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Pais e directores unidos pelo fim dos exames para entrar no superior

Passarmos da histeria com os exames em que todo o ensino é condicionado pelos exames para não termos sequer exames. A que propósito este extremismo? Para experimentarem a flexibilidade curricular, a nova coqueluche do MEC, porque lá está... cada equipa que lá passa quer deixar a sua marca como os cães que fazem chichi nas árvores a marcar território. E se alguém diz que é imprudente este extremismo, dizem que é da idade, que os professores, por serem uma classe envelhecida, não se adaptam à mudança. Grande argumento para defender o mérito de uma política. Ahh e ainda existe o tipo da OCDE que diz que não devíamos ter exames [OCDE defende fim dos exames no secundário como meio de acesso ao superiorpara não angustiar os alunos... pois, estamos a subir nos rankings do PISA, os do Norte vêm cá contratar estudantes e licenciados. Ainda há pouco saíram 200 médicos acabadinhos de ser aqui formados. Os nossos cientistas estão bem posicionados e arranjam emprego em qualquer parte do mundo assim que querem e vem este gajo dizer que estamos a fazer tudo mal e que é preciso destruir tudo o que se faz para impôr a flexibilidade curricular. A flexibilidade curricular agora é a second coming

Que falta de paciência para estes teóricos de trazer por casa que impõem, como talibãs, reformas sobre reformas e depois cá estão os idiotas congelados do costume para remediar as porcarias que deixam à saída. 

 

Ou este relatório, à semelhança do relatório do ensino superior, é mais uma encomenda política

 

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publicado às 14:32


Desfazer mitos da educação

por beatriz j a, em 04.02.18

 

 

Porque as pessoas sabem nada do que se passa nas escolas e à volta delas mas têm sentenças: que os professores não prestam é a mais comum e na altura dos rankings, como na altura de nos cortarem salário é mato. É assim como eu dizer que o SNS está mal porque os médicos não prestam e porque os enfermeiros não prestam; ou que a justiça está uma miséria onde só os ricos têm dinheiro para ela e se pomos um caso hoje, só daqui a 40 anos, quando estivermos a fazer tijolo é que se revolve, porque os juízes são todos uns incompetentes que só querem privilégios; ou que os serviços públicos funcionam pessimamente porque os funcionários públicos são todos incompetentes, etc.

 

mito nº 1 - dantes é que os alunos aprendiam alguma coisa e os professores eram bons e agora são todos uns incompetentes. Eu estive dos dois lados da barricada. Dantes os professores eram como são agora: uns gostavam de crianças e de adolescentes e de ensinar e outros estavam ali só pelo salário. A diferença é que dantes, se um aluno era diferente, se tinha dificuldades ou problemas ninguém na escola queria saber, isso era problema dele e dos pais. Não havia nenhum mecanismo de detectar e ajudar alunos. Também, na maioria dos casos, os professores despejavam matéria sem olhar para os alunos e não respondiam a dúvidas. Chamavam burros aos alunos que tinham dúvidas. Na escola primária pública onde andei (aí havia uma mistura de alunos porque era obrigatória), a professora punha-me a mim e a outros à frente (éramos filhos do senhor engenheiro, do senhor advogado, do notário, do senhor dr. médico, etc) e aos outros todos atrás. Na última fila ficavam os filhos dos ciganos que a GNR tinha de ir buscar a casa. Só olhava para os de trás para lhes chamar burros. A única coisa democrática que havia ali era que levávamos todos réguadas dela. Ricos e pobres, não escapava ninguém... 

No dois Liceus onde andei, um em Évora (onde é agora a Universidade), outro em Lisboa, não havia pobres. Em Évora, na minha turma estavam as minhas amigas, filhas de amigos dos pais, também engenheiros, ou médicos, ou advogados, um juíz, latifundiários da cortiça ou do gado, um arquitecto, etc. Havia na turma uma rapariga com nome arábico filha de um dono de ourivesarias, um rapaz filho do director do jornal... não havia filhos de operários, de desempregados, de camponeses...  As minhas irmãs andavam em turmas onde estavam as irmãs e primas das minhas amigas. Em Lisboa, da minha turma faziam parte as pessoas que vinham da zona onde morava (o Restelo), alguns figuras hoje muito conhecidas publicamente e pessoas de Alcântara, que a escola servia as duas zonas. Não me lembro de ver lá pobres.

