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Música de fim de tarde

por beatriz j a, em 17.05.17

 

 

 

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publicado às 18:11


Coisas boas

por beatriz j a, em 02.04.17

 

 

 

 

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publicado às 06:41


Coisas preocupantes

por beatriz j a, em 03.03.17

 

 

... não em si mesmas mas pelo que prenunciam.

Suécia reintroduz serviço militar obrigatório

 

China proíbe viagens para a Coreia do Sul

 

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publicado às 19:37


O jogo do mundo

por beatriz j a, em 05.02.17

 

 

(link na imagem)

 

O mapa do planeta visto de cima fala outra língua.

Neste momento, vastos territórios da Rússia fazem uma fronteira natural de gelo com o Alasca dos EUA, separados pelo estreito de Bering mas com o aquecimento do planeta e o consequente degelo as terras agora inóspitas ficam à distância de uma viagem de barco relativamente curta. Esse facto, conjugado com o problema da Rússia ter já vastos territórios de milhares e milhares de quilómetros desocupados, é um dos grandes problemas que preocupa muito Putin, como lemos em vários sítios de especialidade.

 

Putin pensou, em parte, resolver o problema seguindo o exemplo da Alemanha (sobretudo) que foi pôr-se à cabeça de um império e importar cristãos dos países do sul da Europa apertados com grandes dívidas. A partir de uma ideia do presidente do Casaquistão impulsionou a EurAsEC (União económica EuroAsiática) que já leva 5 países com tratados parecidos com os da UE. Na altura convidaram a Ucrânia para pertencer ao grupo que tem agora cerca de 40 países interessados, entre eles a Turquia, que é observadora. No entanto, o povo da Ucrânia preferiu a UE, depôs o presidente pró-russo, elegeu um pró-UE, o que estragou completamente os planos de Putin e, em parte, levou à crise da Crimeia, como se sabe. 

 

Neste impasse, aproveitou para minar as eleições americanas, a UE, aproximar-se da Turquia e destabilizar a cena internacional aproveitando-se dos erros e hesitações dos americanos na Síria. Entretanto, porque pode, vai progredindo na Ucrânia como um buldog quando ferra o dente e já não abre a mandíbula. 

Uma pessoa olha para o mapa e vê que Kiev fica no centro com um rio a dividi-la à laia de fronteira natural. Enquanto o Ocidente se entretem com Trump, Putin vai avançando e, mesmo que não consiga tomar conta de metade da Ucrânia como a URSS fez na Alemanha com muro e tudo, manter metade do país sob o seu controlo militar em guerrilha constante faz o mesmo serviço. Basta que avancem mais um bocadinho.

A situação está muito complicada e acho que o Obama andou a preparar-se para ela nos últimos tempos da sua presidência com acordos com países de posição estratégica.

Como o Trump é um comerciante e politicamente ingénuo muita coisa vai mudar enquanto ele faz parvoíces. Para já acho que vamos assistir aos países das economias emergentes entrarem em decisõesda cena internacional como até agora nunca tinham entrado, sob a proteção/orientação duma potência qualquer... resta ver quem... quem os vai ganhar para a sua causa.

A situação está perigosa mas isto é interessante.

 

link na imagem 

 

 

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publicado às 18:59


Como estragar um acordo importante

por beatriz j a, em 24.11.16

 

 

.. por falta de visão, excesso de ganância, crença infundada na infinitude do crescimento das economias e na capacidade dos governos enganarem os povos para enriquecerem grupos já bilionários.

Este acordo serve para os EUA e UE e o Ocidente em geral não perderem importância face ao avanço esmagador da China e da Índia na economia e da Rússia na política global. Mas não só. Há o problema dos países que estão na fronteira com a China mas não querem ser absorvidos por ela, tal como os países que estão na fronteira com a Rússia não querem ser absorvidos por ela (para o que contam com a ajuda da UE e dos EUA) e estão agora em situação aflitiva - o Japão foi a correr à Towertrump falar com o homem. Pior porque a Rússia tem uma história comum com alguns desses países que estão cheio de russos mas a China tem uma história de beligerância com o Japão, a outra China (Taiwan) e outros pequenos países que sem a aliança dos EUA não têm nenhuma hipótese de escapar às imposições chinesas.

