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... mas é melhor não mexer nisso agora... 

 

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publicado às 19:30


Educação - primeira nota

por beatriz j a, em 13.07.17

 

 

... antes que venha aí a prisão da classificação da segunda fase dos exames porque assim que entrar de férias vou tirar a escola da cabeça. 

 

'Metadiálogos' de Gregory Bateson é um dos meus livros preferidos e uso-me muito dele para certas aulas. São sete pequeninos diálogos entre um pai e uma filha, acerca de temas complexos, abordados de um modo extraordinariamente simples e elucidativo. Um dos que mais gosto é sobre o conceito de entropia e começa com a filha a perguntar ao pai, Papá, porque é que as coisas se desarrumam? (quem o quiser ler pode fazê-lo aqui).

 

Lembro-me sempre dele à conta das reformas da educação: é que na educação, é muito difícil construir e muito fácil destruir e, de há muitos anos para cá, de cada vez que se mexe, desarruma-se um pouco mais. Agora vem ai um grande desarrumo curricular. As escolas passam a definir 25% do currículo, no ensino básico, de certas disciplinas, a sua carga horária e até podem 'inventar' disciplinas. Isso seria muito bem não fosse o sistema directivo que está em vigor desde a Rodrigues. Um sistema indutor de vícios.

 

O que vai passar-se é o seguinte:

- as disciplinas com reforço vão ser aquelas que são objecto de avaliação externa e usadas como específicas para os cursos: Português, Matemática e História. 

- A disciplina de Educação Cívica vai ser o que foi no passado: um tempo morto e inútil (como já foi no passado) que os directores vão usar para dar horários a pessoas à sua escolha (como já foi no passado). Educação Cívica devia ser uma prática de todas as disciplinas e da escola enquanto organização, associadas a uma ética de trabalho da qual os alunos aprenderiam por modelagem social e uma prática diária da vida quotidiana escolar e não uma disciplina à parte.

- Os 25% do currículo bem como as disciplinas que pode introduzir-se vão servir para dar horas aos amigos do chefe em projectos sem utilidade para alunos ou, até, que os prejudicam, como agora acontece.

- Entretanto as disciplinas que ficam desfalcadas de 25% do tempo, vão cumprir programas como e quando? Todos que sabem como as coisas são feitas nas escolas, as 'ideias', as experiências e achismos que por lá grassam, a ausência de colaboração entre professores, os amigos e os outros, etc, só podem assutar-se com mais esta -quadragésima?- reforma educativa.

 

O problema de se arrumar a partir de um conhecimento meramente conceptual das estruturas está em assumir uma certa ordem que não é correcta e acabar por desarrumar o que estava arrumado sem nenhum ganho. Um pouco como os médicos de há uns séculos que assumiam, conceptualmente, que se passavam certas dinâmicas no corpo e sangravam as pessoas até à morte, com a melhor das intenções. É assim que na educação se vai destruindo irresponsavelmente, o que levou muito tempo a construir.

 

 

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publicado às 17:45

 

Analysis of official figures shows 27,500 teachers who trained between 2011 and 2015 had already left job by last year.

“Teachers are leaving our classrooms in record numbers, and the crisis is getting worse year after year. We are now at the point that more teachers are leaving than staying,” she said. “The government has serious questions to answer on the impact of their policies such as the continued cap on public sector pay, and their failure to tackle the issues like excessive workload that affect teachers in the classroom.

Recent analysis by the Education Policy Institute found teachers in England are working longer hours on average than in most other countries. Full time teachers in England reported working 48.2 hours a week on average, including evenings and weekends.

 

As coisas chegam sempre cá com um atraso de anos, mas chegam. Algumas já chegaram, como esta de uma pessoa ter que trabalhar fins de semana, haver excesso de papelada inútil, haver professores com uma turma e outros com dez, a instabilidade de quem começa e sabe que vai ficar 10 ou 20 anos a andar de bolandas de um sítio para outro...

 

Cá as coisas vão piorar muito com esta reforma (a 25ª...) que aí vem, que é uma reforma cujos termos mostram que o ministro, o secretário de Estado e os que os rodeiam não fazem ideia de como as coisas funcionam nas escolas, quem são as pessoas que lá estão e o que fazem, nem querem saber. De modo que, havemos de chegar a este ponto em que a Inglaterra e os EUA já estão.

 

 

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publicado às 16:11

 

Professora que divulgou exame de Português já terá sido identificada

De acordo com o jornal, a fonte foi uma professora de uma escola pública da Grande Lisboa que participa no processo de elaboração e revisão das provas há vários anos.

