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A que propósito a entrevistadora é a Catarina Furtado? Que percebe ela de educação? E porque é que o Presidente aceita uma conversa com uma pessoa que não sabe que perguntas fazer? Para que serve uma conversa destas?

O Presidente está a dizer que se deve discutir os temas dos Direitos Humanos nas escolas, como se não fossem. É que são, exaustivamente. Mas ele não sabe e está a criticar por não ser feito. Isto é desmoralizante... e depois falam de formação de professores para os Direitos Humanos... mas esta gente pensa que os professores são o quê, para pensarem que não estão alertas para isso e que não vivem isso e tratam disso permanentemente?

Só clichés... isto é desmoralizante... está ali a fazer de superstar para outros que também pouco sabem da educação e das escolas... são completamente ignorantes do nosso trabalho.

Vou trabalhar...

 

 

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publicado às 15:12

 

 

Desde o governo da Rodrigues que os professores são considerados lixo. É certo que somos muitos e à nossa conta pagaram-se mais de 5 mil milhões de euros de crise mas é claro que isso foi merecido porque afinal nós somos... lixo. Despediram-se com estratagemas de aumentar trabalho cerca de 30 mil professores mas é claro que isso foi merecido porque afinal nós somos... lixo. Tiraram-nos o direito à pausa entre aulas e temos que pagar ao Estado uma ida à casa de banho, beber um café ou comer qualquer coisa num intervalo ( que normalmente usamos para trabalhar...) mas é claro que isso foi merecido porque afinal nós somos... lixo. Damos aulas de apoio, criamos projectos para o desenvolvimento dos alunos e isso é considerado actividade não lectiva, ou seja, tempos a acrescentar ao horário do professor mas é claro que isso é merecido porque afinal nós somos... lixo. Fizeram um apagão em mais de dez anos de trabalho enquanto nos obrigaram a continuamente fazer formações pós-laborias, pagar sobretaxas, fazer reuniões pós-laborais de borla, etc. mas é claro que isso foi merecido porque afinal nós somos... lixo.

Há dinheiro para pagar a toda a gente e alguns já tiveram progressões há dois anos com o tempo todo contado, como os militares e os juízes mas é evidente que essas pessoas são trabalhadores válidos ao contrário dos professores que, como toda a gente sabe, são lixo.

 

Há uns anos foram-nos retirados direitos com o argumento de que tínhamos que ser iguais ao resto da função pública, agora recusam-nos direitos com o argumento de que não somos iguais à função pública. Pois não somos... toda a gente sabe que neste país os professores são... lixo.

 

Professores custam mais 600 milhões/ano

Descongelar carreira docente com pagamento integral dos novos escalões custaria tanto quanto o que o Estado prevê gastar em toda a Função Pública.

 

Professores fazem greve à primeira aula do dia a partir de 13 de Novembro

Não contabilização do tempo de serviço dos últimos sete anos para descongelamento das carreiras motiva protesto da FNE. O sindicato anuncia que vai convidar as restantes organizações sindicais a juntarem-se ao protesto.

 

 

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publicado às 16:19

 

Falta de interesse pelo ensino ameaça futuro da educação

E esta crise de vocações para o ensino surge na altura em que se prevê que, face ao forte envelhecimento da classe, dois terços dos atuais professores se reformem nos próximos quinze anos.

Não é uma crise de vocações. A vocação existe, e muitos bons alunos gostavam de ser professores, só que é acompanhada de realismo face ao que é a proletarização e desprestígio social da profissão. Se dessem aulas e falassem com os alunos sabiam disso. 

 

Esta percentagem de apenas 1,5% de estudantes interessados em imitar o percurso dos seus professores foi um dos indicadores que surpreenderam pela negativa os autores do estudo...

Só se surpreende quem anda a dormir...

 

"Se nós não fizermos algo que permita que haja alguma seletividade no acesso a professores e critérios de qualidade na sua formação inicial, vamos ter problemas, porque cada vez mais a profissão de professor é vista como desqualificada", considera.