O acordo de comércio livre mantinha esses países independentes da sombra da China, permitia ao Ocidente ter um pé no Oriente e também pressionar a Rússia que está cada vez mais ousada e amiga desses países não democráticos que são a China, a Turquia, a Síria do Assad e outros do género.

 

No entanto, os que andam há anos e anos a negociar o acordo, com a sua falta de visão estratégica e egoísmo, fizeram questão de negociá-lo às escondidas dando grandes privilégios e prerrogativas aos grandes grupos económicos a expensas dos governos e dos povos de tal maneira que um Estado podia até ser processado por uma multinacional se esta não tivesse o lucro esperado, tal qual como aconteceu nas PPPs que os governos aqui do rectângulo negociaram às escondidas, à nossa custa, sem nenhum benefício (a não ser para as pessoas e grupos que o negociaram) e com os custos que todos sabemos porque andamos a pagá-los.

 

É evidente que este tipo de acordos têm que ser feitos a pensar no futuro global e a pensar que muita gente de muita natureza diferente pode ocupar os lugares do poder. Agora está lá o Supertrump que não quer saber de nada que não lhe traga lucro -é um comerciante, o Manelinho da Mafalda foi feito a pensar nele- mas antes esteve lá o Obama que não é um comerciante mas também não foi capaz de dar transparência e eficácia ao acordo e favoreceu estes grupos lobistas.

  

Até hoje, ninguém dos que negoceia o acordo teve a delicadeza de nos informar, a nós todos que o vamos -ou iríamos- pagar, os termos efectivos do acordo. Só no ano passado mandaram uma resenha para o PE depois de muita insistência e protesto. Quiseram que os governos o assinassem de cruz e à pressa, depois de o arrastarem dez anos, como se viu pela pressão que fizeram sobre a Bélgica há umas semanas.

Ora, como as coisas se têm desenvolvido nos últimos anos, não há um único país que me lembre que confie no seu governo para fazer frente a grandes grupos e defender os interesses dos que os elegeram pois anda à vista de todos, no mundo inteiro, o crescimento exponencial dos bilionários e o empobrecimento também exponencial das populações (com excepção de dois ou três países). A Merkel agora põe as mãos à cabeça com o recuo dos EUA da mesma maneira que os americanos põem as mãos à cabeça por terem eleito o Supertrump mas a verdade é que, tal como eles, também ela foi conivente com estes secretismos e subserviência a grandes cooporações porque lhe convinha. É o tal egoísmo autofágico que anda a atacar tudo quanto é país e a deixar-nos neste embróglio planetário.

 

TPP: Angela Merkel 'not happy' about possible demise of Trans-Pacific trade deal

US President-elect Donald Trump says the US will pull out of the deal on his first day in office

 

Whatever you think of him, Donald Trump is right – if you knew what TPP and TTIP stood for, you'd pull out too

Many people do not understand what these trade agreements mean so let me spell it out. They promote trade liberalisation. This essentially means opening up public services to corporate takeover and limiting our ability to control banks.

 

 

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publicado às 18:40


Há 24 anos

por beatriz j a, em 06.06.16

 

 

 

 

 

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publicado às 05:26

 

 

Uma experiência numa escola primária chinesa. Muito interessante porque os miúdos expõem os vícios das democracias.

 

 

 

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publicado às 04:12


Música pela manhã

por beatriz j a, em 14.03.16

 

 

O Erhu é um instrumento chinês de duas cordas. Aqui acompanhado por uma orquestra de instrumentos tradicionais.

 

 

 

 

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publicado às 05:12


Chá, China, Xangai

por beatriz j a, em 07.12.15

 

 

 

Ando a beber imenso chá, o que não era costume e, como não gosto de não saber o que ando a fazer e também porque parte do prazer de experimentar coisas novas vem do conhecimento, pus-me a ler e a pesquisar sobre chá, sobre processos de fazer o chá, sobre bules de chá e contentores de chá. Vi uma série de vídeos de mestres de chá para saber como se compra um bule e como tratá-lo, e, claro, como se faz o chá. Pesquisei os tipos de chá.