 

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, já garantiu entretanto que o exame de Português do 12.º ano, não vai ser anulado. Mas caso se confirme que houve uma fuga de informação, "o ministério agirá civil, disciplinar e criminalmente contra o seu autor ou autores.

 

E todos os alunos que cometeram fraude? Vão poder beneficiar da fraude? Ou não interessa que uns alunos consigam entrar para as faculdades por fraude e outros fiquem excluídos de entrar por terem sido ultrapassados pelos fraudulentos? Mais um ministro cobarde que manda de recado aos alunos, que o importante nos exames e na vida não é conseguir objectivos com empenho, valor e esforço mas com manha e burla e que o problema aqui não é a fraude em si mas não terem tido cuidado. 

Portugal é isto... depois fazem papéis com reformas curriculares com disciplinas de formação cívica... mas são os primeiros a dar o exemplo negativo... lol

 

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publicado às 15:58

 

Alunos pobres chumbam duas a três vezes mais

 

Pensam nos alunos como unidades de custos. Pensam nos professores (os que podem fazer a diferença) como unidades de custos a quem se pode ir buscar dinheiro para tapar os calotes da banca. Dão a tutela do ministério a qualquer um que lhe apeteça fazer experiências e depois chegam a estas conclusões lancinantes que todos que estamos lá no terreno sabemos há décadas... 

 

 

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publicado às 18:57


É isto...

por beatriz j a, em 28.04.17

 

 

Há pouco tempo, num inquérito feito a professores, já não lembro por quem, mas recordo que tinha a ver com a indisciplina nas escolas, os resultados mostraram que a esmagadora maioria dos professores tem como prioridade conseguir que os alunos gostem de si. Para que isso aconteça, têm que não incomodá-los muito, ser porreiraços, compinchas, etc. É claro que sacrificam o interesse dos alunos.

 

Uns fazem-no por ignorância. São aqueles que dizem, 'epá, que interessa, mais trabalho menos trabalho, ou que eles não façam isto ou aquilo ou que tenham cometido fraudes... isto aqui não é a tropa, o que importa é sermos amigos e estarmos bem e sobretudo que eles estejam felizes e tal'. Parece-me isto uma enorme falta de respeito pelos alunos. É não perceber que são pessoas, que têm potencialidades que nunca vão concretizar se não os incomodarmos um bocado de maneira a que eles as descubram e se superem. Estes são geralmente os que enchem a boca com palavras como democracia, igualdade, vão para as manifestações gritar por direitos, etc., mas não percebem que não fazem a sua parte para que os miúdos, de facto, tenham na escola uma oportunidade de superar o mau lugar de partida que a vida lhes reservou. São a maioria, como dizia os resultados do tal inquérito, querem é que os alunos gostem deles. 

 

Depois há os que o fazem por cobardia. São aqueles que dizem, 'epá, lixa-te nisso, ninguém te paga para isso. Já viste as condições em que trabalhamos? Vais arranjar chatices... para quê? Se o indivíduo/a não quer fazer ou quer desistir, deixa-o ir. Cada um sabe de si'. Ora, é evidente que os miúdos, mesmo aos 18 anos, muitas vezes não sabem o que é melhor, querem é o mais fácil ou querem fugir dos problemas. Os cobardes são especialistas em fazer tudo segundo as regras sem fazer nada que incomode alguma vez alguém, pois o seu interesse é estar bem com todos ao mesmo tempo, não ter chatices e manter os privilégios intactos.

 

O problema é que uma pessoa não anda ali só para despejar matéria ou para cumprir calendário e ganhar uma porcaria de salário não é justificação para tudo e mais alguma coisa. Há alunos que precisam mesmo de ser incomodados, precisam de um empurrão para evoluir, sem o qual saem da escola mais ou menos como entraram, com os mesmos problemas e dificuldades. Uma pessoa vai desenvolvendo um trabalho que por um lado constrói confiança mas por outro força a dar o passo em frente. E depois vem alguém e deixa-os fugir.

Dantes, na escola pré-Rodrigues, os professores colaboravam uns com os outros para os alunos superarem dificuldades, mas na escola pós-Rodrigues, isso só existe por acaso, se porventura, num sítio, coincidirem várias pessoas que não tenham uma visão cobarde ou miserabilista dos alunos e da educação. É rara essa coincidência. A colaboração foi substituída pela interferência. Toda a gente vê o seu cargo como uma oportunidade de exercer poder e interferir. Espírito colaborativo e respeito são miragens de outra época. 