De todos os professores que tive, as professoras de francês foram de longe, as melhores. Gostavam mesmo do que faziam e ensinavam. Tive duas professoras de matemática boas (um péssimo) e uma professora de F.Q e outra de ciências, que ainda recordo positivamente. De resto, os professores de português foram medíocres, quase todos, os de história uma catástrofe, os de inglês falavam só português... acontece que a minha mãe compensava isso tudo de modo que os maus professores que tive acabaram por não me fazer mossa. São como os alunos dos colégios de hoje. O trabalho dos professores nessa altura era ir à aula despejar matéria e ir embora tal como ainda fazem muitos professores na Universidade.

No entanto, nunca tive um professor excelente (excepto as de francês, que para além de ensinarem a língua preocupavam-se com a nossa formação e em ter uma relação pedagógica connosco) como vejo muitos colegas serem. No meu 7º ano (que corresponde agora ao 11º ano) fui a exame a tudo menos a francês porque deixei de ir às aulas. Eu que me interesso por tudo, gosto de ler sobre tudo quanto é assunto, de aprender tudo e tenho uma curiosidade incansável, andava obsessivamente à procura de respostas e não tive um único professor (excepto a de francês) capaz de me ensinar fosse o que fosse e de me fazer interessar pelas aulas, de modo que deixei de ir às aulas e ficava em casa a devorar livros e a aprender sozinha. Resultado, tive que ir a exame a tudo menos a francês.

 

mito nº 2 - os explicadores é que são bons.

O escândalo das explicações é assim: há três tipos de explicadores.

1. praticamente em todas as escolas do país há professores que também são explicadores; na maioria delas, os explicadores dão explicações, alguns aos próprios alunos ou a alunos de colegas, o que é proibido por lei. Os professores partilham materiais, muitos fazem testes em conjunto... ... toda a gente sabe e ninguém diz nada porque hoje em dia um professor que seja casado com outro professor e tenha dois filhos e uma casa para pagar chega a meio do mês e não tem dinheiro para levar os filhos a um médico se for preciso. Muitos professores mais novos dão explicações nos centros de explicações onde andam os seus alunos e os alunos dos colegas.

Um amigo do meu filho, há muito anos, tinha explicação de Latim, com o seu professor de Latim, sendo que a turma dele era ele e mais outro...

2. há o professor que deixou de dar aulas, por qualquer razão e foi dar explicações. São cada vez mais raros porque regra geral hoje em dia as explicações funcionam em centros. Esses ex-professores conhecem as escolas e os colegas uma vez que deram lá aulas e sabem valer-se disso...  hoje em dia é o vale tudo. No ano passado um rapaz, dentro da aula a fazer teste de matemática, tirou uma fotografia ao teste e enviou ao explicador pelo whatsapp e este mandava-lhe fotografia dos exercícios resolvidos. Foi apanhado. Isto hoje em dia é mato. A explicadora que é professora de Português e faz exames nacionais de Português não passou o exame aos explicandos...? Pois, assim é fácil... as pessoas precisam de justificar o dinheiro que levam aos pais que não é pouco.

3. Há os indivíduos que nunca foram professores e se viraram para as explicações por necessidade, no tempo da troika. Por exemplo, conheço um casal que dá explicações de matemática, física e química. Ela é engenheira e ele é engenheiro técnico. Ficaram desempregados. Na cidade onde vivem, que é pequena, têm imenso sucesso. Foram arquivando e organizando pastas com os testes de todos os professores da cidade (uma pessoa usa questões de uns anos para outros) e treinam os alunos para os testes, pois sabem que tipo de teste um professor costuma fazer para determinada matéria e até sabem algumas questões que sempre fazem. Eles não ensinam. Treinam os alunos para resolver testes. Há uma grande diferença. Não têm que educar competências, trabalham com dis ou três alunos de cada vez, ou sozinhos, o que é mais caro, trabalham em casa...

 

Os explicadores, na sua maioria são um empecilho, porque os alunos vão para as aulas e não fazem nada porque depois, eles próprios dizem, os explicadores fazem-lhes os trabalhos de casa. Muitos explicadores desfazem o trabalho dos professores, quer dizer, sendo engenheiros químicos, por exemplo, não sabem ensinar a matemática ou a física e baralham completamente os alunos. Todos os bons professores que conheço detestam os explicadores porque a maioria estraga-lhes o trabalho.

Eu não dou explicações porque não quero pois durante anos e anos, todos os anos me vinham pedir se dava explicações. Ainda hoje, mesmo sabendo que digo sempre que não, de vez em quando vêm pedir-me. Nunca daria explicações a alunos de colegas, não só porque é ilegal mas porque é de uma falta de Ética de todo o tamanho.