Atrair os melhores... boa sorte com isso... continuam sem perceber... quando os ministros da educação são os primeiros a desprezar os professores e a alimentar o sistemazinho feudal que a repugnante Rodrigues criou e com o qual destruiu a profissão... ... volto a dizer, boa sorte com isso... 

 

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publicado às 06:10


Problemas

por beatriz j a, em 21.10.17

 

 

No teacher can “break” a student’s story, his understanding of his life, and replace it with her own.

(Michelle Kuo)

 

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publicado às 06:42


Carreira? Qual carreira?

por beatriz j a, em 15.10.17

 

 

Não é verdade que tenhamos perdido apenas 9 anos de trabalho uma vez que antes do descongelamento os escalões foram alterados (de oito passaram para dez, sendo que os salários, só no 10º são equivalentes aos de outros funcionários públicos equiparados) e em regra, os professores foram reposicionados 2 escalões abaixo de onde estavam. Por exemplo, alguém que estivesse no sexto escalão, a dois escalões do topo da carreira, foi posicionado no quarto, estando agora a seis escalões do topo, onde nunca chegará, mesmo que trabalhe até aos setenta anos. Ora, sendo cada escalão de 3 ou de 4 anos, baixar dois escalões, implica deitar fora, 6 ou 7 anos. Anos de descontos, de obrigações de formação, de acréscimo de turmas, de alunos, de trabalho burocrático que era feito pelas secretarias das escolas, etc. Juntar a estes 7 anos os outros 7 do congelamento, no meu caso significam 14 anos de trabalho deitados para o lixo, o que equivale a dizer que deixei de ter carreira... aquilo que o Costa e este ministro chamam descongelamento de carreiras é uma enorme mentira. Entretanto o BE e o PCP caladinhos. O que faz a proximidade do poder...

 

 

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publicado às 13:21


A chatice dos factos

por beatriz j a, em 15.10.17

 

 

Educação sofre corte de 182 milhões de euros em 2018

Pela segunda vez consecutiva o governo volta a tentar esconder um corte nas verbas disponiveis para o básico e secundário.

 

 

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publicado às 13:03

 

Pais exigem revolução no modelo de ensino

Descalabro nos resultados das provas de aferição leva encarregados de educação a pedir mudanças urgentes.

O responsável da Confap afirma que "o modelo do autocarro na sala de aula, com todos a olhar para as costas dos colegas, já não faz sentido".

 

Nuno Crato desvaloriza resultados
O ex-ministro da Educação, Nuno Crato, desvalorizou ontem os resultados negativos das provas de aferição. "As provas de aferição não têm o valor dos exames e das provas finais e, portanto, é muito difícil saber o que elas traduzem sobre a realidade. Estas provas nunca são encaradas com o mesmo empenho pelos alunos", afirmou Nuno Crato ao CM, recusando comentar em detalhe as fragilidades detetadas.

O ex-ministro comentou declarações do secretário de Estado da Educação, João Costa, que afirmou que os resultados mostram que o maior enfoque na Matemática promovido por Crato não produziu resultados.

 

Todos os ministros de educação culpam os anteriores do que vai mal e se servem deles como pretexto para impor a sua revoluçãozinha pessoal. A confederação de Pais também quer revolução e já adaptou a linguagem aos conceitos da moda: se aqui há um par de anos pedia um novo paradigma, palavra que estava na moda, agora fala em pensamento crítico (como se isso se fizesse na ausência de conteúdo) e turmas autocarro, termo que entrou na moda e se tornou bandeira de quase todos os males. (este assunto da disposição das mesas é um falso assunto: na verdade, a disposição das mesas nesta configuração chamada autocarro, favorece a concentração e, por isso, todo o trabalho que a requer. A disposição das mesas em círculo, por exemplo, favorece o diálogo e, por isso, todo o trabalho que o requer; muitos professores mudam a disposição das mesas consoante o tipo de trabalho que estão a desenvolver com os alunos. Não há uma maneira única, certa ou errada, de dispôr as mesas)  

Entretanto, ninguém faz o mais importante e, de revolução em revolução, vamos induzindo o stress no próprio sistema e nos seus actores, sobrecarregados com tanto ruído. A educação é um sistema que precisa de estabilidade e não podemos estar constantemente a abalar os seus fundamentos sem que isso afecte a solidez da construção.