 

Então, mandei vir da China chá pu-erh que, como o vinho, quanto mais velho melhor. O chá vem nuns cakes, como lhe chamam, umas rodelas de chá tão prensado e espalmado que depois é necessária uma técnica para desfazer esses bolos de chá. Mandei vir um bulezinho de argila púrpura e um gaiwan depois de andar a pesquisar mais de uma semana sites chineses porque não quero coisas caras nem enganosas. Ando a ver técnicas de fazer esse chá de modo a tirar-lhe o melhor sabor possível.

 

 

Dos chás todos que vi e pesquisei há dois que gostei porque os outros também por aqui se arranjam e há chás que não me cativam como o chá verde e o de jasmim, por exemplo.

Entretanto ando no ebay a ver caixas de chá que chegam a ter preços exorbitantes de 6000 dólares... esta que aqui se vê e que mede 8 centímetros de altura e diâmetro -por acaso é japonesa, que as chineses têm um pano a resguardar o chá- custa 500 dólares. Há caixas lindas, lindas, como esta, mas claro que é só para ver porque uma coisa desta só se compra com um amigo daqueles do Socas que despejam milhões para cima das pessoas só porque sim.

 

Quando chegarem as coisas depois faço um chá à maneira e conto a experiência :)

 

 

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publicado às 17:27

 

 

Envelhecida e desequilibrada, China põe fim à política de filho único

 

O planeta tem gente a mais e já faltam recursos e a China é um dos grandes responsáveis mas em vez de manter o controlo do crescimento da população resolveu abrir as portas ao descontrolo. Têm falta de jovens? Pois, também nós e muitos outros. Essa é a maneira de baixar o número descontrolado de pessoas que está a deixar o planeta à beira duma catástrofe: deixar que o número de mortes [idosos] seja bastante maior que o número de nascimentos. Isso piora a competitividade económica? Talvez, mas o ser humano desaparecer por excesso de gente e de malfeitorias feitas ao planeta para sustentar tanta gente é muito pior, não?

Estão desequilibrados e têm muitos rapazes e poucas raparigas? Isso não se deve à política de filho único mas a perpétuarem um sistema machista onde as mulheres só têm obstáculos e os homens portas abertas. É por isso que os pais abortam as raparigas e só querem rapazes. Há muitos anos que se vê esse problema a crescer. Corrigir políticas erradas com outras ainda piores para não mexer nas injustiças dos sistemas... Isto é de loucos. O planeta, como diz um amigo, ainda vai piorar muito, antes de melhorar.

 

 

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publicado às 10:05


Poemas da dinastia Tang

por beatriz j a, em 27.03.15

 

 

 

 

 

Meng Haoran

RETURNING AT NIGHT TO LUMEN MOUNTAIN


A bell in the mountain-temple sounds the coming of night.
I hear people at the fishing-town stumble aboard the ferry,
While others follow the sand-bank to their homes along the river.
…I also take a boat and am bound for Lumen Mountain —
And soon the Lumen moonlight is piercing misty trees.
I have come, before I know it, upon an ancient hermitage,
The thatch door, the piney path, the solitude, the quiet,
Where a hermit lives and moves, never needing a companion.

 

 

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publicado às 20:17


Acordar no planeta

por beatriz j a, em 26.10.14

 

 

 

panjin river beach in China - imagem da net

 

 

 

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publicado às 10:26


O princípio do fim do dólar?

por beatriz j a, em 31.08.14

 

 

 

Séisme : Russie et Chine abandonnent officiellement le pétrodollar

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Après que Vladimir Poutine a annoncé le 14 août dernier que la Russie voulait désormais vendre son gaz en devises nationales et plus en dollar américain, il n’aura pas fallu attendre longtemps pour que Moscou mette au point un accord global avec la Chine allant en ce sens.

 

chine russie

 

 

Selon RIA Novosti qui cite la revue Kommersant, le gouvernement russe a d’ores et déjà expédié deux navires vers l’Europe avec à leur bord 80 000 tonnes de pétrole en provenance de Novoportovskoye, un champ d’extraction situé dans l’Arctique. Ces deux livraisons seront réglées en roubles et pas en dollars, du jamais vu.