 

Não dou explicações mas ajudo pessoas de família, às vezes, outras vezes não. Já aconteceu virem ter comigo pedir ajuda porque a 'professora deles não presta', porque 'embirra com eles'... peço para ver os testes, faço-lhes meia dúzia de perguntas e fico a saber que vão para as aulas armados em parvos chatear os professores e não estudam nada. Esses estão para lá de qualquer ajuda. O problema deles é a atitude idiota que têm e os pais ajudarem a que não tenham respeito pelos professores.

Uma vez ajudei um rapaz da família que já acabou o curso e já trabalha. Andava no Liceu Francês e chegou a Maio, a um mês do Bac, que é feito ao mesmo tempo no mundo inteiro, ainda não tinha pegado no livro de Filosofia e a nota mais alta que tinha tido era um 4, em 20... Perguntei-lhe, 'olha lá, mas o que fizeste nas aulas'? 'Não fiz nada, não percebi aquilo ao princípio e desliguei.'

A Filosofia do currículo francês é diferente: só têm a disciplina no 12º ano, têm uma carga horária semanal enormíssima e aprendem 4 grandes temas filosóficos. Perguntei-lhe se estava disposto a estudar duas horas todos os dias, dali até ao exame, exactamente da maneira que eu lhe dissesse. Disse-me que sim.

Passei um único Domingo com o miúdo. Seis horas de enfiada, com 2 intervalos de 5 minutos para comer. Ele aguentou tudo. [porque é que não aguentou nem um mês de aulas e não fez lá nada? porque não lhe apeteceu] Primeiro tive que ver o livro e perceber a organização daquilo e como é a estrutura do exame. Depois expliquei-lhe o que é a Filosofia e qual é o interesse de a estudar. Depois expliquei-lhe os dois primeiros temas do livro e expliquei-lhe que já não tinha tempo de estudar a matéria toda e tinha que saber muito bem aqueles dois temas e esquecer o resto se quisesse passar no exame. Depois disse-lhe exactamente como devia usar o livro e estudar (ele não sabia estudar), como treinar escrever as respostas em cada tema e, ensinei-lhe alguns truques sobre modos de melhorar muito as respostas aos olhos do examinador, em exame (são muitos anos a virar frangos...).

Disse-lhe exactamente como escolher o tema livre no exame de modo a coincidir com um dos temas estudados e poder falar do que sabia. Mandei-o ir às aulas que faltavam e disse-lhe o que fazer nas aulas para subir a nota. O miúdo subiu a nota, foi a exame e tirou 12. Achou que eu tinha feito um milagre. Mas eu não fiz nenhum milagre. Não lhe ensinei nada da Filosofia - treinei-o a dar respostas, a saber escolher temas e dei-lhe estratégias para passar um exame. Isso não é ensinar, ele não aprendeu Filosofia. O que aconteceu foi que ele seguiu as instruções e estudou, coisa que não tinha feito até então, porque se tivesse usado as aulas para estar atento e estudar, desde o início, tinha ido a exame tirar 18. O que ele aprendeu ali foi a saber que estudar resulta, que implica muito trabalho e que se quisesse muito fazer uma coisa, era capaz. 

 

A necessidade de  explicações mostram o excesso de alunos por turma (quase todos os meus sobrinhos andam em colégios. As turmas têm 12 alunos...), os alunos de meios empobrecidos, económica e academicamente, sem pais que os acompanhem, os professores colocados nas escolas quase em Novembro e os alunos a perderem meses de matéria, os professores que vêm do Porto para dar aulas em Setúbal longe dos filhos pequenos, completamente desmotivados, os professores com 10 turmas, os professores que têm que ir para casa dar explicações para ter dinheiro que chegue até ao fim do mês, mostram um negócio que se faz à conta de não se resolverem, antes pelo contrário, os problemas das escolas. E a maioria dos explicadores sabota o trabalho dos professores. Que se pense que é aos explicadores que se deve o ensino, é o mesmo que dizer que devemos a justiça à polícia. 

 

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publicado às 16:38


A redução da dívida pública tem custos

por beatriz j a, em 03.01.18

 

E os miúdos é que pagam

 

É uma opção que tem sido feita à custa da educação [entre outras]. É uma opção de desvalorizar a educação e o investimento na educação. É para isso que têm servido os vários ministros da educação: para fazer cortes na educação. Ora, embaratecer significa sacrificar qualidade. Essa tem sido uma opção consciente dos governos, para a qual têm tentado justificações [os professores são uma porcaria, etc] que ainda mais enterram o sistema. Todos havemos de pagar isto no futuro.