Já perdi a conta ao número de reformas e revoluções a que assisti desde que dou aulas. A certa altura já não ligamos a estas revoluções ideológicas e políticas que mudam a cada legislatura e arranjamos sistemas próprios para podermos fazer bem o nosso trabalho, apesar destas experimentações constantes que o abalam.

As revoluções, como todos sabemos são processos violentos de desagregação que podem ter custos muito elevados. Veja-se o custo que a revolução da Rodrigues teve... ainda estamos a sofrer os danos negativos desse impacto.

Devia ser interdito aos ministros fazer revoluções. São assuntos demasiado sérios para se deixar ao sabor de pessoas que geralmente são escolhidas por questões de amizade e de lealdade política e raramente pela sua competência ou sequer bom senso, no sentido cartesiano do termo. Mas não, dizem-lhes que o sistema é o seu playground e podem brincar à vontade. Depois, muitos deles leram aquelas frases que dizem que é preciso pensar grande e fazer grande e desatam a fazer 'grandes grandiosidades' revolucionárias em moda... quando a moda muda, eles mudam com ela, impõem a moda a seguir e cá estamos nós para resolver os emaranhados e o lixo deixados pelas sucessivas modas. 

Evoluir não é fazer experiências de três em três ou quatro em quatro anos.

 

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publicado às 07:21

 

 

O modelo de organização das escolas criado pela Rodrigues, as traições dos sindicatos, a sua promiscuidade com o ME para onde se passam sempre que podem e a promiscuidade entre o ME, a Inspeção e os directores que ocupam, à vez, os lugares entre estes três organismos, como numa dança de cadeiras, proletarizaram os professores, deixaram-nos sozinhos à sua mercê e mataram a educação pública. Hoje em dia, todo o professor que queira manter a sua independência pedagógia e intelectual (protegida na lei) tem que estar disposto a sofrer bullying e a recorrer aos tribunais. Se uma pessoa dissesse as coisas que se passam e fazem nas escolas ninguém acreditava. Eu culpo a Rodrigues que foi quem destruiu o sistema mas, também todos os outros que se aproveitaram dessa porta estar aberta e pioraram aos poucos o sistema. Também me desgosta o medo das pessoas que as torna cúmplices da sua própria miséria.

Alexandra Leitão e a manipulação da opinião pública (Santana Castilho)

A principal função da escola pública, qual seja a de garantir oportunidades idênticas a todas as crianças e jovens, vem de há muito, seja o Governo da responsabilidade do PS ou do PSD, a desconsiderar os seus professores e a usar os mais variados mecanismos de desonestidade política para os proletarizar e escravizar. E a classe tem-se tornado numa classe de dependências, cada vez com maior dificuldade em compreender o valor da independência e pagar o seu custo. Dir-se-ia que a defesa da dignidade profissional e da independência intelectual dos professores virou masoquismo. Dir-se-ia que os professores, teoricamente livres, têm usado essa liberdade para permitirem que os condicionem a todo o tempo.

 

Com efeito, os professores constituem hoje uma espécie social cuja identidade e características dependem, cada vez mais, das atitudes que os governantes tomam em relação a eles. A deontologia profissional (por definir em sede de ECD), a dignidade profissional e a independência intelectual da classe cedem ante qualquer norma legal, por mais iníquo que seja o conteúdo e boçal a autoria. Inevitavelmente, quando se reflecte sobre esta circunstância, o desabafo de Harriet Tubman aplica-se-lhe como dilacerante ferrete: “Libertei mil escravos. Podia ter libertado outros mil se eles soubessem que eram escravos.”