O que mais me chateia nisto tudo é ser tão estúpida que me esqueço completamente que estamos na era pós-Rodrigues, que não posso contar que haja respeito, interesse pelos alunos e colaboração generalizados e que é preciso sempre tomar precauções para evitar estragos. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!

 

 

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publicado às 14:40

 

 

'They Taught Us How To Decapitate a Person'

For over two years, Islamic State controlled the Iraqi city of Mosul, including its schools. Now that the U.S.-led coalition has pushed the Islamists out, the city's teachers face a dilemma: How do you reshape the minds of children who were taught to fight and kill?

 

 

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publicado às 06:54


A educação sem ética é um mero negócio

por beatriz j a, em 30.03.17

 

 

Hoje soube que um aluno/aluna, numa aula de Matemática em que se fazia teste, tirou fotografia do teste, enviou para um colega que enviou para o explicador, que resolveu o teste e enviou a fotografia do teste resolvido para o colega que o enviou para o aluno/aluna na sala de aula... o professor deu conta do aluno/aluna estar a usar o telemóvel e foi assim que se descobriu tudo. Há aqui tanta coisa tão grave que nem sabemos por onde começar mas a pior de todas é o explicador ter sido cúmplice activo da fraude. Merecia uma queixa... Os alunos copiarem assim ou de modos idênticos, agora, é pão nosso de cada dia. No mês passado houve outro caso de copianço com telemóveis e fotografias de testes que envolveu três alunos. No ano passado houve um caso gravíssimo de roubo de testes que envolveu uma turma inteira com os respectivos pais.

 

Em Portugal não se valoriza a fraude como coisa grave o que não espanta porque a cultura de fraudes, falcatruas, mentiras, calotes e afins vem de cima dos responsáveis pelos cargos mais altos do país e depois é imitada pelos outros por aí abaixo. Estes alunos que cometem fraude nas aulas são os que hão-de cometer fraudes na vida profissional adulta. Mas nas escolas imensa gente não percebe ou finge não perceber isso e acha que o copianço é uma espécie de fair game, que faz parte de ser aluno. Só que não faz. Faz parte de ser desonesto. E, tal como na política, a educação sem ética é mero negócio.

 

 

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publicado às 17:02


Por todo o lado a decadência da educação

por beatriz j a, em 24.03.17

 

The Academy’s Assault on Intellectual Diversity

But things have gotten out of hand. The desire to cleanse the campus of dissident voices has become something of a mission. Shaming, scapegoating, and periodic ritual exorcisms are a prime feature of campus life. 

 

The puerile notion that only those who are powerful and secure will ever feel entitled to speak out is one of those unfortunate assumptions promoted by those who want to be protected from actually having to confront controversy or discomfort.

 

The word "tyranny" is perhaps just a bit extravagant as a description of tendencies at work in the contemporary academy, and yet, when we speak of the attempt to create a total culture, dedicated to promoting a perfect consensus, we may well feel that we are confronting a real and present danger. The danger that context and complexity will count for nothing when texts or speech acts become triggers for witch hunts, and that wit and irony will be regarded as deplorable deviations from standard protocol. "Tyrants always want language and literature that is easily understood," Theodor Haecker observes.

 

 

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publicado às 06:29


Querer uma coisa e o seu contrário...

por beatriz j a, em 15.03.17

 

 

The Marines Nude Photo Scandal Just Took a Turn for the Worse

 

 

 

Esta vergonha que se passa no meio militar dos EUA só surpreende quem não está acordado. Por todo o lado, no planeta, a esmagadora maioria dos rapazes são educados, desde que nascem, para serem agressivos, dominadores e sexualmente ofensivos. Ensinam-lhes que as mulheres são inferiores justamente por não exibirem esses comportamentos. Os pais reforçam, com orgulho, os comportamentos violentos dos filhos masculinos, sobretudo os de teor sexual. Quase todas as actividades masculinas incentivadas pelos pais envolvem agressividade e todas as que não envolvem são consideradas efeminadas, sendo que a palavra efeminado tem uma conotação negativa, inferior, não máscula. Depois a cultura militar ainda refina mais essa educação para a violência e para a ofensa sexual. Quem é que pode admirar-se que os homens, educados nesses modelos de vida e de relacionamento social tenham estes comportamentos de total desrespeito pelas colegas?