 

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publicado às 06:10


"... próprio de aldrabões"

por beatriz j a, em 27.12.17

 

 

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publicado às 13:22

 

É um sintoma de uma certa maneira paternalista/maternalista de entender a escola com pedagogias infantis e de não saber diferenciar os diferentes graus de ensino, como se aos 8 anos os alunos tivessem as mesmas características que aos 18 e, como se trabalhar com crianças de 8 anos fosse igual a trabalhar com adolescentes de 12 anos ou jovens adultos de 18. Há muitas pessoas que vêm dos magistérios primários e que depois ingressaram nas ESEs e fizeram licenciaturas naqueles tempos e acabaram a dar aulas em institutos e escolas superiores mas cuja mentalidade é ainda a de base, como a Rodrigues e, não sei se esta, mas é assim que falam todas/todos, 'os meninos'.

A cultura da escola vai mudar “porque a economia está a pedir coisas diferentes”

As pessoas, os meninos, são tão diferentes e há quem possa dar o melhor de si de outra maneira que não só na matemática e na língua materna.

 

... porque enquanto existem meninos cujas famílias valorizam a música e o teatro e os levam a essas actividades, há outros que não têm essa possibilidade.

 

É então uma adepta das provas de aferição introduzidas pela actual tutela?
Sim, embora as provas de aferição sejam mais para aferir o sistema. E acho que até para os meninos é bom que haja provas, não sei se lhes chamaria de aferição ou outra coisa qualquer.

 

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publicado às 12:40


'Dear principal'

por beatriz j a, em 19.12.17

 

 

 

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publicado às 17:59


O Costa para isto nunca tem dinheiro

por beatriz j a, em 06.12.17

 

Alunos do 4.ºano piores na leitura. Governo e Crato trocam acusações

 

O PPC também não tinha. A incompetente Rodrigues defendia que os professores deviam ser os primeiros a sofrer cortes, o Cavaco apoiava-a. O Sampaio ofendia os professores a toda a hora. Todos os ministros fizeram a sua revoluçãozinha na educação... uma espécie de marcar território com o odor pessoal... 

Para os doidos que pensam que a educação pode ser sujeita a tremores de terra contínuos e os professores a maus tratos regulares sem que isso afecte os resultados, avisa-se que isto é o normal e, pelo caminho que leva, ainda vai piorar.

 

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publicado às 03:51


Picture this

por beatriz j a, em 02.12.17

 

 

 

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publicado às 05:16

 

Governo bate recorde de gastos com viagens

Em 2018 a despesa com deslocações e estadas supera 89 milhões de euros, valor mais elevado dos últimos nove anos.

 

A análise dos mapas informativos dos Orçamentos do Estado desde 2010, véspera da intervenção da troika em Portugal, deixa claro que as despesas com viagens têm, em 2018, o maior aumento dos últimos nove anos: face aos 76,9 milhões de euros previstos para 2017, os custos com deslocações e estadas vão aumentar, no próximo ano, 12,3 milhões de euros. 

 

A partir de 2015, após a saída da troika, a despesa disparou: no último ano do Governo de Passos Coelho os encargos com viagens atingiram os 70 milhões de euros

 

Portanto, assim que a troika se foi houve logo auto-reversão plena de austeridade para os políticos. Pense-se que estamos a falar de um universo de meia dúzia de pessoas (mil, dois mil?) a gastar mais de 89 milhões de euros... para isto o dinheiro nunca falta. Assim como não falta para festas de celebração de aniversários de acordos políticos (50 mil euros?). Já para a educação, tudo é visto como um custo: Voltar ao número de alunos por turma antes da troika custaria cerca de 84 milhões de euros  - mil ou dois mil políticos contra 1 milhão e 600 mil alunos. Quem ganha? Os políticos. Quem perde? Os alunos. É o costume, porque a educação é sempre vista como um custo e não como um investimento no futuro. É por isto que o argumento segundo o qual o OE não aguenta reverter o apagão de 10 abos de trabalho dos professores não convence. Porque há dinheiro para gastar à grande e à francesa com tudo menos para fazer justiça.