 

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publicado às 18:52


Just saying... the obvious...

por beatriz j a, em 30.08.17

 

 

Todos os estudos mostram que as raparigas têm facilidade na linguagem e comunicação e que os rapazes têm dificuldades nessa mesma área. Mesmo que isto seja verdade*, a solução não é separarmos os exercícios e testes das raparigas e dos rapazes, dando-lhes a elas textos complexos com exercícios complexos e a eles, textos com a lista do supermercado para ir ao encontro das limitações da sua natureza. Pelo contrário, se naturalmente eles são piores em uma área, têm que trabalhá-la mais para a desenvolver. Da mesma maneira, a ser verdade que as raparigas têm menos aptidão para a orientação espacial, a solução pedagógica não é reforçar a dificuldade dando tarefas mais fáceis mas, justamente, compensar com estímulos o desenvolvimento. Óbvio, não?

 

*desconfio muito destes estudos que professam estas e outras petições de princípio dogmáticas acerca das capacidades femininas e masculinas; volta e meia dou-me ao trabalho de seguir os estudos até às fontes e à experimentação que lhes deu origem e o que vejo é que têm por base interpretações de experimentos já de si enviesados. Por exemplo, aqui há tempos estive a ler uma experiência feita por dois investigadores, homens, em que punham numa sala carrinhos, aviões e livros e deixavam as crianças escolher. Concluiram que as raparigas são melhores na linguagem porque escolhiam os livros e os rapazes gostam mais de explorar coisas porque escolhiam os aviões e os carros. Ora, é evidente, como diziam os revisores da experiência, que estes investigadores homens, escolheram 'coisas' que fazem já parte da educação dos rapazes, carros e aviões. Não sabem se, tendo posto lá dentro vestidos, bonecas e livros, as raparigas não se interessavam por desmanchar os vestidos e as bonecas (coisas) e os rapazes por ler os livros. Ou seja, os investigadores, homens, poluíram o estudo desde o início com as suas escolhas mas não se coibiram de tirar conclusões dogmáticas como se tivessem chegado a uma verdade.

 

Outro exemplo, no dia em que fui ao hospital levar a vacina, fui ao café. Estava lá uma mãe com dois filhos, uma rapariga e um rapaz, de idades de seis e sete anos ou por aí. Estavam a comer uma sandes e levantaram-se. A mãe diz para a rapariga, 'deixa-te estar sentada a comer. Uma senhora tem sempre classe.' Depois voltou-se para o rapaz e disse, 'podes ir explorar até ao elevador'. Estes reforços de estereótipo de género são constantes e penso que as pessoas nem se dão conta do que fazem mas estas coisas têm consequências no desenvolvimento das crianças.

 

Outro exemplo, não tenho nenhum sentido de orientação, mas é porque não conduzo, de modo que enquanto o/a condutor/a se preocupa com direcções e sentidos norte e sul, etc., eu vou a apreciar a paisagem, reparar nos monumentos, nas pessoas, na natureza, distraída a pensar em qualquer coisa, etc. Quer dizer, nunca estimulei isso em mim e, em geral, vou dar aos sítios, sem me perder, por intuição. Sou péssima a memorizar nomes de pessoas porque não faço o mínimo esforço. Todos os anos tenhos que pôr na cabeça centenas de nomes e caras de alunos e depois deitá-los fora e pôr outros novos. Não estou para gastar tempo e espaço de memória com coisas temporárias. Tenho técnicas para facilitar a memorização mas não valorizo essa habilidade de modo que não a desenvolvi e levo muito mais tempo que os colegas a saber o nome dos alunos.

 

É óbvio que a educação deve estimular e esticar ao máximo, se puder, as potencialidades (que são plásticas) e não reforçar as dificuldades. E quem anda no meio da educação, seja na escola, seja na editora que faz livros para a educação, se não percebe isso, dedique-se à pesca mas não estrague as possibilidades das pessoas.