 

Outro dia a propósito de estar a dar teorias acerca da aprendizagem, na Psicologia, passei o vídeo da experiência do Bandura que defendia, simplificando, que aprendemos comportamentos imitando os nossos modelos sociais (pais, irmãos, profs, etc.). A certa altura a experiência mostra um grupo de crianças depois de observar um filme onde adultos são agressivos com um boneco a fazerem exactamente o que viram o adulto fazer e até mais. A turma ficou espantada porque não esperavam que as miúdas fossem tão agressivas quanto os rapazes. Achavam que os rapazes estão destinados a ser violentos por causa da testosterona e as raparigas a serem dóceis por causa do instinto maternal... lol

 

Antes de ontem li isto que me pareceu uma prisão virtual, 

Men are performing for an invisible authority, the Department of Masculinity. We never know when we are being observed, so we constantly keep watch on ourselves and each other; we guard the boundaries of the role. We are all the authority figure and the prisoner. (Grayson Perry)

 

 

Querem ter filhos agressivos e sexualmente promíscuos e dão-lhes um exemplo de objectificação das mulheres e depois não querem que eles sejam... agressivos, sexualmente promíscuos e querem que tenham respeito pelas colegas mulheres...

 

A educação, a educação...

 

 

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publicado às 19:59


Mais uma reforma na educação?

por beatriz j a, em 18.02.17

 

 

Esta representação do currículo é interessante, sobretudo porque não hierarquiza; contudo, estas vertentes já se trabalham na escola de modo que o que vai mudar é o 'como' e o 'quando'. Equilibrar o currículo parece-me bem. Restaurar a área de interdisciplinaridade também é interessante. Já a questão da Formação Cívica ser uma disciplina não concordo e certas áreas irem buscar 25% do tempo do currículo parece-me muito problemático.

Agora, se tudo isto vai acontecer sem alteração de outros aspectos da organização da escola, do número de alunos por turma, etc., vai ser mais uma reforma... já nos habituámos a ter uma reforma de 4 em 4 anos e houve alturas em que as reformas até eram mais frequentes, lá para o fim do outro século. Já perdemos a conta das reformas que aplicámos. Nós aqui somos os aplicadores. Não tem sido bom.

Finalmente, li no jornal que o secretário de Estado falou em nome pessoal [“Tenho de emagrecer o currículo actual e fazer um reequilíbrio entre áreas”] como se a reforma fosse obra dele, o que achei curioso mas, talvez seja uma má citação do jornal; li também que tem reunido com c. pedagógicos e aqui não percebi o objectivo disso tendo em conta que os c. pedagógicos hoje em dia representam-se a si próprios e aos directores. A não ser que tenha reunido para endoutriná-los a endoutrinar... não percebi, mas pronto, se calhar falta-me esperteza para perceber estas coisas.

Governo vai mudar currículo das escolas

 

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publicado às 18:22

 

 

Revolta docente contra vinculação

Centenas de professores mais experientes fora do quadro.

 

A certa altura até falar sobre as políticas de educação desmoraliza. Estava a olhar para a coluna à direita aqui do blog. Comecei-o em 2008 justamente para denunciar as políticas da Mª de Lurdes Rodrigues, essa ministra que escolheu o caminho da destruição da educação num momento crucial em que havia muitas possibilidades positivas. Já lá vão muitos anos a escrever sobre educação (outros blogues que se dedicam a escrever sobre educação ainda têm mais anos disto que eu) sem que nada do que é importante mude para melhor porque quem veio depois dela construiu erros e vícios sobre erros e vícios que ela deixou na escola. Nós sabemos que as pessoas lêem os blogues mas a verdade é que não mudam nada. E isso também é desmoralizante. Ou se calhar sou só eu que hoje estou desmoralizada, sei lá.

 

 

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publicado às 12:58


Acerca do que mais importa na educação

por beatriz j a, em 07.01.17

 

 

  The Early Catastrophe é o nome de um estudo de Hart & Risley já com uns bons anos, acerca do desenvolvimento da linguagem nas crianças. Acompanharam bébés entre os sete meses e os três anos em quarenta e tal famílias e o que fizeram foi gravar as conversações quotidianas entre eles.

O estudo mostra que na idade dos três anos, quando entram para a pré-primária, as crianças de famílias com um melhor nível de linguagem, que não reduzem a conversa a ordens e informações mas que falam de assuntos variados, lêem para os filhos, argumentam, etc., têm um nível de vocabulário enormemente superior às outras -cerca de 30 milhões de palavras a mais que as outras-, constroem frases longas e complexas e que esse vocabulário que já têm aos três anos está relacionado com a qualidade da leitura aos nove anos de idade. Também viram que essas crianças recebem cerca de 400 mil encorajamentos a mais que as outras e têm um QI 25 pontos superior à das outras. Estas diferenças são duradouras e mostram que a qualidade da experiência das crianças em idades muito precoces está ligada ao desenvolvimento cognitivo, da linguagem, literacia, etc.

