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publicado às 06:23

 

Alegre: Investigação a Centeno “é totalmente inadmissível”

Antigo candidato presidencial e Prémio Camões considera necessário “combater esse populismo inorgânico das redes sociais e de alguns sectores da comunicação social e do Ministério Público”.

 

Sempre que uma luminária inventa uma nova palavra, imagino logo o chefe do partido a mandar um memorando a todas as ovelhinhas do partido para que apareçam numa acção de formação para aprenderem a balir com a nova palavrinha. Agora a palavrinha é 'populismo'. Sempre que querem dizer qualquer coisa contra alguém (neste caso, o direito dos políticos a ter borlas e viver à pala dos que pagam impostos e não têm duas reformas nem vão receber avenças, como os mafiosos, a conselhos de administração de empresas) usam a palavra 'populismo', como se esta fosse um feitiço que transforma a realidade.

Outro dia, um articulista de jornal perguntava escandalizado (como agora este Alegre), 'mas então agora o povo acha que pode controlar os políticos como se estes não tivessem ética?' É enternecedor vê-los a balir em uníssono pelo direito de viverem à pala e sem controlo democrático. Manel Alegre até quer que o Presidente ralhe com alguém por terem incomodado o DeBorla, esse brilhante entronizado diante do qual nos devemos, calculo, benzer três vezes de joelhos.

 

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publicado às 16:30

 

 

Os partidos-médium e os deputados-fantasma

Quando o cartel partidário se substitui ao parlamentarismo, reescrevendo-lhe o regimento, há um nome para o que acontece: batota.

 

Cada cavadela, uma minhoca... o chico-espertismo em acção. Até onde levam os embustes para fingir que trabalham...

 

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publicado às 13:57


Para este nojo o Costa tem dinheiro

por beatriz j a, em 26.12.17

 

O Natal dos partidos políticos (é à grande)

 

Na passada quinta-feira, em plenário, os partidos discutiram e votaramum conjunto de alterações legislativas que, primeiro, acaba com o limite para os fundos angariados por partidos...

...a isenção passará a aplicar-se sobre todos os bens e serviços adquiridos. Basicamente, os partidos deixarão de pagar IVA. Sempre.

... a isenção será total e, imagine-se, até se aplicará aos processos pendentes a aguardar julgamento – ou seja, com as alterações legislativas introduzidas, o PS poderá solicitar a devolução do IVA de pagamentos feitos no passado (antes de a nova lei entrar em vigor) e cuja contestação ficou pendente nos tribunais. O golpe é extraordinário.

Não vale a pena disfarçar: os partidos (PS, PSD, PCP, BE, PEV) legislaram em benefício próprio, amealhando milhões de euros à conta do Estado. E, para fugir ao escrutínio público, fizeram-no da forma mais opaca possível. 

O processo legislativo correu num grupo de trabalho que, por várias vezes, reuniu à porta fechada – algo excepcional no funcionamento da Assembleia da República. O agendamento da discussão/votação do projecto de lei foi feito em cima da hora, para não chamar à atenção e forçando até a retirada de outras iniciativas legislativas previamente agendadas.

Ou seja, tudo neste processo está errado – o legislar em causa própria, o segredismo, as tentativas de passar com o assunto despercebido. E o mais grave é que funcionou: arrepia o sucesso dos partidos em conseguir que o assunto passasse mesmo despercebido, quando há aqui matéria para legitimar indignação popular. É, portanto, uma vergonha colectiva: uma Assembleia da República que faz isto em completa impunidade só é possível perante uma sociedade entorpecida e pouco exigente. 

 

Não admira que as pessoas decentes não queiram ir para a política... 

 

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publicado às 16:20

 

 

É que as notícias políticas dos últimos tempos são tão obscenas, tão obscenas que que o CM aparece cândido na comparação. 

Quem viu a cena triste da nova secretária de Estado da Saúde tomar posse, aos pulinhos e risinhos idiotas de satisfação, não pode deixar de reflectir acerca do modo como os políticos encaram os cargos públicos, não como um serviço mas como uma entrada no clube restrito dos amigos [agora do Costa] do tipo que pode pôr a mão no saco do dinheiro. 

 

Nunca é demais lembrar que isto é tudo em família: a nova Secretária de Estado da Saúde, Rosa Matos Zorrinho é mulher do deputado Carlos Zorrinho.

 

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publicado às 15:17

 

Governo bate recorde de gastos com viagens

Em 2018 a despesa com deslocações e estadas supera 89 milhões de euros, valor mais elevado dos últimos nove anos.