 

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publicado às 15:06


Estes pais que nos tramam

por beatriz j a, em 29.08.17

 

 

Hoje fui ao hospital levar uma vacina. Estávamos lá umas nove pessoas na sala de espera quando entra uma mulher com o filho. O miúdo, com cerca de cinco anos, vinha com um jogo electrónico com o som altíssimo, uma música e uma voz tipo Mário, completamente irritante. Sentou-se numa mesinha de apoio em vez de sentar-se na cadeira, a falar à bebé (dizia 'fomiga' em vez de formiga e a mãe não o corrigia - isto é tão nocivo para o desenvolvimento da linguagem e do pensamento) com o jogo, sempre altíssimo. A mãe chamou-o, disse que não ia. Levantou-se a mãe e foi dar-lhe um iogurte à colher como se fosse um bebé, ela de joelhos no chão, ele a virar a cabeça. A mãe como se nada fosse.

Como não me cabe a mim educar pais mas aquilo estava a incomodar-me imenso -mais a atitude da mãe que a do puto- levantei-me e fui esperar para o corredor onde não o ouvia. Passados cinco minutos já estávamos seis no corredor. O puto ia-nos expulsando da sala, um a um.

São estes pais que nos tramam: quando este miúdo chegar a uma sala de aulas só vai dar problemas em virtude de ninguém lhe ter ensinado competências básicas de sociabilidade ou lhe ter incutido um mínimo de regras e disciplina, alguma resistência à frustração...; enfim, quem se trama é o professor que o apanhar porque vai ter que trabalhar contra a mãe para o educar minimamente nessas áreas, muito antes de o poder instruir. Agora imagine-se uma turma com uma mão cheia destes...

 

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publicado às 14:52

  

... mas é melhor não mexer nisso agora... 

 

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publicado às 19:30


Educação - primeira nota

por beatriz j a, em 13.07.17

 

 

... antes que venha aí a prisão da classificação da segunda fase dos exames porque assim que entrar de férias vou tirar a escola da cabeça. 

 

'Metadiálogos' de Gregory Bateson é um dos meus livros preferidos e uso-me muito dele para certas aulas. São sete pequeninos diálogos entre um pai e uma filha, acerca de temas complexos, abordados de um modo extraordinariamente simples e elucidativo. Um dos que mais gosto é sobre o conceito de entropia e começa com a filha a perguntar ao pai, Papá, porque é que as coisas se desarrumam? (quem o quiser ler pode fazê-lo aqui).

 

Lembro-me sempre dele à conta das reformas da educação: é que na educação, é muito difícil construir e muito fácil destruir e, de há muitos anos para cá, de cada vez que se mexe, desarruma-se um pouco mais. Agora vem ai um grande desarrumo curricular. As escolas passam a definir 25% do currículo, no ensino básico, de certas disciplinas, a sua carga horária e até podem 'inventar' disciplinas. Isso seria muito bem não fosse o sistema directivo que está em vigor desde a Rodrigues. Um sistema indutor de vícios.

 

O que vai passar-se é o seguinte:

- as disciplinas com reforço vão ser aquelas que são objecto de avaliação externa e usadas como específicas para os cursos: Português, Matemática e História. 

- A disciplina de Educação Cívica vai ser o que foi no passado: um tempo morto e inútil (como já foi no passado) que os directores vão usar para dar horários a pessoas à sua escolha (como já foi no passado). Educação Cívica devia ser uma prática de todas as disciplinas e da escola enquanto organização, associadas a uma ética de trabalho da qual os alunos aprenderiam por modelagem social e uma prática diária da vida quotidiana escolar e não uma disciplina à parte.

- Os 25% do currículo bem como as disciplinas que pode introduzir-se vão servir para dar horas aos amigos do chefe em projectos sem utilidade para alunos ou, até, que os prejudicam, como agora acontece.

- Entretanto as disciplinas que ficam desfalcadas de 25% do tempo, vão cumprir programas como e quando? Todos que sabem como as coisas são feitas nas escolas, as 'ideias', as experiências e achismos que por lá grassam, a ausência de colaboração entre professores, os amigos e os outros, etc, só podem assutar-se com mais esta -quadragésima?- reforma educativa.