 

Para quem dúvida que a classe social/nível académico dos pais tem mais influência no sucesso escolar e que não pode ler-se os rankings das escolas sem contexto e para que se perceba o erro do Crato ao querer reduzir os currículos ao básico e essencial pois para os alunos que têm contextos ricos de estimulação isso não faz grande diferença mas para os que não o têm é uma espécie de 'doomslife'

 

Outro estudo mostra a importância dos contextos ricos em idades precoces ainda de modo mais dramático porque o cérebro das crianças nos primeiros cinco anos especializa-se, quer dizer, sofre um processo de 'poda' em que elimina as ligações neuronais que não são usadas com frequência. A plasticidade do cérebro que é a capacidade do cérebro se organizar adaptativamente ao meio, leva a reforçar as ligações que são mais frequentes, não as melhores. Uma criança com poucos anos tem cerca de dez vezes mais ligações neuronais que um adulto como se vê neste pequeno vídeo. Daí que a riqueza e a diversidade da estimulação inicial sejam cruciais.

 

Há um estudo feito em França com dois grupos de crianças de classes socias baixas em que um dos grupos é constituído por filhos de mães que consumiram cocaína durante a gravidez, o que danificou o seu cérebro de bebés. Apesar disso, aos quatro anos de idade, não havia grande diferença de desenvolvimento cognitivo entre estes dois grupos de crianças o que mostra a extraordinária plasticidade do cérebro. No entanto, havia uma grande diferença entre estes dois grupos de crianças e um grupo de crianças de um meio privilegiado, ou seja, o factor, meio social rico em estimulação, pesou muito mais que o factor da cocaína no desenvolvimento do cérebro.

 

Fala-se em liberdade de escolha, em professores assim ou assado, uso de tecnologias e o diabo a nove mas o que mais conta é um meio (o que inclui também educadores, professores) estimulante e rico na linguagem e nas experiências porque o cérebro é vulnerável a um meio redutor que o induz a uma especialização demasiado cedo.

 

 

 

 

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publicado às 17:11


Pensamento mágico

por beatriz j a, em 07.12.16

 

Mais de 40% dos professores das escolas públicas têm 50 ou mais anos de idade

 

... aumento do absentismo docente...

 

Professores exaustos - Quase um terço dos professores do básico e secundário estão em burnout

Inquérito do ISPA revela que a percentagem de professores que se sentem exaustos e sem sentimentos de realização profissional é superior à registada noutros países

 

Como é que estes factos se coadunam, sem contradição, com os resultados do PISA? Acho que isto devia pôr as pessoas a pensar porque não pode acontecer, ao mesmo tempo, os professores estarem em burnout e com depressões (quando fui à consulta do sono, assim que disse à médica que era professora ela assumiu imediatamente que estava com uma depressão, tal não é o número...), terem mais de 50 anos e andarem exaustos por terem-lhes aumentado o número de turmas, alunos, burocracias, etc., terem aumentado o absentismo e, por magia, só por o senhor Crato ter introduzido exames, os alunos e os professores passarem a ter bons resultados no espaço de três anos... pensar que estes factores tão contraditórios se explicam pela introdução de um único factor que depende de factores opostos aos que estas notícias dizem, é pensamento mágico... querer muito acreditar que um só factor tem o poder mágico de anular todos os outros negativos. Uma espécie de super-homem salvador. É assim como o primeiro-ministro achar que o aumento do consumo resolve todos os problemas da economia...

Todos temos a tentação do pensamento mágico - outro dia uma médica disse-me que se calhar a minha insónia se devia a falta de ferro e mandou-me fazer análises e eu, que há meses que não comia carnes vermelhas, saí da consulta e fui comprar um bife para comer, como se, por magia, um bife resolvesse todos os problemas... acontece que as análises mostraram que não tinha falta de ferro... evidentemente, não me passa pela cabeça considerar que foi por esse único bife que comi que fiquei com o ferro normal no organismo. Pois estas análises eufóricas destes resultados do PISA a considerar que a introdução dos exames teve um poder mágico de tudo mudar em três anos, são uma espécie de bife mágico da educação. É preciso ser muito ingénuo para ignorar todos os problemas que afectam a educação e acreditar que os padrões mudam assim como que por magia por causa de uma única variável. Mas, podiam dizer-me: que interessa qual foi a causa, se melhorámos? Porque não ficar contente? Porque se não melhorámos por esta causa mas por outras quaisquer e continuamos a apostar na mesma -crentes que é a correcta e suficiente- estaremos a trabalhar para o fracasso, mais cedo que tarde. É por isso que na ciência não se aprovam relações de causalidade sem um estudo adequado das variáveis em questão. Para não se correr o risco de pensarmos que é o factor 'x' que cura a doença, introduzirmo-lo no comprimido e acabarmos a matar o doente.