 

La Russie livrera aussi du pétrole via l’oléoduc Est-Sibérien/Océan Pacifique (ESOP) à destination de la Chine qui sera réglé en yuans chinois.

Selon Kommersant, il s’agit là d’une mesure de « protection » de la Russie consécutive aux sanctions prises par les États-Unis à son encontre.

 

Lire la suite sur Breizatao.com

 

 

 

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publicado às 01:27


Aniversários - O massacre de Tiananmen

por beatriz j a, em 04.06.14

 

 

 

Acima de tudo não deixar esquecer e não desvalorizar os actos e a coragem dos que se sacrificam pelos outros. Ainda hoje não sabemos quantos estudantes e civis morreram...

 

 

 

 

 

Photo of the protest in Tiananmen Square.

Photograph by Peter Turnley, Corbis
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No dia 15 de Maio de 1989, mais de 300 mil estudantes chineses manifestaram-se pedindo mais liberdade e democracia. O fotógrafo Turnley, em vez de fotografar o encontro entre Mikhail Gorbachev e Deng Xiaoping decidiu antes fotografar os estudantes. NG
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De início os estudantes pensaram que o exército estaria do seu lado. Muitos eram ex-companheiros de estudo.
Photo of a protester in Tiananmen Square.
Photograph by Peter Turnley, Corbis

 .

 .

No dia 3 de Junho as coisas complicaram-se e nessa noite as tropas usaram tanques para forçar os estudantes a sair. Os estudantes recusaram sair. A cada 15 minutos os soldados abriam fogo com as metralhadoras e deitavam abaixo os estudantes da linha da frente. Estes recolhiam os corpos e uma nova linha avançava. Foi assim durante toda a madrugada do dia 4 até ao nascer do dia. Até hoje não se sabe quantos morreram porque é proibido falar no assunto, na China.

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Photo of a PLA tang burned by students with bicycles hanging off the side.

Photograph by Peter Turnley, Corbis

 

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publicado às 05:48


Cá... nem tigres, nem moscas...

por beatriz j a, em 29.12.13

 

 

Caso de corrupção com mais de 500 deputados regionais na China

O caso, de acordo com a Xinhua, envolve 512 dos 527 deputados do hemiciclo da cidade de Hengyang que terão sido subornados com um montante de 110 milhões de yuan (cerca de 13,2 milhões de euros) para escolherem 56 dos seus elementos para a assembleia legislativa provincial, o órgão imediatamente superior na hierarquia comunista.

 

O Presidente chinês Xi Jinping assumiu que o combate à corrupção seria uma das bandeiras do seu Governo, tendo já sido condenados a penas de prisão perpétua nomes como Bo Xilai, antigo ministro do Comércio, e Liu Zhijun, líder do influente Ministério dos Transportes Ferroviários.

Xi Jinping fez saber que a luta contra a corrupção é dirigida a todos, "os tigres e as moscas", metáfora utilizada para salientar que todos os casos sejam investigados da mesma forma, sejam altos cargos ou simples funcionários.

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publicado às 14:47


Isto é na China

por beatriz j a, em 03.04.13

 

 

 

 

 

Crianças a caminho da escola têm de subir escadas em precipícios.

 

 

 

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publicado às 05:33


associação de ideias

por beatriz j a, em 24.02.13

 

 

 

 

 

Chun Arthur Wang

 

 

 

Lenga-Lengas da infância:


O Senhor é Parvo

 

 

O senhor é parvo
Parvo é o senhor
Senhor dos passos
Paços do Concelho
Conselho de Ministros
Ministro de Guerra
Guerra Junqueiro
Junqueira Alcântara
Alcântara-Mar
Mar da China
China Xangai
Xangai Cheque
Xeque Mate
Mata quem?
Mato o senhor
O senhor é parvo
Parvo é o senhor

 

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publicado às 18:10


Uma metáfora da situação da Europa

por beatriz j a, em 01.01.13

 

 

 

 