 

O problema de se arrumar a partir de um conhecimento meramente conceptual das estruturas está em assumir uma certa ordem que não é correcta e acabar por desarrumar o que estava arrumado sem nenhum ganho. Um pouco como os médicos de há uns séculos que assumiam, conceptualmente, que se passavam certas dinâmicas no corpo e sangravam as pessoas até à morte, com a melhor das intenções. É assim que na educação se vai destruindo irresponsavelmente, o que levou muito tempo a construir.

 

 

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publicado às 17:45

 

Analysis of official figures shows 27,500 teachers who trained between 2011 and 2015 had already left job by last year.

“Teachers are leaving our classrooms in record numbers, and the crisis is getting worse year after year. We are now at the point that more teachers are leaving than staying,” she said. “The government has serious questions to answer on the impact of their policies such as the continued cap on public sector pay, and their failure to tackle the issues like excessive workload that affect teachers in the classroom.

Recent analysis by the Education Policy Institute found teachers in England are working longer hours on average than in most other countries. Full time teachers in England reported working 48.2 hours a week on average, including evenings and weekends.

 

As coisas chegam sempre cá com um atraso de anos, mas chegam. Algumas já chegaram, como esta de uma pessoa ter que trabalhar fins de semana, haver excesso de papelada inútil, haver professores com uma turma e outros com dez, a instabilidade de quem começa e sabe que vai ficar 10 ou 20 anos a andar de bolandas de um sítio para outro...

 

Cá as coisas vão piorar muito com esta reforma (a 25ª...) que aí vem, que é uma reforma cujos termos mostram que o ministro, o secretário de Estado e os que os rodeiam não fazem ideia de como as coisas funcionam nas escolas, quem são as pessoas que lá estão e o que fazem, nem querem saber. De modo que, havemos de chegar a este ponto em que a Inglaterra e os EUA já estão.

 

 

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publicado às 16:11

 

Professora que divulgou exame de Português já terá sido identificada

De acordo com o jornal, a fonte foi uma professora de uma escola pública da Grande Lisboa que participa no processo de elaboração e revisão das provas há vários anos.

 

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, já garantiu entretanto que o exame de Português do 12.º ano, não vai ser anulado. Mas caso se confirme que houve uma fuga de informação, "o ministério agirá civil, disciplinar e criminalmente contra o seu autor ou autores.

 

E todos os alunos que cometeram fraude? Vão poder beneficiar da fraude? Ou não interessa que uns alunos consigam entrar para as faculdades por fraude e outros fiquem excluídos de entrar por terem sido ultrapassados pelos fraudulentos? Mais um ministro cobarde que manda de recado aos alunos, que o importante nos exames e na vida não é conseguir objectivos com empenho, valor e esforço mas com manha e burla e que o problema aqui não é a fraude em si mas não terem tido cuidado. 

Portugal é isto... depois fazem papéis com reformas curriculares com disciplinas de formação cívica... mas são os primeiros a dar o exemplo negativo... lol

 

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publicado às 15:58

 

Alunos pobres chumbam duas a três vezes mais

 

Pensam nos alunos como unidades de custos. Pensam nos professores (os que podem fazer a diferença) como unidades de custos a quem se pode ir buscar dinheiro para tapar os calotes da banca. Dão a tutela do ministério a qualquer um que lhe apeteça fazer experiências e depois chegam a estas conclusões lancinantes que todos que estamos lá no terreno sabemos há décadas... 

 

 

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publicado às 18:57


É isto...

por beatriz j a, em 28.04.17

 

 

Há pouco tempo, num inquérito feito a professores, já não lembro por quem, mas recordo que tinha a ver com a indisciplina nas escolas, os resultados mostraram que a esmagadora maioria dos professores tem como prioridade conseguir que os alunos gostem de si. Para que isso aconteça, têm que não incomodá-los muito, ser porreiraços, compinchas, etc. É claro que sacrificam o interesse dos alunos.