 

A análise dos mapas informativos dos Orçamentos do Estado desde 2010, véspera da intervenção da troika em Portugal, deixa claro que as despesas com viagens têm, em 2018, o maior aumento dos últimos nove anos: face aos 76,9 milhões de euros previstos para 2017, os custos com deslocações e estadas vão aumentar, no próximo ano, 12,3 milhões de euros. 

 

A partir de 2015, após a saída da troika, a despesa disparou: no último ano do Governo de Passos Coelho os encargos com viagens atingiram os 70 milhões de euros

 

Portanto, assim que a troika se foi houve logo auto-reversão plena de austeridade para os políticos. Pense-se que estamos a falar de um universo de meia dúzia de pessoas (mil, dois mil?) a gastar mais de 89 milhões de euros... para isto o dinheiro nunca falta. Assim como não falta para festas de celebração de aniversários de acordos políticos (50 mil euros?). Já para a educação, tudo é visto como um custo: Voltar ao número de alunos por turma antes da troika custaria cerca de 84 milhões de euros  - mil ou dois mil políticos contra 1 milhão e 600 mil alunos. Quem ganha? Os políticos. Quem perde? Os alunos. É o costume, porque a educação é sempre vista como um custo e não como um investimento no futuro. É por isto que o argumento segundo o qual o OE não aguenta reverter o apagão de 10 abos de trabalho dos professores não convence. Porque há dinheiro para gastar à grande e à francesa com tudo menos para fazer justiça.

 

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publicado às 06:02

 

 

Um professor trabalha dez anos e isso não conta para nada, um político trabalha dez anos e isso conta a triplicar e dá-lhe direito a uma pensão vitalícia. Quantos deputados e ministros são reformados aos 50 anos com pensões vitalícias?

Até bandidos declarados recebem pensão vitalícia...

Pensões vitalícias dos ex-políticos

As subvenções mensais vitalícias dos titulares de cargos políticos vão custar mais de 7,2 milhões de euros em 2018, de acordo com a proposta do Orçamento do Estado que está em discussão na especialidade. A notícia é avançada hoje pelo jornal “Correio da Manhã”, salientando que a despesa com essas pensões vitalícias aumentou substancialmente a partir de 2016, quando foram eliminados os cortes aplicados durante o programa de resgate financeiro.

 

“No atual universo de 327 beneficiários da pensão dos políticos para toda a vida, os cinco primeiros têm pensões atribuídas de valor apreciável: Vasco Rocha Vieira, ex-governador de Macau, tem 13.607 euros por mês, ainda que este montante esteja sujeito a uma redução parcial por imposição legal; Carlos Melancia, também ex-governador de Macau, tem 9.727 euros por mês; Jorge Hagedorn Rangel, que esteve também ligado a Macau, tem 6.633 euros por mês; António Guterres, antigo primeiro-ministro e atual secretário-geral da ONU, tem 4.138 euros por mês; e João de Deus Pinheiro, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e ex-comissário europeu, tem 3.967 euros por mês,” especifica o “Correio da Manhã”.

 

“Três contemplados foram acusados de crimes pela Justiça: José Sócrates, antigo primeiro-ministro, Domingos Duarte Lima, ex-deputado do PSD, e Miguel Macedo, ex-ministro da Administração Interna, estão a receber a pensão vitalícia atribuída aos políticos,” destaca o mesmo jornal.

 

 

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publicado às 08:15


Nem mais!

por beatriz j a, em 16.11.17

 

 

 

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publicado às 18:51


A chatice dos factos

por beatriz j a, em 17.10.17

 

Orçamento do Estado 2018

Gastos dos gabinetes de Costa acima de Sócrates

 

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publicado às 07:25

 

Relatório deixa ministra em contagem decrescente

 

... para ainda não ter chegado ao fim... dizer que não há certeza da incompetência grosseira da ministra e dos serviços que tutela é o mesmo que os amigos do Sócrates -entre os quais os que entraram para a política com tostões e saíram de lá com milhões- dizerem que estão espantados com as acusações ou o Oliver Stone vir dizer que é preciso esperar pelo tribunal para ter a certeza que Harvey Weinstein é mesmo um porco nojento porque, sabe-se lá se as acusações destas mulheres todas não são mera coscuvilhice.