 

 

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publicado às 12:00


Acerca dos resultados do PISA

por beatriz j a, em 06.12.16

 

 

Estamos todos satisfeitos com estes resultados como é evidente. No entanto, não partilho da euforia que para aí vai nem tenho a certeza, como outros parecem ter, das razões destes resultados se deverem a ministros que só fizeram asneiras. De modo que, gostava de ver uma interpretação dos resultados abrangente, contextualizada e inteligente e não apenas uma comparação entre anos e países descontextualizada e com dados brutos.

 

Não acredito na razão dos bons resultados se deverem a exigência de exames defendida pelos Cratinos porque sei o que isso fez e como isso se fez nas escolas, como não acredito nas razões deste ministro acerca de ter que ver com o programa do PS plasmar os princípios da OCDE para a educação. E não acredito porque sei, como milhares de nós sabemos o que se passou e passa dentro das escolas e como as coisas funcionam...

 

Gostava de saber, por exemplo:

1. se não acontece nestas descidas e subidas dos países, o que se passa com a economia: a ideia segundo a qual os alunos têm que progridir constantemente é uma ilusão idêntica à ilusão de se pensar que as economias crescem continuamente. Há curvas de progresso que têm picos a partir dos quais se desce. Os países do Norte da Europa e outros que começaram a alfabetização e a universalização do ensino antes de nós podem ter atingido um pico e estarem agora na curva descendente enquanto Portugal, tendo começado esse caminho muito mais tarde, levou mais tempo a apanhar os outros mas agora está na curva ascendente e eles na descendente. Não sei se isto que estou a dizer é verdade mas sei que é uma possibilidade e gostava de vê-la ponderada.

 

2. não sei se a melhoria das nossas condições de vida no pós-25 de Abril, só por si, não explicam esta subida continua que temos tido até chegarmos a estes resultados. Neste caso, seria uma determinação das condições económicas alheia a exames ou outro planos que agora se dizem serem razões. Não sei se isto que estou a dizer é verdade mas sei que é uma possibilidade e gostava de vê-la ponderada.

 

3. não sei se não teríamos evoluído muito mais rapidamente sem as políticas destrutivas da Lurdes Rodrigues e do Crato. Estou convencida que sim apesar do Plano de Leitura e das escolas TEIP e de outras medidas. Portanto, talvez estes bons resultados não sejam bons mas os menos maus. Mais uma vez, não sei se isto que estou a dizer é verdade mas sei que é uma possibilidade e gostava de vê-la ponderada.

 

O que quero dizer é que no universo da educação fala-se muito, nomeadamente ministros, ex-ministros e outros (presidentes disto e daquilo, directores, etc.): todos se congratulam e tanto têm discursos catastróficos (hoje o ministro acerca dos chumbos, sendo que não mexe um átomo do que tinha que ser mexido para fazer prevenção ao insucesso) como de delírio apoteótico mas ninguém olha profundamente as razões e as causas das coisas, de modo que acontece muitas vezes acertar-se e os resultados serem bons mas depois a seguir vem o oposto e fica tudo desconcertado por perceber que afinal o progresso não tinha ciência nem era certo.

 

Era só isso que gostava de ver modificado e enquanto não for não consigo engolir estes delirium tremens nacionais.

 

(Reparei que o relatório refere que em Portugal não se permite autonomia aos professores, apesar de estar na Constituição, e que isso é referido como uma falha com consequências graves. Concordo)

 

PISA 2015: alunos portugueses ficaram pela primeira vez acima da média da OCDE

"Portugal é dos poucos países membros da OCDE onde se tem observado uma tendência de melhoria contínua nos resultados. A Finlândia, por exemplo, tem manifestado a tendência inversa ”, frisa investigador que coordenou a participação portuguesa na avaliação internacional.