 

Uns fazem-no por ignorância. São aqueles que dizem, 'epá, que interessa, mais trabalho menos trabalho, ou que eles não façam isto ou aquilo ou que tenham cometido fraudes... isto aqui não é a tropa, o que importa é sermos amigos e estarmos bem e sobretudo que eles estejam felizes e tal'. Parece-me isto uma enorme falta de respeito pelos alunos. É não perceber que são pessoas, que têm potencialidades que nunca vão concretizar se não os incomodarmos um bocado de maneira a que eles as descubram e se superem. Estes são geralmente os que enchem a boca com palavras como democracia, igualdade, vão para as manifestações gritar por direitos, etc., mas não percebem que não fazem a sua parte para que os miúdos, de facto, tenham na escola uma oportunidade de superar o mau lugar de partida que a vida lhes reservou. São a maioria, como dizia os resultados do tal inquérito, querem é que os alunos gostem deles. 

 

Depois há os que o fazem por cobardia. São aqueles que dizem, 'epá, lixa-te nisso, ninguém te paga para isso. Já viste as condições em que trabalhamos? Vais arranjar chatices... para quê? Se o indivíduo/a não quer fazer ou quer desistir, deixa-o ir. Cada um sabe de si'. Ora, é evidente que os miúdos, mesmo aos 18 anos, muitas vezes não sabem o que é melhor, querem é o mais fácil ou querem fugir dos problemas. Os cobardes são especialistas em fazer tudo segundo as regras sem fazer nada que incomode alguma vez alguém, pois o seu interesse é estar bem com todos ao mesmo tempo, não ter chatices e manter os privilégios intactos.

 

O problema é que uma pessoa não anda ali só para despejar matéria ou para cumprir calendário e ganhar uma porcaria de salário não é justificação para tudo e mais alguma coisa. Há alunos que precisam mesmo de ser incomodados, precisam de um empurrão para evoluir, sem o qual saem da escola mais ou menos como entraram, com os mesmos problemas e dificuldades. Uma pessoa vai desenvolvendo um trabalho que por um lado constrói confiança mas por outro força a dar o passo em frente. E depois vem alguém e deixa-os fugir.

Dantes, na escola pré-Rodrigues, os professores colaboravam uns com os outros para os alunos superarem dificuldades, mas na escola pós-Rodrigues, isso só existe por acaso, se porventura, num sítio, coincidirem várias pessoas que não tenham uma visão cobarde ou miserabilista dos alunos e da educação. É rara essa coincidência. A colaboração foi substituída pela interferência. Toda a gente vê o seu cargo como uma oportunidade de exercer poder e interferir. Espírito colaborativo e respeito são miragens de outra época. 

O que mais me chateia nisto tudo é ser tão estúpida que me esqueço completamente que estamos na era pós-Rodrigues, que não posso contar que haja respeito, interesse pelos alunos e colaboração generalizados e que é preciso sempre tomar precauções para evitar estragos. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!

 

 

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publicado às 14:40

 

 

'They Taught Us How To Decapitate a Person'

For over two years, Islamic State controlled the Iraqi city of Mosul, including its schools. Now that the U.S.-led coalition has pushed the Islamists out, the city's teachers face a dilemma: How do you reshape the minds of children who were taught to fight and kill?

 

 

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publicado às 06:54


A educação sem ética é um mero negócio

por beatriz j a, em 30.03.17

 

 

Hoje soube que um aluno/aluna, numa aula de Matemática em que se fazia teste, tirou fotografia do teste, enviou para um colega que enviou para o explicador, que resolveu o teste e enviou a fotografia do teste resolvido para o colega que o enviou para o aluno/aluna na sala de aula... o professor deu conta do aluno/aluna estar a usar o telemóvel e foi assim que se descobriu tudo. Há aqui tanta coisa tão grave que nem sabemos por onde começar mas a pior de todas é o explicador ter sido cúmplice activo da fraude. Merecia uma queixa... Os alunos copiarem assim ou de modos idênticos, agora, é pão nosso de cada dia. No mês passado houve outro caso de copianço com telemóveis e fotografias de testes que envolveu três alunos. No ano passado houve um caso gravíssimo de roubo de testes que envolveu uma turma inteira com os respectivos pais.