 

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publicado às 06:02


La buena escuela portuguesa (El País)

por beatriz j a, em 27.11.17

 

 

La buena escuela portuguesa (El País)

Portugal es el único país europeo que mejora continuamente su nivel educativo desde el año 2000

Ni la bancarrota del país ni el recorte de sueldos de los profesores ni el aumento de alumnos por aula. Nada. El periodo económico más sombrío de Portugal en lo que llevamos de siglo no ha roto la mejora continuada de su sistema educativo. Si la troika acudió al rescate económico del país de 2011 a 2014, el informe educativo PISA 2012-15 señala que Portugal es el único país europeo que sigue mejorando su educación desde comienzo de siglo.

 

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publicado às 06:08

 

 

A que propósito a entrevistadora é a Catarina Furtado? Que percebe ela de educação? E porque é que o Presidente aceita uma conversa com uma pessoa que não sabe que perguntas fazer? Para que serve uma conversa destas?

O Presidente está a dizer que se deve discutir os temas dos Direitos Humanos nas escolas, como se não fossem. É que são, exaustivamente. Mas ele não sabe e está a criticar por não ser feito. Isto é desmoralizante... e depois falam de formação de professores para os Direitos Humanos... mas esta gente pensa que os professores são o quê, para pensarem que não estão alertas para isso e que não vivem isso e tratam disso permanentemente?

Só clichés... isto é desmoralizante... está ali a fazer de superstar para outros que também pouco sabem da educação e das escolas... são completamente ignorantes do nosso trabalho.

Vou trabalhar...

 

 

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publicado às 15:12

 

 

Desde o governo da Rodrigues que os professores são considerados lixo. É certo que somos muitos e à nossa conta pagaram-se mais de 5 mil milhões de euros de crise mas é claro que isso foi merecido porque afinal nós somos... lixo. Despediram-se com estratagemas de aumentar trabalho cerca de 30 mil professores mas é claro que isso foi merecido porque afinal nós somos... lixo. Tiraram-nos o direito à pausa entre aulas e temos que pagar ao Estado uma ida à casa de banho, beber um café ou comer qualquer coisa num intervalo ( que normalmente usamos para trabalhar...) mas é claro que isso foi merecido porque afinal nós somos... lixo. Damos aulas de apoio, criamos projectos para o desenvolvimento dos alunos e isso é considerado actividade não lectiva, ou seja, tempos a acrescentar ao horário do professor mas é claro que isso é merecido porque afinal nós somos... lixo. Fizeram um apagão em mais de dez anos de trabalho enquanto nos obrigaram a continuamente fazer formações pós-laborias, pagar sobretaxas, fazer reuniões pós-laborais de borla, etc. mas é claro que isso foi merecido porque afinal nós somos... lixo.

Há dinheiro para pagar a toda a gente e alguns já tiveram progressões há dois anos com o tempo todo contado, como os militares e os juízes mas é evidente que essas pessoas são trabalhadores válidos ao contrário dos professores que, como toda a gente sabe, são lixo.

 

Há uns anos foram-nos retirados direitos com o argumento de que tínhamos que ser iguais ao resto da função pública, agora recusam-nos direitos com o argumento de que não somos iguais à função pública. Pois não somos... toda a gente sabe que neste país os professores são... lixo.

 

Professores custam mais 600 milhões/ano

Descongelar carreira docente com pagamento integral dos novos escalões custaria tanto quanto o que o Estado prevê gastar em toda a Função Pública.

 

Professores fazem greve à primeira aula do dia a partir de 13 de Novembro

Não contabilização do tempo de serviço dos últimos sete anos para descongelamento das carreiras motiva protesto da FNE. O sindicato anuncia que vai convidar as restantes organizações sindicais a juntarem-se ao protesto.

 

 

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publicado às 16:19

 

Falta de interesse pelo ensino ameaça futuro da educação

E esta crise de vocações para o ensino surge na altura em que se prevê que, face ao forte envelhecimento da classe, dois terços dos atuais professores se reformem nos próximos quinze anos.

Não é uma crise de vocações. A vocação existe, e muitos bons alunos gostavam de ser professores, só que é acompanhada de realismo face ao que é a proletarização e desprestígio social da profissão. Se dessem aulas e falassem com os alunos sabiam disso. 

 

Esta percentagem de apenas 1,5% de estudantes interessados em imitar o percurso dos seus professores foi um dos indicadores que surpreenderam pela negativa os autores do estudo...

Só se surpreende quem anda a dormir...

 

"Se nós não fizermos algo que permita que haja alguma seletividade no acesso a professores e critérios de qualidade na sua formação inicial, vamos ter problemas, porque cada vez mais a profissão de professor é vista como desqualificada", considera.