 

Passos Coelho pede a ministro da Educação que reflicta sobre bons resultados dos alunos

 

 

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publicado às 20:15

 

O senhor Wengorovius enganou-nos

 

Esta história está toda mal contada e já não se percebe em quem se pode acreditar.

 

Emails desmentem versão do ministro da Educação

 

 

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publicado às 13:32


Promessas, promessas...

por beatriz j a, em 31.10.16

 

 

Orçamento da educação com menos 170 milhões 

Também a despesa com pessoal vai cair 280 milhões.

 

 

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publicado às 14:27


Que surpresa...

por beatriz j a, em 13.10.16

 

Estudos revelam que os mega-agrupamentos podem afectar a aprendizagem

 

 

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publicado às 05:02

 

 

João Costa:"Não há nada mais fácil do que reprovar maus alunos e ser professor de bons"

 

Porque qualquer semelhança entre o que dizem e a realidade do que se passa nas escolas é pura coincidência. Já nem pachorra tenho para comentar estas coisas e estas afirmações que põem sempre em cima dos professores os problemas dos 'chumbos' como se os professores trabalhassem no vazio. 

 

 

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publicado às 05:54

 

 

Students are working harder than ever to pass tests but schools allow no time for true learning in the Socratic tradition

 

The atmosphere in the class is relaxed, collaborative, enquiring; learning is driven by curiosity and personal interest. The teacher offers no answers but instead records comments on a flip-chart as the class discusses. Nor does the lesson end with an answer. In fact it doesn’t end when the bell goes: the students are still arguing on the way out. This is my ideal classroom. In point of fact, it is more than just a dream. My real classroom sometimes looks like this, at least occasionally.

A minha também!! Quase sempre :))) embora não seja verdade que nunca ofereça respostas é verdade que nenhuma aula é fechada com uma resposta 😀

 

Mas as disciplinas que lecciono não têm, hoje em dia, exame obrigatório e a verdade é que a maioria das aulas onde há exames obrigatórios são dadas para os alunos passarem esses exames e como os programas são enormes e as turmas gigantes não há tempo para que possam fazer um exercício de progressão socrático. Na geral as coisas são mais assim:

‘Teaching to the test’, which increasingly dominates public school classrooms, produces an atmosphere of student passivity and teacher routinisation. The creativity and individuality that mark out the best humanistic teaching and learning has a hard time finding room to unfold.

 

Os malefícios do caos que atinge a constituição de turmas não tem explicação e ninguém fala disso. Estamos com 30, 32, 34 ou mais alunos dentro da sala de aula, sendo que esses alunos são de várias turmas misturadas anti-pedagogicamente só para poupar dinheiro.

Geralmente são duas turmas que se juntam mas, podem ser mais. Como estamos no nível secundário e não universitário, os alunos não têm autonomia suficiente para não dependerem do professor em quase todas as tarefas. Estamos a falar de adolescentes. Pessoas naquela fase da vida que é um universo diferente e alienígena dos adultos, onde levantar o braço para fazer uma pergunta ou ser capaz de dizer que não percebe pode ser um drama que leva um mês a ultrapassar, onde ter que expôr-se em frente de desconhecidos, mesmo que nesse universo reduzido da turma pode causar um ataque de pânico.

 

Outro dia vinha a falar com um colega de Matemática à saída da aula do meio da manhã acerca de termos mais de 30 alunos dentro da sala e nem haver cadeiras suficientes para se sentarem. Dizia-me ele, 'é impossível um ensino de qualidade - quando fazemos um exercício o mais que podemos é escolher um aluno para ir ao quadro e o que ele fizer serve de modelo para os outros porque não é possível ver o que cada um fez, como fez, tirar as dúvidas a cada um, ver onde cada um está a falhar, etc.'

 

Depois é a misturada de turmas. Uma turma no 10º ano tem 30 alunos. Se 5 ou 6 não passam, 2 ou 3 mudam de curso e outros 2 mudam de escola, a turma fica com 19, por exemplo. No ano seguinte essa turma tem aulas com outra turma que também ficou com menos 10 alunos, nas disciplinas como o Português e mais outas 2 ou 3 que são comuns a todos os cursos.

 

O resultado não é uma turma nova mas duas despersonalizadas enquanto grupo, com dinâmicas e modos de funcionamento diferentes enfiadas numa mesma sala. Uma pode ser uma turma de Humanidades e outra de Artes ou de Ciências e não têm nada em comum; depois de um ano no secundário num determinado curso, já têm um modo de funcionamento mental próprio do curso de maneira que não se fundem em uma só turma o que afecta os alunos, para além de nos afectar a nós porque depois temos 30 alunos dentro de uma sala de aula, sendo que muitas vezes estão desfazados em termos de ensino porque cada um teve seu professor.