 

Em Portugal não se valoriza a fraude como coisa grave o que não espanta porque a cultura de fraudes, falcatruas, mentiras, calotes e afins vem de cima dos responsáveis pelos cargos mais altos do país e depois é imitada pelos outros por aí abaixo. Estes alunos que cometem fraude nas aulas são os que hão-de cometer fraudes na vida profissional adulta. Mas nas escolas imensa gente não percebe ou finge não perceber isso e acha que o copianço é uma espécie de fair game, que faz parte de ser aluno. Só que não faz. Faz parte de ser desonesto. E, tal como na política, a educação sem ética é mero negócio.

 

 

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publicado às 17:02


Por todo o lado a decadência da educação

por beatriz j a, em 24.03.17

 

The Academy’s Assault on Intellectual Diversity

But things have gotten out of hand. The desire to cleanse the campus of dissident voices has become something of a mission. Shaming, scapegoating, and periodic ritual exorcisms are a prime feature of campus life. 

 

The puerile notion that only those who are powerful and secure will ever feel entitled to speak out is one of those unfortunate assumptions promoted by those who want to be protected from actually having to confront controversy or discomfort.

 

The word "tyranny" is perhaps just a bit extravagant as a description of tendencies at work in the contemporary academy, and yet, when we speak of the attempt to create a total culture, dedicated to promoting a perfect consensus, we may well feel that we are confronting a real and present danger. The danger that context and complexity will count for nothing when texts or speech acts become triggers for witch hunts, and that wit and irony will be regarded as deplorable deviations from standard protocol. "Tyrants always want language and literature that is easily understood," Theodor Haecker observes.

 

 

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publicado às 06:29


Querer uma coisa e o seu contrário...

por beatriz j a, em 15.03.17

 

 

The Marines Nude Photo Scandal Just Took a Turn for the Worse

 

 

 

Esta vergonha que se passa no meio militar dos EUA só surpreende quem não está acordado. Por todo o lado, no planeta, a esmagadora maioria dos rapazes são educados, desde que nascem, para serem agressivos, dominadores e sexualmente ofensivos. Ensinam-lhes que as mulheres são inferiores justamente por não exibirem esses comportamentos. Os pais reforçam, com orgulho, os comportamentos violentos dos filhos masculinos, sobretudo os de teor sexual. Quase todas as actividades masculinas incentivadas pelos pais envolvem agressividade e todas as que não envolvem são consideradas efeminadas, sendo que a palavra efeminado tem uma conotação negativa, inferior, não máscula. Depois a cultura militar ainda refina mais essa educação para a violência e para a ofensa sexual. Quem é que pode admirar-se que os homens, educados nesses modelos de vida e de relacionamento social tenham estes comportamentos de total desrespeito pelas colegas?

 

Outro dia a propósito de estar a dar teorias acerca da aprendizagem, na Psicologia, passei o vídeo da experiência do Bandura que defendia, simplificando, que aprendemos comportamentos imitando os nossos modelos sociais (pais, irmãos, profs, etc.). A certa altura a experiência mostra um grupo de crianças depois de observar um filme onde adultos são agressivos com um boneco a fazerem exactamente o que viram o adulto fazer e até mais. A turma ficou espantada porque não esperavam que as miúdas fossem tão agressivas quanto os rapazes. Achavam que os rapazes estão destinados a ser violentos por causa da testosterona e as raparigas a serem dóceis por causa do instinto maternal... lol

 

Antes de ontem li isto que me pareceu uma prisão virtual, 

Men are performing for an invisible authority, the Department of Masculinity. We never know when we are being observed, so we constantly keep watch on ourselves and each other; we guard the boundaries of the role. We are all the authority figure and the prisoner. (Grayson Perry)

 

 

Querem ter filhos agressivos e sexualmente promíscuos e dão-lhes um exemplo de objectificação das mulheres e depois não querem que eles sejam... agressivos, sexualmente promíscuos e querem que tenham respeito pelas colegas mulheres...

 

A educação, a educação...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:59

g.a


3-8-12



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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