Atrair os melhores... boa sorte com isso... continuam sem perceber... quando os ministros da educação são os primeiros a desprezar os professores e a alimentar o sistemazinho feudal que a repugnante Rodrigues criou e com o qual destruiu a profissão... ... volto a dizer, boa sorte com isso... 

 

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publicado às 06:10


Problemas

por beatriz j a, em 21.10.17

 

 

No teacher can “break” a student’s story, his understanding of his life, and replace it with her own.

(Michelle Kuo)

 

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publicado às 06:42


Carreira? Qual carreira?

por beatriz j a, em 15.10.17

 

 

Não é verdade que tenhamos perdido apenas 9 anos de trabalho uma vez que antes do descongelamento os escalões foram alterados (de oito passaram para dez, sendo que os salários, só no 10º são equivalentes aos de outros funcionários públicos equiparados) e em regra, os professores foram reposicionados 2 escalões abaixo de onde estavam. Por exemplo, alguém que estivesse no sexto escalão, a dois escalões do topo da carreira, foi posicionado no quarto, estando agora a seis escalões do topo, onde nunca chegará, mesmo que trabalhe até aos setenta anos. Ora, sendo cada escalão de 3 ou de 4 anos, baixar dois escalões, implica deitar fora, 6 ou 7 anos. Anos de descontos, de obrigações de formação, de acréscimo de turmas, de alunos, de trabalho burocrático que era feito pelas secretarias das escolas, etc. Juntar a estes 7 anos os outros 7 do congelamento, no meu caso significam 14 anos de trabalho deitados para o lixo, o que equivale a dizer que deixei de ter carreira... aquilo que o Costa e este ministro chamam descongelamento de carreiras é uma enorme mentira. Entretanto o BE e o PCP caladinhos. O que faz a proximidade do poder...

 

 

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publicado às 13:21


A chatice dos factos

por beatriz j a, em 15.10.17

 

 

Educação sofre corte de 182 milhões de euros em 2018

Pela segunda vez consecutiva o governo volta a tentar esconder um corte nas verbas disponiveis para o básico e secundário.

 

 

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publicado às 13:03

 

Pais exigem revolução no modelo de ensino

Descalabro nos resultados das provas de aferição leva encarregados de educação a pedir mudanças urgentes.

O responsável da Confap afirma que "o modelo do autocarro na sala de aula, com todos a olhar para as costas dos colegas, já não faz sentido".

 

Nuno Crato desvaloriza resultados
O ex-ministro da Educação, Nuno Crato, desvalorizou ontem os resultados negativos das provas de aferição. "As provas de aferição não têm o valor dos exames e das provas finais e, portanto, é muito difícil saber o que elas traduzem sobre a realidade. Estas provas nunca são encaradas com o mesmo empenho pelos alunos", afirmou Nuno Crato ao CM, recusando comentar em detalhe as fragilidades detetadas.

O ex-ministro comentou declarações do secretário de Estado da Educação, João Costa, que afirmou que os resultados mostram que o maior enfoque na Matemática promovido por Crato não produziu resultados.

 

Todos os ministros de educação culpam os anteriores do que vai mal e se servem deles como pretexto para impor a sua revoluçãozinha pessoal. A confederação de Pais também quer revolução e já adaptou a linguagem aos conceitos da moda: se aqui há um par de anos pedia um novo paradigma, palavra que estava na moda, agora fala em pensamento crítico (como se isso se fizesse na ausência de conteúdo) e turmas autocarro, termo que entrou na moda e se tornou bandeira de quase todos os males. (este assunto da disposição das mesas é um falso assunto: na verdade, a disposição das mesas nesta configuração chamada autocarro, favorece a concentração e, por isso, todo o trabalho que a requer. A disposição das mesas em círculo, por exemplo, favorece o diálogo e, por isso, todo o trabalho que o requer; muitos professores mudam a disposição das mesas consoante o tipo de trabalho que estão a desenvolver com os alunos. Não há uma maneira única, certa ou errada, de dispôr as mesas)  

Entretanto, ninguém faz o mais importante e, de revolução em revolução, vamos induzindo o stress no próprio sistema e nos seus actores, sobrecarregados com tanto ruído. A educação é um sistema que precisa de estabilidade e não podemos estar constantemente a abalar os seus fundamentos sem que isso afecte a solidez da construção.

Já perdi a conta ao número de reformas e revoluções a que assisti desde que dou aulas. A certa altura já não ligamos a estas revoluções ideológicas e políticas que mudam a cada legislatura e arranjamos sistemas próprios para podermos fazer bem o nosso trabalho, apesar destas experimentações constantes que o abalam.