Moleiro Editor

Photo
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Isto parece-me uma matáfora da situação da Europa: a Merkele e os amigos a quererem que sejamos como a China estão a transformar a Europa num monstro que se destrói a si próprio.
.
Estamos reféns da visão medrosa e tacanha dos economistas da moda e de políticos sem conhecimentos, sem bagagem cultural e sem envergadura que defendem que para competirmos com a China temos que tornar-nos iguais à China, escquecendo que tornarmo-nos iguais à China significa termos povos sem direitos humanos, sem direitos civis nem laborais, mantidos pouco acima da escravatura, em empregos onde não ganham para uma vida digna e, calados.
.
A Europa vinha a construir -com muitos precalços pelo caminho, é certo- uma sociedade governada pela razão, pela autonomia dos cidadãos e dos povos, pelo respeito dos direitos humanos, pelo ideal duma sociedade mais justa, mais igualitária, mais humana. Os outros povos do mundo olhavam para aqui quando queriam um ideal a atingir.
.
De repente, o fim da Guerra Fria e a globalização fizeram o mundo ocidental regressar ao capitalismo selvagem que defende, mesmo se à custa do avanço civilizacional de mais de dois ou três séculos, o sucesso a todo o custo, o lucro a todo o custo, a competição desenfreada e o crescimento a todo o custo.
.
Com esses princípios que contrariam o espírito europeu das luzes e do desenvolvimento sustentado das democracias, a Europa partiu para uma política de não cooperação entre os seus membros, mas de manipulação e exploração de uns pelos outros, com objectivos dúbios de pôr uns países na pobreza a servirem de mão de obra barata para os outros poderem competir com a China. Estamos a assemelhar-nos à China...
.
Mas quem é que quer uma Europa construída à maneira da China? Se tivéssemos políticos de qualidade e saber, aproveitávamos esta oportunidade histórica única para construir uma união entre povos, abdicando dum ideal -irrealista- de crescimento contínuo indefinidamente e apostando num crescimento cujo indíce de medida seja a qualidade de vida, a boa vida.
.
Porque não medir o índice da sociedade europeia pela qualidade vida dos seus cidadãos? Entendendo-se por qualidade de vida, uma vida digna onde ter uma educação e uma habitação e um trabalho não sejam um luxo mas um instrumento generalizado para a construção duma vida digna. Uma vida que não se esgota no trabalho porque uma boa vida tem que incluir tempo de lazer, tempo de família e a possibilidade de dedicar-se a fins pessoais.

.

Ninguém tem o direito moral de desenhar para os outros uma vida de trabalho ou de miséria desde a infância até à cova.