Que o primeiro ministro tenha escolhido a ministra pensando que era competente e se tenha enganado, compreende-se, agora que face a tanta morte e destruição que resultou do caos dos serviços que tutela, ainda esteja à espera que chovam rãs do céu para agir é o tipo de coisa que nos faz perder o respeito por ele porque fica evidente que, das duas uma, ou não vê a gravidade da situação, o que indica falta de senso ou vê e desconsidera por razões partidárias o que indica falta de estatura política e seriedade.

Quem é que, seriamente, quer depender desta ministra e dos seus serviços? Se amanhã houvesse um sismo muito grave outra catástrofe do género, ninguém se salvava porque os serviços de protecção civil agem como baratas tontas. 

 

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publicado às 07:47

 

 

Que soluções têm para este problema, se nem sequer tratam de evitar, todos os anos, milhares e milhares de incêndios? Uma pessoa gostava de ter respeito pelos políticos do país mas é difícil, muito difícil.

 

 

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publicado às 19:10


Os sugar babies

por beatriz j a, em 15.07.17

 

Ir ou não ir a Paris

Nuno Botelho

 

Este indivíduo, um advogado da banca, empresário e já meio lançado na política, acha que o caso das demissões dos secretários de Estado é tudo uma estupidez de invejosos porque eles de certeza que não prestaram favores à GALP e ainda por cima eram todos muito competentes e é uma pena perderem-se por causa de invejas. Não só já temos políticos mal pagos (face às suas responsabilidades), como em breve teremos políticos sem vida própria, sem cultura e sem mundo, diz ele.

 

Quem lê este artigo já o pôs na coluna dos desejáveis, os que gostam de receber viagens e colares de pérolas, se um dia vier a ocupar lugar público que importe a alguém.  

 

Outro dia, ouvi, sem querer, uma conversa de uma rapariga que estava ao telemóvel, ao meu lado. Estava a combinar umas férias com amigos antes de ser enviada para o próximo posto (percebi que trabalhava numa organização tipo ONU). Então dizia à outra que fulana de tal estava com problemas porque é indonésia, divorciada de um australiano e casada agora com um americano e, no país da Europa para onde queria ir, ainda a consideram casada com o australiano por ter-se divorciado na Austrália à revelia da lei indonésia que proibe o divórcio. E dizia à outra, 'o problema é que aqui na Europa não é como nos países asiáticos onde pões um presente na mão do tipo da alfandega ou do advogado e tudo se faz. Aqui isso não funciona com subornos'.

 

Pois, por acaso não funciona, na maioria das vezes, mas não é por tipos como este Botelho não o quererem... é só porque as leis não são feitas, por enquanto, por Botelhos.

Gostava de ver a 'inveja' deste Botelho um dia que fosse prejudicado por alguém que, por acaso, recebe viagens e colares de pérolas e outras mundivivências de um sugar daddy ou sugar mommy.

 

 

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publicado às 17:50

 

 

... faz lembrar aquela anedota sobre a diferença entre a religião protestante e a católica que reza assim, 'um tipo vai ter com um pastor protestante e diz, 'Cometi um crime: matei.' O pastor prega-lhe um grande sermão, fala-lhe dos mandamentos, de arrependimento, da gravidade do acto, obriga-o a uma penitência dura... Um tipo vai ter com o padre católico e diz, 'padre, venho confesar um crime: matei!' O padre responde, 'Quantos, meu filho?' 

 

Eleitores não castigam autarcas corruptos

Os portugueses têm tendência para amnistiar os políticos e tolerar o fenómeno da corrupção, optando por não fazer qualquer tipo de punição eleitoral, sobretudo a nível local, asseguram investigadores.

 

 

 

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publicado às 06:48

 

 

Há um silêncio ensurdecedor daqueles que gostam de dizer que são da esquerda. Será que estão todos de férias a banhos e não sabem que o centro do país está a arder e há dezenas de mortos e centenas de feridos? Pois...

 

Acredito que se o governo fosse daqueles que gostam de dizer que são da direita o caso seria simétrico e esse é um problema deste país. Os políticos não sentem necessidade de ser leais aos portugueses.

 

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publicado às 13:35

 

Ferreira Leite: marcar uma greve de professores para um dia de exames é “absolutamente inaceitável”

No habitual espaço de comentário na TVI-24, a antiga ministra da Educação até começou por admitir que os professores "tenham algumas reivindicações", mas logo acrescentou que "sabem muito bem que não são adequadas ao momento atual, nem suscetíveis de serem satisfeitas".

 

É quase impossível apanhar alguém que fale com honestidade ou dois dedos de testa sobre os assuntos, seja da parte dos comentadores, da oposição, dos membros do governo ou dos sindicalistas.