As revoluções, como todos sabemos são processos violentos de desagregação que podem ter custos muito elevados. Veja-se o custo que a revolução da Rodrigues teve... ainda estamos a sofrer os danos negativos desse impacto.

Devia ser interdito aos ministros fazer revoluções. São assuntos demasiado sérios para se deixar ao sabor de pessoas que geralmente são escolhidas por questões de amizade e de lealdade política e raramente pela sua competência ou sequer bom senso, no sentido cartesiano do termo. Mas não, dizem-lhes que o sistema é o seu playground e podem brincar à vontade. Depois, muitos deles leram aquelas frases que dizem que é preciso pensar grande e fazer grande e desatam a fazer 'grandes grandiosidades' revolucionárias em moda... quando a moda muda, eles mudam com ela, impõem a moda a seguir e cá estamos nós para resolver os emaranhados e o lixo deixados pelas sucessivas modas. 

Evoluir não é fazer experiências de três em três ou quatro em quatro anos.

 

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publicado às 07:21

 

 

O modelo de organização das escolas criado pela Rodrigues, as traições dos sindicatos, a sua promiscuidade com o ME para onde se passam sempre que podem e a promiscuidade entre o ME, a Inspeção e os directores que ocupam, à vez, os lugares entre estes três organismos, como numa dança de cadeiras, proletarizaram os professores, deixaram-nos sozinhos à sua mercê e mataram a educação pública. Hoje em dia, todo o professor que queira manter a sua independência pedagógia e intelectual (protegida na lei) tem que estar disposto a sofrer bullying e a recorrer aos tribunais. Se uma pessoa dissesse as coisas que se passam e fazem nas escolas ninguém acreditava. Eu culpo a Rodrigues que foi quem destruiu o sistema mas, também todos os outros que se aproveitaram dessa porta estar aberta e pioraram aos poucos o sistema. Também me desgosta o medo das pessoas que as torna cúmplices da sua própria miséria.

Alexandra Leitão e a manipulação da opinião pública (Santana Castilho)

A principal função da escola pública, qual seja a de garantir oportunidades idênticas a todas as crianças e jovens, vem de há muito, seja o Governo da responsabilidade do PS ou do PSD, a desconsiderar os seus professores e a usar os mais variados mecanismos de desonestidade política para os proletarizar e escravizar. E a classe tem-se tornado numa classe de dependências, cada vez com maior dificuldade em compreender o valor da independência e pagar o seu custo. Dir-se-ia que a defesa da dignidade profissional e da independência intelectual dos professores virou masoquismo. Dir-se-ia que os professores, teoricamente livres, têm usado essa liberdade para permitirem que os condicionem a todo o tempo.

 

Com efeito, os professores constituem hoje uma espécie social cuja identidade e características dependem, cada vez mais, das atitudes que os governantes tomam em relação a eles. A deontologia profissional (por definir em sede de ECD), a dignidade profissional e a independência intelectual da classe cedem ante qualquer norma legal, por mais iníquo que seja o conteúdo e boçal a autoria. Inevitavelmente, quando se reflecte sobre esta circunstância, o desabafo de Harriet Tubman aplica-se-lhe como dilacerante ferrete: “Libertei mil escravos. Podia ter libertado outros mil se eles soubessem que eram escravos.”

 

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publicado às 18:52


Just saying... the obvious...

por beatriz j a, em 30.08.17

 

 

Todos os estudos mostram que as raparigas têm facilidade na linguagem e comunicação e que os rapazes têm dificuldades nessa mesma área. Mesmo que isto seja verdade*, a solução não é separarmos os exercícios e testes das raparigas e dos rapazes, dando-lhes a elas textos complexos com exercícios complexos e a eles, textos com a lista do supermercado para ir ao encontro das limitações da sua natureza. Pelo contrário, se naturalmente eles são piores em uma área, têm que trabalhá-la mais para a desenvolver. Da mesma maneira, a ser verdade que as raparigas têm menos aptidão para a orientação espacial, a solução pedagógica não é reforçar a dificuldade dando tarefas mais fáceis mas, justamente, compensar com estímulos o desenvolvimento. Óbvio, não?

