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Não estando de acordo com tudo o que ele diz, sobretudo em termos de alternativas, pois o que resulta em certas situações com e, por causa, de certas pessoas dinamizarem as coisas com um certo estilo de liderança eficaz, não significa que resultasse para todos os casos em todas as situações. No entanto, ele também não defende que se imponha a sua maneira de trabalhar. Apenas aponta os erros ao que existe [diz qual foi a sua estratégia de solução] e, nisso estou completamente de acordo com as críticas que ele faz a este sistema que destrói mais que constrói.

 

De facto, hoje em dia, nas escolas, trabalha-se, apesar da incompetência, desnorte e erdoganismo das estruturas de decisão que são o MEC e as direções das escolas [a escolha de pessoas para cargos está ao melhor nível da República Popular da China] que são autênticos bulldozers de destruição maciça, mestres em desmotivar, até professores altamente auto-motivados. Estruturas incapazes de pensar, de admitir erros e, portanto, de auto-corrigir-se. Os professores que podem fogem, os outros vão morrendo aos poucos. Como os professores são quem trabalha com os alunos, matar a motivação dos professores significa matar as escolas, que não são edifícios, como ele diz, são pessoas.

 

 

(Hoje em dia é comum nas escolas, as pessoas que menos trabalham enquanto professores [as que exigem privilégios, como por exemplo, nunca trabalhar com as turmas tradicionalmente piores em comportamento e aproveitamento, ou ter só uma ou duas turmas, ou continuarem nos lugares pese embora os constantes maus resultados em tudo que fazem, apesar das condições de privilégio, ou terem uma posição em que podem faltar sem nunca ter falta, enfim... os que podem e mandam o trabalho pesado para cima dos outros], serem exactamente as que tomam decisões acerca de como se deve trabalhar, baseadas nos seus 'achismos', como diz este professor, geralmente de cariz económico, meramente burocrático [para ingês ver] ou subserviente, digo eu e, depois, as impõem, à força, aos outros, o que mostra as suas grandes insufuciências. As coisas que vemos e de que somos vítimas mais as coisas que os colegas contratados, que andam de escola em escola, nos contam... algumas são da ordem do surrealismo. Assim é difícil alguma coisa, alguma vez, mudar..) 

 

O que ele diz, Um professor não ensina aquilo que diz, transmite aquilo que é, aplica-se também à própria escola. Uma escola, digo eu, não ensina aquilo que diz, transmite aquilo que é, o que quer dizer que uma escola é uma pequena comunidade que reproduz a estrutura da sociedade: agora é só imaginar uma sociedade onde as crianças e os adolescentes crescem a observar o autoritarismo [que é diferente de autoridade, pois esta funda-se na competência e numa ética de trabalho], a falta de coerência nos processos e nas práticas, a imposição de todos terem que descaracterizar-se para serem iguais aos outros, a violência, o pessimismo constante dos que educam, a falta de respeito dos decisores que os tratam como números para encher turmas e não como pessoas em formação, etc.

 

Tantos artigos que aparecem nos jornais sobre educação e que evidenciam o total desconhecimento do que são os alunos em situação de aula e de aprendizagem, os tempos necessários para a interiorização e consolidação de conhecimentos, a importância do professor manter a sua integridade intelectual e moral no estabelecimento de laços éticos e afectivos com os alunos, o que são os condicionalismos dos currículos, o que é a dinâmica duma escola, a importância da cooperação entre professores... e depois, as soluções que propõem a partir destes 'achismos' que são como propôr pensos rápidos para travar hemorragias internas. É frustrante. E o pior é que bem podemos perorar que nada muda. Nada. Os políticos, em geral, trabalham para o voto...

 

Sendo assim, a única coisa que podemos fazer neste sistema é resistir a morrer, resistir a desintegrarmo-nos, resistir às imposições que pervertem a pedagogia, resistir à burocracia que existe apenas para esconder problemas e lembrar que a escola existe para os alunos, que somos professores para os alunos no quadro duma lei geral que existe e é superior a 'achismos' individuais, que não devemos fazer o que a nossa consciência nos diz claramente que é incorrecto e que somos responsáveis pelo nosso trabalho com os alunos, pela parte da formação [deles] que nos cabe e que esse, e não outro, é o objectivo que tem que nos nortear.

 

José Pacheco: «Procurem nas escolas professores que ainda não tenham morrido»

 

Um professor não ensina aquilo que diz, transmite aquilo que é. Poderá acontecer aprendizagem em sala de aula, se forem criados vínculos e esses vínculos não são apenas afetivos, também são do domínio da emoção, da ética, da estética… O que dizer da avaliação? Que quase não existe, nas escolas. Um ministro de má memória introduziu mais exames no sistema. Mais exames não melhoram o sistema, porque não é a preocupação com o termómetro que faz baixar a temperatura.

 

Na presente situação, os professores portugueses permitiram que o autoritarismo imperasse e que critérios de natureza pedagógica fossem desprezados. Permaneceram apáticos. Mais uma vez, nada fizeram para acabar com a impunidade. É estranho e pesado esse obsceno silêncio. O professor assume dignidade profissional, sendo autónomo-com-os-outros.

 

Os professores portugueses deveriam procurar caminhos de alforria científica e a sua maioridade educacional, sem prescindir do que venha do estrangeiro. Novidades importadas não passam de inovações requentadas.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:56

g.a


3-8-12



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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