 

As reivindicações dos professores "não são adequadas ao momento atual, nem suscetíveis de serem satisfeitas"? É que há 10 anos que "não são adequadas ao momento atual, nem suscetíveis de serem satisfeitas". Já as reivindicações dos políticos, dos banqueiros, dos administradores públicos, dos assessores políticos, dos consultores jurídicos, dos amigos e familiares de políticos, dos autarcas e amigos de autarcas, dos donos do futebol, dos donos da electricidade, dos apresentadores de TV e outros afins, são sempre adequadas a qualquer momento e sempre passíveis de ser satisfeitas.

 

Aliás, as únicas profissões que compensam neste país, são: político, banqueiro ou sindicalista - três profissões onde pode fazer-se nada ou ser completamente incompetente e continuar no posto, a viver e a gastar o dinheiro dos outros.

Os políticos, no geral, estão ao nível do Nogueira, nos discursos, nas ideias e nos actos. Daí o estado do país.

 

 

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publicado às 06:56


Tomem lá a Maria Tanase a rogar pragas

por beatriz j a, em 13.02.17

 

 

(são pragas de amor como se percebe pelo tom pesado e dramático da voz dela [há lá coisa mais dramática que o amor?] mas eu divirto-me a pensar que são pragas rogadas a todos os que nos andam a encornar aqui no rectângulo há 800 anos 😜)

 

 

 

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publicado às 22:20

 

 

Rendimentos dos licenciados baixaram 20% desde 1998

Os salários mais altos concentram-se sobretudo nos seguros, banca, energia e no Estado.

“Esses salários mais altos ocorrem em setores de bens ou serviços não transacionáveis. A começar pelos bancos, onde os custos salariais têm aumentado de forma exponencial, como foi o caso da Caixa Geral de Depósitos (CGD). A troika e o governo anterior tentaram alterar este panorama de setores protegidos, mas está à vista que não conseguiram”, explicou recentemente Pedro Ferraz da Costa, presidente do Fórum para Competitividade.

 

... ou seja, políticos e satélites, que vão rodando nas cadeiras para não dar muito nas vistas, trataram da sua vidinha durante a crise (parece que o BDP esteve sempre a aumentar salários e não sofreu cortes. Deve ser do bom trabalho que fizeram com o BPN, BES, etc., etc.), à custa de todos nós. Já sabíamos, não é um acaso termos 800 anos de experiência de sermos encornados por políticos. Mas obrigada pela confirmação dos números.

 

 

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publicado às 21:55


Os políticos adoram isto...

por beatriz j a, em 13.01.17

 

 

Dão medalhas uns aos outros, fazem elogios desmesurados uns aos outros, exageram as virtudes uns dos outros [às vezes até ao ridículo], mandam-se pintar e esculpir e penduram-se nas paredes dos edifícios públicos... 

 

 

 

 

 

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publicado às 05:55

 

Por que foi tão pouca gente ao funeral de Soares?

É muito triste esta incapacidade de nos sentirmos em dívida para com os melhores de nós. E de lhes prestarmos o justo tributo enquanto tal.

 

Se calhar estão, mais uma vez, a pensar em circuito fechado, como políticos, com pressupostos de políticos. Se calhar estão tão divorciados do povo que não percebem que o endeusamento ad nauseam que estavam a fazer de Soares, em vez de ser um incentivo foi o oposto.

Se calhar as pessoas não se identificam com a exaltação de Soares a valores imortais, como os políticos lhe atribuíram nestes dias e se calahr vêm nisto tudo um espectáculo mais para proveito dos próprios que para homenagear o Soares.

Soares foi um lutador anti-ditadura (outros o foram e muitos anonimamente), teve um papel importante no travão do PC de Cunhal mas depois disso passou o resto da vida em cargos a promover-se uma boa vida e aos amigos e à família.

Era um tipo do partido e dos seus amigos acima de tudo e, mesmo não tendo sido um mau Presidente, não fez nada de extraordinário, foi um despesista e como primeiro-ministro foi muito mau... E toda a gente sabe isso. E ainda há a questão de África, de Macau, da doações de terrenos em Lisboa, e dinheiro, que o filho lhe deu porque ele queria uma Fundação... se calhar o tal povo tem uma visão realista dele e sabe que lhe deve uma parte por vivermos em liberdade mas não lhe reconhece nenhum heroísmo sacro. 