 

*desconfio muito destes estudos que professam estas e outras petições de princípio dogmáticas acerca das capacidades femininas e masculinas; volta e meia dou-me ao trabalho de seguir os estudos até às fontes e à experimentação que lhes deu origem e o que vejo é que têm por base interpretações de experimentos já de si enviesados. Por exemplo, aqui há tempos estive a ler uma experiência feita por dois investigadores, homens, em que punham numa sala carrinhos, aviões e livros e deixavam as crianças escolher. Concluiram que as raparigas são melhores na linguagem porque escolhiam os livros e os rapazes gostam mais de explorar coisas porque escolhiam os aviões e os carros. Ora, é evidente, como diziam os revisores da experiência, que estes investigadores homens, escolheram 'coisas' que fazem já parte da educação dos rapazes, carros e aviões. Não sabem se, tendo posto lá dentro vestidos, bonecas e livros, as raparigas não se interessavam por desmanchar os vestidos e as bonecas (coisas) e os rapazes por ler os livros. Ou seja, os investigadores, homens, poluíram o estudo desde o início com as suas escolhas mas não se coibiram de tirar conclusões dogmáticas como se tivessem chegado a uma verdade.

 

Outro exemplo, no dia em que fui ao hospital levar a vacina, fui ao café. Estava lá uma mãe com dois filhos, uma rapariga e um rapaz, de idades de seis e sete anos ou por aí. Estavam a comer uma sandes e levantaram-se. A mãe diz para a rapariga, 'deixa-te estar sentada a comer. Uma senhora tem sempre classe.' Depois voltou-se para o rapaz e disse, 'podes ir explorar até ao elevador'. Estes reforços de estereótipo de género são constantes e penso que as pessoas nem se dão conta do que fazem mas estas coisas têm consequências no desenvolvimento das crianças.

 

Outro exemplo, não tenho nenhum sentido de orientação, mas é porque não conduzo, de modo que enquanto o/a condutor/a se preocupa com direcções e sentidos norte e sul, etc., eu vou a apreciar a paisagem, reparar nos monumentos, nas pessoas, na natureza, distraída a pensar em qualquer coisa, etc. Quer dizer, nunca estimulei isso em mim e, em geral, vou dar aos sítios, sem me perder, por intuição. Sou péssima a memorizar nomes de pessoas porque não faço o mínimo esforço. Todos os anos tenhos que pôr na cabeça centenas de nomes e caras de alunos e depois deitá-los fora e pôr outros novos. Não estou para gastar tempo e espaço de memória com coisas temporárias. Tenho técnicas para facilitar a memorização mas não valorizo essa habilidade de modo que não a desenvolvi e levo muito mais tempo que os colegas a saber o nome dos alunos.

 

É óbvio que a educação deve estimular e esticar ao máximo, se puder, as potencialidades (que são plásticas) e não reforçar as dificuldades. E quem anda no meio da educação, seja na escola, seja na editora que faz livros para a educação, se não percebe isso, dedique-se à pesca mas não estrague as possibilidades das pessoas.

 

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publicado às 15:06


Estes pais que nos tramam

por beatriz j a, em 29.08.17

 

 

Hoje fui ao hospital levar uma vacina. Estávamos lá umas nove pessoas na sala de espera quando entra uma mulher com o filho. O miúdo, com cerca de cinco anos, vinha com um jogo electrónico com o som altíssimo, uma música e uma voz tipo Mário, completamente irritante. Sentou-se numa mesinha de apoio em vez de sentar-se na cadeira, a falar à bebé (dizia 'fomiga' em vez de formiga e a mãe não o corrigia - isto é tão nocivo para o desenvolvimento da linguagem e do pensamento) com o jogo, sempre altíssimo. A mãe chamou-o, disse que não ia. Levantou-se a mãe e foi dar-lhe um iogurte à colher como se fosse um bebé, ela de joelhos no chão, ele a virar a cabeça. A mãe como se nada fosse.

Como não me cabe a mim educar pais mas aquilo estava a incomodar-me imenso -mais a atitude da mãe que a do puto- levantei-me e fui esperar para o corredor onde não o ouvia. Passados cinco minutos já estávamos seis no corredor. O puto ia-nos expulsando da sala, um a um.

São estes pais que nos tramam: quando este miúdo chegar a uma sala de aulas só vai dar problemas em virtude de ninguém lhe ter ensinado competências básicas de sociabilidade ou lhe ter incutido um mínimo de regras e disciplina, alguma resistência à frustração...; enfim, quem se trama é o professor que o apanhar porque vai ter que trabalhar contra a mãe para o educar minimamente nessas áreas, muito antes de o poder instruir. Agora imagine-se uma turma com uma mão cheia destes...

 

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publicado às 14:52

g.a


3-8-12



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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