATADO DE PAZ. Portugal confirma assim a sua posição de Nação livre e independente.

 

A obra foi adjudicada, em 7 de Junho de 1877, por vinte e cinco mil escudos, a Sérgio Augusto de Barros e inaugurado em 28 de Abril de 1886."

http://www.ligacombatentes

 

 

A Comissão Central promotora do monumento aos restauradores 1.º de dezembro, onde avulta a figura do estadista Fontes Pereira de Melo 

 

 

dia da inauguração - autor da foto não identificado 

 

 

O monumento aos restauradores da independência de Portugal em 1640
 
 

O monumento aos restauradores da independência
de Portugal em 1640 

Gravura de Alberto, com base em desenho de R. Christino. 

 

 

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publicado às 07:15


Bastardos inglórios

por beatriz j a, em 16.11.16

 

 

Comissão foi mais flexível agora do que quando avaliou o OE 2016

Confirmaram-se as boas notícias em Bruxelas. Portugal garantiu passagem do OE 2017, evitou suspensão dos fundos europeus e viu o fim do Procedimento por Défice Excessivo ficar mais próximo, se a operação Caixa não complicar.

 

Traduzindo para bom português: depois de se tornar público que a França tem acordos secretos para prevaricar na economia conforme lhe apetecer Bruxelas perdeu legitimidade, já para não falar de moral, para punir seja quem for. Já na semana passado o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, rejeitou imposições de Bruxelas, numa nova polémica com a Comissão Europeia antes de um referendo decisivo para o seu futuro político.

Bastardos inglórios são todos estes políticos europeus de pacotilha que puseram em perigo de derrocada um projecto extraordinário por razões mesquinhas, vaidades e ganâncias.

 

 

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publicado às 22:31

 

 

 

“Cândido aproxima-se, vê o seu benfeitor que reaparece um momento à tona e é tragado para sempre. Quer lançar-se ao mar, mas Pangloss lho impede, provando-lhe que a enseada de Lisboa fora feita expressamente para afogar o anabatista. Enquanto o provava a priori, o navio parte-se ao meio e todos perecem, com exceção de Pangloss, de Cândido e do brutal marinheiro que afogara o virtuoso anabatista; o facínora nadou até à margem, onde Pangloss e Cândido arribaram, agarrados a uma tábua.”

“Depois que se refizeram um pouco, encaminharam-se para Lisboa; restava-lhes algum dinheiro, com o qual esperavam salvar-se da fome, depois de haverem escapado à tempestade. Mal entravam na cidade, chorando a morte do benfeitor, quando sentem o solo tremer sob os seus pés; o mar, furioso, galga o porto e despedaça os navios que ali me acham ancorados. Turbilhões de chama e cinza cobrem as ruas e praças públicas; as casas desabam; abatem-se os tetos sobre os alicerces que se abalam; trinta mil habitantes são esmagados sob as ruínas. Assobiando e praguejando, dizia consigo o marinheiro: — Muito há que aproveitar aqui. — Qual poderá ser a razão suficiente deste fenómeno? — indagava Pangloss.”

“Depois do tremor de terra que destruiu três quartas partes de Lisboa, os sábios do país não encontraram meio mais eficaz para prevenir uma ruína total do que oferecer ao povo um belo auto-de-fé; foi decidido pela Universidade de Coimbra que o espectáculo de algumas pessoas queimadas a fogo lento, em grande cerimonial, era um infalível segredo para impedir que a terra se pusesse a tremer. Tinham, pois, prendido um biscainho que se casara com a própria comadre, e dois portugueses que, ao comer um frango, lhe haviam retirado a gordura: vieram, depois do almoço, prender o Doutor Pangloss e o seu discípulo Cândido, um por ter falado e o outro por ter escutado com ar de aprovação: foram ambos conduzidos em separado para apartamentos extremamente frescos, onde nunca se era incomodado pelo sol; oito dias depois vestiram-lhe um sambenito e ornaram-lhe a cabeça com mitras de papel”. (Voltaire, Candide 1759, excertos)

 

Li as declarações de uma professora do IPS que esteve em Itália para ver o impacto do sismo onde diz que se Lisboa voltasse a ter um sismo como o de 1755 -ocorrido neste Dia de Todos os Santos- os estragos seriam muito mais terríveis que os de Itália ou até os do Japão de 2011 porque ele foi de maior intensidade e alcance e porque não fazemos nada para nos prepararmos para esse impacto quando ele chegar, o que costuma acontecer de 200 em 200 anos. Portanto, estamos na saison...

No entanto, quem ouça os políticos e especialistas portugueses nestes últimos tempos, pensa estar no romance que Voltaire escreveu a propósito do terramoto de 1755, mais propriamente a ouvir o Pangloss. De repente somos extraordinários, estamos cheios de génios, tudo o que fazemos é excelente, temos a melhor cidade, o melhor povo, parece que ontem no debate da RTP acerca do tema do ambiente se concluiu que somos extraordinários a aproveitar as energias alternativas... e esse discurso panglossiano está por todo o lado.

Francamente, não percebo o que se passa mas há uma tal falta de auto-crítica e de realismo na avaliação do país que roça a ilusão alucinada. Dá ideia que esta gente todos os dias come uma ração de cogumelos especiais. E não são uma ou duas pessoas, são dezenas e começam logo no Presidente, ele mesmo. Depois estas coisas são como as aldrabices das pseudo-licenciaturas e dos que as desvalorizam: vêm por aí abaixo e todos imitam. É que uma coisa é ter auto-estima positiva e confiança no futuro, outra é iludirmo-nos relativamente ao que somos e fazemos.

Estes discursos de cientismo panglossiano fazem sempre lembrar as declarações dos cientistas e magnatas, em 1912, acerca da impossibilidade do Titanic se afundar devido à sua superioridade. Foi o que se viu...

 

 

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publicado às 13:02

 

4 reasons why tiny Portugal has given us so many global leaders

 

... e o resto são muitas balelas. Se tivéssemos líderes extraordinários não tínhamos o país na situação em que está. Temos é muitos líderes que se acham extraordinários, isso sim.

 

 

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publicado às 18:16

 

 

 

(link na imagem)

 

O que queriam era que tivéssemos só operários exportáveis.

 

 

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publicado às 06:30

g.a


3-8-12



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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