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É claro que para isso é preciso mudar muita coisa: em primeiro lugar a organização do trabalho. É preciso que as pessoas trabalhem menos horas e lhes seja pago um dia de trabalho, para que todos possam ter acesso ao trabalho. É preciso desistir do lucro desenfreado, apostar numa sociedade onde o dinheiro esteja mais bem distribuído e onde não se eduquem as pessoas para uma ideia de sucesso ligada a ter muitos bens de luxo.
.
É preciso mudar a educação que não pode ser vista apenas como meio de formar trabalhadores. Uma pessoa pode tirar um curso superior de música e ser agricultor, como pode tirar um curso de filosofia e ser trabalhador de um fábrica. Se a sociedade formar os seus cidadãos para serem pessoas úteis mas autónomas e críticas, aquilo que somos enquanto pessoas não estará, necessariamente, ligado ao trabalho que fazemos e, podemos ter um trabalho qualquer e prosseguir outros interesses pessoais no tempo disponível, sem que isso seja visto como insucesso, o que aumenta a nossa qualidade de vida. É claro que podemos não querer tirar um curso superior e estudar o suficiente para arranjar um trabalho. Mas, isso tem que ser uma opção da pessoa e não uma imposição de governos.
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É preciso os economistas deixarem de vir, do alto da sua cátedra, dizerem aos políticos que a solução dos problemas é desqualificar a vida de quase toda a gente para não desagradar aos grandes barões das finanças que engolem povos.
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Era preciso que reorganizássemos a sociedade de modo a não nos desviarmos daqueles ideais do iluminismo, embora interpretados à luz actual, que continuam a ser ideais justos. Pois que interesse tem a vida colectiva da humanidade se não juntarmos esforços para nos melhorarmos enquanto humanidade?
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Isto parece difícil? Pois é... mas mais difícil foi o Galileu fazer valer a sua ideia de educação e ciência. Mais difícil foi vencer o nazismo. Mais difícil é pensar que estes séculos de luta onde tanta gente se sacrificou para que tivéssemos sociedades democráticas, governadas pela razão e não pelas religiões, onde as pessoas são vistas como pessoas e não como meros instrumentos do lucro alheio, serão todos perdidos e que daqui a cem anos estaremos como os chineses ou os árabes estão agora.
.
Não seria preferível aproveitar esta oortunidade única e construir uma sociedade de povos cooperantes, interessados mais na qualidade vida dos seus cidadãos que no lucro desmedido? Não seria excepcional chegar à sociedade das nações onde todos os dias se discutem guerras e massacres e dizer, 'olhem o que fizémos. E, se nós o fizémos outros também o poderiam fazer...?'
.
Porque é que há-de ser impossível? Os povos querem-no. Ainda temos uma geração de pessoas que estudaram sem se endividarem para o resto da vida e estão conscientes do que está em causa, como se vê pelas saídas à rua de tantos milhares de pessoas em tantos países a protestar o rumo que a Europa está a seguir.
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Já os outros povos deixaram de olhar para a Europa como o ideal duma civilização justa... porque já não o é. É uma civilização que parece ter agora como objectivo degradar-se até ao nível da China. Como se vê pelas palavras deste Olli Rehn, temos na Europa uma falta aflitiva de políticos de qualidade.
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Olli Rehn diz que Portugal precisa de mais consolidação orçamental em 2014

“excesso de regulação da actividade empresarial e a rigidez do mercado laboral”, assim como o “acesso fácil a dinheiro barato” e a existência de “sectores protegidos”.

.

Ainda estamos no 1º dia de 2013 e este indivíduo já vem dizer, sem nenhum pudor, que temos que continuar a despedir pessoas por 2014 adentro porque há muito dinheiro fácil(!) no país. Decerto o escandaliza que ainda haja um empregado com direitos laborais no país, pois o que se deseja mesmo é que nos tornemos como os trabalhadores da Apple na China onde os patrões das fábricas constroem muros à volta das fábricas suficientemente altos para eles deixarem de se suicidar.

.

A crise da Europa é uma crise de mediocridade das ideias, mediocridade dos políticos que nos governam e mediocridade dos economistas que os aconselham. Falta de ideias, falta de visão histórica, falta de coragem política, ganância própria dum modelo de capitalismo selvagem, próprio de sociedades não civilizadas. Fazem tudo ao contrário do que deveriam fazer!

 

 

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publicado às 15:02


Das coisas belas

por beatriz j a, em 27.12.12

 

 

 

 

 leopardo das neves, China

 

 

 

Poema Das Coisas Belas

 

As coisas belas,
as que deixam cicatrizes na memória dos homens,
por que motivo serão belas?
E belas, para quê?

Põe-se o sol porque o seu movimento é relativo.
Derrama cores porque os meus olhos vêem.
Mas por que será belo o pôr do Sol?
E belo, para quê?

Se acaso as coisas não são coisas em si mesmas,
mas só são coisas quando coisas percebidas,
por que direi das coisas que são belas?
E belas, para quê?

Se acaso as coisas forem coisas em si mesmas
sem precisarem de ser coisas percebidas,
para quem serão belas essas coisas?
E belas, para quê?

António Gedeão, Poemas póstumos (1987)

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publicado às 21:04


Estive a ler

por beatriz j a, em 25.12.12

 

 

 

 

... a página oficial da embaixada da China em Portugal. Tem logo na Homepage um texto intitulado, 'A Cotragem de Enfrentar a Verdade' acerca do diferendo com o Japão sobre as ilhas Diaoyu onde tece criticas ao espírito invasor do Japão e à sua falta de verdade... tudo o que lá está escrito podia ser escrito contra a China a propósito do Tibete...

 

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publicado às 22:06

g.a


3-8-12



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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