Estamos ali a dar aulas a duas turmas e não uma, só que estão todos dentro de uma única sala. Às vezes juntam-se a duas turmas diferentes consoante as disciplinas. É o caos e já se tornou rotina quando dantes era uma excepção. Para os alunos isto tem consequências extremamente negativas. 

 

Este ano tenho uma turma do 10º que está a começar agora e mais outras seis juntas duas a duas de modo a fazer 3.

As duas turmas do 12º ano que tenho são 4. Por exemplo, uma é a turma A+B e a outra é a turma C+D. Cada uma é a junção de 2 turmas. Em cada uma delas eu conheço metade da turma: por exemplo, na A+B conheço os da A desde o 10º ano e a outra metade (a B) só os conheci este ano.

O facto de eu conhecer perfeitamente todos os alunos de uma das turmas (A, por exemplo), ter um enorme à vontade com eles e trabalharmos muito bem porque já nos habituámos uns aos outros e porque os treinei desde o 10º para serem autónomos no trabalho e dependerem o mínimo possível de mim, afecta negativamente os da outra, cujos nomes não sei e vou levar muito tempo a decorar, coisa que eles reparam e não gostam embora compreendam, que estão agora a apanhar o modo de trabalhar nas minhas aulas comigo e a fazer um grande esforço para serem mais autónomos, que não têm o à vontade que vêem os outros ter no trabalho e na convivência dentro da sala, etc. Por muito que trabalhe para amenizar isso, para os pôr à vontade, etc., isso afecta-os no rendimento. São adolescentes, não adultos. Têm imensas inseguranças.

 

Para não falar que com turmas a 30 ou muito mais, deixamos de fazer a quantidade de avaliações que fazemos por ser matematicamente impossível de os corrigir. E quem perde são os alunos, claro, porque as avaliações são um instrumento  para aferir do seu progresso e para desenvolver técnicas específicas e de desenvolvimento pessoal.

 

Isto está caótico. Agora até as Direcções de Turma querem que sejam à molhada, tipo dois em um... o trabalho mais importante do DT é a gestão dos conflitos: entre pais e professores, entre alunos e professores, entre alunos. Quando se consegue gerir bem os conflitos corre tudo às maravilhas e quando não se consegue transforma-se num inferno que afecta logo as aulas e o rendimento deles. Juntar DTs é o caminho mais curto para potenciar conflitos porque é misturar grupos com dinâmicas e problemas diferentes e tratá-los como iguais. Está tudo numa enorme degradação e ninguém fala de nada porque só o que interessa ao ME é poupar dinheiro, e ter alunos amestrados para vomitarem respostas em exames para aparecerem bem nas tabelas internacionais.

 

Se as coisas funcionam nas escolas deve-se exclusivamente aos professores que ainda têm profissionalismo, que se preocupam e gostam dos miúdos e não são capazes de desistir deles porque todo o sistema está organizado para que as escolas falhem, para que os professores desistam, para que tudo seja aparência e fogo de vista e o que mais choca é o total desprezo que têm pelo interesse dos alunos. No meio disto tudo que se faz para inglês ver, os alunos são a última coisa em que se pensa.

 

 

Um aluno hoje em dia que tenha o azar de não passar e ter 18 anos, está tramado e pode acontecer não ter lugar em nenhuma escola ou ter mas não poder matricular-se a todas as disciplinas porque as turmas estão juntas à molhada e o professor já tem 34 alunos ou algo assim. É revoltante.

 

Esta profissão, para quem leva o trabalho a sério e não faz tudo à balda só pelo (mau)salário ao fim do mês (porque podemos fazer isso, sim, tratar tudo chapa 5 já que está tudo à molhada, como se os alunos, os pais, as turmas fossem parafusos e não universos individuais) exige muita fortitude mental. Daí que milhares de professores andem com depressões, burnout, de baixa ou na escola tipo zombies. A mim custa-me o sono e não durmo como deve ser. Ao contrário do que se diz não tem que ver com a idade mas sobretudo com a impotência de ver tudo ser mal dirigido, mal pensado e mal feito, com gritantes injustiças e abusos e de não conseguir introduzir bom senso e inteligência num sistema cada vez mais estúpido que premeia os simulacros.

 

 

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publicado às 20:44

g.a


3-8-12



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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