Ele não foi o único que fez estas coisas só que as fez com mais eficácia. Sabemos que os que combateram a ditadura acham que merecem subvenções, cargos e privilégios por causa desse passado e que por isso os distribuem entre si desde o 25 de Abril. É assim que têm reformas ao fim de oito anos nos cargos políticos e que são todos generais ou administradores de empresas públicas ou estão em altos cargos no Estado e nisso não há heroísmo.

É mais aquela velha lei, 'chegou a minha vez de estar na boa'. Só que o tal povo percebe que fica mais ou menos na mesma como estava. Com liberdade, sim, mas... e a riqueza? Foi para os políticos e amigos. E as consequências da corrupção de todos esses que vivem no, e, do Estado... quem é que a paga? Os mesmo do povo que já pagavam a da ditadura... então passamos uma esponja por isso tudo?

 

A mim parece-me que esta característica dos portugueses verem que as pessoas têm actos e atitudes heróicas e de grande valor mas não são heróis, é uma virtude e não um defeito porque à conta disso também não embarcam em demonizações.

No rescaldo do 25 de Abril, com a excepção de governantes e políticos (mais uma vez) que quiseram incentivar o povo ao ódio e alimentavam acções de vingança, de sabotagem, saneamento, as pessoas não desataram a matar PIDES, não destruiram todos os sítios e pessoas aliadas ao antigo regime, antes deram um exemplo de maturidade. Lá está, não embarcam em exageros emocionais a não ser por pessoas do povo com quem se identificam. Se os videntes de Fátima não fossem gente do povo ninguém os tinha seguido por muito que pregassem ter visto quarenta Nossas Senhoras...

 

Se é certo que não somos bons a conhecer a nossa História, quanto mais a promovê-la, porque tivémos muitos heróis nestes 800 anos, a verdade é que os heróis nunca foram os políticos e, os governantes dos últimos séculos só nos enterraram: uns venderam-nos aos espanhóis, outros aos ingleses, outros fugiram para o Brasil e deixaram-nos aqui entregues à nossa sorte... tivémos uma guerra civil porque um rei quis ficar nas praias do Brasil e reinar-nos à distância, através da filha se casar com o seu irmão; não souberam acabar com a monarquia sem matar o Rei e o filho, depois veio o caos político e saque do povo na 1ª República, depois o Salazar que podia ter sido um herói mas se transformou num carrasco, depois veio uma espécie de remake da primeira República, com saque e tudo, e agora estamos nesta situação de estarmos com a corda ao pescoço por causa da corrupção, da promiscuidade entre os políticos, a banca e as empresas públicas que nos roubam à descarada: estudar custa uma fortuna, a saúde uma fortuna... e querem que o povo os ache heróis?

Os heróis dos portugueses são os poetas: o Camões, o Bocage, o Torga, o Pessoa, a Florbela e todos os que os cantam. Depois são as pessoas do povo: os Eusébios, as Amálias e os Ronaldos que nunca negaram as suas origens. O Ronaldo anda com a mãe madeirense para todo o lado.

Na verdade, a última geração de governantes que teve um efeito geral positivo no país, foi a Inclita de quem sentimos orgulho. Daí para cá temos muitos heróis anónimos que estão por conhecer mas como as Humanidades estão em estado de abandono e desinvestimento...

 

Se calhar temos que reconhecer que apesar de termos tido portugueses com acções de muito valor, os heróis são as pessoas do povo que lhes aturam tudo -aos políticos e governantes- sem muitas revoluções e sem guilhotinas.

Se calhar não é à toa que a Portuguesao nosso Hino, que nasceu da revolta 'popular contra os ingleses e contra o governo português, que permitiu esse género de humilhação' diz, 'heróis do mar, nobre povo' e não, 'heróis do Paço e de São Bento, nobres políticos, banqueiros e governantes'.

 

 

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publicado às 20:19


Isto tem a sua piada

por beatriz j a, em 18.10.16

 

CDS exige aumentos para pensionistas mais pobres

 

Terem estado até há bem pouco tempo no governo a cortar salários, pensões, carreiras, vidas e futuros, de tal maneira que a classe média foi em peso e pânico votar PS e BE e virem agora exigir que se contrarie a pobreza.

Eu acho bem que se contrarie a pobreza, só acho é piada ser este indivíduo, que entrou no governo de lambreta e saiu de Audi de 200 mil euros ou lá o que foi, a exigi-lo neste tom de indignação.

 

 

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publicado às 05:52

g.a


3-8-12



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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